29 de outubro de 2026
Shirlen Nascimento exibe a medalha de prata conquistada no Grand Slam de Abu Dhabi 2026 © Lincoln Kanemoto/CBJ | Fotomontagem: Global Sports
A Mubadala Arena, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, recebeu nesta quinta-feira (29) a abertura do Grand Slam de Judô 2026, que reúne 374 atletas de 59 países, distribuídos pelas 14 categorias olímpicas. A competição, que prossegue até sábado (31), marca mais uma etapa importante do circuito internacional da Federação Internacional de Judô (FIJ) e da corrida classificatória para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. Entre os 19 brasileiros inscritos, Shirlen Nascimento (57kg) foi o destaque do primeiro dia ao conquistar uma inédita medalha de prata, colocando o Brasil na oitava posição do quadro de medalhas.
Medalhista de bronze no Campeonato Mundial de 2025, Shirlen chegou a Abu Dhabi com uma trajetória consolidada no circuito internacional e a perspectiva de repetir o pódio conquistado na mesma competição em 2024. Entretanto, foi além: venceu três adversárias de elevado nível técnico, alcançou sua primeira final de Grand Slam e acrescentou mais um resultado expressivo ao currículo.

Sequência do kata-guruma aplicado por Shirlen Nascimento sobre a francesa Martha Fawaz na final dos 57kg © Tamara Kulumbegashvili/FIJ | Montagem: Global Sports
Cabeça de chave da categoria até 57kg, Shirlen estreou diretamente nas oitavas de final contra a britânica Chelsie Giles, medalhista olímpica e mundial na categoria até 52kg. Mesmo enfrentando uma adversária reconhecida pela eficiência no combate de solo, a brasileira conseguiu impor seu ritmo e avançou com um yuko e dois wazaris obtidos por osae-komi (imobilização).
Nas quartas de final, enfrentou a finlandesa Pihla Salonen, responsável por sua eliminação no Grand Slam de Tbilisi, em março. Desta vez, Shirlen inverteu o resultado do confronto anterior, conquistando a vitória por ippon no golden score.
O desafio seguinte elevou ainda mais o grau de dificuldade. Na semifinal, a brasileira encontrou a sul-coreana Mimi Huh, vice-campeã olímpica em Paris 2024 e campeã mundial naquele mesmo ano. Shirlen demonstrou segurança técnica e eficiência tática, assinalou dois yukos e assegurou sua classificação à primeira decisão de Grand Slam da carreira.
Na disputa pelo ouro, Shirlen encontrou a francesa Martha Fawaz, adversária que havia vencido os três confrontos anteriores entre as duas. O combate foi marcado por alternância de vantagens e ataques consistentes de ambas as judocas.
A brasileira começou melhor e abriu o placar com um kata-guruma que, por pouco, não terminou em ippon. A reação francesa veio pouco depois, com um o-soto-gari que igualou a pontuação. Shirlen voltou a assumir a liderança ao conquistar um yuko, mas Fawaz manteve a iniciativa e conseguiu definir a luta com um o-uchi-gari, anotando seu segundo wazari.

Pódio dos 57kg: Martha Fawaz (FRA), ouro; Shirlen Nascimento (BRA), prata; Ana Viktorija Puljiz (CRO) e Mimi Huh (KOR), bronze © FIJ
Na avaliação publicada pela FIJ, as duas finalistas foram destacadas pela consistência, pela entrega e pela capacidade de manter a intensidade dos combates, mesmo diante das dificuldades.
Após a conquista do ouro, Martha Fawaz ressaltou o significado pessoal do resultado, especialmente depois de enfrentar uma grave lesão que colocou em dúvida a continuidade de sua carreira.
“Há apenas um ano, eu nem sabia se conseguiria continuar no judô”, declarou a francesa, ao celebrar sua recuperação e o retorno ao lugar mais alto do pódio.
Para Shirlen, embora o ouro tenha escapado, a medalha de prata representou o melhor resultado de sua trajetória em Grand Slams. Com os 700 pontos destinados à vice-campeã no ranking mundial e a pontuação correspondente na corrida olímpica, a brasileira fortalece sua posição na disputa por uma vaga em Los Angeles 2028.
Além de Shirlen, outros sete representantes brasileiros disputaram as categorias leves no primeiro dia, mas não conseguiram avançar ao bloco de finais.
Willian Lima (66kg), vice-campeão olímpico em Paris 2024, Natasha Ferreira (48kg) e Nicole Marques (52kg) venceram seus confrontos de estreia, mas foram eliminados nas oitavas de final.
Gabriela Conceição (52kg), Sarah Mendes (48kg), Diego Ismael (60kg) e Matheus Takaki (60kg) encerraram suas participações na primeira rodada.
O Azerbaijão encerrou o primeiro dia na liderança da classificação geral, com duas medalhas de ouro e uma de bronze. A França aparece na segunda colocação, com um ouro e uma prata, seguida pela Croácia, que conquistou um ouro e um bronze.
O Brasil ocupa o oitavo lugar, graças à medalha de prata de Shirlen Nascimento.

A participação brasileira prossegue nesta sexta-feira (30), com três atletas em busca de novos pódios: Gabriel Falcão (81kg), Luana Carvalho (70kg) e Kaillany Cardoso (70kg).
No sábado (31), último dia de competição, entrarão no shiai-jô Dandara Camillo e Karol Gimenes (78kg), Giovanna Santos (+78kg), João Segatelle e Marcelo Gomes (90kg), Wilgner Mendes (100kg), além de Andrey Coelho e André Humberto (+100kg).
As preliminares poderão ser acompanhadas pela JudoTV, plataforma oficial da FIJ. O bloco final está previsto para as 10h, pelo horário de Brasília, com transmissão pelo Sportv e pela CazéTV.
Com a prata conquistada na abertura, o Brasil mantém a expectativa de ampliar seu número de medalhas e somar pontos importantes na sequência da temporada internacional, que terá ainda o Grand Prix de Zagreb, em novembro, e os compromissos de dezembro no circuito mundial.
A delegação brasileira no Grand Slam de Abu Dhabi conta com o apoio do Governo Federal, por meio do Ministério do Esporte, via Lei de Incentivo ao Esporte.
A Confederação Brasileira de Judô conta com o patrocínio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e com o apoio institucional do Comitê Olímpico do Brasil (COB).
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