Takeshi Yokoti: “Não há segredo nem mágica: há trabalho”

Takeshi Yokoti, vice-presidente da Federação Paulista de Judô e titular da 16ª DR Sul-Itapeva © Global Sports

À frente da 16ª DR Sul-Itapeva e na vice-presidência da FPJudô, o professor shichi-dan aborda a expansão do judô, a formação de cidadãos e o compromisso de oferecer o melhor retorno possível aos filiados.

Por Paulo Pinto / Global Sports
São Paulo, 6 de setembro de 2026

Nesta entrevista, o professor kodansha shichi-dan (7º dan) Takeshi Yokoti, vice-presidente da Federação Paulista de Judô e titular da 16ª DR Sul-Itapeva, fala sobre sua trajetória, o trabalho nas delegacias regionais e o momento atual do judô paulista. Também aborda as mudanças na gestão, a formação de professores e a alegria de acompanhar os netos nas competições.

Takeshi Yokoti durante pronunciamento na abertura do Campeonato Paulista Sub 13, realizado no Esporte Clube Pinheiros © Global Sports

Nascido em 22 de agosto de 1964, em Campinas (SP), Yokoti começou no judô aos 10 anos, por influência de um primo. Seu primeiro sensei foi Valdemar Parra, san-dan (3º dan), em Sumaré. Depois, treinou com os professores kodanshas Umeo Nakashima, hachi-dan (8º dan), e Anderson Dias de Lima, shichi-dan (7º dan).

Para Yokoti, ser judoca significa levar para a vida o princípio de jita-kyoei: bem-estar, prosperidade e benefícios mútuos. Já aos professores kodanshas, Takeshi lembra que cabe também a responsabilidade de ser exemplo, agir com coerência e integridade e conquistar respeito pela própria conduta. Em entrevista anterior concedida à Revista Budô, ele destacou uma frase do shihan Jigoro Kano que traduz os valores com os quais se identifica: “Somente se aproxima da perfeição quem a procura com constância, sabedoria e, sobretudo, humildade”.

COMO A 16ª DR CRESCEU E SE ESTRUTUROU DESDE SUA CRIAÇÃO?

Começamos em 2012, com o desmembramento da 7ª Delegacia Regional Sudoeste e apenas nove entidades. Hoje são 30 entidades ativas, em 25 municípios. Em 2025, ultrapassamos 1.100 atletas federados, e acredito que estejamos entre as cinco maiores delegacias nesse aspecto. A expectativa é superar esse número em 2026.

Esse crescimento vem da oferta de oportunidades. Muitos praticantes de cidades pequenas querem competir, mas não têm como objetivo imediato disputar um Campeonato Paulista. Por isso, realizamos cerca de 12 a 13 eventos por ano, em parceria com as prefeituras. Em novembro, teremos três, por causa dos ajustes no calendário decorrentes das eleições de outubro.

Henrique Guimarães, Paulo Wanderley Teixeira e Takeshi Yokoti © Global Sports

As competições regionais permitem que os iniciantes enfrentem adversários de níveis semelhantes. É uma realidade diferente da dos grandes centros, onde estão clubes e atletas de alto rendimento.

Também investimos em equipamentos e materiais. Quando o filiado chega a uma competição e encontra uma boa estrutura, isso transmite segurança e credibilidade.

COMO VOCÊS SE APROXIMAM DAS ENTIDADES QUE AINDA NÃO SÃO FILIADAS?

Não há segredo nem mágica: há trabalho. Se ficarmos de braços cruzados, esperando que as entidades nos procurem, não vamos crescer. Quando sabemos que um município está começando a desenvolver o judô, procuramos os responsáveis, entendemos a situação e buscamos trazer a entidade e seus atletas para a Federação. Isso acontece muito com iniciativas das prefeituras.

Tenho uma equipe que ajuda bastante. Quero destacar o professor Sandro Sales Camargo, delegado adjunto e coordenador técnico da 16ª DR. Ele está comigo desde a criação da Delegacia, em 2012, é meu aluno e responsável pela Associação Piedadense de Judô, em Piedade.

O Sandro cuida da parte técnica e responde pela Delegacia nas minhas ausências. Nosso crescimento também se deve a ele. Ao fazer esse reconhecimento, quero homenagear todos os professores que contribuem para o trabalho da região e para o judô paulista.

QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS DIFICULDADES QUE AS NOVAS ENTIDADES ENCONTRAM PARA SE FILIAR À FEDERAÇÃO?

A maioria das entidades que procuramos ou que nos procuraram conseguiu se filiar. As dificuldades aparecem quando faltam documentos ou quando a entidade ainda não atende às exigências da Federação e do seu departamento jurídico.

Takeshi Yokoti e Marilaine Ferrantti Antonialli na época em que dividiam a coordenação de arbitragem da FPJudô © Global Sports

A maioria delas continua se adequando para concluir o processo. A FPJudô facilita o que é possível, mas existem requisitos de organização, funcionamento e regularidade jurídica que precisam ser cumpridos.

O QUE FALTA PARA AMPLIAR A BASE DO JUDÔ PAULISTA?

Esse trabalho de aproximação precisa acontecer em todas as regiões. Cada delegado deve identificar onde o judô está começando, ouvir as entidades e buscar formas de apoiá-las. O crescimento depende do esforço de cada delegado e da equipe que trabalha com ele.

Também precisamos ampliar as oportunidades de participação. Um exemplo é o judô inclusivo, iniciado pela Federação em 2026, que tem tido uma grande aceitação e já conta com eventos específicos.

“Meu pai, Kiyoshi Yokoti, é meu maior exemplo de vida. Foi quem me deu condições de praticar judô, me levava aos treinos e às competições e esteve presente em toda essa caminhada. Ensinou-me a ter caráter, humildade e respeito.”

COMO SUA TRAJETÓRIA NO JUDÔ AJUDA NO TRABALHO COMO DIRIGENTE?

Comecei como atleta. Não fui um competidor de destaque, mas competi durante muitos anos e passei por todas as classes. Na minha época, para conquistar a faixa preta, era preciso lutar e vencer no exame. Considero que as exigências eram maiores, sem desmerecer quem se gradua hoje.

Comecei a dar aulas ainda jovem e trabalhei por muitos anos como técnico, principalmente na prefeitura. Na arbitragem, comecei em eventos regionais em 1988 e nas competições oficiais da FPJudô em 1990. Passei por todas as categorias e exames até chegar a árbitro internacional FIJ A, com muito estudo e trabalho.

Fui coordenador adjunto, trabalhei com dois gigantes da arbitragem, os professores Dante Kanayama e Edson Minakawa, e posteriormente sucedi o professor Edson na coordenação estadual. Depois, vieram também as responsabilidades como delegado e vice-presidente.

Takeshi Yokoti com a neta Maria Júlia Montoro Yokoti, que exibe a medalha de ouro conquistada no Campeonato Paulista Sub 13 de 2026 © Global Sports

Como funcionário público de Itapeva, fui secretário de Esportes em 2020 e 2021. Lidar com recursos públicos e prestação de contas foi uma experiência muito importante para minha formação como gestor.

Sou kodansha, 7º dan, e me sinto realizado com essa caminhada. Passei pelas dificuldades de atletas, professores, técnicos e árbitros. Isso me ajuda a ouvir e compreender quem está nessas funções. Conhecer os problemas de perto faz diferença na hora de tomar decisões. Com essa experiência que tive a oportunidade de construir, sinto-me preparado para integrar a diretoria da Federação Paulista de Judô e contribuir com o trabalho em favor dos nossos filiados.

QUAIS PESSOAS MARCARAM SUA FORMAÇÃO E COMO ESSES EXEMPLOS INFLUENCIAM SEU TRABALHO COMO DIRIGENTE?

Meu pai, Kiyoshi Yokoti, é meu maior exemplo de vida. Foi quem me deu condições de praticar judô, me levava aos treinos e às competições e esteve presente em toda essa caminhada. Ensinou-me a ter caráter, humildade e respeito. Procuro levar esses valores para meu dia a dia e para o meu trabalho como gestor.

Já o professor kodansha juu-dan (10º dan), Massao Shinohara foi uma referência de dedicação, conhecimento e liderança. Ele não precisava se impor: transmitia tranquilidade pela simplicidade, pela humildade e pelo que sabia. Mesmo debilitado, no fim da vida, continuava disposto a ajudar a Federação e o judô. Esse comprometimento me marcou muito.

“Agora, nossa torcida é por novembro, quando meus  dois netos irão representar o Brasil. O coração do avô precisa ser grande!”

 COMO É VER SEUS NETOS SEGUINDO SEUS PASSOS NO SHIAI-JÔ?

Tenho cinco netos, quatro meninas e um menino. São minha razão de viver. Os dois que competem são os irmãos Gustavo Montoro Yokoti, do sub-15, e Maria Júlia Montoro Yokoti, do sub-13. Eles estão me dando uma alegria enorme.

Isso também é fruto da dedicação dos pais, meu filho Leandro e minha nora Marielle Montoro Yokoti. Eles moram em Sorocaba, trabalham em São Paulo e abrem mão de descanso e de muitos momentos em família para acompanhar os treinos e as competições dos filhos.

Takeshi Yokoti com o neto Gustavo Montoro Yokoti, que exibe a medalha de bronze conquistada no Campeonato Brasileiro Sub 15 de 2026 © Global Sports

Meus netos começaram no Judô Tatsu, com o professor Marcos, em Sorocaba, e vinham treinar comigo nas férias. Hoje representam o Judô Yamamoto, em Campinas. O professor Adriano Yamamoto deu um grande impulso ao desenvolvimento dos dois. Ele foi um grande atleta e agora faz um excelente trabalho como formador.

O Leandro sempre praticou judô, mas não seguiu a competição. Saiu cedo de casa para estudar e construiu sua vida em Sorocaba. Sinto que, de certa forma, ele retribui esse vínculo comigo ao proporcionar essas oportunidades aos filhos.

Neste ano, o Gustavo medalhou na Copa São Paulo, foi vice-campeão paulista, terminou o ranking estadual em segundo e conquistou o bronze no Brasileiro sub-15, em Sergipe. Também se classificou para o Campeonato Pan-Americano, que acontece em Cancún, no México.

A Maria Júlia começou a disputar os eventos da Federação em junho de 2025 e, neste ano, foi campeã da Copa São Paulo, paulista e brasileira sub-13. Também está classificada para o Pan-Americano.

Agora, nossa torcida é por novembro, quando os dois irão representar o Brasil. O coração do avô precisa ser grande!

COMO PRESERVAR A FORMAÇÃO HUMANA DO JUDÔ DIANTE DA BUSCA POR RESULTADOS?

Trabalhamos com projetos sociais em Itapeva, e muitas entidades da nossa Delegacia também atuam nessa área. A Federação está implantando quatro polos de judô social por meio de uma parceria. É uma preocupação que também existia nas gestões anteriores e à qual estamos dando continuidade.

http://www.shihan.com.br

O vice-presidente Hatiro Ogawa se dedica muito à dimensão educacional do judô e tem propostas e projetos para essa área. Mas uma questão fundamental é preparar os professores. Não adianta criar projetos sem formar quem vai conduzi-los.

Queremos ampliar essa preparação nos próximos anos, com cursos e credenciamento técnico, transmitindo a essência educacional do judô. Nosso trabalho precisa formar cidadãos, além de atletas.

O QUE MUDOU EM SUA ROTINA DESDE QUE ASSUMIU A VICE-PRESIDÊNCIA DA FPJUDÔ?

Eu acumulava a coordenação estadual de arbitragem e a direção da 16ª Delegacia Regional. Conversei com o presidente Henrique Guimarães e decidimos que eu deixaria a coordenação de arbitragem, na qual tinha a professora Marilaine Ferrantti Antonialli como adjunta.

Takeshi Yokoti e Henrique Guimarães durante o Campeonato Paulista Sub 13 de 2026 © Global Sports

Acima de tudo, tomei essa decisão por uma questão ética. A coordenação de arbitragem envolve decisões sobre penalizações e desclassificações, por vezes em situações que permitem interpretações diferentes. Entendemos que separar essas responsabilidades era uma atitude de cuidado com a arbitragem e com a própria gestão, evitando que questionamentos sobre decisões técnicas se estendessem à vice-presidência e à presidência. Além disso, a função exige bastante tempo e dedicação.

Já a minha permanência na Delegacia foi uma reivindicação dos professores durante a campanha. Atendemos ao pedido deles, e continuo à frente dos trabalhos na região.

COMO CONCILIA A VICE-PRESIDÊNCIA COM A DELEGACIA REGIONAL?

As duas funções exigem bastante, mas estamos conseguindo conciliá-las. Nossa região é extensa, tem muitos filiados, e procuro dar atenção a todos.

Para conciliar essas responsabilidades, conto com o apoio de uma equipe comprometida na Delegacia. São colaboradores que conhecem as necessidades da nossa região, atendem os professores e as entidades e ajudam a resolver os problemas do dia a dia, inclusive quando estou ausente. Essa dedicação me dá tranquilidade para cumprir os compromissos da vice-presidência, sabendo que o trabalho na região continua sendo bem conduzido. Ninguém faz isso sozinho.

O Henrique dá liberdade aos três vice-presidentes e nos consulta nas decisões. Temos participação efetiva, não somos vices figurantes. Cada um tem suas atribuições e, pela minha experiência, também ajudo a professora Marilaine nos bastidores da arbitragem, além das demais responsabilidades da vice-presidência.

O QUE O MOTIVA A ESTAR TÃO PRESENTE NAS COMPETIÇÕES, MESMO MORANDO LONGE DA CAPITAL?

Sempre gostei de acompanhar os eventos. A vice-presidência aumentou essa responsabilidade e meu compromisso com a gestão. Itapeva fica distante, mas isso não impede minha participação. Muitas vezes, represento o presidente quando ele não pode comparecer por causa de outros compromissos.

Takeshi Yokoti com o prefeito de Itapeva, Dr. Mário Tassinari, por ocasião de sua nomeação como secretário municipal de Esportes, em 11 de dezembro de 2019 © Arquivo

Estar ao lado dos atletas faz diferença. O Henrique tem acompanhado os campeonatos brasileiros do começo ao fim, e nós também participamos dessas viagens. Os atletas se sentem acolhidos quando percebem que os dirigentes estão presentes e disponíveis para ajudar.

Essa convivência também nos permite conhecer melhor o cenário nacional, conversar com dirigentes de outras federações e trocar experiências.

COMO AVALIA O TRABALHO DA PROFESSORA MARILAINE FERRANTTI ANTONIALLI, SUA SUCESSORA NA ARBITRAGEM PAULISTA?

A Bia, como a chamamos entre os amigos, é uma amiga que o judô me deu. Nossa convivência começou no fim dos anos 1970, início dos anos 1980, quando competíamos pela 8ª DR Oeste, sediada em Rio Claro e dirigida pelo saudoso professor Uadi Mubarac, kodansha 8º dan. Ela era de Rio Claro, e eu treinava em Americana com o sensei Umeo Nakashima.

Seguimos juntos na arbitragem, compartilhando viagens, campeonatos brasileiros, competições e seminários internacionais. Ela foi minha coordenadora adjunta. Temos muita sintonia e, quando discordamos, conseguimos chegar a um entendimento.

Hoje nos falamos quase diariamente. Quando necessário, faço a interlocução com o presidente, que tem apoiado a arbitragem e oferecido oportunidades aos nossos árbitros.

A Marilaine foi a primeira árbitra FIJ A do Brasil. Recentemente, foi convidada por Paulo Wanderley e André Mariano, presidente e coordenador nacional de arbitragem da CBJ, para coordenar a arbitragem da 5ª Região, que reúne Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. É um reconhecimento merecido pela experiência e pelo trabalho dela.

Também temos uma comissão que lhe dá respaldo. Ninguém faz esse trabalho sozinho, e seguimos caminhando juntos.

COMO O SENHOR AVALIA O MOMENTO ATUAL DO JUDÔ PAULISTA?

Vivemos um momento de tranquilidade, depois de períodos tensos e de muitos impasses antes da eleição e felizmente isso é passado.

Quando o Henrique foi indicado para concorrer à presidência, houve desconfiança de algumas pessoas porque seu nome representava uma mudança na sequência de sucessões da Federação desde sua fundação. Nós conhecíamos sua experiência à frente de instituições e projetos importantes, como o Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa, o Projeto Futuro e o Centro de Excelência Esportiva de São Bernardo do Campo. Também conhecíamos sua atuação em outras funções de gestão e sabíamos que ele estava preparado.

Takeshi Yokoti e Henrique Guimarães cumprimentam Gustavo Montoro Yokoti pela conquista da medalha de bronze no Campeonato Brasileiro Sub 15, realizado em Sergipe © Global Sports

Logo que assumimos, vieram à tona problemas gravíssimos, com origem em gestões anteriores, cuja existência desconhecíamos. Entre eles, havia questões relacionadas a prestações de contas. Tivemos de lidar com essas pendências, que nos causaram grande preocupação e tiraram o sono principalmente do presidente.

O Henrique conseguiu resolver boa parte delas. Outras seguem sendo tratadas, e confio que serão solucionadas. Mesmo com essas dificuldades e com o cenário financeiro do país, conseguimos avançar e investir na infraestrutura.

COMO TEM SIDO TRABALHAR COM HENRIQUE GUIMARÃES NA DIRETORIA?

O professor Henrique Guimarães possui grande senso de equidade, sabe reconhecer e oportunizar as pessoas que trabalham pela modalidade e tem uma visão política surpreendente.

QUAIS MUDANÇAS NA GESTÃO O SENHOR DESTACARIA?

Houve mudanças na estrutura, na gestão, no compliance e também na área técnica. Um exemplo é a divisão da coordenação técnica: Marco Antônio da Costa, o Rato, cuida do rendimento das seleções paulistas, e Marco Aurélio Uchida, da gestão técnica dos eventos.

Também adquirimos uma van, um veículo zero-quilômetro para os deslocamentos, oferecendo mais segurança e conforto à equipe comandada por Mário Manzatti.

Outro marco importante foram as mudanças nos exames de graduação, que passaram a ser divididos em etapas. O candidato faz o módulo de fundamentos técnicos em sua região e, depois, é avaliado por uma banca da FPJudô que vai até a Delegacia. É a mesma banca que atua no exame final, mantendo um padrão de avaliação para todos. Se aprovado, ele já conclui essa parte.

No kata, o candidato também pode cumprir a etapa ao atingir a média exigida no Campeonato Paulista. Neste ano, a competição bateu o recorde de 190 duplas, e essa possibilidade contribuiu para a participação.

Takeshi Yokoti com a neta Maria Júlia Montoro Yokoti, campeã brasileira sub 13 na categoria leve (-44 kg), na competição realizada no Amapá © Global Sports

Todos os demais requisitos continuam obrigatórios, incluindo os módulos, a participação e a colaboração exigidas no processo. A mudança distribui as avaliações e reduz a concentração de atividades no exame final, que já chegou a terminar tarde da noite.

Outras mudanças importantes foram realizadas no âmbito das seleções paulistas. Agora temos uma equipe multidisciplinar para acompanhar as seleções nos campeonatos brasileiros. No início do ano, o presidente firmou uma parceria com o Crefito, quando o doutor Raphael Ferris presidia a entidade. Com isso, passamos a contar com uma equipe própria de fisioterapia para atender os atletas paulistas nessas competições.

Nossa diretora financeira, Iara Regina Tibaes, sempre viaja antes para organizar hospedagem, alimentação, logística e as questões burocráticas junto à CBJ. Isso permite que os atletas se concentrem na competição e alivia muito o chefe de delegação, que antes precisava resolver tudo sozinho. Estamos profissionalizando o monitoramento das seleções, e os resultados estão surpreendendo.

HÁ OUTRAS NOVIDADES EM PREPARAÇÃO?

Estamos analisando propostas para a área técnica e para os eventos. A presidência, os vice-presidentes, o departamento técnico e os colaboradores da organização se reúnem semanalmente para discutir melhorias. Temos novidades importantes em preparação para 2027.

O QUE MAIS O ENTUSIASMA NO JUDÔ PAULISTA?

A dimensão da Federação, pelo número de atletas e entidades e pela estrutura que temos. Nossa Delegacia ultrapassou 1.100 judocas federados, um número que algumas federações estaduais não possuem. Temos equipamentos para realizar competições, assim como as 16 delegacias do estado. Quando reunimos tudo isso, vemos o quanto ainda podemos crescer.

Também temos consciência de que os filiados são nossos clientes. Eles investem na Federação por meio das filiações e precisam receber um retorno. Cabe à gestão oferecer estrutura e condições que correspondam a esse investimento.

“Nosso trabalho precisa formar cidadãos, além de atletas.”

HÁ ALGO MAIS QUE O SENHOR GOSTARIA DE ACRESCENTAR?

Sim. Quero concluir destacando a união existente hoje, no judô paulista. Felizmente não temos mais grupos A, B ou C: temos a bandeira da Federação Paulista de Judô. O Henrique conseguiu aproximar os professores, com respeito mútuo e apoio à gestão.

Isso se reflete nas oportunidades para diferentes professores integrarem as comissões técnicas em eventos estaduais e nacionais. A Federação está ouvindo sugestões e críticas construtivas e dando retorno à comunidade. Essa abertura fortalece a confiança e o sentimento de pertencimento: cada um se sente ouvido, acolhido e parte dessa reconstrução do judô paulista.

Outro ponto muito importante é a reaproximação com a CBJ. O professor Paulo Wanderley Teixeira e o Henrique conversam com frequência. Eventos nacionais estão vindo para São Paulo, e há novidades por vir. Essa união entre os professores e essa parceria com a Confederação Brasileira de Judô são fundamentais para continuarmos avançando.

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