14 de outubro de 2026
Henrique Guimarães, presidente da Federação Paulista de Judô, e Maurício Cardozo, secretário de Esportes e Lazer de São Bernardo do Campo © Global Sports
A presença de grandes competições de judô em São Bernardo do Campo tem uma base que permanece ativa depois que as disputas terminam: o investimento na formação de atletas e a parceria entre o município, a Federação Paulista de Judô (FPJudô) e o Governo do Estado de São Paulo. Essa convergência sustenta o desenvolvimento de jovens judocas e ajuda a consolidar a cidade como principal sede de eventos estaduais e nacionais, aproximando o trabalho cotidiano de preparação das oportunidades oferecidas pelo calendário competitivo.
Foi nesse encontro entre formação e competição que o secretário de Esportes e Lazer de São Bernardo do Campo, Maurício Cardozo, recebeu nossa reportagem durante o CBI: Troféu Brasil Júnior. Realizado de 24 a 27 de setembro no Ginásio Poliesportivo Adib Moysés Dib, o evento teve 576 atletas inscritos e programação de disputas individuais e por equipes mistas. A competição também integrou a definição dos convocados para o Campeonato Mundial Júnior, reforçando a importância daquela passagem do circuito nacional pela cidade.
Para Cardozo, receber a Confederação Brasileira de Judô representa uma oportunidade de valorizar uma modalidade que já possui presença expressiva na estrutura esportiva municipal. Os atletas que chegam para competir encontram uma cidade que sedia os maiores projetos de judô e do atletismo nacional no também participa da formação de jovens destinados às equipes do país.
“Para nós, é de extrema importância. Realizar um evento da Confederação Brasileira de Judô enaltece muito a cidade. O judô aqui em São Bernardo é muito forte. Temos muitos praticantes, vários núcleos e um centro de excelência na modalidade, onde 70 garotos e garotas desenvolvem seu trabalho visando ao alto rendimento. Assim, lapidamos atletas para que possam integrar as grandes equipes que estão aqui.”
A relação com a FPJudô se desenvolve em duas frentes complementares. Na formação, a cooperação entre a entidade, a prefeitura e o governo estadual contribui para oferecer condições de manutenção de uma estrutura que acolhe, educa e treina dezenas de jovens. No calendário esportivo, a articulação institucional e a infraestrutura da cidade favorecem a realização de competições que reúnem clubes, professores, árbitros e atletas de diferentes regiões.
Instalado no complexo da Arena Caixa, o Centro de Excelência Esportiva de Judô reúne treinamento e suporte ao desenvolvimento dos competidores. A estrutura inclui acompanhamento técnico e multidisciplinar, alimentação, materiais esportivos e alojamento para os atletas residentes. O atendimento procura dar continuidade à preparação e reduzir obstáculos que poderiam interromper a trajetória de um jovem na modalidade. A gestão municipal distingue os participantes residentes dos não residentes, aos quais também são destinados os demais benefícios do programa.

Paulo Wanderley Teixeira, presidente da CBJ, Maurício Cardozo e Henrique Guimarães no Ginásio Poliesportivo Adib Moysés Dib, em São Bernardo do Campo © Global Sports
Essa estrutura também permite ampliar o alcance do trabalho por meio de encontros e intercâmbios. Em julho de 2022, por exemplo, um treinamento de campo promovido pela FPJudô, com apoio estadual e municipal, reuniu cerca de 450 judocas, incluindo atletas de Quebec, do Canadá, e representantes de São Paulo, Paraná Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A atividade recebeu mais de 50 técnicos de 29 equipes, demonstrando como o espaço pode atender à preparação cotidiana e à troca de conhecimento entre diferentes escolas de judô.
Na avaliação de Cardozo, os grandes campeonatos dão visibilidade a esse trabalho e ampliam suas possibilidades. Ao reunir atletas que buscam espaço no cenário nacional, uma competição como o Troféu Brasil Júnior aproxima a formação das exigências do alto rendimento e oferece referências aos jovens que estão construindo sua trajetória.
“O que a gente costuma dizer é que eventos como esse são a cereja do bolo, pois colocam a modalidade na vitrine, trazem oportunidades e contribuem para que possamos formar cada vez mais atletas de alto nível.”

Treinamento de campo reúne judocas brasileiros e canadenses no dojô do Centro de Excelência de São Bernardo, espaço que também recebe cursos, seminários e desafios internacionais © Global Sports
A relação entre a Federação Paulista de Judô e São Bernardo do Campo se estende da rotina de preparação dos jovens à realização de competições estaduais e nacionais. Para o presidente da FPJudô, Henrique Guimarães, a importância dessa parceria está na continuidade que ela oferece às diferentes etapas da formação esportiva.
“Uma parceria dessa dimensão permite planejar o futuro do judô paulista. Quando o jovem encontra condições para treinar, apoio para se desenvolver e oportunidades para competir, conseguimos dar continuidade ao trabalho iniciado pelos professores nos clubes e nas academias. É essa construção conjunta com São Bernardo e o Governo do Estado que queremos preservar e fortalecer.”
A realização do Troféu Brasil Júnior também aproxima São Bernardo das decisões que orientam a renovação do judô brasileiro. Ao receber uma competição que integra o processo de formação da equipe para o Mundial da classe, a cidade coloca sua estrutura a serviço de atletas e clubes de todo o país. O presidente da CBJ, professor Paulo Wanderley Teixeira, conhece o trabalho desenvolvido no município.
“São Bernardo reúne uma boa estrutura para receber competições e um trabalho consistente na formação de judocas. Conheço esse trabalho e reconheço sua importância para o judô brasileiro. São condições que dão respaldo à realização de eventos nacionais na cidade.”

Dojô do Centro de Excelência Esportiva de São Bernardo do Campo © Global Sports
A presença do staff da Confederação Brasileira de Judô no município acrescenta a dimensão nacional a uma relação construída diariamente com o judô paulista. Para a prefeitura, sediar competições desse porte significa participar de uma etapa importante da trajetória dos atletas. Para a modalidade, contar com uma cidade que oferece estrutura gigantesca para treinar e competir favorece a continuidade do trabalho desenvolvido por clubes e professores.
O Centro de Excelência integra uma política esportiva mais ampla, na qual o apoio estadual e as parcerias com entidades ajudam a manter diferentes programas. Ao explicar essa organização, Cardozo destaca que o investimento municipal contempla modalidades com necessidades próprias de instalações, profissionais e acompanhamento.
“Temos um convênio com o Governo do Estado para os centros de excelência de judô e atletismo. Temos uma pista oficial de atletismo que faz parte do legado olímpico dos Jogos Olímpicos de 2016. Também contamos com um centro de excelência de ginástica, vários centros esportivos e um centro de canoagem.”
O secretário também menciona o incentivo ao handebol, ao voleibol e ao basquete. Ao recordar a tradição do handebol na cidade, recorre à expressão com que identifica um de seus espaços mais conhecidos.
“Costumamos dizer que o Baetão é o palácio do handebol”. São trajetórias distintas dentro de uma mesma rede de atendimento, que precisa conciliar a preparação competitiva com o acesso da população à prática esportiva.
A dimensão social ocupa um lugar central na maneira como Cardozo apresenta esse investimento. Além de criar condições para quem busca resultados esportivos, a proposta descrita pelo secretário é oferecer convivência, orientação e oportunidades de desenvolvimento a crianças e jovens que talvez nunca sigam uma carreira como atletas.
É nesse ponto que o alcance dos projetos precisa ser observado para além das medalhas. A participação regular em uma atividade permite estabelecer vínculos, aprender a lidar com regras e responsabilidades e encontrar apoio em professores e colegas. Na perspectiva apresentada por Cardozo, a contribuição do município continua tendo valor mesmo quando o caminho de um participante não leva ao esporte de alto rendimento.
Como exemplo dessa abrangência, o secretário informa que o projeto social de futebol atende seis mil crianças, distribuídas em 30 campos da cidade. O número dimensiona uma política que busca chegar aos bairros e ampliar o contato da população com atividades orientadas.
“Na verdade, o objetivo é formar cidadãos de bem. Se não conseguirmos formar um atleta, pelo menos queremos encaminhar essas crianças para que se tornem pessoas fortes, preparadas para enfrentar os desafios da vida contemporânea.”

Maurício Cardozo defende o esporte como instrumento de inclusão e formação de cidadãos © Global Sports
Nascido e criado na Vila Vivaldi, no bairro Rudge Ramos, Cardozo traz uma relação pessoal com o esporte comunitário. Sua ligação com o Esporte Clube Nacional de Vila Vivaldi começou na infância, quando o futebol já fazia parte da convivência com os amigos do bairro. Essa experiência ajuda a compreender a ênfase que dá ao esporte como espaço de encontro e aprendizado.
Ao falar sobre o que motiva o investimento público, o secretário concentra a resposta nas mudanças que a prática esportiva pode produzir na vida de quem participa. O resultado esperado envolve a maneira de conviver, enfrentar dificuldades e assumir responsabilidades.
“Por meio do esporte, você aprende a conviver, desenvolve disciplina, adquire discernimento e acaba melhorando como pessoa. Como costumamos dizer, não se trata apenas de formar atletas, mas também de formar cidadãos preparados para grandes desafios.”
A continuidade desse atendimento depende de uma organização que ultrapassa a estrutura direta da secretaria. Segundo Cardozo, o município mantém parcerias com entidades do terceiro setor e destina recursos ao desenvolvimento de cerca de 32 modalidades. Essa rede participa da execução dos projetos e permite diversificar as oportunidades oferecidas à população.
O secretário inclui o Centro de Excelência entre as iniciativas atendidas por esse modelo de cooperação. O alcance social das parcerias está justamente na capacidade de manter atividades, profissionais e espaços disponíveis para que o ingresso no esporte tenha continuidade.
“Temos parcerias também com várias entidades que fazem parte do terceiro setor. Repassamos recursos para que elas desenvolvam as modalidades esportivas aqui na cidade.”
A diversidade de públicos também aparece nas ações destinadas à terceira idade e no trabalho de formação de atletas paralímpicos. Cardozo menciona a relação com o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e descreve São Bernardo como um município que procura preparar esportistas para avançar a outras estruturas de treinamento e representação.
No período da entrevista, essa proposta de ampliar o acesso também estava presente na programação da Virada Esportiva. Segundo o secretário, o Troféu Brasil Júnior integrava a iniciativa, que previa 52 atividades entre a manhã de sábado, 26 de setembro, e o fim da tarde de domingo, dia 27. A coincidência entre o evento nacional e a programação municipal aproximava, naquele fim de semana, diferentes formas de participação no esporte.
Ao reconhecer que o município possui limitações, Cardozo situa a formação como uma contribuição que pode continuar produzindo resultados em outros clubes e instituições. No judô, isso significa preparar jovens para integrar grandes equipes; no esporte paralímpico, abrir caminhos para o desenvolvimento de atletas que possam chegar à representação nacional.
“Aqui, funcionamos como um grande centro de formação, porque buscamos abrir oportunidades para todos. Temos nossas limitações, mas formamos atletas tanto para grandes equipes, no caso do judô, quanto para o CPB e a Seleção Brasileira, para que possam atingir seu ápice.”
Essa perspectiva conecta o Centro de Excelência, os núcleos esportivos e as competições recebidas pela cidade. A parceria entre São Bernardo e a Federação Paulista de Judô ganha relevância por dar continuidade a esse percurso: oferecer condições para começar, apoio para desenvolver o talento e oportunidades para colocá-lo à prova. Na fala do secretário, o compromisso se estende a todos os participantes, inclusive àqueles cujo principal resultado será levar o aprendizado do esporte para a vida.
Fundada em 1958, a Federação Paulista de Judô integra a história do desenvolvimento da modalidade no Brasil. Com 16 delegacias regionais, atua na gestão esportiva e no fortalecimento do judô paulista, em um trabalho construído pela participação de professores, atletas, clubes e associações. A entidade conta com o apoio da Ajinomoto do Brasil, da Shihan Kimonos e da Original Tatamis Yamamura.
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