Brasil salta para a vice-liderança do Grand Prix da Áustria com ouro de Rafaela Silva e bronze de Daniel Cargnin

Rafaela Silva (BRA) controla Laura Fazliu (KOS) na final do meio-médio feminino (63kg) e assegura o ouro para o Brasil no Grand Prix de Linz © Gabriela Sabau / FIJ

Enquanto o Japão se mantém no topo, o Brasil supera França, Azerbaijão e Espanha totalizando quatro pódios: um ouro, uma prata e dois bronzes.

Por Paulo Pinto / Global Sports
Curitiba, 7 de março de 2026

Neste sábado (7) aconteceu o segundo dia do Grand Prix da Alta Áustria 2026, competição que segue combinando expectativa e surpresa com elevado nível técnico tanto no tachi-waza quanto no ne-waza. Realizado na Tips Arena, em Linz, o torneio reúne 479 atletas de 59 países e seis continentes.

O desenrolar da competição trouxe mudanças importantes no panorama geral do evento. O Grand Prix da Alta Áustria tem proporcionado surpresas, drama esportivo, grandes performances e momentos de pura intensidade competitiva, tudo isso sob o teto de uma arena cheia, vibrante e tomada por fãs apaixonados pelo judô.

Daniel Cargnin (BRA) enfrenta Guilherme de Oliveira (BRA) na disputa do bronze do peso leve masculino (73kg) no Grand Prix de Linz © Gabriela Sabau / FIJ

Se na sexta-feira o Japão dominou amplamente o quadro de medalhas com três ouros, neste sábado a seleção japonesa não conquistou nenhum título, abrindo espaço para a ascensão de outras delegações.

Entre elas, o Brasil protagonizou o movimento mais significativo do dia.

Com o ouro da experiente Rafaela Silva (-63kg) e o bronze do gaúcho Daniel Cargnin (-73kg), a seleção brasileira saltou da quinta colocação para a vice-liderança do quadro geral de medalhas, atrás apenas do Japão.

Somados à prata de Ronald Lima (-66kg) e ao bronze de Gabriela Conceição (-52kg) conquistados no primeiro dia, o Brasil alcança quatro pódios na competição.

Japão mantém liderança do quadro de medalhas

Ao final do segundo dia, o Japão permanece na liderança geral com três ouros, uma prata e um bronze.

O Brasil aparece na segunda colocação, com um ouro, uma prata e dois bronzes, consolidando uma das melhores performances da equipe na atual temporada do Circuito Mundial.

As medalhas, cheques e flores para as medalhistas do meio-médio feminino (-63kg) foram entregues por Hedvig Karakas, diretora de Esportes da Federação Internacional de Judô, e por Markus Moser, diretor de Esportes da Federação Austríaca de Judô © Gabriela Sabau / FIJ

O Azerbaijão ocupa o terceiro lugar com um ouro, uma prata e um bronze, seguido pelo Cazaquistão, que aparece em quarto com um ouro e um bronze. A França completa o Top 5 com um ouro e um bronze.

A reação brasileira no segundo dia alterou de forma significativa o equilíbrio do quadro de medalhas e colocou o país entre os protagonistas do torneio.

Campeões do segundo dia

Quatro judocas subiram ao lugar mais alto do pódio neste segundo dia de disputas em Linz. Destaque para o Japão, que neste sábado não conquistou nenhuma medalha de ouro, e para o britânico estreante Ethan Nairne, que para chegar à final superou três medalhistas olímpicos.

Na categoria até 73kg masculina, o britânico Ethan Nairne surpreendeu e conquistou o ouro após superar adversários de alto nível ao longo da chave. No meio-médio masculino (-81kg), o título ficou com Adilet Almat, do Cazaquistão.

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No feminino até 63kg, a brasileira Rafaela Silva confirmou o favoritismo e garantiu o ouro. Já na categoria até 70kg, a austríaca Michaela Polleres levantou o público local ao conquistar o título diante de sua torcida.

Hierarquia respeitada no meio-médio

Entre as histórias marcantes do segundo dia, a categoria até 63kg feminino evidenciou o peso da experiência e da trajetória no judô de alto nível. Dona de uma das carreiras mais sólidas do judô mundial nas últimas duas décadas, a campeã olímpica do Rio 2016 e bicampeã mundial Rafaela Silva mostrou que talento, maturidade competitiva e um repertório técnico lapidado ao longo de quase vinte anos no circuito internacional continuam sendo armas decisivas nos grandes palcos da modalidade.

A campeã olímpica e bicampeã mundial Rafaela Silva, aos 33 anos e com impressionantes 17 temporadas de experiência no Circuito Mundial, voltou a demonstrar por que segue entre as grandes referências do judô internacional.

Na final, Rafaela enfrentou Laura Fazliu, medalhista olímpica de bronze e uma das principais atletas da nova geração do Kosovo.

As medalhas, cheques e flores para os medalhistas do peso leve masculino (73kg) foram entregues por Antonio Castro, embaixador da Federação Internacional de Judô e presidente da Comissão Médica da FIJ, e por Reinhard Ammer, membro do Parlamento Regional da Alta Áustria © Gabriela Sabau / FIJ

O combate foi intenso desde os primeiros segundos. Ambas buscaram iniciativa ofensiva e trocaram ataques constantes, proporcionando ao público uma luta de alto nível técnico.

A decisão veio nos minutos finais. Rafaela encontrou o momento exato para pontuar com yuko, vantagem que administrou com inteligência até o fim da luta para garantir o ouro.

Rafaela Silva pertence a uma geração rara de atletas capazes de atravessar ciclos olímpicos sucessivos mantendo protagonismo no cenário internacional.

Caminho até a final

Atual sétima colocada do ranking mundial e cabeça-de-chave número um da categoria, Rafaela folgou na primeira rodada e estreou nas oitavas de final contra a italiana Raffaella Ciano, vencendo por ippon em um golpe que acabou eleito o mais bonito do dia pela Federação Internacional de Judô.

Nas quartas de final superou a búlgara Yoana Manova e, na semifinal, derrotou a espanhola Laura Vázquez Fernández, garantindo vaga na decisão.

Na final voltou a enfrentar Laura Fazliu, adversária que já havia superado no Mundial de 2025 e no Grand Slam de Abu Dhabi, e em Linz, a história se repetiu.

Pódio do meio-médio feminino (63kg): Rafaela Silva (BRA) em primeiro, seguida por Fazliu Laura (KOS), enquanto Primo Kerem (ISR) e Sharir Gili (ISR) completam o pódio com as medalhas de bronze © Gabriela Sabau / FIJ

Com o ouro, Rafaela soma 700 pontos no ranking mundial e deve entrar pela primeira vez no Top 5 da categoria até 63kg.

Campeã olímpica e um dos grandes nomes do judô brasileiro, Rafaela celebrou a conquista destacando a importância do resultado dentro de seu processo competitivo.

“Quero agradecer muito a torcida de todos. Acabei de conquistar a medalha de ouro aqui no Grand Prix de Linz e estou muito feliz com o meu desempenho. Sigo confiando no meu processo, no meu trabalho e na minha evolução. Esse resultado é muito importante para me firmar entre as dez melhores do mundo e seguir somando pontos no ranking. Cada passo conta nessa caminhada rumo aos grandes objetivos da temporada. No ano passado eu não participei de muitas competições e acabei tendo lutas mais difíceis logo no início das chaves. Este ano estou trabalhando para fazer o meu papel, seguir como cabeça de chave e chegar ainda mais preparada para o Campeonato Mundial”, afirmou a judoca do Instituto Reação, que representa a Federação de Judô do Estado do Rio de Janeiro.

A experiência falou mais alto

A outra medalha brasileira do dia veio com Daniel Cargnin (-73kg), que disputou em Linz sua primeira competição da temporada.

Cabeça-de-chave número um da categoria, o atleta estreou nas oitavas de final vencendo o austríaco Alexander Kaserer. Em seguida superou o japonês Ryusei Arakawa e, nas quartas de final, derrotou o cipriota Kyprianos Andreou.

Na semifinal acabou superado pelo britânico Ethan Nairne, que viria a conquistar o ouro da categoria.

Na disputa pelo bronze, o chaveamento colocou no caminho de Cargnin o compatriota Guilherme de Oliveira, atleta do Paineiras do Morumbi que fazia sua melhor campanha internacional no circuito sênior.

Pódio do peso leve masculino (73kg): Nairne Ethan (GBR) em primeiro, seguido por Ciloglu Bilal (TUR), enquanto Yonezuka Jack (EUA) e Daniel Cargnin (BRA) completam o pódio com as medalhas de bronze © Gabriela Sabau / FIJ

O confronto brasileiro colocou frente a frente experiência e juventude. Guilherme tentou impor ritmo ofensivo, mas Cargnin soube explorar as brechas com maturidade tática e contra-atacou com wazari, garantindo o bronze.

Foi a quinta medalha de Grand Prix da carreira de Cargnin, confirmando sua regularidade no circuito internacional. Após a luta, ele destacou a importância da consistência competitiva.

“Fala, galera. Daniel Cargnin aqui. Acabei de conquistar a medalha de bronze no Grand Prix da Áustria. Estou muito feliz por começar o ano medalhando. No ano passado também fechei a temporada no Grand Slam de Abu Dhabi com bronze, então é muito importante manter essa constância nas lutas por medalha.

Hoje fiz a disputa de terceiro lugar com um atleta do Brasil, e isso é muito legal porque a gente se conhece muito dentro do esporte. É um cara que luta com muito coração, muito parecido comigo.

Estou muito feliz por seguir trabalhando e aprendendo sempre, com medalha ou não. A gente sempre aprende alguma coisa em cada competição. Acho que isso é o mais importante de competir: mesmo quando ganha, aprende; quando perde, aprende também.

Então é um processo importante nessa caminhada rumo a Los Angeles. Hoje saio daqui com uma medalha, mas também saio mais forte para o treinamento, sabendo o que preciso melhorar para ser ainda mais constante e poder trazer mais medalhas para o Brasil”, expressou o atleta, o judoca da Sogipa, que defende a Federação Gaúcha de Judô.

Brasil cresce na competição

A reação brasileira no segundo dia confirma a competitividade da equipe já no início da temporada internacional. Depois de encerrar a sexta-feira apenas na quinta colocação, o Brasil aproveitou as oportunidades do sábado e assumiu a vice-liderança do Grand Prix.

Mesmo com o Japão mantendo vantagem no número de ouros, o desempenho brasileiro revela uma equipe madura e competitiva, fruto da convivência entre diferentes gerações de atletas que, juntas, consolidam um trabalho contínuo de alto nível e mantêm o país entre os protagonistas do Circuito Mundial.

Com mais um dia de disputas pela frente em Linz, a expectativa agora gira em torno de saber se o Brasil conseguirá ampliar sua presença no pódio e manter-se entre as principais forças da competição.

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