Aos 65 anos, Federação Paranaense de Judô une legado e inovação para fazer sua grande família crescer

Helder Marcos Faggion defende uma gestão compartilhada, em que professores e dirigentes trabalham juntos para fortalecer as escolas e fazer o judô paranaense crescer © FPRJUDÔ

Com incentivos aos professores, capacitação, apoio aos atletas e autonomia para sua equipe, Helder Marcos Faggion aposta na profissionalização para ampliar a participação e fortalecer as escolas de judô do Paraná.

Por Paulo Pinto / Global Sports
Curitiba, 7 de outubro de 2026

Quando Sadai Ishihara chegou ao Brasil, em 1932, trouxe consigo o judô aprendido no Japão e uma história que ganharia raízes em Assaí, no Norte do Paraná. A semente plantada pelo mestre atravessou gerações, aproximou famílias e ajudou a construir a comunidade que celebra, em 7 de outubro de 2026, os 65 anos da Federação Paranaense de Judô. Para o professor kodansha shichi-dan (7º dan), Helder Marcos Faggion, honrar essa herança passa pelo trabalho de hoje: fortalecer quem ensina, abrir espaço para novos praticantes e preparar a modalidade para o future e continuar crescendo.

Nascido em Aizu, na província de Fukushima, em 3 de julho de 1911, Ishihara começou a frequentar o Instituto Kodokan, em Tóquio, em 1927, aos 16 anos. Ali treinou com Jigoro Kano, fundador do judô, e alcançou o san-dan (3º dan). Aos 21 anos, embarcou para o Brasil no Montevidéu Maru, acompanhado da esposa Kiê, do irmão Miê e do primo Yutá. No país onde teve sete filhos, deixou também o legado de ensinar e disseminar o judô na região de Assaí.

Dirigentes da Federação Paranaense de Judô compartilham responsabilidades para fortalecer as escolas e ampliar o apoio aos professores e atletas do estado © FPRJUDÔ

O mestre que chegou ao 9º dan dirigia a Associação Assaiense de Judô, uma das três entidades que se uniram para constituir a federação, ao lado da Liga Londrinense de Judô e do Clube Esportivo Cultural Uraiense de Judô.

Reconhecido como um dos pioneiros da modalidade no estado e presidente de honra da instituição, Ishihara ocupa um lugar central nessa trajetória. Em um Paraná que abriga a segunda maior comunidade de descendentes de japoneses do Brasil, atrás de São Paulo, sua história ajuda a compreender por que o judô permanece tão ligado à transmissão de conhecimentos e aos vínculos entre professores, alunos e famílias.

FPRJUDÔ uma grande família

É dessa grande família que Helder fala com a tranquilidade de quem conhece seus integrantes e com a inquietação de quem quer vê-la crescer. O jeito afável acompanha uma disposição para experimentar caminhos: premiar professores pela mobilização de atletas, reunir senseis fora das competições, abrir a agenda da presidência e oferecer instrumentos para que as escolas se tornem mais fortes. No atual mandato, a profissionalização da modalidade aparece como compromisso que atravessa cada uma dessas iniciativas.

Na entrevista à Revista Budô, o ponto de partida é o trabalho de quem abre o dojô e recebe os alunos todos os dias. A ampliação da modalidade depende dessas escolas, da permanência dos professores e de condições que lhes permitam ensinar, se organizar e prosperar. A federação assume, nessa perspectiva, a responsabilidade de caminhar junto.

“Nós entendemos que o sucesso do professor é o sucesso da federação. Queremos que todos os professores tenham sucesso. É importante que aquele que tem dez alunos em sua escola hoje possa ter vinte ou trinta num futuro próximo. Esse crescimento é importante para ele e para a federação. Nem eu, como presidente, nem a diretoria podemos promover esse crescimento sozinhos. Todos nós precisamos trabalhar com foco nesse objetivo para crescer juntos.”

Helder Faggion faz do diálogo com os professores e do apoio às escolas filiadas marcas de sua gestão © FPRJUDÔ

Os números ajudam a dimensionar essa transformação. Quando o professor Helder assumiu a presidência, a Federação Paranaense de Judô reunia 62 clubes e 3.189 atletas filiados. Hoje, são 84 clubes e 5.691 judocas, um crescimento de 35,5% no número de entidades e de 78,5% no de atletas. São 22 clubes e 2.502 praticantes filiados a mais, uma expansão que dá dimensão concreta ao propósito de fortalecer as escolas e fazer a família do judô paranaense crescer.

O judô começou em casa e se tornou uma vida inteira

Para Helder, a palavra família pertence à própria origem no judô. Nascido em Londrina, em 16 de maio de 1968, começou a praticar aos quatro anos, seguindo um caminho que já fazia parte de casa. Os irmãos treinavam, e o pai também havia praticado. O contato com a modalidade veio acompanhado dessas referências próximas, muito antes das responsabilidades que assumiria na federação.

“Comecei aos quatro anos. Meus irmãos já treinavam e meu pai também tinha praticado. Meu sensei foi e é até hoje o professor Yoshihiro Okano, kodansha kyuu-dan (9º dan), que, com o conhecimento adquirido no Brasil e no Japão, é um dos pilares do judô em nosso estado.”

A maneira de se referir a Okano mantém vivo o lugar do aluno, mesmo depois de mais de cinco décadas de prática. Formado em Educação Física e hoje shichi-dan, 7º dan, Helder aponta tai-otoshi e uchi-mata como seu tokui-waza.  A trajetória reúne a formação no dojô, o estudo da atividade física e a experiência de assumir responsabilidades na organização da modalidade.

Helder Faggion ao lado de seu mestre, Yoshihiro Okano, 9º dan, referência em sua formação e um dos pilares do judô paranaense © FPRJUDÔ

Antes de ocupar a presidência, conheceu a federação por diferentes perspectivas. O trabalho como delegado regional aproximou-o das escolas e dos professores; a vice-presidência e a coordenação da comissão de graus ampliaram sua participação na condução administrativa e técnica da entidade. Esse percurso ajuda a compreender a atenção que dedica tanto às condições de ensino quanto à preparação dos candidatos às graduações.

“Antes de chegar à presidência, fui delegado regional, vice-presidente, coordenador da comissão de graus e árbitro. Avalio que essa vivência me proporcionou a experiência que hoje me permite compreender melhor as necessidades dos professores e os desafios da gestão.”

Incentivos para ampliar a participação e valorizar quem ensina

A experiência em diferentes funções aparece na atenção aos problemas que atravessam o cotidiano dos professores. Um deles é transformar o interesse pelo judô em participação efetiva: mais alunos vinculados às escolas, mais filiados e mais atletas vivendo a experiência das competições.

Para estimular esse movimento, os eventos passaram a reconhecer também a capacidade de mobilização das entidades filiadas. Ao lado dos troféus conquistados pelo desempenho esportivo, há premiação financeira para as três associações, clubes ou academias que levam o maior número de atletas em cada competição. O acompanhamento da participação permite observar o alcance da iniciativa e orientar o trabalho com os professores.

“Nosso objetivo não é apenas aumentar o número de filiados, mas também o de participantes em nossos eventos esportivos. Nós acompanhamos cada evento e analisamos a participação nas categorias. Além dos troféus para as melhores academias na competição, oferecemos uma premiação em dinheiro para as três entidades que levam mais atletas. Acreditamos que esse incentivo estimula as escolas a ampliar sua participação. Os professores mobilizam mais alunos e, com isso, também aumentam o número de atletas federados. Uma coisa leva à outra.”

Vilson Ribeiro de Andrade, Helder Marcos Faggion e Flávio Montenegro Balan © FPRJUDÔ

O reconhecimento se estende ao professor que forma um medalhista nacional. A conquista de um atleta envolve anos de acompanhamento, orientação e preparação, mas o apoio financeiro nem sempre chega a quem conduz esse trabalho. A iniciativa procura contemplar essa responsabilidade e se soma à premiação de atletas e técnicos que acontece anualmente.

“Quando um atleta do Paraná fica em primeiro, segundo ou terceiro lugar nos campeonatos brasileiros, nós também premiamos seu professor. Os atletas têm oportunidades de acesso a bolsas, recursos e premiações, e os técnicos nem sempre têm esse reconhecimento. No fim do ano, premiamos 30 atletas e dez técnicos, do sub-13 ao sênior. Queremos valorizar o trabalho que está por trás desses resultados.”

Um encontro para fortalecer a família do judô

Entre as medidas que mais mobilizam Helder está a reaproximação dos professores que haviam se afastado da entidade. O Encontro dos Professores nasceu para criar um tempo de convivência diferente daquele vivido à beira dos tatamis. Sem atletas aguardando orientação ou disputas exigindo atenção, os senseis podem ouvir os colegas, trocar experiências e pensar no próprio desenvolvimento.

http://www.shihan.com.br

Realizado anualmente em Curitiba, com despesas custeadas pela federação, o encontro combina palestras, capacitação e confraternização. A programação dá espaço a assuntos que ultrapassam a preparação técnica e alcançam a profissionalização de quem ensina. O sentimento de família se fortalece no contato entre pessoas que dividem desafios semelhantes, mesmo trabalhando em cidades diferentes.

“Uma das nossas principais iniciativas foi trazer de volta os professores que estavam afastados e aproximá-los da federação. Criamos um encontro anual em que todos professores do estado passam um fim de semana conosco em Curitiba, com todas as despesas pagas, sem competição de judô. Oferecemos palestras sobre a modalidade e outras atividades para sua capacitação e profissionalização. À noite, fazemos uma confraternização. Nas competições, todos estão concentrados nas medalhas. Fora desse ambiente, há outra oportunidade de conversar e trocar experiências. Isso tem nos ajudado a crescer e a manter os professores cada vez mais próximos e unidos.”

Uma presidência disponível para ouvir

A proximidade ganhou outro espaço dentro dos próprios eventos. A presença do presidente e sua disposição para atender os professores fizeram surgir uma demanda que precisou ser organizada. As conversas passaram a ocupar horários na agenda da presidência, com pequenas reuniões para ouvir necessidades e discutir possibilidades de apoio.

O que poderia se limitar a um cumprimento no ginásio tornou-se uma oportunidade de diálogo. Para quem constrói o judô longe da sede da federação, em Curitiba, ser ouvido pessoalmente ajuda a aproximar a realidade de sua escola das decisões da entidade.

“Nós facilitamos o acesso ao presidente. Estou nas competições sempre que posso e me coloco à disposição para conversar com todos. Esse canal se tornou tão importante que criamos uma agenda da presidência nos eventos. Os professores passaram a marcar horários e hoje temos uma agenda cheia de pequenas reuniões. Nesses momentos, consigo ouvir quem constrói o judô do Paraná no dia a dia e buscar formas de ajudar dentro das nossas possibilidades.”

Professores kodanshas Sidnei Pereira de Lima, Jorge Luiz Meneghelli, o Ploc, Liogi Suzuki, Luiz Hisashi Ywashita, Helder Faggion, Washington Donomai, Celso Ogawa e Reinaldo Francisco com o faixa preta Alexandre Segantin © FPRJUDÔ

A escuta se relaciona com uma convicção que reaparece ao longo da entrevista: o crescimento precisa estar acompanhado de preparação. Há uma preocupação constante em oferecer aos professores conhecimentos e condições para conduzir suas escolas com mais segurança, preservando os vínculos humanos que caracterizam a modalidade.

“Nós buscamos diferentes maneiras de oferecer aprendizado e ajudar o professor a se profissionalizar. A condução desse trabalho exige profissionalismo, planejamento e conhecimento. Não há mais espaço para o amadorismo ou para a improvisação. É nessa direção que estamos trabalhando.”

Administração próxima e preparação para as graduações

Uma entidade com atuação em todo o Paraná, estado que reúne 399 municípios, também precisa responder às demandas que chegam diariamente à sua sede. Como Helder não reside em Curitiba, contar com uma equipe com autonomia na capital tornou-se parte fundamental da gestão. A gerente Aline Caixeta, o diretor executivo Carlos André Kussumoto e o diretor de relacionamento com investidores Flávio Montenegro Balan acompanham esse trabalho diariamente.

“Aline já trabalhava conosco e passou a ser gerente da federação. Em Curitiba, ela consegue resolver muitas questões com mais agilidade do que se dependessem da minha ida à capital. Aline, Carlos André Kussumoto e Flávio Montenegro Balan estão comigo no dia a dia. Mantemos contato constante para atender às demandas da entidade. Para dirigir uma federação desse porte, precisamos de uma equipe de colaboradores à altura dessa responsabilidade.”

Helder Faggion recebe a premiação de campeão ainda na adolescência, em um registro de sua trajetória nos tatamis muito antes de tornar-se professor © FPRJUDÔ

A revisão de procedimentos alcançou a cobrança de taxas, que passou a considerar as faixas em lugar da idade, e o acesso aos exames de graduação. O esforço para trazer professores de volta veio acompanhado de preparação específica para os candidatos. A distinção é importante: ampliar o acesso exige orientar melhor, mantendo os critérios técnicos da avaliação.

“Nós reorganizamos a cobrança de algumas taxas, que antes gerava dúvidas, e passamos a adotar as faixas como critério. Também procuramos os professores que estavam afastados e ampliamos as condições de acesso aos exames. Não se trata de facilitar a prova, mas de facilitar o acesso. Criamos cursos preparatórios para os candidatos à faixa preta e às graduações até o go-dan (5º dan). A participação é exclusiva de quem está inscrito no processo. Hoje há muita informação disponível na internet, mas participar de um curso preparatório presencial proporciona uma experiência diferente. Considero essa mudança técnica e administrativa uma importante virada de página para a federação e, principalmente, para os nossos filiados.”

Apoio à participação nacional e internacional

Chegar a um campeonato bem preparado envolve também saber que haverá assistência quando o corpo exigir cuidado. Desde 2023, a delegação paranaense conta com fisioterapeuta exclusivo em campeonatos nacionais.

“Nós levamos fisioterapeutas para atender especificamente a nossa delegação, e todos os profissionais desse grupo são judocas. Eles acompanham os atletas antes, durante e depois das competições. Em determinados eventos, também levamos um médico. Os professores e técnicos do rendimento receberam muito bem essa iniciativa e essa interação com os profissionais da saúde.”

Helder Faggion atua como árbitro, experiência que ampliou sua compreensão do judô e contribuiu para sua formação como gestor © FPRJUDÔ

O apoio à formação alcança ainda os árbitros que buscam oportunidades no cenário internacional. A ajuda de custo procura contribuir para uma trajetória de aperfeiçoamento que retorna às competições estaduais na forma de experiência e qualificação.

“Também temos trabalhado no apoio à arbitragem. Durante nossa gestão, dois novos árbitros foram promovidos à categoria FIJ B. A federação participa desse processo oferecendo ajuda de custo para esses professores.”

Arbitragem compartilhada e autonomia regional

A responsabilidade de acompanhar uma temporada inteira motivou outra mudança no setor. A coordenação da arbitragem passou a ser compartilhada por uma comissão formada pelo diretor Reinaldo Francisco, pelo vice-diretor Vitor Moreira, por Maiky Palhano e por Suellen Senna. O revezamento permite distribuir melhor o trabalho e evitar que as responsabilidades se concentrem em uma única pessoa.

“Nós criamos uma comissão para cuidar da arbitragem do estado. Seus integrantes se revezam na coordenação das competições, porque havia uma sobrecarga muito grande sobre o diretor, que precisava estar presente em todos os eventos da temporada. Com quatro pessoas compartilhando essa responsabilidade, conseguimos distribuir melhor o trabalho.”

Helder Faggion ao lado do professor kodansha kyuu-dan (9º dan) Liogi Suzuki, lembrado pelo carisma e pelo legado de valores e ensinamentos que deixou a gerações de judocas como uma das grandes referências éticas e morais do judô paranaense © FPRJUDÔ

A mesma disposição para compartilhar responsabilidades alcança as cinco delegacias regionais. Washington Donomai responde pelo Oeste; Walter Babata, pelo Noroeste; Reinaldo Francisco, pelo Centro Sul; Helder Marcos Faggion, pelo Norte; e Carlos André Kussumoto, pelo Sul. A autonomia para organizar torneios, cursos e atividades mantém a federação próxima das características de cada região.

“Nossos delegados têm autonomia para desenvolver seu trabalho, realizar torneios e promover cursos. As parcerias dos professores com os municípios também são fundamentais. Antes, havia menos locais disponíveis para sediar eventos do que competições. Hoje acontece o contrário: temos mais opções de sedes do que eventos. É crescente o interesse dos municípios e das regiões em receber competições de judô. Isso é muito importante para fortalecer e disseminar a cultura da modalidade no maior número possível de cidades.”

Parcerias que colocam os projetos em prática

O custo de uma viagem pode pesar tanto quanto a preparação de meses para uma competição. As parcerias com o poder público e as leis de incentivo permitem enfrentar essa dificuldade e investir em estrutura. Entre as iniciativas citadas na entrevista está o atendimento às categorias cadete, júnior e sênior por meio do Proesporte, do Paraná.

“As parcerias são muito importantes. Por meio do Proesporte, conseguimos que nossos atletas das categorias cadete, júnior e sênior tivessem todas as despesas pagas para participar do Campeonato Brasileiro oficial. Isso tem uma importância enorme para a nossa equipe. Também avançamos em projetos pela Lei de Incentivo ao Esporte e mantemos uma parceria expressiva com a Prefeitura de Curitiba.”

Os investimentos alcançam o funcionamento das competições, com equipamentos para operar 12 áreas, computadores, televisores, sistema de vídeo e transmissão dos eventos. A estrutura permite acompanhar as disputas e ampliar o acesso de quem deseja assistir ao judô paranaense.

Helder Faggion com os professores kodanshas Paulo Air Micoski, roku-dan (6º dan) e ex-presidente da Federação Paranaense de Judô, Neury Tussolino, roku-dan (6º dan), e Ney de Lucca Meching, hachi-dan (8º dan) © FPRJUDÔ

“Nós renovamos nossos equipamentos eletrônicos e temos estrutura completa para trabalhar com 12 áreas. Também investimos no sistema de vídeo e na transmissão das competições. Queremos entregar eventos cada vez melhores, mais seguros e com qualidade para todos os participantes.”

Outro passo é levar a infraestrutura para mais perto de quem organiza os eventos. O projeto de aquisição de 20 áreas oficiais de tatamis da Original Tatamis Yamamura, pela Lei de Incentivo ao Esporte do governo federal, prevê atender às cinco delegacias regionais e reduzir a necessidade de transportar equipamentos por longas distâncias.

“Estamos na fase final da compra de 20 áreas oficiais de tatamis, que serão destinadas às nossas cinco delegacias regionais. Elas serão utilizadas em eventos regionais e estaduais. Isso vai facilitar o trabalho de todos e diminuir as despesas com o transporte desse equipamento.”

Reconhecimento à gestão de Paulo Wanderley e à força da CBJ

O olhar sobre o Paraná se amplia quando a conversa chega à Confederação Brasileira de Judô. Helder faz uma avaliação positiva da gestão de Paulo Wanderley Teixeira e associa a condução da entidade à capacidade de compreender um país de dimensões continentais. O reconhecimento envolve os resultados internacionais e a responsabilidade de atender estados com realidades distintas.

“Avalio o momento atual do judô brasileiro como um momento de sucesso. Temos à frente da CBJ um grande gestor. A modalidade precisa de pessoas que administrem com força, determinação e muito carinho. O Brasil é um país continental, e a presidência da confederação precisa ter visão para atender todos os estados e conhecer o que acontece no judô. Em termos de resultados, temos sucesso nas Olimpíadas e nas demais competições mundiais. Esse reconhecimento também aparece nas conversas com dirigentes de outras modalidades esportivas.”

Um legado que precisa continuar crescendo

Ao falar do futuro, a ambição de fazer o judô crescer vem acompanhada de uma preocupação com a sucessão. O aniversário de 65 anos lembra que cada gestão recebe um trabalho construído por muitas mãos e tem a responsabilidade de entregá-lo fortalecido. A referência aos pioneiros encontra seu sentido na preparação de novas lideranças e na continuidade das iniciativas.

“Peço sempre a Deus que me mostre um caminho para preparar meu sucessor e que ele seja melhor do que eu. Aí, sim, minha gestão será um sucesso. Quero deixar tanta coisa boa realizada que ele precise se desdobrar e trabalhar muito para fazer uma gestão melhor que a nossa. É importante preparar uma nova gestão para dar continuidade e melhorar cada vez mais o judô do Paraná.”

A equipe que compartilha as responsabilidades da gestão

Para que essa continuidade seja possível, Helder valoriza a participação de quem propõe, organiza e executa. A redução do número de diretorias foi acompanhada da criação de coordenações vinculadas aos departamentos, preservando espaço para o trabalho dos colaboradores. A autonomia, depois da aprovação das propostas, integra essa forma de conduzir a entidade.

“Nossa diretoria tem autonomia para criar e realizar o trabalho necessário. Os diretores apresentam suas propostas e, quando elas são aprovadas, podem desenvolver seus projetos. O momento positivo que vivemos é resultado do trabalho da diretoria, das delegacias regionais, dos professores que buscam a profissionalização e dos filiados. É esse conjunto que nos permite avançar.”

Professores paranaenses no encontro de kodanshas © FPRJUDÔ

O Departamento Técnico é dirigido por Rodrigo Tonietto, com Lucas Lessa como vice. Na Arbitragem, Reinaldo Francisco tem Vitor Moreira como vice; no Rendimento, Celso Ogawa conta com Washington Donomai. O Departamento Executivo é conduzido por Carlos André Kussumoto, com Flávio Montenegro Balan como vice. Balan também responde pelo Relacionamento com Investidores, tendo Alexandre Segantin como vice.

O Departamento de Katas tem Yoshihiro Okano à frente e Washington Donomai como vice. O Departamento de Técnicas m José Luiz Lemanczuk Júnior. A Comissão de Grau é presidida por Helder Marcos Faggion, também com José Luiz Lemanczuk Júnior como vice. No Departamento Jurídico, Rafael de Brito atua ao lado do vice Ivo Meier.

Coordenações e comissões que sustentam o trabalho diário

A equipe se completa com as coordenações que sustentam a execução das atividades. No Departamento Técnico, Lucas Lessa responde pela súmula; Mariana Bueno, pela pesagem e premiação; Abilio Ribeiro, pelos mesários; e Fabiano Paiva, pela saúde.

Na Arbitragem, a organização regional reúne Clóvis Kuno, no Sul; Gilberto Carneiro, no Norte; Maiky Palhano, no Noroeste; Suelen Senna, no Oeste; e Ivanildo Josefi, no Centro Sul.

No Rendimento, Leandro Fraga responde pelos veteranos, e Suellen Senna, pelo Departamento Feminino. As coordenações regionais são exercidas por Jacqueline Osana, no Sul; Andrey Ferreira, no Norte; Celso Ogawa, no Noroeste; Pedro Tonello, no Oeste; e Maria Helena, no Centro Sul.

Vinculados ao Departamento Executivo, Gustavo Batista atua na comunicação e no marketing. No Relacionamento com Investidores, Flávio Montenegro Balan responde pelo desenvolvimento de projetos.

Helder Marcos Faggion defende a valorização dos professores e a profissionalização das escolas como caminhos para fortalecer o futuro do judô paranaense © FPRJUDÔ

No Departamento de Katas, as referências regionais são Rafael Brito, no Sul; Roberto Nagahama, no Noroeste. No Departamento de Técnicas, essas funções cabem a Neury Tussolino, no Sul; Marcelo Missaka, no Norte; Celso Ogawa, no Noroeste; Vitor César Moreira, no Oeste; e Douglas Josefi, no Centro Sul.

Integram a Comissão de Grau Yoshihiro Okano, Sidnei Pereira de Lima e Washington Donomai. A estrutura apresentada pela federação inclui ainda Marcelo Missaka no judô inclusivo; Josmar Couto no judô social; Marco Sugmati no Departamento de Educação; e Flávio Balan como embaixador do judô paranaense.

São responsabilidades distribuídas entre diferentes gerações e regiões, reunidas em torno do trabalho de ensinar, organizar e ampliar o acesso à modalidade. No aniversário de 65 anos, essa rede de professores e colaboradores dá forma ao desafio assumido pela gestão: fazer a família do judô paranaense crescer, com vínculos preservados e condições cada vez mais profissionais para construir os próximos capítulos de sua história.

https://www.originaltatamis.com.br/