Brasil mira a retomada do título mundial no Cairo: “Queremos disputar o título geral de 2026”

Com a força de sua história e a união da equipe, o Brasil mira o topo do mundo no Cairo © Imagem gerada por IA / Global Comunicação

Campeã em 2022 e vice em 2024, a seleção brasileira prepara uma delegação estimada em 120 integrantes. Sob a presidência de Sônia Coutinho, a CBKT coloca o Mundial entre suas prioridades, enquanto o coordenador técnico Vinicius Sant’ana Pinto detalha a preparação e o crescimento da participação nacional.

Por Paulo Pinto / Global Sports
Curitiba, 4 de outubro de 2026

O Brasil vai ao Cairo com o objetivo de recuperar o primeiro lugar no Mundial de Karatê Tradicional. Campeã na Eslovênia, em 2022, e vice-campeã em Portugal, em 2024, a seleção prepara uma delegação de aproximadamente 120 pessoas para a edição de 2026. A expectativa é reunir atletas, árbitros, dirigentes e comissão técnica em uma campanha que combina a experiência internacional de parte do grupo com a chegada de uma nova geração.

À frente da coordenação técnica da Confederação Brasileira de Karatê Tradicional (CBKT), Vinicius Sant’ana Pinto, o Vina, apresenta a busca pelo título como resultado de um trabalho que envolve preparação esportiva, organização e ampliação da participação nas competições nacionais. Segundo ele, o número de atletas nesses eventos cresceu aproximadamente 30% neste ano.

Sônia Coutinho, presidente; Vinicius Sant’ana Pinto, coordenador técnico; Rafael Alves, diretor executivo; e Paulo Uchoa, diretor financeiro da CBKT: lideranças da nova gestão à frente do trabalho que une planejamento, preparação técnica e organização para o Mundial do Cairo © CBKT

A entrevista integra a série da Revista Budô e da Global Sports sobre a preparação das cinco seleções mais bem colocadas no Mundial de Portugal. Depois das campanhas de 2022 e 2024, o desafio brasileiro será voltar ao topo diante de adversários que também chegam ao Egito com ambições de título.

“Nós respeitamos todos os adversários, mas estamos trabalhando com uma convicção muito clara: queremos disputar o título geral de 2026”, afirma Vina.

Mundial como prioridade da nova gestão

Presidida pela professora Sônia Coutinho, a nova gestão da CBKT, eleita neste ano, tem na preparação para o Cairo uma de suas principais responsabilidades. A organização de uma delegação desse porte exige que o trabalho técnico avance junto com o planejamento administrativo, financeiro e logístico.

Ao explicar como a confederação está conduzindo esse processo, Vina destaca a mobilização dos diferentes setores da entidade. A meta é assegurar condições para que a seleção dispute o Mundial em alto nível, com uma estrutura capaz de atender às necessidades dos atletas e dos profissionais envolvidos.

“Desde o início da gestão, estabelecemos o Mundial como uma prioridade estratégica, mobilizando atletas, técnicos, árbitros, dirigentes e toda a estrutura necessária para que o Brasil chegue ao Egito preparado para competir em alto nível.”

Dirigentes, técnicos e atletas integram parte da delegação brasileira que se prepara para o Mundial do Cairo © CBKT

Além de Sônia Coutinho na presidência, a composição da diretoria informada pela CBKT reúne Antônio Carlos Tanner como segundo vice-presidente; Marcelo Alessandro Pereira como diretor secretário; José Marcos como diretor jurídico; Rafael Alves como diretor executivo; Paulo Uchoa como diretor financeiro; e Sérgio Bastos como diretor técnico.

Na coordenação técnica, Vina acompanha uma preparação que, segundo seu relato, procura conciliar o fortalecimento da base com as exigências do alto rendimento. O Mundial é o compromisso imediato, mas a ampliação da participação nacional também faz parte da perspectiva de continuidade apresentada pelo coordenador.

“Queremos uma CBKT cada vez mais organizada, moderna, competitiva e capaz de formar atletas para o presente e para o futuro.”

União e preparação para marcar o início de um novo ciclo

Primeira mulher eleita presidente da Confederação Brasileira de Karatê Tradicional, Sônia Coutinho terá no Mundial do Cairo um dos primeiros grandes desafios internacionais de sua gestão. Antes do embarque, a seleção brasileira ficará reunida nas instalações da PUC-PR, em Curitiba, de 17 a 23 de outubro, para os ajustes finais da equipe. A concentração será também uma oportunidade de fortalecer a integração da delegação e consolidar o trabalho conduzido pela comissão técnica.

“Conseguimos reunir uma delegação unida, e queremos fortalecer esse compromisso durante a preparação final em Curitiba. Ter toda a seleção trabalhando em conjunto permitirá à comissão técnica fazer os últimos ajustes e a cada integrante compreender sua responsabilidade no resultado coletivo. Queremos que nossos atletas embarquem confiantes no trabalho realizado e conscientes de que terão o apoio de toda a equipe.”

http://www.shihan.com.br

Para Sônia, a nova diretoria pretende demonstrar no Cairo a importância que atribui à preparação e à participação de todos na construção dos resultados. A busca pelo título geral acompanha esse propósito, com respeito às demais seleções e à exigência de uma competição mundial.

“Queremos que este Mundial marque o início da nossa gestão pela organização, pela união e pelo cuidado com os atletas. O Brasil tem uma trajetória que nos dá confiança para buscar o título, mas sabemos que essa conquista precisa ser construída a cada apresentação. Nossa responsabilidade é oferecer as melhores condições que estiverem ao nosso alcance para que a seleção possa expressar sua capacidade no Cairo.”

Da Eslovênia a Portugal, a disputa pelo topo

O histórico recente ajuda a dimensionar a ambição brasileira. No Mundial de 2022, na Eslovênia, o Brasil liderou o quadro de medalhas com 13 ouros, oito pratas e oito bronzes, totalizando 29 pódios. Egito, Romênia, Itália e Polônia completaram os cinco primeiros lugares.

Em Portugal, em 2024, o Brasil voltou a conquistar 13 medalhas de ouro e oito de prata, além de seis bronzes. Os 27 pódios renderam o vice-campeonato geral, atrás do Egito. O país manteve, portanto, presença nas primeiras posições, mas chegará ao Cairo para enfrentar os atuais campeões em casa.

Para Vina, o resultado de Portugal deve servir de referência para o aperfeiçoamento da equipe. A responsabilidade de representar uma seleção que vem de um título e de um vice-campeonato é tratada como motivação para a preparação.

“Agora, o objetivo é dar um passo à frente. Estamos trabalhando para transformar a experiência adquirida em Portugal em desempenho, organização e resultados no Cairo.”

A seleção começa nas competições nacionais

A preparação brasileira, de acordo com o coordenador, teve continuidade após o encerramento do Mundial de Portugal. Competições nacionais, avaliações, treinamentos e acompanhamento dos atletas compõem o trabalho desenvolvido ao longo do ciclo.

Nesse processo, o aumento de aproximadamente 30% na participação nacional é apresentado por Vina como um indicador de ampliação da base competitiva. São esses encontros que permitem observar o desempenho, identificar talentos e acompanhar a evolução de atletas que poderão integrar a seleção.

“É nessas competições que conseguimos identificar talentos, acompanhar a evolução dos atletas, formar novas gerações e preparar aqueles que estarão prontos para representar o Brasil.”

Sônia Coutinho e Vinicius Sant’ana Pinto, o Vina: a nova gestão da CBKT aposta na escolha criteriosa de sua equipe para ampliar os horizontes do karatê tradicional brasileiro © CBKT

Na etapa final, o foco recai sobre a preparação técnica, física e emocional. O desafio é fazer com que o trabalho dos treinos se traduza em desempenho diante das exigências de um Mundial, preservando espaço para a renovação da equipe.

A comissão técnica da seleção adulta terá o professor paranaense Nelson Santi como técnico e Thiago Lima como auxiliar. No sub-18, a sensei mato-grossense Arlene Amarante será a técnica, auxiliada pela paranaense Cristiane Babinski. O paranaense Vinicius Sant’ana Pinto responde pela coordenação técnica, enquanto Sérgio Bastos, da Bahia, ocupa a diretoria técnica da CBKT.

Essa estrutura acompanhará um grupo que combina atletas já familiarizados com o ambiente internacional e novos representantes. Segundo Vina, a renovação está ligada ao movimento observado nas competições brasileiras.

“Além da experiência dos atletas que já conhecem grandes competições internacionais, estamos dando espaço para uma nova geração, que vem crescendo junto com o fortalecimento das competições nacionais.”

Marcelo Alessandro Pereira, diretor secretário; Paulo Uchoa, diretor financeiro; Carlos Bastos, diretor jurídico; Sérgio Bastos, diretor técnico; professor Wellington [sobrenome], presidente da Federação do Ceará; Vinicius Sant’ana Pinto, coordenador técnico; e Rafael Alves, diretor executivo: dirigentes que somam experiência à gestão e ao fortalecimento do karatê tradicional brasileiro © CBKT

O desafio de levar cerca de 120 integrantes

A previsão de uma delegação com aproximadamente 120 pessoas traz exigências que vão além da preparação esportiva. Transporte, hospedagem, alimentação e organização da participação precisam ser articulados para uma viagem a outro continente.

Vina identifica as questões financeiras, logísticas e administrativas entre os principais desafios. A dimensão da comitiva exige planejamento e construção de parcerias, e o número informado permanece como estimativa para a participação brasileira.

“Por isso, o trabalho da gestão também envolve planejamento, mobilização e construção de parcerias para garantir que nossa delegação tenha as melhores condições possíveis para representar o Brasil.”

Vinícius Santana, coordenador técnico da Confederação Brasileira, destaca em entrevista a preparação da seleção brasileira e a união da equipe na busca pelo título mundial no Cairo © CBKT

O coordenador situa atletas, técnicos, árbitros, dirigentes, familiares e apoiadores como participantes dessa campanha. Na mensagem ao grupo, associa a ambição competitiva ao reconhecimento da história construída pela modalidade e à responsabilidade de representar o país.

“Vamos ao Cairo com respeito aos nossos adversários, consciência da responsabilidade que temos e, principalmente, com a convicção de que podemos ser campeões gerais do Mundial de 2026.”

https://www.originaltatamis.com.br/