10 de abril de 2026
Professor Amadeu Dias de Moura, integrante da diretoria de Educação da FIJ e membro do corpo docente da Solidariedade Olímpica do Comitê Olímpico Internacional © Imagem criada por IA / Global Comunicação
O curso de formação realizado em São Tomé e Príncipe, entre os dias 30 de março e 4 de abril de 2026, revela um movimento estratégico da Federação Internacional de Judô (FIJ) na expansão global da modalidade, com protagonismo do professor kodansha sul-mato-grossense Amadeu Dias de Moura. Integrante da diretoria de Educação da FIJ e do corpo docente da Solidariedade Olímpica do Comitê Olímpico Internacional (COI), o dirigente brasileiro não apenas liderou a capacitação, como também evidenciou, na prática, a força e o alcance da escola brasileira de judô no cenário internacional.
A temporada de desenvolvimento do judô mundial segue avançando com ações estruturantes em regiões estratégicas, e o recente curso de nível 1 realizado em São Tomé e Príncipe é um exemplo claro desse movimento. Organizado pelo Comitê Olímpico local, pela federação nacional e com apoio da FIJ e da Solidariedade Olímpica, o programa reuniu 35 participantes, entre professores, técnicos e agentes do esporte, em uma imersão voltada à formação de base.
O programa foi realizado em dois polos — o Palácio da Juventude e o Centro de Treinamento de Esportes de Combate. Reuniu 35 participantes entre instrutores, praticantes e professores de educação física, em um ambiente marcado pela troca de conhecimento, colaboração e aprimoramento técnico.

Mesa de abertura do curso em São Tomé e Príncipe reúne o professor kodansha shichi-dan (7º dan) Amadeu Dias de Moura, Jorzita Quaresma (diretora-geral de Desporto), Laureano Lima Ferreira Soares (secretário-geral do Comitê Olímpico de São Tomé e Príncipe) e o professor André Rosa, presidente da Associação de Judô de São Tomé e Príncipe, durante a condução dos trabalhos © ZuntaTY
O conteúdo contemplou desde os valores essenciais do judô até metodologias modernas de treinamento, reforçando a compreensão da modalidade como ferramenta educacional e social.
Localizado na África Central, no Golfo da Guiné, São Tomé e Príncipe é um arquipélago de língua portuguesa cuja formação histórica remonta ao período da colonização iniciada por Portugal no século XV. A herança lusófona permanece viva até hoje, não apenas no idioma oficial, mas também nos traços culturais, na organização social e nas conexões institucionais que aproximam o país de outras nações de língua portuguesa, como o Brasil.
Mais do que um curso técnico, a iniciativa se consolidou como uma ação de formação integral. E foi justamente nesse ponto que a atuação do professor kodansha shichi-dan (7º dan) Amadeu Dias de Moura se destacou.
“O curso em São Tomé e Príncipe foi de nível 1, então é a base do judô. Trabalhamos os aspectos fundamentais, a disciplina, a filosofia e os elementos técnicos básicos, como saudação, movimentação e formação física, com foco também na psicomotricidade”, explicou.

Professores Amadeu Dias de Moura e André Rosa na cerimônia de abertura do curso em São Tomé e Príncipe © FIJ
Ao longo das atividades, o conteúdo foi ampliado para além do tatami. Em um ambiente que também contou com a presença de professores de educação física, o judô foi apresentado como ferramenta educacional transversal.
“Mostramos como o judô pode atuar diretamente na formação dos alunos, com jogos lúdicos que envolvem matemática, geografia e história. Não é apenas ensinar a lutar, mas mostrar que o judô forma cidadãos”, destacou.
A presença brasileira em ações formativas da FIJ não é apenas técnica — é conceitual. E, segundo o próprio Amadeu, isso é reconhecido globalmente.
“A escola brasileira de judô é observada e admirada no mundo inteiro. Dentro da Confederação Pan-Americana e da Federação Internacional, ouvimos comentários que nos deixam orgulhosos. É um judô forte, tradicional, que respeita os princípios fundamentais, como o jita-kyoei e o seiryoku-zenyo”, afirmou.
Essa percepção vai além da performance competitiva. Ela se manifesta no comportamento e na identidade dos atletas brasileiros.
“Quando veem nossos atletas, dentro e fora dos tatamis, percebem o respeito ao adversário, a educação, a cortesia. Isso é observado pela Federação Internacional. E o Brasil sempre esteve em destaque nesse aspecto.”
Segundo ele, essa construção não é artificial — é cultural. “Eles transmitem isso naturalmente. Já faz parte do modo de vida, do modo de respeitar e tratar as pessoas.”
A iniciativa também cumpriu um papel estratégico no fortalecimento do judô local. Ao atuar na base, a FIJ amplia não apenas o número de praticantes, mas eleva a qualidade do ensino e da estrutura formativa.
A proposta pedagógica apresentada reforçou que o judô, antes de ser competitivo, é formativo. E essa abordagem tem impacto direto no futuro da modalidade.

Amadeu Moura, Jorzita Quaresma, Laureano Lima Ferreira Soares e André Rosa reunidos com faixas-pretas e profissionais de educação física participantes do curso em São Tomé e Príncipe © ZuntaTY
A lógica é clara: primeiro forma-se o indivíduo, depois constrói-se o atleta. Esse modelo, amplamente difundido pela escola brasileira, foi um dos pontos mais valorizados pelos participantes e pelas autoridades locais, que enxergaram na metodologia uma ferramenta concreta de desenvolvimento social e educacional.
E é justamente essa abordagem que se materializou na estrutura do curso realizado no país africano.
A presença de autoridades na cerimônia de abertura, incluindo Jorzita Quaresma, a diretora-geral de Esportes e Laureano Lima Ferreira Soares, o secretário-geral do Comitê Olímpico de São Tomé e Príncipe, e no encerramento, com a participação de João Manuel da Costa Alegre Afonso, o presidente da entidade, evidenciou o forte apoio institucional à iniciativa e o compromisso com o desenvolvimento da modalidade no país.

Professores Amadeu Moura e André Rosa com faixas-pretas mais graduados © FIJ
O impacto da ação já é projetado para além do curto prazo. A expectativa é de ampliação do número de treinadores qualificados, maior capacidade de implementação de programas estruturados nas comunidades e uma inserção mais consistente do judô no sistema educacional local.
Para o presidente da Associação de Judô de São Tomé e Príncipe, professor André Rosa, o momento representa um avanço significativo: “Este curso representa um passo decisivo para o fortalecimento do judô em São Tomé e Príncipe. Estamos investindo nas pessoas, na qualidade do ensino e na construção de bases sólidas para o futuro do esporte em nosso país.”
Se no campo técnico o Brasil já é referência, na arbitragem o protagonismo é histórico — e segue atual. Ao abordar esse tema, o professor Amadeu foi direto ao resgatar a profundidade dessa construção.
“O Brasil tem uma história muito rica na arbitragem. Professores como Carlos Catalano, Shigeto Yamazaki e Emmanuel Mattar, o Maranhão, entre vários outros, construíram uma base sólida. Na sequência, nomes como o professor Edson Minakawa também se destacaram no cenário internacional.”
A continuidade dessa escola se dá por gerações. “Hoje vemos nomes como André Mariano, árbitro olímpico e considerado um dos melhores de sua geração, que atualmente atua como supervisor de arbitragem da FIJ e, em fevereiro, foi nomeado Coordenador Nacional de Arbitragem da CBJ. Isso mostra a força da nossa formação.”

Professores Amadeu Moura e André Rosa com faixas-pretas mais graduados © FIJ
Após o encerramento do curso, os professores Amadeu e André avaliaram a ação de forma extremamente positiva © FIJ
Outro nome de destaque nesse cenário foi o do professor José Pereira, referência histórica e um dos mais longevos judocas brasileiros, com trajetória marcante na gestão nacional de arbitragem.
Apesar desse reconhecimento internacional, Amadeu faz um alerta: “Às vezes não damos o devido valor a esses profissionais no Brasil. Mas a arbitragem brasileira é reconhecida mundialmente como uma das melhores.” E vai além: “Sem esse grupo, não teríamos o nível competitivo que o judô brasileiro alcançou.”
Atualmente, a arbitragem internacional segue sob a direção da FIJ, comandada por Armen Bagdasarov, Raul Camacho Perez e Tina Trstenjak, mantendo padrões que dialogam diretamente com a tradição construída por países como o Brasil.
A ação em São Tomé e Príncipe reforça um movimento maior da Federação Internacional de Judô: utilizar o esporte como instrumento de educação, inclusão e desenvolvimento social em regiões onde a modalidade ainda está em expansão.
Com a atuação de professores como Amadeu Dias de Moura, o judô brasileiro não apenas participa desse processo — ele lidera, influencia e deixa legado. Mais do que ensinar técnicas, o Brasil exporta um conceito.
E esse conceito, construído nos tatamis ao longo de décadas, hoje ecoa em diferentes continentes, formando não apenas atletas, mas cidadãos.
Nos tatamis africanos, asiáticos ou europeus, a marca da escola brasileira está presente — na técnica, na filosofia, na formação e na arbitragem.
Não por acaso. Esse cenário é resultado de uma construção longa, sólida e silenciosa, que hoje fala alto para o mundo inteiro.
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