Brasil encerra Grand Prix da IBSA na liderança e confirma força do parajudô rumo a Los Angeles 2028

Wilians de Araújo conquista a medalha de ouro da categoria J1M +95kg ao vencer Yerlan Utepov, do Cazaquistão, na final do Grand Prix da IBSA São Paulo 2026 © Larissa Rodrigues

Após conquistar nove medalhas no segundo dia de disputas, seleção brasileira fecha o Grand Prix de São Paulo com 13 pódios, lidera o quadro geral de medalhas e inicia o novo ciclo paralímpico como principal referência da modalidade.

Por Paulo Pinto / Global Sports
São Paulo, 12 de julho de 2026

O Brasil confirmou neste sábado (11) sua condição de uma das maiores potências do parajudô mundial ao encerrar o Grand Prix da IBSA, realizado no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, em São Paulo, na liderança do quadro geral de medalhas. A seleção nacional conquistou mais nove medalhas no segundo e último dia de competições — quatro de ouro, duas de prata e três de bronze — encerrando sua participação com 13 pódios e abrindo de forma extremamente positiva a corrida pela classificação aos Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028.

Autoridades nacionais e internacionais prestigiaram a cerimônia oficial de abertura do Grand Prix da IBSA São Paulo 2026 © Larissa Rodrigues

Promovido pela International Blind Sports Federation (IBSA), o Grand Prix reuniu 142 atletas — 79 homens e 63 mulheres — representantes de 29 países dos cinco continentes, consolidando São Paulo como palco da primeira grande competição internacional do novo ciclo paralímpico. Além da expressiva participação internacional, o evento evidenciou o crescimento técnico do parajudô, modalidade que vem ampliando sua competitividade em todas as categorias funcionais.

Domínio brasileiro desde o primeiro dia

Depois de iniciar a competição com quatro medalhas na sexta-feira, quando Rosi Andrade (J1 -52kg) e Danilo Gerônimo (J1 -81kg) conquistaram o ouro, enquanto Lúcia e Deyverson garantiram medalhas de bronze, a equipe brasileira voltou ainda mais forte no encerramento do Grand Prix. Arthur Cavalcante da Silva (J1 -95kg), Brenda Souza de Freitas (J1 -70kg), Wilians de Araújo (J1 +95kg) e Rebeca Silva (J2 +70kg) conquistaram medalhas de ouro, enquanto Marcelo Casanova (J2 -95kg) e Millena de Freitas (J1 +70kg) ficaram com a prata. Os bronzes vieram com Karoline Duarte (J1 -60kg), Erika Zoaga (J1 +70kg) e Felipe Amorim de Souza (J2 +95kg).

Henrique Guimarães, presidente da Federação Paulista de Judô (FPJudô), entrega as medalhas da categoria feminina J1W -60kg © Larissa Rodrigues

Ao final das disputas, o Brasil somou seis medalhas de ouro, três de prata e quatro de bronze, desempenho suficiente para assegurar a liderança isolada do quadro geral de medalhas. O Cazaquistão terminou em segundo lugar, com três ouros e três pratas, seguido pela Ucrânia, que conquistou dois títulos e uma medalha de prata. Uzbequistão, Japão, França, Romênia e Quirguistão completaram o grupo de países que também chegaram ao lugar mais alto do pódio durante o Grand Prix. Ao todo, 22 das 29 nações participantes conquistaram pelo menos uma medalha, um indicador do elevado equilíbrio técnico da competição.

Cerimônia de abertura reforça compromisso com o novo ciclo paralímpico

Antes do início das disputas deste sábado, atletas, dirigentes e autoridades participaram da cerimônia oficial de abertura do Grand Prix, momento que simbolizou o início do novo ciclo paralímpico rumo aos Jogos de Los Angeles 2028. A solenidade reuniu representantes da IBSA, da Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais (CBDV), do Governo do Estado de São Paulo e da Federação Paulista de Judô, reforçando o compromisso conjunto com o fortalecimento do parajudô em âmbito internacional.

Entre as autoridades presentes estiveram Sergiu Oleinic, diretor de Esportes e Eventos de Judô da IBSA; Helder Araújo, presidente da CBDV; Romário Marques, secretário-geral da entidade; Marcos da Costa, secretário de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo; e Henrique Guimarães, presidente da Federação Paulista de Judô.

Caroline Duarte assegura a medalha de bronze da categoria J1W -60kg ao superar Larissa Silva © Larissa Rodrigues

Ao saudar as delegações, Sergiu Oleinic destacou a tradição brasileira na modalidade e reconheceu o trabalho desenvolvido pela organização local.

“São Paulo é uma terra de campeões de judô. Agradeço a todos os oficiais e à equipe organizadora local por realizarem este Grand Prix e Campeonato em um nível tão alto. Boa sorte a todas as delegações.”

Helder Araújo ressaltou que a competição representa muito mais do que a distribuição das primeiras medalhas do novo ciclo paralímpico, destacando o esforço conjunto para oferecer aos atletas as melhores condições de preparação rumo aos Jogos de Los Angeles.

André Mariano, supervisor de arbitragem da Federação Internacional de Judô (FIJ), entrega as medalhas da categoria feminina J2W -70kg © Larissa Rodrigues

Força-tarefa internacional evidencia prestígio do evento

A importância atribuída ao Grand Prix de São Paulo também pôde ser medida pela estrutura mobilizada pela International Blind Sports Federation e pela Federação Internacional de Judô (FIJ). Para conduzir a competição, foi formada uma força-tarefa internacional composta por dirigentes, especialistas técnicos, equipe operacional, profissionais de tecnologia, comunicação, logística e arbitragem de alto nível.

Entre os principais integrantes estiveram Sergiu Oleinic, diretor de Esportes e Eventos da IBSA; Eniko Csokasi, gerente de Operações; Matthias Fischer, chefe de Tecnologia da Informação; Carlos Ferreira, responsável pelo sistema FairPlay e pela transmissão ao vivo; Imre Csosz e Nusa Lampe, comissários de Esporte e Educação; Alla Hosl, gerente de Logística; Nicolas Messner, responsável pela cobertura internacional de mídia; Kenichi Shoshida, diretor de Arbitragem; e André Mariano dos Santos, supervisor de arbitragem da FIJ.

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Outro aspecto que reforçou o elevado padrão técnico do Grand Prix foi a composição do quadro de arbitragem. Conforme estabelecido pela Federação Internacional, todos os árbitros escalados para o evento possuem credenciamento internacional FIJ A, o mais alto nível da arbitragem mundial, garantindo uniformidade na aplicação das regras e segurança técnica durante toda a competição.

Integraram o corpo de arbitragem Elizabeth Gonzalez (México), Kamila Lemos (Brasil), Roberto Correa (Chile), Orlando Cruz (República Dominicana), Raphael Kloeti (Suíça), John Ordoñez (Colômbia), Jose Ordoñez (Honduras) e Carlos Schulz (Argentina)

Campeão: Wilians de Araújo (Brasil); vice-campeão: Yerlan Utepov (Cazaquistão); medalhas de bronze: Daniel English (Grã-Bretanha) e Rodrigo Suarez Garrosa (Espanha) © Larissa Rodrigues

Essa estrutura internacional reafirma a confiança da IBSA e da FIJ na capacidade organizacional do Brasil, que mais uma vez entregou uma competição dentro dos padrões exigidos pelo circuito mundial e reforçou sua posição como um dos principais centros do parajudô internacional.

Quadro de medalhas confirma Brasil na liderança do parajudô internacional

Mais do que liderar o quadro de medalhas, o desempenho brasileiro no Grand Prix da IBSA evidenciou a profundidade técnica da equipe nacional. Das 13 medalhas conquistadas ao longo dos dois dias de competição, seis foram de ouro, três de prata e quatro de bronze, resultado que colocou o Brasil com ampla vantagem sobre as demais delegações participantes.

Nicolas Messner, diretor de Mídia e Comunicação da FIJ, entrega as medalhas da categoria masculina J2 -81kg © Larissa Rodrigues

A segunda colocação ficou com o Cazaquistão, que encerrou sua participação com três medalhas de ouro e três de prata. A Ucrânia terminou em terceiro lugar, somando dois títulos e uma prata. Na sequência apareceram Uzbequistão, Japão, França, Romênia, Quirguistão, Itália e Grécia, completando as dez primeiras posições de um quadro de medalhas bastante diversificado.

Outro dado que chama a atenção é o elevado equilíbrio técnico do torneio. Das 29 nações presentes em São Paulo, 22 conquistaram ao menos uma medalha, enquanto nove países chegaram ao lugar mais alto do pódio. Os números demonstram que o parajudô vive um momento de expansão internacional, com aumento da competitividade e maior distribuição de resultados entre diferentes continentes.

Na categoria feminina J1W -60kg, a ucraniana Anzhela Havrysiuk conquistou a medalha de ouro, a argentina Paula Karina Gomez ficou com a prata, enquanto a uzbeque Uljon Amrieva e a brasileira Karoline Duarte dividiram as medalhas de bronze © Larissa Rodrigues

Para o Brasil, no entanto, a liderança assume um significado ainda maior. Além do desempenho expressivo diante da elite mundial da modalidade, o resultado confirma a continuidade de um trabalho que vem mantendo o país entre as principais referências do parajudô internacional e oferece um indicativo positivo para a sequência do calendário da IBSA, já inserido no processo de classificação para os Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028.

Um novo ciclo começa com protagonismo brasileiro

Mais do que os resultados obtidos nos tatamis, o Grand Prix da IBSA consolidou São Paulo como um dos principais palcos do parajudô internacional neste início de ciclo paralímpico. A elevada qualidade técnica das disputas, a expressiva participação de atletas de cinco continentes, a presença de uma ampla equipe internacional da IBSA e da Federação Internacional de Judô (FIJ) e a excelência da organização brasileira confirmaram a importância estratégica do evento no calendário mundial da modalidade.

Na categoria masculina J1M -95kg, o brasileiro Arthur Cavalcante da Silva conquistou a medalha de ouro, o britânico Daniel Powell ficou com a prata, enquanto o uzbeque Turgun Abdiev e o indonésio Fajar Pambudi dividiram as medalhas de bronze © Larissa Rodrigues

Para o Brasil, o saldo vai além das 13 medalhas conquistadas. A liderança do quadro geral representa um importante indicativo do potencial da equipe para as próximas etapas do circuito internacional e reforça o trabalho desenvolvido pela Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais (CBDV) na preparação de seus atletas para os grandes desafios do ciclo que culminará nos Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028.

Encerrado o Grand Prix, as atenções agora se voltam para o Campeonato Pan-Americano de Judô da IBSA, que será disputado no mesmo Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro. A competição continental dará sequência ao calendário internacional e distribuirá novos pontos no ranking mundial, mantendo em evidência os principais nomes do parajudô e alimentando uma disputa que promete ser cada vez mais equilibrada até Los Angeles.

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