Pódios em Astana ratificam a qualidade da nova geração do judô brasileiro

Guilherme Schimidt e o sérvio Boris Rutovic protagonizam disputa intensa na final da categoria até 90kg do Grand Slam de Astana © Gabriela Sabau / FIJ

Além das sete medalhas conquistadas, o Brasil ainda somou pontos importantes com dois quintos lugares e quatro sétimos lugares, resultados que evidenciam a profundidade técnica da equipe e projetam a nova geração do judô brasileiro no cenário internacional no início do ciclo olímpico.

Paulo Pinto / Global Sports
Curitiba, 11 de maio de 2026

O último dia de competição do Qazaqstan Barysy Grand Slam foi um sucesso em todos os níveis. Das medalhas para a equipe cazaque à celebração das estrelas olímpicas da casa e dos organizadores do evento, tudo correu perfeitamente, inclusive para o Brasil que, com o excelente trabalho da sua uma comissão técnica somou sete medalhas, dois quintos lugares e quatro sétimos lugares que projetam o país no cenário mundial.

Campanha brilhante

No primeiro dia de competição, Sarah Souza (-57kg) conquistou o bronze, e no segundo, outros três bronzes vieram com Rafaela Silva (-63kg), Nauana Silva (-70kg) e David Lima (-81kg).

Neste domingo, o Brasil chegou a sua primeira final na competição, com o sogipano Guilherme Schimidt (-90kg) que ficou com a medalha de prata, e outras três disputas de bronzes, saindo vitorioso em duas com Beatriz Freitas (-78kg) e Leonardo Gonçalves (-100kg).

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Rússia comemora título geral

A Federação Russa encerrou o Grand Slam de Astana na primeira colocação geral, somando três medalhas de ouro, duas de prata e três de bronze, desempenho que confirmou a consistência técnica da equipe ao longo dos três dias de competição.

A França terminou na segunda posição, também com três títulos, além de uma prata e um bronze, mantendo o alto nível apresentado recentemente no circuito mundial.

Após a final do peso médio, Guilherme Schimidt e Boris Rutovic demonstram respeito mútuo e espírito esportivo, valores que fazem do judô muito mais do que uma modalidade competitiva © Tamara Kulumbegashvili / FIJ

O país anfitrião, Cazaquistão, teve participação destacada diante de sua torcida e fechou o evento em terceiro lugar, com duas medalhas de ouro, duas de prata e quatro de bronze, totalizando oito pódios e consolidando a força do judô cazaque no cenário internacional.

A Mongólia terminou na quarta colocação geral, com duas medalhas de ouro, uma de prata e três de bronze, enquanto a Alemanha fechou o grupo dos cinco principais países da competição com um ouro, duas pratas e um bronze.

Brasil brilha com sete pódios

Com sete medalhas conquistadas, uma de prata e seis bronzes, o Brasil figurou entre as delegações com maior número de pódios no Grand Slam de Astana, reforçando a qualidade técnica e a profundidade da nova geração do judô brasileiro já no início do ciclo olímpico. Apenas a Federação Russa, campeã-geral da competição, e o Cazaquistão, terceiro colocado, alcançaram número superior de medalhas, ambos com oito pódios. A Mongólia, quarta colocada na classificação geral, também encerrou a competição com sete medalhas, mesmo número do Brasil. Já a França, vice-campeã do torneio graças ao número de medalhas de ouro, totalizou cinco pódios.

Pódio da categoria até 90kg com o campeão Boris Rutovic, da Sérvia; o vice-campeão Guilherme Schimidt, do Brasil; e os medalhistas de bronze Aidar Arapov, do Cazaquistão, e Mihail Latisev, da Moldávia © Tamara Kulumbegashvili / FIJ

Além das medalhas, o expressivo desempenho brasileiro foi sustentado também por dois quintos lugares e quatro sétimos lugares, resultados que ampliam a leitura técnica da campanha nacional e evidenciam a competitividade da equipe em praticamente todas as categorias de peso disputadas.

Desempenho brasileiro no último dia

Guilherme Schimidt, confirmou a excelente adaptação à nova categoria ao conquistar a medalha de prata em Astana, chegando pela primeira vez a uma final internacional no peso médio (-90kg).

Na campanha, o brasileiro venceu o holandês Tigo Renes por ippon nas oitavas de final e, depois, superou o cazaque Aidar Arapov com um yuko conquistado a apenas quatro segundos do encerramento da luta.

Na semifinal, Schimidt venceu o compatriota Rafael Macedo em duelo entre atletas da seleção brasileira e da Sogipa (RS). A classificação veio após o adversário receber shidos por falta de combatividade.

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Na final, Guilherme encarou o jovem sérvio Boris Rutovic, uma das grandes surpresas do Grand Slam de Astana. Até chegar à final, Rutovic superou Mihail Latisev, da Moldávia, e Noël Van ‘t End De Wit, da Holanda, demonstrando um judô agressivo, ofensivo e sem receio de assumir a iniciativa dos combates. Com um estilo dinâmico e extremamente competitivo, Rutovic levou essa postura também para a decisão diante do brasileiro Guilherme Schimidt na disputa pela medalha de ouro.

Na decisão, os dois atletas iniciaram o combate em ritmo extremamente estudado, neutralizando as ações ofensivas um do outro e dificultando a construção dos ataques. Apesar da intensidade e da movimentação constante, nenhuma das tentativas conseguia produzir pontuação.

Nos instantes finais do tempo regulamentar, Guilherme Schimidt arriscou um o-soto-gari na tentativa de definir o combate. Bem posicionado defensivamente, Rutovic aproveitou a ação do brasileiro para encaixar um contra-ataque que lhe valeu um yuko.

Com técnica precisa e projeção de grande amplitude, Beatriz Freitas aplica o golpe que definiu a vitória por ippon sobre a canadense Coralie Godbout na disputa pela medalha de bronze © Gabriela Sabau / FIJ

Schimidt ficou com a medalha de prata, resultado que deverá colocá-lo entre os 20 melhores do ranking mundial da categoria. “Essa medalha representa muito para mim, principalmente nesse momento de adaptação ao peso médio. Estou evoluindo competição após competição e fico feliz em ver o trabalho sendo recompensado”, destacou o judoca do Distrito Federal.

Beatriz Freitas repete bronze e mantém regularidade internacional

No peso meio-pesado (-78kg), Beatriz Freitas voltou a subir ao pódio do Grand Slam do Cazaquistão e conquistou mais uma medalha de bronze para o Brasil.

Após conquistar a medalha de bronze, Beatriz Freitas deixa o shiai-jo muito emocionada © Gabriela Sabau / FIJ

A judoca paulista que defende o Esporte Clube Pinheiros venceu a cazaque Saltanat Akhmetova nas oitavas de final, passou pela russa Aleksandra Babintseva na repescagem e garantiu o bronze ao derrotar a canadense Coralie Godbout com dois wazaris. A única derrota da campanha aconteceu diante da francesa Liz Ngelebeya, nas quartas de final.

Na disputa pela medalha de bronze do meio-pesado (-78kg), Beatriz Freitas e a canadense Coralie Godbout protagonizaram um duelo que garantiu mais uma disputa pan-americana em Astana. Restava saber se a medalha seguiria para a América do Norte ou para a América do Sul.

Ao deixar o shiai-jo emocionada, Bia é recebida e acolhida pela técnica Andrea Berti © Gabriela Sabau / FIJ

A resposta veio logo no início do quarto minuto de combate. Com excelente leitura de luta e precisão técnica, Beatriz aplicou um golpe de grande amplitude sobre a adversária canadense, conquistando o ippon que confirmou o bronze brasileiro no Grand Slam do Cazaquistão.

Com o novo resultado, Beatriz repete o bronze conquistado em Astana na temporada passada e segue consolidada entre as principais atletas da categoria no circuito mundial.

Pódio da categoria até 78kg feminino com a campeã Anna Monta Olek, da Alemanha; a vice-campeã Alina Boehm, da Alemanha; e as medalhistas de bronze Liz Ngelebeya, da França, e Beatriz Freitas, do Brasil © Tamara Kulumbegashvili / FIJ

“Estou muito feliz por voltar ao pódio aqui no Cazaquistão. Foi uma competição muito forte e conseguir mais esse resultado mostra que estou no caminho certo”, afirmou a brasileira.

Leonardo Gonçalves supera rival holandês e garante bronze

Leonardo Gonçalves encerrou a participação brasileira em Astana com mais uma medalha de bronze na categoria até 100kg.

Na disputa pelo pódio, o paulista que defende a Sogipa derrotou o holandês Simeon Catharina com um yuko no golden score, conquistando uma importante vitória após derrota para o mesmo adversário no Grand Slam de Paris.

Leonardo Gonçalves aproveita espaço na defesa do holandês Simeon Catharina para aplicar o yuko que garantiu o bronze brasileiro © Gabriela Sabau / FIJ

Antes disso, Léo venceu Mushin Malev, do Tajiquistão, e o cazaque Askar Birzhanov, chegando à semifinal, onde acabou derrotado pelo moldavo Vadim Ghimbovschi.

A disputa pela medalha de bronze foi extremamente equilibrada e marcada por forte tensão tática. Ao entrarem no golden score com dois shidos para cada lado, qualquer erro poderia ser decisivo.

O combate caminhava para um desfecho dramático, mas a definição veio antes de uma nova punição. Leonardo Gonçalves aproveitou um raro espaço na defesa do holandês Simeon Catharina para executar a virada que lhe garantiu um yuko. O lance chegou a gerar dúvida pela proximidade com uma situação de ne-waza, mas o adversário ainda não havia estabilizado os braços no solo, validando a ação do brasileiro.

Iguape comemora a conquista de mais um pódio internacional na temporada © Gabriela Sabau / FIJ

Atento ao momento decisivo da luta, Leonardo percebeu a oportunidade e não desperdiçou a chance de assegurar mais uma medalha para o Brasil em Astana.

Somando 4.380 pontos no ranking mundial da FIJ e ocupando atualmente a terceira colocação na categoria meio-pesado, Leonardo conquistou em Astana sua terceira medalha em etapas de Grand Slam e manteve a regularidade em uma temporada que já conta com o título do Campeonato Pan-Americano.

“Essa medalha tem um peso importante porque a minha categoria está cada vez mais equilibrada. Conseguir subir ao pódio novamente mostra que estamos evoluindo e permanecendo competitivos em alto nível”, destacou Leonardo Gonçalves.

Pódio da categoria até 100kg masculino com o campeão Marat Baikamurov, do Cazaquistão; o vice-campeão Vadim Ghimbovschi, da Moldávia; e os medalhistas de bronze Michael Korrel, da Holanda, e Leonardo Gonçalves, do Brasil © Tamara Kulumbegashvili / FIJ

Brasil construiu campanha sólida desde o primeiro dia em Astana

Antes das medalhas conquistadas no último dia de competição, o Brasil já havia garantido importantes resultados em Astana. Na sexta-feira, Sarah Souza conquistou o bronze na categoria até 57kg, assegurando seu primeiro pódio no Circuito Mundial da FIJ. A atleta do Esporte Clube Pinheiros venceu a italiana Veronica Toniolo na disputa pela medalha.

No sábado, o judô brasileiro ampliou sua campanha com outras três medalhas de bronze conquistadas por Rafaela Silva (-63kg), Nauana Silva (-70kg) e David Lima (-81kg), consolidando o país entre as delegações com maior número de pódios no Grand Slam do Cazaquistão.

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