Brasil transforma volume em consistência e lidera Grand Prix de Lima antes da rodada decisiva

Michel Augusto, Rafaela Rodrigues e David Lima, os três campeões brasileiros nas duas primeiras jornadas do Grand Prix de Lima 2026 © FIJ

Com três ouros e 12 resultados entre os sete melhores, seleção brasileira confirma a força da maior delegação da competição; cinco categorias ainda serão disputadas neste domingo.

Por Paulo Pinto | Global Sports
Curitiba, 16 de agosto de 2026

A liderança brasileira no Grand Prix de Lima não se explica apenas pelas seis medalhas conquistadas nas duas primeiras jornadas. Depois de nove das 14 categorias da competição, o Brasil também acumula cinco quintos lugares e uma sétima colocação. São, portanto, 12 resultados entre os sete melhores — posições que pontuam para o país na classificação do evento e revelam a consistência técnica de uma equipe presente reiteradamente nas etapas decisivas.

Com três ouros, uma prata e dois bronzes, o Brasil inicia a rodada deste domingo (16) à frente de Moldávia e Itália. A vantagem foi construída por Michel Augusto (-60kg), Rafaela Rodrigues (-52kg) e David Lima (-81kg), campeões em Lima; Nauana Silva (-70kg), vice-campeã; e Jéssica Lima (-57kg) e Guilherme de Oliveira (-73kg), que conquistaram o bronze.

Mas o alcance da campanha brasileira vai além do pódio. Clarice Ribeiro (-48kg), Diego Ismael (-60kg), Ronald Lima (-66kg), Rafaela Silva (-63kg) e Daniel Cargnin (-73kg) terminaram em quinto lugar. Eduarda Francisco (-48kg) ficou na sétima posição.

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Essa faixa ampliada de resultados ajuda a dimensionar a campanha coletiva. Dos 17 brasileiros que entraram no tatami na sexta-feira e no sábado, 12 chegaram ao grupo dos sete melhores de suas categorias. Isso representa 70,6% dos atletas utilizados até agora. Seis deles — 35,3% — conquistaram medalhas.

O Brasil também venceu três das nove categorias concluídas, concentrando exatamente um terço dos títulos distribuídos antes da rodada decisiva. Nenhuma outra seleção alcançou três ouros.

Michel Augusto abre a campanha com o primeiro ouro brasileiro

Michel Augusto conquistou o primeiro título brasileiro na categoria até 60kg. Depois de superar o mexicano Eduardo Sagastegui, o saudita Abdulrahman Alsaiari e o norte-americano Christopher Velazco, o brasileiro derrotou Jonathan Yang, dos Estados Unidos, na final. Um yuko decidiu o combate e garantiu a Michel seu primeiro ouro em uma etapa de Grand Prix.

Pódio masculino até 60kg: campeão Michel Augusto (BRA), vice-campeão Jonathan Yang (USA) e terceiros colocados Christopher Velazco (USA) e Andrea Carlino (ITA) © FIJ

A conquista também teve um componente esportivo particular: Michel já havia sido derrotado por Yang. Em Lima, conseguiu inverter o histórico justamente na decisão.

“Foi a primeira vez que fui campeão de um Grand Prix, então isso vai me motivar para as próximas competições. Já estamos acostumados a lutar aqui por conta das competições Pan-Americanas, mas foi um torneio muito duro. Enfrentei adversários como o Yang na final, contra quem eu já tinha perdido, e hoje saio com a medalha de ouro. É um gosto muito bom”, afirmou.

Rafaela transforma estreia no Circuito Mundial em ouro

O segundo título do dia veio com Rafaela Rodrigues, de apenas 19 anos. Em sua estreia no Circuito Mundial sênior, ela derrotou a canadense Evelyn Beaton, a peruana Brillith Gamarra e a marroquina Soumiya Iraoui antes de enfrentar Francine Echevarria, de Porto Rico, na final dos 52kg.

Rafaela começou atrás no placar, após a adversária marcar um yuko, mas reagiu e venceu por ippon. A capacidade de virar a decisão deu ainda mais peso à conquista de uma atleta que chegou a Lima tendo o Mundial Júnior como principal objetivo da temporada.

“Foi minha primeira competição internacional sênior. Eu até estranhei estar tranquila, não sei o motivo. É muito bom saber que estou batendo de frente com as meninas mais velhas, mesmo sendo júnior”, disse a campeã.

Jéssica Lima completou a produção do primeiro dia com o bronze nos 57kg. Na luta pela medalha, venceu a britânica Acelya Toprak por yuko. Antes disso, havia superado Kristine Jimenez, do Panamá, e Mina Libeer, da Bélgica.

Pódio feminino até 52kg: campeã Rafaela Rodrigues (BRA), vice-campeã Francine Echevarria (PUR) e terceiras colocadas Driulys Rivas (PER) e Tihea Topolovec (CRO) © FIJ

A campanha da sexta-feira também teve três brasileiros em quinto lugar: Clarice Ribeiro, nos 48kg; Diego Ismael, nos 60kg; e Ronald Lima, nos 66kg. Eduarda Francisco, também nos 48kg, terminou em sétimo.

Assim, o Brasil fechou a primeira jornada com sete atletas entre os sete melhores — três medalhistas, três quintos colocados e uma sétima colocada.

David Lima confirma a liderança brasileira

No sábado (15), o Brasil voltou ao pódio em três categorias e preservou a primeira posição no quadro de medalhas.

David Lima conquistou o ouro nos 81kg depois de cinco vitórias. O brasileiro passou por Hleb Khatkouski, da Bielorrússia; Ciprian Gribinet, da Moldávia; Vasilije Grujicic, da Sérvia; Johan Silot, dos Estados Unidos; e François Drapeau, do Canadá.

Na decisão, David venceu Drapeau por yuko e ampliou para quatro vitórias sua invencibilidade no confronto direto com o canadense. Na semifinal, também confirmou a superioridade recente sobre Johan Silot, adversário que já havia derrotado no Campeonato Pan-Americano.

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O título ganhou um significado pessoal. David dedicou a conquista ao irmão, que havia sofrido um acidente 20 dias antes da competição.

“Essa conquista veio em um momento muito especial para mim. Meu irmão sofreu um acidente há 20 dias. Ele mora em São Paulo e eu moro em Porto Alegre, então não consegui ir para lá por conta da competição. Quero dizer a ele que foi por uma boa causa e que eu o amo muito. Escutar o hino nacional no pódio é muito diferente e especial”, declarou.

Nauana Silva chega à terceira medalha na nova categoria

Nauana Silva chegou à final dos 70kg depois de uma campanha de alto rendimento nas preliminares. A brasileira derrotou Yasmin Alamin, dos Estados Unidos, Samira Bock, da Alemanha, e Giorgia Stangherlin, da Itália.

A vitória sobre Stangherlin representou uma revanche do Grand Prix de Astana, no qual a italiana havia eliminado Nauana. Na decisão em Lima, a brasileira foi superada pela alemã Dena Pohl e terminou com a prata — sua terceira medalha desde que passou a competir na nova categoria.

Pódio masculino até 81kg: campeão David Lima (BRA), vice-campeão François Gauthier-Drapeau (CAN) e terceiros colocados Johan Silot (USA) e Petru Pelivan (MDA) © FIJ

Nos 73kg, Guilherme de Oliveira conquistou sua primeira medalha no Circuito Mundial. O bronze veio em um confronto brasileiro com Daniel Cargnin, vencido por Guilherme no golden score.

Além do valor individual da conquista, o duelo mostrou a profundidade brasileira na categoria. Dois judocas do país chegaram simultaneamente ao bloco final. Daniel terminou em quinto lugar e também acrescentou um resultado pontuável à campanha coletiva.

Rafaela Silva completou a relação brasileira do segundo dia com a quinta colocação nos 63kg.

Os resultados que ficam além do pódio

O quadro de medalhas é organizado prioritariamente pelo número de ouros, seguido pelas pratas e pelos bronzes. No entanto, a classificação detalhada da competição também registra os quintos e sétimos lugares.

Essas colocações pontuam para os países e tornam a leitura da campanha mais completa. Elas mostram quantos atletas permaneceram competitivos até as fases que definem as principais posições, mesmo quando não alcançaram o pódio.

Nesse indicador, a vantagem brasileira é expressiva. Além das seis medalhas, o país aparece com cinco quintos lugares e um sétimo. A Moldávia, segunda colocada no quadro, possui quatro medalhas, mas não registra quintos ou sétimos lugares. A Itália, terceira, soma quatro medalhas e três quintas colocações.

O Brasil, portanto, não lidera apenas porque conquistou mais títulos. Lidera com uma distribuição mais ampla de resultados: 12 atletas brasileiros aparecem na classificação até o sétimo lugar, o dobro das seis medalhas exibidas na leitura mais imediata do quadro.

A maior delegação da competição está, até agora, transformando quantidade em presença efetiva nas fases decisivas.

Um Grand Prix verdadeiramente internacional

Embora seja disputado na América do Sul, o Grand Prix de Lima apresenta uma abrangência que ultrapassa o circuito continental. A competição reúne 296 judocas de 50 países, representando os cinco continentes. São 169 homens e 127 mulheres.

As Américas possuem a maior representação, com 153 competidores de 18 países. A Europa levou 118 atletas de 23 nações. A Oceania participa com cinco judocas; a Ásia, com nove; e a África, com 11.

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A dimensão internacional também aparece no quadro de medalhas. Os nove ouros distribuídos nas duas primeiras jornadas foram divididos entre seis países de três continentes: Brasil, Moldávia, Itália, Alemanha, Finlândia e Japão.

O Japão constitui um caso particular. Potência histórica da modalidade, o país levou apenas dois atletas a Lima, um homem e uma mulher, mas já conquistou um ouro. O resultado colocou os japoneses empatados com a Finlândia na quinta posição, mesmo com uma das menores equipes do evento.

Na outra ponta está o Brasil, que levou 27 judocas — 14 homens e 13 mulheres — e possui a maior delegação. Peru e Estados Unidos aparecem em seguida, com 21 representantes cada, enquanto a Itália participa com 16.

Esses números reforçam o peso da liderança brasileira. O país não apenas levou a equipe mais numerosa: conseguiu, nas duas primeiras jornadas, converter essa presença em títulos, medalhas e colocações pontuáveis.

Cinco categorias ainda podem alterar o cenário

A classificação permanece aberta. Cinco categorias serão disputadas neste domingo: 78kg e acima de 78kg no feminino; 90kg, 100kg e acima de 100kg no masculino. Com isso, ainda serão distribuídas cinco medalhas de ouro, cinco de prata e dez de bronze.

O Brasil terá dez representantes na rodada final: Beatriz Freitas e Karol Gimenes nos 78kg; Beatriz Souza e Thauana Silva acima de 78kg; Guilherme Schimidt e Rafael Macedo nos 90kg; Giovani Ferreira e Leonardo Gonçalves nos 100kg; Andrey Coelho e João Cesarino acima de 100kg.

Pódio feminino até 70kg: campeã Dena Pohl (GER), vice-campeã Nauana Silva (BRA) e terceiras colocadas Serafima Moscalu (ROU) e Giorgia Stangherlin (ITA) © FIJ

A composição brasileira para o último dia mantém a estratégia de dois atletas em cada categoria. Além de ampliar as possibilidades de medalha, essa distribuição oferece ao país novas oportunidades de somar quintos e sétimos lugares e fortalecer sua pontuação coletiva.

O favoritismo, entretanto, ainda precisa ser confirmado nos tatamis. A liderança de três ouros contra dois da Moldávia é parcial, e a última rodada reúne categorias capazes de alterar significativamente o quadro.

As preliminares começam às 12h30, no horário de Brasília, com transmissão pelo JudoTV. O bloco final está previsto para as 19h, com exibição no SporTV, na Time Brasil TV e na CazéTV.

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