Brasil conquista ouro e bronze no Mundial Cadete Individual e mantém nova geração entre as potências da modalidade

Clarisse Vallim conquista a medalha de ouro nos 70kg e torna-se bicampeã mundial cadete em Guayaquil © Di Feliciantonio Emanuele / FIJ

Clarisse Vallim chegou à segunda medalha de ouro consecutiva, Ana Mikaele Alcântara foi bronze e outros quatro brasileiros terminaram entre os sete melhores no Mundial Cadete Individual de Guayaquil.

Por Paulo Pinto | Global Sports
Curitiba, 24 de agosto de 2026

O Brasil encerrou o Campeonato Mundial Cadete Individual de Judô de 2026 na oitava colocação geral, com uma medalha de ouro, uma de bronze, dois quintos e dois sétimos lugares. A campanha manteve o país no Top Ten entre 59 nações e confirmou a nova geração brasileira entre as potências da modalidade: seis dos 20 judocas da delegação terminaram entre os sete melhores de suas respectivas categorias.

Ainda na faixa azul, Ana Mikaele Alcântara estreia no Mundial Cadete com a medalha de bronze nos 40kg © Di Feliciantonio Emanuele / FIJ

Realizado de 20 a 22 de agosto, no Coliseo Voltaire Paladines Polo, em Guayaquil, no Equador, o Mundial reuniu 457 judocas, sendo 245 homens e 212 mulheres, de 59 países e cinco continentes. A competição foi promovida pela Federação Internacional de Judô, com apoio da Federación Ecuatoriana de Judo, presidida por Israel Verdugo.

A dimensão do evento ajuda a colocar a campanha brasileira em perspectiva. Das 59 nações participantes, apenas 11 conquistaram ao menos uma das 16 medalhas de ouro em disputa. Além do Brasil, chegaram ao lugar mais alto do pódio Rússia, Cazaquistão, Uzbequistão, Canadá, Azerbaijão, Japão, Israel, Polônia, Alemanha e Estados Unidos. Ao todo, 22 países conquistaram medalhas.

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A Rússia liderou a classificação geral com quatro ouros, uma prata e três bronzes. O Cazaquistão ficou em segundo, com três ouros, três pratas e quatro bronzes, seguido pelo Uzbequistão, com um ouro, uma prata e quatro bronzes.

O nível de equilíbrio pode ser medido também pela campanha do Japão. Maior potência histórica do judô, o país terminou apenas na sexta colocação, com uma medalha de ouro, cinco de bronze e dois quintos lugares. O Brasil apareceu duas posições abaixo, com um ouro, um bronze, dois quintos e dois sétimos lugares.

Clarisse Vallim chega ao segundo ouro consecutivo

O principal resultado brasileiro veio com Clarisse Vallim, que conquistou a medalha de ouro nos 70kg pelo segundo ano consecutivo. Bicampeã mundial e líder do ranking mundial da categoria, a carioca de 15 anos que defende o Clube de Regatas do Flamengo, venceu quatro combates em Guayaquil.

Pódio dos 70kg: medalha de ouro para Clarisse Vallim, prata para Valerie Tombou e bronzes para Momoka Takeda e Diana Samoiliuk © Di Feliciantonio Emanuele / FIJ

Clarisse superou a estadunidense Chrystat Monthe Noussi, a francesa Norah Gosset e a ucraniana Diana Samoiliuk antes de enfrentar a belga Valerie Tombou na final. A brasileira manteve alto volume de ataques e levou a adversária a receber três punições por falta de combatividade.

“Minha preparação deste ano foi muito mais forte do que a do ano passado, porque todo mundo me conhecia, então seria mais difícil. Busquei ajustar meus pontos fortes e melhorar os fracos, e estava muito mais preparada do que em 2025”, afirmou.

Atleta do Clube de Regatas do Flamengo, Clarisse começou no judô aos quatro anos, por influência do pai e do avô, no projeto social Samurais do Morro, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Sua conquista representou a 42ª medalha do Brasil na história do Mundial Cadete e a nona de ouro.

Ana Mikaele estreia no Mundial com bronze

A primeira medalha brasileira em Guayaquil foi conquistada por Ana Mikaele Alcântara, nos 40kg. Aos 15 anos e em sua primeira participação em um Mundial, a cearense venceu três dos quatro combates disputados.

Pódio dos 40kg: medalha de ouro para Iroda Sirojiddinova, prata para Adiya Zhanakhmet e bronzes para Ana Mikaele Alcântara e Emiliia Saifutdinova © Di Feliciantonio Emanuele / FIJ

Formada na Rede Cuca, em Fortaleza, onde começou a praticar judô aos dez anos com o sensei Francisco Choles, Ana Mikaele derrotou a israelense Avigayil Gat Mualem e a ucraniana Sofiia Palamarenko. Na semifinal, ficou muito perto da decisão, mas sofreu a virada diante da cazaque Adiya Zhanakhmet no último segundo.

Na disputa pelo bronze, reencontrou a azeri Sunay Salamova e construiu uma vitória completa, com yuko, wazari e ippon por chave de braço.

Seis brasileiros entre os sete melhores

A leitura da campanha brasileira não se encerra nas duas medalhas. Arthur Bonato, nos 50kg, e Micaela Santos, nos 48kg, chegaram às disputas de bronze e terminaram em quinto lugar. Yago Mello, nos 81kg, e José Paulo Pereira, nos +90kg, conquistaram as duas sétimas colocações do país.

Assim, 30% da delegação brasileira terminou entre os sete melhores do mundo. O número mostra uma equipe capaz de avançar em diferentes categorias e manter presença nas fases decisivas, ainda que nem todas as oportunidades tenham sido convertidas em medalhas.

Top Ten

A classificação mostra duas realidades simultâneas. Rússia e Cazaquistão estabeleceram o patamar Rússia e Cazaquistão comandam um Top Ten de alta densidade

A Rússia foi a principal força do Mundial Cadete Individual. Com quatro medalhas de ouro, uma de prata e três de bronze, conquistou sozinha 25% das 16 categorias disputadas e terminou na liderança da classificação geral.

O Cazaquistão confirmou o crescimento de sua base ao somar dez medalhas, o maior volume da competição: três de ouro, três de prata e quatro de bronze. Somadas, Rússia e Cazaquistão conquistaram sete das 16 medalhas de ouro, o equivalente a 43,75% de todos os primeiros lugares.

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O Uzbequistão completou o grupo das três primeiras potências, com uma medalha de ouro, uma de prata e quatro de bronze. Juntos, os três países acumularam 24 medalhas e deram à parte euro-asiática do quadro uma concentração expressiva de resultados.

Na quarta colocação, o Canadá alcançou o melhor desempenho das Américas, com uma medalha de ouro, uma de prata, duas de bronze e dois sétimos lugares. O resultado canadense merece atenção porque deslocou o Brasil para a segunda posição continental nesta competição.

O Azerbaijão terminou em quinto, com uma medalha de ouro, uma de prata, quatro quintos e três sétimos lugares. O Japão, maior potência histórica da modalidade, apareceu somente em sexto, apesar de ter conquistado uma medalha de ouro e cinco de bronze. A posição japonesa dá a medida da exigência e do equilíbrio encontrados em Guayaquil.

Israel ficou em sétimo, com uma medalha de ouro e duas de bronze. O Brasil veio em oitavo, com uma medalha de ouro, uma de bronze, dois quintos e dois sétimos lugares. Polônia e Alemanha completaram o Top Ten, ambas com uma medalha demais alto do Mundial, enquanto nove países diferentes apareceram entre os 11 primeiros com pelo menos uma medalha de ouro. Nesse cenário, o Brasil não teve uma campanha dominante, mas permaneceu no grupo restrito das nações capazes de vencer uma categoria e colocou seis judocas entre os sete melhores do mundo.

A Confederação Brasileira de Judô conta com o patrocínio oficial do BNDES e com o apoio institucional do Comitê Olímpico do Brasil.

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