05 de janeiro de 2026
Professor Arthur Rêgo emerge como candidato à presidência da Confederação Brasileira de Karatê-Dô Tradicional © Arquivo
Em um momento de desafios e oportunidades para o Karatê-Dô Tradicional no Brasil, o professor Arthur Prisco Paraíso Rêgo emerge como candidato à presidência da Confederação Brasileira de Karatê-Dô Tradicional (CBKT), cuja eleição será realizada no próximo dia 24 de janeiro, com uma proposta que transcende a simples continuidade administrativa e busca integrar a entidade com seus praticantes em todas as regiões do país.
Graduado em engenharia civil, Rêgo é fundador e gestor de uma incorporadora com 34 anos de atuação, é membro do Conselho Diretor da ADEMI-BA (Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia) há 16 anos — posição estratégica no setor da construção civil baiana — e integra o Comitê Imobiliário de um dos grupos empresariais mais importantes do estado.

Senseis Arthur Rêgo e Eckner Cardoso com Justo Gómez, uma das principais referências técnicas da ITKF Global © Arquivo
Sensei Arthur Rêgo também construiu uma vivência profunda no karatê-dô tradicional: iniciou sua prática em 1974, sob a orientação dos mestres Yoshizo Machida e Denílson Caribé, e foi atleta competidor nas décadas de 1970 e 1980. Em 1988, participou da fundação da Federação de Karatê-Dô Tradicional da Bahia (FKTB), onde passou a atuar em diferentes cargos administrativos.
Aos 65 anos, Rêgo combina uma trajetória de mais de cinco décadas dedicada às artes marciais com uma sólida carreira no setor empresarial — habilidades que ele pretende unir para promover uma gestão moderna, participativa e técnica, sem abrir mão dos valores que fundamentam a tradição do karatê.

Shihans Arthur Rêgo e Ugo Arrigoni Neto © Arquivo
Detentor do 7º dan pela ITKF (shihan shichi-dan) e árbitro internacional Classe A, ele também ocupa relevantes funções técnicas na ITKF Pan-Americana e tem sido um dos responsáveis por fortalecer a base institucional da CBKT, com destaque para a reorganização financeira da entidade e a construção do Curso Nacional de Árbitros.
Ao lado de uma diretoria plural, representada pelos professores Luiz Alberto Kuster e Iko Trindade, Arthur Rêgo apresentou uma plataforma ancorada em tradição, governança e desenvolvimento. A proposta enfatiza o resgate do diálogo com a base, a modernização dos processos administrativos, a valorização da formação técnica e pedagógica dos instrutores, a ampliação de oportunidades esportivas e a criação de mecanismos de captação de recursos mais transparentes e eficazes.
Ao longo de sua trajetória, Rêgo tem deixado claro que sua motivação vai além de uma simples eleição: trata‑se de um projeto de retribuição ao karatê, uma arte que ele credita como responsável por sua formação pessoal, mental e ética. Essa visão se traduz em um compromisso de gestão que busca conciliar a preservação dos pilares históricos da modalidade com a incorporação de práticas administrativas modernas e inclusivas.
O modelo proposto prevê o fortalecimento das relações com os filiados de todas as regiões, o apoio à expansão de práticas sociais, pedagógicas e inclusivas, além da valorização institucional da CBKT e a ampliação do calendário técnico e esportivo — tudo com um olhar atento às necessidades específicas de cada segmento do karatê tradicional brasileiro.
A seguir, Arthur Rêgo apresenta sua visão para um novo ciclo da Confederação Brasileira de Karatê-Dô Tradicional — um projeto que busca combinar eficiência, inclusão e respeito absoluto aos fundamentos do Karatê-Dô Tradicional.

Senseis Arthur Rêgo atuando na arbitragem do Campeonato Brasileiro © Arquivo
O QUE REALMENTE O LEVOU AO CAMINHO DAS MÃOS VAZIAS?
Há 51 anos, eu era um jovem franzino de apenas 13 anos. Tudo o que eu queria naquele momento era aprender a me defender. Fui influenciado por colegas que já praticavam karatê, e o desejo de me sentir mais preparado diante da vida me levou ao dojô. Com o tempo, fui compreendendo que o karatê era muito mais do que uma arte de defesa — era um caminho. Desde cedo comecei a estudar com profundidade, aproveitando o acesso que tinha a publicações em outros idiomas. Passo a passo, o karatê deixou de ser apenas uma prática física e se transformou em uma devoção na minha vida. Aprendi os valores mais profundos da arte e acabei mergulhando na cultura japonesa, que ampliou minha visão sobre o mundo e sobre a vida. Talvez por isso eu valorize tanto a hierarquia e o respeito àqueles que vieram antes de nós.
SENDO UM EMPRESÁRIO MUITO BEM-SUCEDIDO, POR QUE ESTÁ SE LANÇANDO A UMA EMPREITADA COMO ESTA?
Se fosse para resumir em uma só palavra, eu diria: retribuição. Reconheço a enorme importância que o karatê teve — e ainda tem — na minha vida. A prática da modalidade me proporcionou crescimento pessoal, melhoria física, mental e cognitiva. A convivência com pessoas mais experientes, o ambiente de aprendizado contínuo e o estresse natural das competições foram verdadeiras escolas de formação para mim. Ao longo dessas décadas, o karatê me moldou como pessoa e como profissional. Por isso, sinto que chegou o momento de retribuir. Estou ciente dos desafios e da responsabilidade que é gerir uma organização da magnitude da CBKT, mas me sinto preparado, e acima de tudo, determinado, a devolver ao karatê um pouco de tudo que ele me deu.

Senseis Arthur Rêgo e Eckner Cardoso com Eligio Contarelli membro do Comitê Técnico da ITKF Global © Arquivo
VOCÊ FOI UM DOS SIGNATÁRIOS DA FUNDAÇÃO DA FKTB, EM 1988, E DESDE ENTÃO OCUPOU DIFERENTES FUNÇÕES ADMINISTRATIVAS NA ENTIDADE. COMO ESSA VIVÊNCIA MOLDOU SUA VISÃO SOBRE O PAPEL DE UMA CONFEDERAÇÃO NACIONAL?
A Bahia é um estado com uma vasta extensão territorial e regiões muito distantes da capital. Ao longo dos anos em que atuei na administração do karatê baiano, pude perceber que cada localidade tem suas próprias realidades — seja do ponto de vista econômico, social ou até mesmo no acesso à informação. Essa experiência me ensinou que é fundamental cuidar de cada um de forma individualizada. Não podemos nos esquecer de quem está longe, de quem tem dificuldade de se aproximar do centro das decisões e do conhecimento. É nosso dever estender a mão, criar pontes, levar formação e estrutura a esses lugares. Talvez pelo fato de a Bahia ser maior que muitos países europeus, acabamos lidando com desafios que já se assemelham aos de uma gestão nacional. Essa vivência me fez compreender, na prática, a importância de olhar para cada filiado com atenção às suas necessidades específicas e respeitando as características de sua região. Acredito sinceramente que esse é um dos segredos para uma gestão nacional eficiente e justa.
VOCÊ POSSUI LONGA HISTÓRIA NO KARATÊ E, AO MESMO TEMPO, UMA TRAJETÓRIA SÓLIDA NO SETOR EMPRESARIAL. COMO ESSAS DUAS EXPERIÊNCIAS SE CONECTAM EM SUA PROPOSTA DE GESTÃO?
Acredito que a conexão entre essas duas trajetórias é total. Quando uma pessoa reúne, de um lado, conhecimento técnico, vivência e qualificação dentro da arte marcial, e de outro, competência administrativa e visão estratégica, ela está em uma posição privilegiada para oferecer uma gestão moderna e eficiente. Conhecer os meandros do esporte, compreender suas demandas específicas e, ao mesmo tempo, ter a capacidade de estruturar e organizar todo o back office da entidade — com processos claros, metas bem definidas e governança ativa — é, para mim, o cenário ideal. E é exatamente isso que proponho. Coloco-me à disposição para unir essas duas valências: a de karateca comprometido com os valores da modalidade e a de gestor preparado para conduzir a CBKT com profissionalismo e visão de futuro.
EM SUA FALA DE LANÇAMENTO DA PLATAFORMA, VOCÊ DESTACOU “TRADIÇÃO, GOVERNANÇA E DESENVOLVIMENTO” COMO PILARES DO PROJETO. COMO PRETENDE EQUILIBRAR A PRESERVAÇÃO DOS VALORES DO KARATÊ TRADICIONAL COM A MODERNIZAÇÃO DA GESTÃO E DA COMUNICAÇÃO INSTITUCIONAL DA CBTK?
A modernização da gestão e da comunicação institucional não contraria os valores do karatê tradicional — pelo contrário, são ferramentas indispensáveis para seu desenvolvimento e perpetuação. Somos praticantes de uma arte marcial, e é justamente por isso que não abrimos mão dos princípios que sustentam nossa prática: disciplina, respeito, caráter e hierarquia. No entanto, para que esses valores alcancem mais pessoas e permaneçam vivos nas futuras gerações, precisamos utilizar instrumentos modernos de gestão, governança e comunicação. Essas ferramentas são meios para que o nosso discurso chegue com clareza, alcance e relevância aos praticantes, dirigentes, professores e ao público em geral. Nosso objetivo é preservar a essência do karatê, mas com uma gestão compatível com os desafios do presente e com os recursos que o mundo atual oferece.
O SHIHANKAI FOI MENCIONADO COMO UM PONTO ESTRATÉGICO DA SUA PROPOSTA. EM SUA VISÃO, QUAL SERÁ O PAPEL EFETIVO DESSE ÓRGÃO NA SUA GESTÃO, CASO ELEITO?
Eu não acredito em karatê-dô sem hierarquia. A nossa arte é fundamentada no respeito àqueles que vieram antes — e os nossos mestres têm um papel fundamental nisso. Eles chegaram primeiro, acumularam conhecimento, experiência e vivência, e são justamente os mais qualificados para apontar o caminho que devemos seguir, especialmente no campo técnico. Minha proposta é tornar esse papel mais claro e institucionalizado. O shihankai deve atuar formalmente como um órgão consultivo, orientando a Confederação nas decisões que envolvem formação, graduação, ética e diretrizes técnicas. Além disso, acredito que muitos desses mestres ainda têm plena capacidade produtiva — técnica e administrativa — e, por isso, desejo contar com a colaboração deles também em funções executivas. A ideia é que possam coordenar comissões específicas, como as de graduação e de desenvolvimento técnico, e até mesmo compor a diretoria técnica, participando ativamente da execução dos projetos. Ouvir o shihankai é fundamental, mas também é preciso seguir seus exemplos, valorizando essa liderança com atribuições reais dentro da estrutura da Confederação.

Arthur Rêgo com a multicampeã mundial Martinna Rey © Arquivo
HISTORICAMENTE, A CBKT REALIZA UM NÚMERO REDUZIDO DE EVENTOS AO LONGO DO ANO. O QUE VOCÊ PLANEJA PARA A ÁREA ESPORTIVA?
Essa é uma pauta muito sensível e que precisa ser debatida com profundidade junto aos filiados. A realização de eventos esportivos está diretamente ligada a questões financeiras — especialmente os custos com deslocamento de equipes, professores e árbitros. Por esse motivo, ao longo dos últimos anos, optou-se por concentrar a agenda competitiva em um número menor de datas, como forma de evitar despesas excessivas para todos os envolvidos. No entanto, reconhecemos que esse não é o melhor modelo. Precisamos, sim, ampliar o calendário esportivo da CBKT, e essa é uma das metas da nossa proposta. Já estamos discutindo internamente a possibilidade de realizar festivais técnicos e participativos, especialmente com foco em projetos sociais e equipes que desenvolvem trabalho de base. A ideia é descentralizar, começar por eventos regionais, e tirar um pouco o foco exclusivo da competição e do resultado. O objetivo é promover encontros que valorizem a prática, o desenvolvimento e a integração, oferecendo mais oportunidades aos praticantes. Além disso, já está em análise a formatação de Copas Abertas, com caráter oficial, mas em que cada equipe avalie sua possibilidade de participação conforme sua realidade. É uma construção que exigirá diálogo, responsabilidade e planejamento. Acreditamos que, com organização e apoio dos filiados, será possível fortalecer a área esportiva e expandir o calendário a partir de 2026.
MUITOS PROFESSORES E LIDERANÇAS ESPERAM UMA MAIOR VALORIZAÇÃO DA BASE TÉCNICA E PEDAGÓGICA DA CBKT. HAVERÁ INICIATIVAS ESPECÍFICAS PARA FORMAÇÃO CONTINUADA, QUALIFICAÇÃO E SUPORTE AOS INSTRUTORES EM TODO O PAÍS?
Sim, essa é uma das prioridades do nosso plano de ação e está descrita de forma detalhada em nossa proposta. Vamos estruturar uma Comissão Nacional de Desenvolvimento Técnico, formada por professores experientes de diferentes regiões do país, com o objetivo de promover um processo contínuo de formação e padronização técnica. A ideia é que essa comissão atue na construção de um padrão nacional de ensino, com diretrizes claras para exames de graduação, metodologia de ensino e alinhamento pedagógico. Parte desse trabalho já foi iniciada na gestão atual, e nossa intenção é aprofundar e expandir essas diretrizes, levando conhecimento técnico e metodológico aos estados — especialmente àqueles que mais precisam de suporte institucional. Acreditamos que o fortalecimento técnico da base passa diretamente pela capacitação dos instrutores. Vamos investir na formação dos professores, que serão os multiplicadores desse conhecimento em seus dojôs e comunidades. O objetivo é alcançar, progressivamente, um nível mais homogêneo de qualidade técnica no karatê-dô tradicional em todo o território nacional, sem perder as características locais, mas alinhando os princípios da nossa arte de forma estruturada e coerente.

Arthur Rêgo com Dino Contarelli, presidente da Federação Italiana de Karatê © Arquivo
VOCÊ FALOU SOBRE CRIAR ESTRUTURAS PARA CAPTAÇÃO DE RECURSOS VIA PATROCÍNIOS E LEIS DE INCENTIVO. PODE NOS ANTECIPAR COMO PRETENDE VIABILIZAR ISSO E QUAIS ÁREAS SERÃO PRIORIZADAS NESSE INVESTIMENTO?
Nosso objetivo é transformar a CBKT em uma entidade moderna e sustentável, capaz de atrair investidores públicos e privados, sempre com seriedade e compromisso com os valores do karatê-dô tradicional. E esse é um ponto estratégico da nossa proposta de gestão. Para que possamos ampliar nossa capacidade de captação de recursos, tanto por meio de patrocínios quanto pelas Leis de Incentivo ao Esporte, será necessário estruturar processos sólidos, transparentes e auditáveis. O primeiro passo, que considero inadiável, é a reforma do estatuto da CBKT. Nosso estatuto precisa estar plenamente adequado à legislação vigente, especialmente para atender às exigências da nova Lei Complementar nº 225/2025, que instituiu um mecanismo permanente de apoio ao esporte nacional. Essa nova legislação traz avanços significativos e permite que empresas e pessoas físicas destinem parte do seu Imposto de Renda a projetos esportivos — algo que abre uma porta real de financiamento para entidades como a nossa. A criação de um setor específico de captação, com profissionais qualificados, será fundamental. Essa equipe vai atuar com foco em projetos consistentes, tecnicamente estruturados, que atendam aos critérios legais e ofereçam contrapartidas claras aos apoiadores. Além disso, manteremos um sistema de controle e auditoria permanente, garantindo total transparência no uso dos recursos. Entre as áreas prioritárias para esses investimentos estão:
SUA TRAJETÓRIA INCLUI PARTICIPAÇÃO ATIVA NA CONFEDERAÇÃO PAN-AMERICANA E DIÁLOGO PRÓXIMO COM LIDERANÇAS ITKF GLOBAL. COMO PRETENDE ARTICULAR ESSA EXPERIÊNCIA EM FAVOR DA CBKT?
Com relação a Pan-Americana entendo que essa foi a região do mundo que mais perdeu com a divisão do karatê tradicional. O karatê Pan-Americano tem tido pouca presença e pouca participação devido aos poucos países filiados e ativamente participantes. Acho que o Brasil tem que ter um papel de protagonismo para fazer recuperar esse espaço que que já foi muito grande e, para isso, nós temos que investir na Pan-Americana, temos que assumir esse papel de líderes do continente e trabalhar incansavelmente para que ele se torne forte novamente em relação. Já com relação a ITKF eu tenho uma boa relação com vários líderes do karatê mundial. Tenho participado ativamente de todas as competições mundiais, seminário e clínicas. Posso dizer que isso tem me aproximado das grandes lideranças dos países filiados à ITKF, o que facilita a interlocução. Acredito que o Brasil vai poder contribuir e ser assertivo na colaboração para o futuro do karatê em nível mundial.
UMA PEQUENA PARCELA DE PROFESSORES BUSCA ASSOCIÁ-LO À GESTÃO ANTERIOR, DA QUAL O SENHOR FOI DIRETOR FINANCEIRO. COMO VOCÊ RESPONDE A ESSE TIPO DE DISCURSO?
Respondo com tranquilidade e de forma bastante objetiva. A gestão que está se encerrando teve, sim, avanços importantes — muitos dos quais são ignorados por quem insiste em fazer uma leitura seletiva dos fatos. Há uma tendência de se focar apenas naquilo que não foi feito, mas é preciso reconhecer o que foi construído. Hoje, por exemplo, a CBKT possui sua marca registrada no INPI, algo conquistado após uma longa e desgastante disputa jurídica com um grupo que tentou se apropriar da identidade da entidade. Temos também uma gestão financeira organizada, com saldo positivo em caixa, o que garante autonomia e permite realizar ações com responsabilidade e eficiência. Na área técnica, estruturamos um curso nacional de arbitragem, que formou e atualizou dezenas de profissionais em todo o país. Além disso, iniciamos a padronização dos exames de kyu, com base em um sistema que já está sendo implantado, e atualizamos o sistema de graduação para alinhar o Brasil à realidade mundial — com dez kyus e dez dans, conforme a prática adotada internacionalmente. É claro que existem pontos que não foram plenamente atendidos — e eu reconheço isso. Por isso mesmo, minha proposta para a próxima gestão é corrigir os gargalos existentes, com foco em modernizar a comunicação institucional, investir em marketing, ampliar a captação de recursos e implementar um modelo de governança mais participativo, transparente e ágil. O nosso compromisso é com uma CBKT plural, representativa, nacional. Não estamos aqui para montar um projeto de grupo regional. Queremos uma confederação que envolva pessoas qualificadas de todos os cantos do Brasil, com vivências diferentes, mas unidas por um mesmo objetivo: fazer o karatê-dô tradicional avançar com solidez, ética e eficiência.

Professor Arthur Rêgo durante o Campeonato Mundial da ITKF, realizado na Eslovênia, em 2022 © Arquivo
EM UM MOMENTO EM QUE MUITAS MODALIDADES BUSCAM VISIBILIDADE, QUAL SERÁ O PAPEL DO MARKETING E DA COMUNICAÇÃO NA NOVA CBKT QUE O SENHOR PROJETA?
Vejo a comunicação e o marketing como áreas absolutamente estratégicas para o novo ciclo que estamos propondo. Precisamos ser vistos, ouvidos e compreendidos — tanto internamente quanto pela sociedade em geral. A CBKT precisa ocupar seu espaço, apresentar suas ideias, valorizar seus professores e atletas, e mostrar a relevância do Karatê-Dô Tradicional como prática educativa, formadora e transformadora. Mas é importante deixar claro: modernização não significa descaracterização. Quando falamos em modernizar, estamos tratando de processos de gestão, de atendimento, de relacionamento com os filiados, de canais institucionais, enfim, de tudo aquilo que nos conecta melhor com o mundo de hoje e nos torna mais eficientes, sem abrir mão da nossa identidade. O Karatê-Dô que defendemos é, acima de tudo, uma arte marcial. Não vamos ceder ao processo de “esportivização” que compromete os pilares éticos e filosóficos da modalidade. Nosso compromisso é preservar a essência do Karatê Tradicional, enquanto adotamos práticas administrativas mais transparentes, inclusivas e modernas, que nos permitam crescer com sustentabilidade e coerência.
QUE MENSAGEM O SENHOR GOSTARIA DE DEIXAR À COMUNIDADE DO KARATÊ TRADICIONAL QUE VAI ÀS URNAS NO PRÓXIMO DIA 24 DE JANEIRO?
Em primeiro lugar, quero deixar registrada minha mais sincera gratidão a todos os professores, atletas, árbitros e dirigentes que, ao longo dessas semanas, me ouviram, me escreveram, deram sugestões e, principalmente, demonstraram interesse em participar desse momento tão importante para o futuro da nossa modalidade. Independentemente do resultado, o simples fato de estarmos debatendo ideias e caminhos para o Karatê Tradicional já representa um avanço. Mas eu não estou aqui apenas para participar de uma eleição. Estou aqui para assumir um compromisso. Um compromisso com trabalho sério, com escuta ativa, com responsabilidade na gestão e com respeito absoluto à tradição que nos trouxe até aqui. Estou pronto para dedicar minha experiência, minha energia e minha competência à construção de um novo ciclo para o Karatê-Dô Tradicional no Brasil. Se tivermos a honra de contar com a confiança da comunidade, garanto que não serei um presidente de gabinete. Estarei presente, acessível e comprometido com todos os estados, com todas as realidades, com todos os que acreditam no valor formativo da nossa arte marcial. Nosso objetivo não é transformar o Karatê — é fortalecer suas raízes e ampliar seus horizontes, com mais diálogo, mais organização e mais oportunidades para todos. E se ao final dessa gestão cada filiado, cada aluno, cada professor se sentir um pouco mais valorizado e fortalecido, terei cumprido minha missão.
Muito obrigado a todos. Oss!
05 de janeiro de 2026
05 de janeiro de 2026
03 de janeiro de 2026