31 de dezembro de 2025
Os veteranos também projetam o futuro do judô © Imagem ilustrativa criada por IA / Global Sports
Iniciamos a temporada 2026 reverenciando um tema que ainda provoca resistência em alguns círculos dos tatamis: o judô veteranos. Embora esse sentimento seja cada vez mais minoritário, ele ainda existe — e reflete uma visão limitada, ultrapassada e, acima de tudo, desconectada do cenário real da modalidade no Brasil e no mundo.
A maior importância do judô veteranos vai muito além da utopia esportiva ou do saudosismo competitivo. Está, sobretudo, na manutenção, no fomento e na expansão da cultura do judô enquanto prática socioeducativa, filosófica e esportiva.
Todas as grandes modalidades de combate do planeta já entenderam isso. E não por acaso: o segmento veteranos tem se consolidado como base importante para o crescimento técnico, institucional e até financeiro das entidades. Para além das lutas, é uma engrenagem importante da cadeia de valor do turismo esportivo, um dos segmentos mais promissores da indústria do turismo global.
Criada há menos de duas décadas, a classe veteranos já é uma das mais disputadas do judô mundial. O Campeonato Mundial de Paris 2025 provou isso de forma irrefutável: 2.316 judocas de 64 países estiveram reunidos no Instituto Nacional de Judô (INJ), na França.
Diante de uma adesão tão expressiva, as comissões técnicas da Federação Internacional de Judô (FIJ) e da Federação Francesa de Judô (FFJDA) precisaram rever o formato da competição em tempo real — um sinal claro de que o judô veteranos não é mais um segmento marginal, e sim uma força consolidada dentro do sistema global da modalidade.
Campeão geral em 2024, na edição disputada em Las Vegas (EUA), o Brasil manteve seu protagonismo em 2025. Em Paris, liderou o Mundial até o último dia, quando as disputas femininas, marcadas por superioridade numérica da seleção francesa (170 atletas contra 14 brasileiras), definiram a classificação final. Mesmo assim, o Brasil sagrou-se vice-campeão mundial — superado apenas pelo país anfitrião.
É importante lembrar que as competições de veteranos são abertas, e permitem múltiplos representantes por país, na mesma categoria e peso. Ainda assim, o Brasil foi a melhor delegação estrangeira, reafirmando seu posto como potência incontestável da categoria.
Reduzir o judô veteranos a pódios é cometer um erro grave. Estamos falando de homens e mulheres que, por iniciativa própria, atravessam oceanos, competem em países distantes, vestem com orgulho o judogi com a bandeira do Brasil — e retornam não apenas com medalhas, mas com histórias. Marcas de experiências únicas, que se transformam em narrativas vivas nos dojôs, nas rodas de conversa, com amigos, alunos e familiares.
Fomentar o judô veteranos é, antes de tudo, fomentar a cultura do judô. É manter vivo o espírito que une gerações. E é também entender que o esporte, em qualquer lugar do mundo, só alcança sua grandeza máxima quando se torna parte da cultura nacional.
Ignorar o judô veteranos não é apenas um erro técnico. É um equívoco histórico, estratégico e institucional, que compromete a própria longevidade e relevância da modalidade. Enfim, um erro de compreensão sobre o que realmente alicerça a cultura esportiva do judô.
Judô veteranos é pertencimento, continuidade e inspiração. É a memória ativa de um esporte que se reinventa todos os dias, sem jamais perder sua essência. Em um mundo onde tudo muda rapidamente, manter viva a cultura do judô é um compromisso de todos. E os veteranos são, hoje, seus mais fiéis guardiões.
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