02 de outubro de 2026
Dr. Raphael Ferris e Márcia Huçulak. Os candidatos do esporte em São Paulo e no Paraná © Imagem gerada por IA / Global Comunicação
Uma criança precisa de tempo para aprender, desenvolver confiança e descobrir até onde pode chegar. Precisa também de continuidade: professores presentes, espaços seguros e oportunidades que não desapareçam quando termina um mandato. É dessa responsabilidade com o futuro que devemos nos lembrar ao escolher quem vai governar e legislar.
Neste domingo, 4 de outubro, os brasileiros irão às urnas para eleger presidente da República, governadores, senadores e deputados federais e estaduais. A escolha envolve o poder de estabelecer prioridades, decidir sobre recursos públicos e fiscalizar sua aplicação. Envolve, portanto, as condições concretas em que milhões de crianças e adolescentes vão crescer.
O esporte precisa fazer parte dessa reflexão. Seu alcance atravessa a educação, a saúde, a inclusão e a convivência comunitária. Quando existe como oportunidade acessível e bem orientada, oferece um espaço no qual crianças e jovens podem construir vínculos, reconhecer suas capacidades e aprender a assumir responsabilidades.

Raphael Ferris, fisioterapeuta e faixa preta de taekwondo, apresenta propostas para o financiamento do esporte, o acesso à saúde e a valorização profissional © Divulgação
A Organização Mundial da Saúde aponta benefícios da atividade física para a saúde física e mental e para o desenvolvimento cognitivo de crianças e adolescentes. Essas evidências reforçam a importância de ampliar o acesso à prática, com condições adequadas e respeito às necessidades de cada criança.
Essa dimensão precisa chegar ao centro das decisões públicas.
Em uma prática esportiva orientada por princípios pedagógicos e educativos, a criança encontra situações que ajudam a desenvolver sua relação consigo mesma e com os outros. Aprende que uma derrota pode ser compreendida e superada, que o resultado depende de preparação e que o adversário merece respeito. Descobre que existem limites para vencer e que o desejo de conquistar alguma coisa não autoriza a desonestidade.
São experiências que podem fortalecer o autocontrole, a cooperação, a perseverança e a capacidade de lidar com frustrações. O caráter se constrói também nessas relações cotidianas, pelo exemplo dos adultos e pela coerência entre o que se ensina e o que se permite.

Márcia Huçulak, deputada estadual e enfermeira, reúne experiência na gestão da saúde pública e atuação parlamentar com emendas propostas para entidades como a Federação Paranaense de Judô © Global Comunicação
Por isso, a qualidade do trabalho importa tanto quanto a abertura de vagas. Humilhação, discriminação e a exigência de vitória a qualquer custo contrariam a finalidade educativa do esporte. Formar exige profissionais preparados, ambientes acolhedores e proteção aos participantes.
Diante do aliciamento de crianças e adolescentes pelo crime, ampliar espaços de convivência e desenvolvimento é uma responsabilidade pública. O esporte pode integrar essa rede de proteção, ao lado da escola, da saúde, da assistência social e das famílias. Oferece pertencimento, referências adultas e oportunidades de reconhecimento pelo esforço e pela aprendizagem.
A pobreza não determina uma trajetória criminosa. O que precisa ser enfrentado é a desigualdade de acesso às condições que permitem escolher e construir outros caminhos. Uma criança que vive em um território com poucos serviços públicos tem o mesmo direito de aprender uma modalidade, participar de uma equipe e lutar pelos próprios sonhos.
É nesse ponto que o discurso eleitoral precisa ser confrontado com propostas concretas. Anunciar um projeto é apenas o começo. Para funcionar, ele precisa de profissionais, equipamentos, manutenção, acessibilidade e recursos regulares. Precisa considerar também as barreiras que afastam os participantes, como a distância, os custos e a falta de segurança no deslocamento.
Uma lei pode estabelecer bases importantes, mas sua existência, por si só, não assegura atendimento. A continuidade depende de planejamento, orçamento, execução e fiscalização. Depende ainda de avaliação, para que programas sejam corrigidos e aperfeiçoados conforme os resultados e as necessidades da população.

Parlamentares têm responsabilidade nessa construção. Cabe cobrar propostas viáveis, articulação para sustentá-las e acompanhamento da aplicação dos recursos. Bancadas podem construir compromissos que ultrapassem interesses imediatos e assegurem estabilidade ao trabalho desenvolvido nas comunidades.
A permanência de uma política deve estar vinculada à sua utilidade pública. Projetos precisam continuar porque atendem bem à população, com transparência e resultados, independentemente de quem os iniciou.
Quando uma iniciativa é interrompida por conveniência política, perde-se mais que uma atividade no calendário. Rompem-se vínculos com professores, colegas e famílias. Desfaz-se uma rotina em torno da qual uma criança começava a organizar expectativas e reconhecer possibilidades para a própria vida.
A corrupção, o desperdício e o uso eleitoral de recursos públicos comprometem essa construção. O dinheiro desviado ou mal aplicado faz falta nos serviços. Por isso, defender o esporte também exige cobrar transparência, critérios de distribuição de recursos e prestação de contas.
A indignação precisa se transformar em avaliação criteriosa. Trajetória, preparo, integridade e consistência das propostas ajudam a examinar candidaturas. Promessas merecem perguntas: como serão financiadas, quem será atendido, quais resultados serão acompanhados e como a sociedade poderá fiscalizar?

O compromisso continua depois da eleição. Acompanhar votações, decisões orçamentárias e a execução das políticas é parte da responsabilidade democrática. Nenhum representante deve receber um cheque em branco.
O esporte merece políticas que reconheçam toda a sua dimensão humana. Uma criança não precisa se tornar campeã para que o investimento em sua formação tenha valido a pena. Aprender a conviver, cuidar da saúde, respeitar o outro e perseguir objetivos com honestidade já representa uma contribuição importante para sua vida e para a sociedade.
Mandatos têm prazo. A responsabilidade com essas oportunidades precisa permanecer.
A relação entre saúde, esporte e políticas públicas aparece nas trajetórias de Márcia Huçulak, no Paraná, e Raphael Ferris, em São Paulo, em funções distintas. Mas, para nós, profissionais que vivem da prática esportiva, chegou o momento de apoiar e eleger candidatos sensíveis à importância social do esporte.
Enfermeira de carreira e deputada estadual, Márcia comandou a Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba entre 2017 e 2022, período que incluiu o enfrentamento da pandemia de covid-19. Na atividade parlamentar, seu gabinete anunciou a apresentação de emendas ao orçamento de 2026 para instituições de diferentes áreas, incluindo a Federação Paranaense de Judô.
Grande parte de sua campanha à reeleição está fundamentada na consolidação da prática esportiva como fator de formação humana. Essa perspectiva vai ao encontro dos interesses da sociedade e dos profissionais que atuam no segmento, como profissionais de educação física, fisioterapeutas, psicólogos e nutricionistas.
Fisioterapeuta, faixa preta de taekwondo e presidente licenciado do Crefito-3, Raphael disputa uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo. Entre as propostas apresentadas estão a ampliação do financiamento esportivo, o acesso aos serviços de saúde e a valorização dos profissionais envolvidos na cadeia esportiva.
Sua experiência administrativa inclui a presidência do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 3ª Região, o Crefito-3, onde estabeleceu parcerias com entidades de administração esportiva para oferecer gratuitamente serviços de fisioterapia e terapia ocupacional a jovens atletas federados.
Neste momento, em que as escolhas deverão influenciar o futuro e a qualidade de vida de milhões de brasileiros, o esporte precisa se unir em torno de propostas exequíveis que defendam verdadeiramente os interesses de toda a classe esportiva. Nos estados do Paraná e de São Paulo, esses candidatos têm nome: Márcia Huçulak e Raphael Ferris, respectivamente.
02 de outubro de 2026
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