09 de julho de 2026
O pódio da categoria J1 até 52kg reuniu Rosicleide Andrade (Brasil), campeã, Alfiya Tlekkabyl (Cazaquistão), medalha de prata, e Priscilla Gagné (Canadá) e Maria Manzanero Ruiz (Espanha), ambas com o bronze © Larissa Rodrigues
São Paulo voltou a ocupar o centro das atenções do Parajudô mundial nesta sexta-feira (10), com o início da terceira edição do Grand Prix Internacional da IBSA, competição que abre oficialmente o ciclo classificatório para os Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028. Realizado no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, o evento reúne alguns dos principais atletas da modalidade e distribui os primeiros pontos do ranking internacional da temporada.
Organizado pela Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais (CBDV), entidade filiada à International Blind Sports Federation (IBSA), o Grand Prix transformou a capital paulista, mais uma vez, em referência mundial do Parajudô. Além da presença das principais delegações do circuito internacional, a competição também chamou a atenção de dirigentes e profissionais ligados ao esporte em âmbito global.

O pódio da categoria J1 até 81kg reuniu Danilo Gerônimo Silva (Brasil), campeão, Shokhrukh Mamedov (Uzbequistão), medalha de prata, e Cyril D. Jonard (França) e Mahmoud Aly (Egito), ambos com o bronze © Larissa Rodrigues
Entre eles está Nicolas Messner, diretor de Mídia e Comunicação da Federação Internacional de Judô (FIJ). Francês de origem e considerado uma das maiores referências da comunicação esportiva da modalidade, Messner acompanha de perto a competição em São Paulo, reforçando a importância internacional do evento justamente no momento em que tem início a caminhada rumo aos Jogos Paralímpicos de Los Angeles.
Dentro dos tatamis, o Brasil correspondeu às expectativas e encerrou o primeiro dia de disputas com quatro medalhas: duas de ouro e duas de bronze. Os títulos ficaram com Rosicleide Andrade, campeã da categoria J1 até 52kg, e Danilo Gerônimo Silva, vencedor da J1 até 81kg. As medalhas de bronze vieram com Lúcia Araújo, na categoria J2 até 60kg, e Deyverson de Souza, na J1 até 70kg, garantindo um início bastante positivo para a equipe nacional diante da torcida.

Nicolas Messner, diretor de Mídia e Comunicação da Federação Internacional de Judô (FIJ), participa da cerimônia de premiação do Grand Prix Internacional da IBSA, reforçando o prestígio e a relevância da competição no cenário mundial do Parajudô © Larissa Rodrigues
Mais do que os resultados, a competição mostrou que o novo ciclo paralímpico promete um cenário extremamente equilibrado. Medalhistas paralímpicos, campeões mundiais e jovens talentos dividiram o protagonismo em um dia marcado por combates de alto nível técnico, decisões no golden score e demonstrações de que a renovação do Parajudô internacional acontece sem abrir mão da excelência competitiva.
Uma das principais referências do Parajudô brasileiro, Rosicleide Andrade confirmou o favoritismo na categoria J1 até 52kg ao superar, na decisão, a cazaque Alfiya Tlekkabyl. Atual campeã mundial e um dos grandes nomes da seleção brasileira, Rosi iniciou o novo ciclo paralímpico exatamente como esperava: no lugar mais alto do pódio.
Após a conquista, a brasileira destacou o elevado nível técnico da competição e a importância dos primeiros pontos na corrida por uma vaga em Los Angeles.
“A competição é extremamente forte. Todas as três lutas foram duríssimas, mas graças a Deus deu tudo certo. Estou muito feliz porque agora começa oficialmente a corrida para Los Angeles. Os pontos passam a valer e cada combate ganha uma importância enorme. Também tive a oportunidade de enfrentar adversárias que ainda não conhecia, o que torna essa conquista ainda mais importante.”
O ouro conquistado por Rosicleide simboliza muito mais do que um excelente início de temporada. A vitória reafirma a força do Parajudô feminino brasileiro justamente no momento em que se inicia uma nova caminhada paralímpica, em um cenário internacional cada vez mais competitivo.
Se Rosicleide Andrade abriu a campanha brasileira em grande estilo, coube a Danilo Gerônimo Silva protagonizar um dos momentos mais emocionantes do primeiro dia do Grand Prix. Competindo na categoria J1 até 81kg, o brasileiro confirmou a excelente fase ao derrotar o cazaque Shokhrukh Mamedov, conquistando sua primeira medalha de ouro no novo ciclo paralímpico.

Na final da categoria J1 até 81kg, Danilo Gerônimo aplica um juji-gatame sobre Shokhrukh Mamedov (Uzbequistão) durante um dos momentos decisivos do combate © Larissa Rodrigues
A conquista teve um significado especial para o atleta. Poucas semanas antes, durante uma competição no Cazaquistão, Danilo esteve muito próximo do título, mas acabou deixando escapar a vitória nos instantes finais do combate. Diante do público brasileiro, porém, a história foi diferente.
“Estou muito feliz por essa medalha, porque lutei muito para conquistá-la. No Cazaquistão faltavam apenas 30 segundos para eu ser campeão e acabei deixando o ouro escapar. Graças a Deus consegui conquistar essa medalha justamente no Brasil. É o meu primeiro ouro deste ciclo paralímpico e espero que seja apenas o primeiro de muitos. Foi uma vitória conquistada no sangue e representa muito para mim.”
O resultado reforça a consistência do trabalho desenvolvido pela Seleção Brasileira de Parajudô e oferece um importante impulso para o início da corrida classificatória rumo aos Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028.
Além das duas medalhas de ouro, o Brasil ampliou sua presença no pódio com Lúcia Araújo, terceira colocada na categoria J2 até 60kg, e Deyverson de Souza, medalhista de bronze na J1 até 70kg.
No caso de Deyverson, a conquista teve um sabor especial. Competindo diante da torcida paulista, o brasileiro garantiu a primeira medalha do país na competição logo nas disputas iniciais do dia, sendo bastante celebrado pelo público presente no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro.

As disputas femininas foram marcadas por combates intensos e elevado nível técnico, confirmando o alto padrão competitivo do Parajudô internacional © Larissa Rodrigues
Outros sete atletas brasileiros também estrearam na competição: Giovana Garcia, Elielton Oliveira, Anderson Silva, Denis Rosa, José Cleberson, Emerson Aguiar e Thiego Silva. Apesar das boas apresentações, eles não conseguiram alcançar o pódio nesta primeira jornada.
Se o Brasil comemorou um excelente começo de competição, o cenário internacional também confirmou a força de alguns dos principais nomes do Parajudô mundial.
Entre os destaques esteve o romeno Florin Alexandru Bologa, campeão paralímpico e um dos atletas mais respeitados da modalidade. Ostentando o tradicional gold back patch, reservado aos atuais campeões paralímpicos, Bologa voltou a demonstrar toda a sua experiência ao conquistar o ouro na categoria J1 até 70kg.
Na decisão diante do italiano Dong Dong Camanni, o combate permaneceu equilibrado durante boa parte do tempo regulamentar. No momento decisivo, porém, o romeno encontrou a oportunidade para aplicar um preciso kata-guruma, pontuando com wazari. Em seguida, controlou completamente o adversário em uma imobilização (osaekomi), encerrando o combate por ippon e confirmando mais um importante título internacional em sua carreira.

O abraço entre Rosicleide Andrade e o técnico Jaime Roberto Bragança simboliza a emoção de mais um ouro brasileiro na abertura do Grand Prix Internacional da IBSA © Larissa Rodrigues
Outro aspecto que chamou a atenção foi o elevado equilíbrio técnico observado em praticamente todas as categorias. Diversos confrontos foram decididos apenas nos instantes finais, evidenciando que o início do novo ciclo paralímpico já apresenta um nível competitivo extremamente elevado, com atletas experientes e novos talentos disputando espaço entre os protagonistas do circuito internacional.
Muito além do desempenho da equipe brasileira, o primeiro dia do Grand Prix Internacional da IBSA deixou claro que o caminho até Los Angeles 2028 será marcado por uma disputa extremamente equilibrada. A presença de campeões paralímpicos, medalhistas mundiais e jovens atletas em ascensão proporcionou combates de excelente nível técnico, muitos deles decididos apenas nos detalhes.
Em diversas categorias, a experiência prevaleceu. Em outras, novas forças começaram a surgir, evidenciando a constante renovação do Parajudô internacional. O resultado foi uma sequência de lutas intensas, marcadas por estratégia, equilíbrio e elevado repertório técnico, confirmando a importância do Grand Prix como uma das principais competições do calendário da International Blind Sports Federation (IBSA).
Entre os destaques internacionais esteve o romeno Florin Alexandru Bologa, campeão paralímpico da categoria J1 até 70kg. Utilizando o tradicional gold back patch, distintivo reservado aos atuais campeões paralímpicos, Bologa voltou a demonstrar toda a sua categoria ao conquistar mais um título internacional.

Árbitra FIJ A, Kamila Elisabete Lemos foi um dos destaques da equipe de arbitragem que atuou no primeiro dia do Grand Prix Internacional da IBSA, em São Paulo © Larissa Rodrigues
Na decisão contra o italiano Dong Dong Camanni, o romeno encontrou o momento exato para aplicar um eficiente kata-guruma, marcando wazari. Na sequência, dominou completamente o combate por meio de uma imobilização (osaekomi), encerrando a luta por ippon.
O desempenho do romeno reforçou uma característica marcante do primeiro dia de competição: os principais nomes do circuito internacional continuam em alto nível, mas encontram adversários cada vez mais preparados, tornando cada medalha resultado de um processo técnico e estratégico extremamente exigente.
Embora os resultados obtidos nesta sexta-feira sejam importantes, atletas e treinadores sabem que o Grand Prix representa apenas o primeiro passo de uma caminhada que se estenderá pelos próximos dois anos até os Jogos Paralímpicos de Los Angeles.
Cada vitória significa pontos preciosos para o ranking internacional, fator decisivo na composição das futuras classificações paralímpicas. Por isso, além das medalhas, cada combate disputado em São Paulo possui peso estratégico para o restante da temporada.
A programação prossegue neste sábado (11), quando outras onze categorias entrarão em disputa. O Brasil voltará aos tatamis com mais onze representantes: Larissa Silva, Karoline Porto Duarte, Brenda Freitas, Erika Cheres Zoaga, Millena Freitas, Meg Emmerich, Rebeca Silva, Arthur Silva, Marcelo Casanova, Wilians Araújo e Felipe Amorim, ampliando as expectativas por novos pódios diante da torcida brasileira.
Após o encerramento do Grand Prix, São Paulo permanecerá como capital internacional do Parajudô ao receber, no domingo (12), o Campeonato das Américas e Oceania da IBSA, reunindo novamente atletas de diferentes países em mais uma etapa importante do calendário internacional.
Mais do que distribuir medalhas, o Grand Prix Internacional da IBSA inaugura oficialmente uma nova jornada rumo aos Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028. E, logo no primeiro dia, o Brasil mostrou que pretende ocupar um lugar de destaque nessa caminhada, combinando tradição, renovação e competitividade diante da elite mundial do Parajudô.