20 de fevereiro de 2026
Do kimono às algemas: a imagem sintetiza a ruptura brutal entre o discurso esportivo e a realidade de um pseudo professor preso como suspeito de crimes graves contra seus próprios alunos © Reprodução
A Polícia Civil de Mato Grosso prendeu, na primeira semana de fevereiro, um homem de 29 anos que se apresentava como professor de judô e jiu-jitsu, suspeito de cometer abusos sexuais contra alunos com idades entre 12 e 18 anos.
A Revista Budô, no exercício de sua apuração investigativa, identificou o suspeito como Attaênio Rogger da Silva, faixa preta que, em suas redes sociais, se apresentava também como árbitro e bicampeão mundial de jiu-jitsu. Segundo informações oficiais da Polícia Civil, além do jiu-jitsu, ele também ministrava aulas de judô, tendo como público crianças e adolescentes — fato amplamente divulgado em seu próprio perfil no Instagram.

Algemado, o suspeito é conduzido à delegacia da Polícia Civil de Rondonópolis, onde permanece à disposição da Justiça enquanto as investigações seguem em curso © Divulgação / PCMT
A prisão ocorreu no município de Primavera do Leste, na região Sudeste de Mato Grosso, em cumprimento a mandado expedido pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz de Garantias da Comarca de Rondonópolis.
De acordo com a corporação, até o momento foram registradas cinco ocorrências formais contra o investigado, distribuídas entre os municípios de Rondonópolis, Campo Verde e Primavera do Leste, envolvendo, ao todo, sete vítimas.
As investigações tiveram início após a mãe de um dos adolescentes procurar a Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Rondonópolis para registrar a denúncia. Segundo o relato, o filho informou estar sendo submetido a condutas abusivas por parte do professor durante deslocamentos para competições esportivas. Conforme a família, o jovem praticava judô desde os 10 anos de idade e participava regularmente de campeonatos.

O juiz de Direito Pedro Flory Diniz Nogueira, da Comarca de Primavera do Leste, que manteve a prisão do suspeito após audiência de custódia © Reprodução
No curso da apuração, a Polícia Civil apontou que o investigado se valia da posição de autoridade técnica e da relação de confiança inerente à função de professor e treinador para se aproximar das vítimas.
“Como ele tinha facilidade de acesso às vítimas em razão da atividade que desempenhava, acreditamos que outras crianças e adolescentes possam ter sido vitimados”, afirmou o delegado Eric Martins, da Polícia Judiciária, responsável pelo caso.
Os depoimentos colhidos indicam que os episódios teriam ocorrido, sobretudo, durante viagens e períodos de hospedagem vinculados a competições esportivas, contexto que ampliou a vulnerabilidade dos alunos.
Após a prisão, o investigado foi encaminhado à delegacia de Primavera do Leste, onde foram adotadas todas as providências legais cabíveis. Ele permanece à disposição da Justiça.
Em audiência de custódia realizada em 5 de fevereiro, o Juiz de Direito Pedro Flory Diniz Nogueira, da Comarca de Primavera do Leste, decidiu pela manutenção da prisão de Attaênio Rogger da Silva.
Conforme informado pela Justiça, o investigado já figurava como alvo de outro procedimento em andamento no município de Campo Verde, que apura fatos de natureza semelhante. O magistrado considerou presentes os requisitos legais para a custódia cautelar, especialmente diante da gravidade das acusações e do risco à ordem pública.
Atendendo a questionamentos formais encaminhados pela Revista Budô, o presidente da Federação Mato-grossense de Judô (FMJ), Fernando Moimaz, manifestou-se de forma objetiva e cautelar sobre o caso.
Segundo Moimaz, assim que a entidade tomou conhecimento dos fatos, considerados gravíssimos, e envolvendo um professor federado, as medidas administrativas cabíveis foram imediatamente adotadas, respeitando os princípios da legalidade, da proteção aos judocas filiados e da colaboração com as autoridades competentes.
A Federação Matogrossense de Judô, em razão dos fatos divulgados pela imprensa, que envolvem um atleta/professor de Judô tem a dizer o seguinte:
Tão logo teve notícia dos fatos graves imputados, essa Federação por seu Presidente Fernando Moimaz, determinou a imediata suspensão do atleta/professor preventivamente até que os fatos sejam devidamente esclarecidos.
A Federação Matogrossense de Judô não compactua com atos ou crimes que possam ferir a dignidade de qualquer pessoa. Reiteramos que a tradição centenária do Judô, defende a disciplina, valoriza o respeito e incentiva o desenvolvimento de princípios como a honestidade, honra, modéstia, autocontrole e a amizade.
Ademais, dito isto, e estando o referido atleta/professor acusado de delitos graves, informa a sociedade em geral que agiu a Federação, por seu Presidente acima citado, imediatamente e de forma pontual, afastando o mesmo de seus quadros, aguardando outras providencias com o deslinde da investigação criminal.
FERNANDO MOIMAZ
Presidente da FMTJ

Cópia da Nota Oficial da Federação Matogrossense de Judô © Reprodução
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