03 de novembro de 2026
Clarisse Vallim comemora após conquistar o primeiro ouro brasileiro nos Jogos Olímpicos da Juventude Dakar 2026 © Wander Roberto / COB
O judô colocou o Brasil no lugar mais alto do pódio dos Jogos Olímpicos da Juventude Dakar 2026. Nesta terça-feira, 3 de novembro, Clarisse Vallim conquistou o ouro no meio-pesado feminino, até 78kg, após vencer seus três combates por ippon. Única representante da modalidade na delegação brasileira, a carioca de 16 anos superou a russa Anastasiia Dobrovolskaia na decisão, disputada no Dakar Expo Centre, em Diamniadio, no Senegal.
A conquista foi a primeira medalha de ouro do Brasil nesta edição e levou o país à 12ª colocação do quadro geral parcial, com um ouro e um bronze, empatado com a França. Para o judô brasileiro, representou o segundo ouro individual na história dos Jogos Olímpicos da Juventude, repetindo o feito de Layana Colman, campeã do até 52kg em Nanquim, na China, em 2014.

Clarisse Vallim abraça a treinadora Maria Portela, emocionada após conquistar o ouro nos Jogos Olímpicos da Juventude Dakar 2026 © Wander Roberto/COB
Atleta do Flamengo e acompanhada em Dakar por Maria Portela, a treinadora da Confederação Brasileira de Judô, Clarisse voltou a demonstrar capacidade de competir acima de sua categoria habitual. Dona de dois ouros consecutivos no Mundial Cadete, conquistados no médio, até 70kg, a brasileira enfrentou adversárias do até 78kg e encerrou a participação com três vitórias pela pontuação máxima.
Clarisse iniciou a campanha diretamente nas quartas de final, diante de Arba Hasanaj, do Kosovo. A brasileira abriu vantagem com um wazari e encerrou o confronto por ippon, avançando à semifinal.
Na segunda luta, enfrentou a cubana Kayla Pita Zorrilla e precisou de dois minutos e 18 segundos para conseguir outro ippon. O resultado assegurou sua presença na decisão contra Dobrovolskaia.
A final exigiu mais do que iniciativa ofensiva. A russa pressionou no ne-waza, o trabalho de solo, e colocou Clarisse em situações defensivas. A brasileira conseguiu escapar das tentativas de imobilização e permanecer no combate, mesmo após receber um shido.
Foi justamente no solo que encontrou a oportunidade de decidir. Depois de resistir às ações da adversária, Clarisse assumiu o controle e estabeleceu o osae-komi, a imobilização que sustentou até alcançar o ippon. A terceira vitória confirmou uma campanha em que soube atacar, defender e aproveitar o momento de transformar a disputa em ouro.
O programa do judô em Dakar reúne oito categorias de peso, quatro femininas e quatro masculinas. Embora o Brasil tenha manifestado interesse em participar de todas, recebeu uma única vaga, destinada ao meio-pesado feminino. A CBJ indicou Clarisse para representar o país.
A presença no até 78kg já fazia parte de sua experiência internacional. Em abril, a judoca conquistou o ouro nessa categoria nos Jogos Sul-Americanos da Juventude, no Panamá. Em Dakar, voltou a competir no peso acima daquele em que construiu seus principais resultados no circuito cadete.
Clarisse começou no judô aos quatro anos, incentivada pelo pai e pelo avô, no projeto social Samurais do Morro, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Hoje, representa o Flamengo, onde é orientada pelos professores Rosicleia Campos, Renan Moutinho, Walter Matheus e Murilo Gouveia. Na seleção brasileira, a presença de Maria Portela acrescenta à sua formação a experiência de uma atleta que representou o país durante mais de 15 anos.
O ouro no Senegal também amplia uma sequência de resultados do judô brasileiro em três continentes. Entre o encerramento do Grand Slam de Abu Dhabi, em 31 de outubro, e a conquista de Clarisse, nesta terça-feira, o país esteve no pódio na Ásia, na América e na África em exatos quatro dias.
Nos Emirados Árabes Unidos, a seleção encerrou o Grand Slam com duas pratas e um bronze. No Open Pan-Americano da Flórida, realizado em 31 de outubro e 1º de novembro, os cinco brasileiros conquistaram medalhas: um ouro, três pratas e um bronze. Agora, em Dakar, a única vaga brasileira no judô foi convertida em ouro.

Clarisse Vallim exibe com orgulho a marca do Comitê Olímpico do Brasil em seu judogi após conquistar o ouro em Dakar © Wander Roberto/COB
Os resultados oferecem um retrato da atuação da diretoria de esportes e das comissões técnicas da CBJ em frentes simultâneas, com atletas em diferentes etapas de desenvolvimento e compromissos de características distintas. Em quatro dias, entre o encerramento do Grand Slam de Abu Dhabi e a conquista desta terça-feira em Dakar, o judô brasileiro somou nove medalhas em três competições internacionais, disputadas em três continentes: dois ouros, cinco pratas e dois bronzes.
Os Jogos Olímpicos da Juventude Dakar 2026 acontecem de 31 de outubro a 13 de novembro. Primeira edição realizada no continente africano, o evento tem previsão de reunir 2.700 atletas e apresenta um programa com 25 esportes de competição e dez de engajamento. As disputas do judô ocorreram de 1º a 3 de novembro.
A Confederação Brasileira de Judô conta com o patrocínio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e com o apoio institucional do Comitê Olímpico do Brasil (COB).
03 de novembro de 2026
02 de novembro de 2026
02 de novembro de 2026