24 de agosto de 2026
Uruguaios e gaúchos celebram mais uma edição da Copa de La Fronteira © Diego Castro
A Copa de La Frontera voltou a reunir uruguaios e brasileiros em torno do karatê tradicional. Realizada em 15 de agosto, no renovado Ginásio Cerrado Ernesto de León, em Durazno, a edição de 2026 colocou frente a frente o Combinado Celeste e a seleção do Rio Grande do Sul em 17 disputas de kata, embu e kumitê.
Com vantagem de 150 pontos em cada uma das duas etapas do programa, a equipe gaúcha venceu o confronto por 1.350 a 1.050. No conjunto formado por kata e embu, o Rio Grande do Sul marcou 650 pontos, contra 500 do Uruguai. No kumitê, o placar foi de 700 a 550.

Equipes perfiladas no koto © Diego Castro
A seleção gaúcha venceu 11 das 17 categorias, enquanto os uruguaios conquistaram seis vitórias. Mais do que definir o resultado, o formato por equipes permitiu a participação de karatecas de diferentes idades e níveis técnicos, reunindo desde crianças em suas primeiras experiências competitivas até atletas adultos com maior trajetória.
A reportagem foi produzida com base no comunicado, nos resultados oficiais e nos depoimentos encaminhados pela organização uruguaia da Copa de La Frontera.

Técnico uruguaio realiza preleção antes da competição por equipes © Diego Castro
Com aval oficial da International Traditional Karate Federation, a ITKF Global, a competição integrou o calendário internacional de 2026 e contou com a presença do intendente de Durazno, Felipe Algorta, além de autoridades departamentais e nacionais.
A história do encontro, no entanto, começou mais de uma década antes. A iniciativa nasceu em 2015, inicialmente concentrada no kumitê, e ganhou novas modalidades, categorias e possibilidades de participação por meio da cooperação entre o sensei Alfredo Aires, do Brasil, e Jorge A. Crosa, do Uruguai.

Pablo González orienta a equipe de kata misto da categoria de base, formada por Mateo Palle, Martina González e Julieta Mato © Diego Castro
Presidente da ITKF Uruguay e secretário-geral da Federação Pan-Americana de Karatê Tradicional, Crosa considera que a competição ajuda a substituir a ideia de separação geográfica por uma construção baseada no conhecimento e na convivência.
“Mais do que pensar em uma fronteira entre o Uruguai e o irmão Rio Grande do Sul, temos que concebê-la como uma ponte. Uma ponte para o conhecimento, para a evolução técnica, para a amizade e, fundamentalmente, para a irmandade de nossos povos”, afirmou.

Apresentação da equipe de kata misto da categoria de base do Uruguai © Diego Castro
Segundo o dirigente, essa aproximação não começou agora. Ela representa o resultado de um caminho percorrido continuamente pelas duas instituições desde 2015, sustentado por respeito, confiança e pela compreensão de que nenhum dos lados cresce verdadeiramente se tentar avançar sozinho.

O capitão da seleção uruguaia, Carlos Olivera, acompanha a competição ao lado do atleta Néstor Velázquez. Ao fundo, Gael Pajares, da seleção de base © Diego Castro
Crosa também fez um reconhecimento especial ao sensei Alfredo Aires, shichi-dan (7º dan) e presidente da Comissão Técnica da Federação Sul-Rio-Grandense de Karate-do Tradicional (FSRKT), a quem definiu como grande dirigente e amigo. Um dos idealizadores da Copa de La Frontera, Aires participou da criação da iniciativa e contribuiu para que o projeto evoluísse e se tornasse mais abrangente, integrador e plural.
“Ele foi um dos impulsionadores originais dessa ideia e teve também a generosidade de permitir que aquele projeto crescesse, aceitando propostas e contribuições que foram chegando deste humilde país do sul da América. Entre todos, fomos transformando-o em um produto muito mais integral, abrangente e plural”, destacou.
A ampliação do programa competitivo ajudou a construir uma das características centrais da Copa de La Frontera. Em vez de restringir o encontro aos atletas mais experientes, o modelo busca integrar diferentes gerações e estágios de desenvolvimento.

Martina González na disputa de kumitê © Diego Castro
Para Jorge Crosa, uma mesma competição pode acolher uma família que começa a descobrir o karatê tradicional e um atleta de nível elevado que entra no tatami para representar sua terra.
“Aí está, para mim, boa parte da essência deste encontro: aqui, cada karateca tem valor”, resumiu.

Kumitê masculino © Diego Castro
A participação das arquibancadas também ganhou destaque na avaliação uruguaia. Torcedores dos dois países acompanharam as disputas e contribuíram para uma atmosfera de proximidade entre as delegações.
“O que vivemos em Durazno voltou a demonstrar algo que parece simples, mas que às vezes é difícil colocar em prática: quando deixamos os personalismos de lado, arregaçamos as mangas e trabalhamos em equipe, sempre chegamos mais longe. Isso também é budô”, afirmou Crosa.

Adrián Allallón, árbitro da ITKF Uruguay, e Jorge Alejandro Crosa acompanham atentamente o andamento das competições © Diego Castro
Secretário-geral do Instituto de Karatê Tradicional Uruguaio, Enrique Alonzo destacou que a Copa ocorreu em um momento importante do calendário da entidade. O encontro antecede o encerramento das atividades nacionais da ITKF Uruguay, marcado pela 11ª edição da Bushido Cup.
Para Alonzo, entretanto, o principal resultado foi percebido na postura dos karatecas dentro e fora do tatami.
“Mais do que a competição e qualquer resultado, acredito que o mais importante esteve no que vimos dentro e fora da área: atletas uruguaios e gaúchos compartilhando com enorme respeito, entrega e companheirismo. São valores que falam do budô que procuramos transmitir todos os dias em nossos dojôs”, observou.

Medalhistas gaúchas © Diego Castro
A convivência entre crianças, jovens e adultos reforçou o caráter formativo do encontro. Para o dirigente, assistir a diferentes gerações compartilhando a mesma jornada demonstra que o projeto segue um caminho coerente com os valores que procura preservar.
“Competimos, sim, mas também aprendemos com o outro, fazemos amigos e continuamos crescendo juntos”, completou.
O Rio Grande do Sul terminou a etapa de kata e embu com cinco vitórias em oito categorias. O Uruguai venceu as outras três. No kumitê, os gaúchos prevaleceram em seis das nove disputas, enquanto o Combinado Celeste conquistou três.
KATA E EMBU
Uruguai: 500 pontos
Rio Grande do Sul: 650 pontos
KUMITÊ
Uruguai: 550 pontos
Rio Grande do Sul: 700 pontos
RESULTADO FINAL
Uruguai: 1.050 pontos
Rio Grande do Sul: 1.350 pontos
CAMPEÃ: Seleção do Rio Grande do Sul
A história da Copa de La Frontera já tem continuidade prevista. Em 2028, o encontro atravessará novamente a divisa e será realizado em Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul.
A alternância entre os dois lados reforça o conceito de uma competição construída conjuntamente e voltada ao intercâmbio entre povos que compartilham uma tradição.
“Depois de mais de dez anos, uruguaios e gaúchos continuamos nos encontrando dos dois lados de uma fronteira que, para nós, se parece cada vez mais com uma ponte”, concluiu sensei Jorge Crosa.
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