Dentro da mente de Hifumi Abe

Hifumi Abe concede entrevista © Kulumbegashvili Tamara / FIJ

Poucos nomes no judô moderno são tão respeitados quanto o de Hifumi Abe. Bicampeão olímpico em Tóquio 2021 e Paris 2024, tetracampeão mundial e dono de duas medalhas de prata olímpicas por equipes mistas, Hifumi Abe traduz no tatami um judô ofensivo, preciso e orientado pela busca constante do ippon.

Por Nicolas Messner / FI
Curitiba, 25 de março de 2026

Algumas semanas atrás, Abe voltou a evidenciar seu altíssimo nível ao conquistar, com autoridade, a medalha de ouro no Grand Slam de Tashkent. A performance serviu de base para um novo vídeo, no qual o campeão revisita sua jornada na competição, analisando combate a combate e detalhando as escolhas táticas e técnicas que o conduziram à vitória.

Desde a rodada inicial, Abe deixa claro que sua estratégia estava bem definida. O foco esteve no uso do ashi-waza e na manutenção de uma postura sólida, dois pilares fundamentais de seu judô. Para ele, a postura é determinante: mesmo quando pressionado ou desequilibrado pelos adversários, mantém a cabeça erguida e o controle estrutural do corpo.

Final do Grand Slam de Tashkent (Grupo OTP), na qual Abe venceu Shinsei Hattori por ippon © Kulumbegashvili Tamara / FIJ

Outro traço marcante de sua abordagem é a busca incessante pelo ippon. Sempre que surge a oportunidade de aplicar sua técnica favorita, o sode-tsuri-komi-goshi, Abe não hesita. Ainda assim, seu repertório está longe de se limitar a uma única técnica. Variedade e capacidade de adaptação são elementos centrais de seu estilo, permitindo que encontre soluções em diferentes cenários de combate.

Criar espaço para manter o controle do combate

Quando colocado sob pressão, sua resposta é clara: criar espaço. Ao manter certa distância do oponente, preserva a fluidez e a liberdade necessárias para construir ataques precisos no momento oportuno.

A pressão, no entanto, não se restringe ao tatami. Durante o Grand Slam de Tashkent, a torcida local apoiou intensamente os atletas uzbeques. Para Abe, porém, esse ambiente não interfere em sua concentração, que permanece integralmente voltada para a luta.

Abe comemora a vitória no Grand Slam de Tashkent © Kulumbegashvili Tamara / FIJ

O vídeo conduz o espectador até a final, em que Abe enfrentou seu compatriota Shinsei Hattori. Embora já tivessem treinado juntos em sessões de randori, era a primeira vez que se encontravam em uma competição oficial. O desfecho foi um dos momentos mais marcantes do evento: em poucos segundos, Abe executou uma técnica decisiva e garantiu o título com autoridade.

Preparação em ação e resultado

Ouvir um atleta do calibre de Abe analisar o próprio desempenho oferece uma perspectiva rara. Suas explicações colocam o espectador dentro da mente de um judoca de elite, revelando os detalhes que transformam preparação em ação e resultado. O conteúdo se apresenta, assim, como uma oportunidade valiosa para praticantes e admiradores compreenderem o judô sob o olhar de um dos maiores nomes de sua geração.

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Uma década no topo

Atualmente, Hifumi Abe mantém alto nível de consistência no circuito internacional. Em 27 de fevereiro de 2026, sagrou-se campeão no Grand Slam de Tashkent; em dezembro de 2025, conquistou o título no Grand Slam de Tóquio; e, em junho do mesmo ano, alcançou o pódio no Campeonato Mundial Sênior da Hungria. Seu desempenho o coloca atualmente na segunda posição do ranking mundial, com 4.600 pontos, atrás apenas do compatriota Takeshi Takeoka, que soma 4.880 pontos, consolidando-se como um dos principais nomes do judô mundial na última década.

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