Daniel Cargnin brilha e lidera campanha brasileira de quatro medalhas no Grand Slam de Lausanne

Os quatro medalhistas do Brasil em Lausanne: Daniel Cargnin, Clarice Ribeiro, Rafaela Rodrigues e Michel Augusto © Maicon Maia / CBJ e Kulumbegashvili Tamara / FIJ com fotomontagem da Global Sports

Campeão dos 73 kg, gaúcho da Sogipa conquista o ouro com virada espetacular; Clarice Ribeiro, Rafaela Rodrigues e Michel Augusto completam a participação verde-amarela com três bronzes.

Por Paulo Pinto / Global Sports
Curitiba, 31 de agosto de 2026

O judô brasileiro encerrou sua participação no inédito Grand Slam de Lausanne com quatro medalhas, sendo um ouro e três bronzes. A campanha colocou o Brasil na sétima posição da classificação geral. A competição foi disputada entre sexta-feira (28) e domingo (30), na Vaudoise Aréna, na Suíça. A primeira edição do evento reuniu 513 judocas, 305 homens e 208 mulheres, representantes de 77 países e cinco continentes.

Daniel Cargnin aplica um potente ura-nage sobre o russo Danil Lavrentev e garante o ouro para o Brasil em Lausanne © Kulumbegashvili Tamara / FIJ

O eixo central da campanha nacional foi Daniel Cargnin, campeão da categoria até 73 kg. Clarice Ribeiro (48 kg), Rafaela Rodrigues (52 kg) e Michel Augusto (60 kg) conquistaram as três medalhas de bronze do Brasil, todas no primeiro dia. Gabriel Falcão (81 kg) ficou na quinta colocação, enquanto Rafael Macedo (90 kg) terminou em sétimo.

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Além das medalhas, os resultados asseguraram pontos importantes para o ranking mundial e para a corrida de classificação aos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. A premiação destinada aos resultados brasileiros foi de 5 mil euros pelo ouro de Cargnin e 1,5 mil euros para cada um dos três bronzes, valores totais estabelecidos pela Federação Internacional de Judô.

Cargnin reencontra o ouro em uma campanha de resistência e precisão

Atual terceiro colocado do ranking mundial, Daniel Cargnin protagonizou a principal atuação brasileira em Lausanne. O medalhista olímpico e mundial precisou superar cinco adversários em uma categoria que reuniu 53 competidores e exigiu dele resistência física, disciplina tática e capacidade para decidir confrontos equilibrados.

Na estreia, o peso leve da Sogipa venceu o georgiano Mikheili Bakhbakhashvili por punições. Nas oitavas de final, impôs ritmo intenso ao turco Ibrahim Demirel e avançou novamente após o adversário receber três shidos por passividade.

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O brasileiro enfrentou Kazbek Naguchev, dos Emirados Árabes Unidos, nas quartas de final e construiu a vitória com um yuko. Na semifinal, encontrou forte resistência do ucraniano Said-Magomed Khalidov. O confronto avançou por três minutos de golden score, até que Cargnin conseguiu projetar o adversário anotando um wazari, garantindo sua volta a uma decisão de Grand Slam.

Na final, o brasileiro teve pela frente o russo Danil Lavrentev, então quinto colocado no ranking mundial, campeão europeu em 2025 e vencedor do Grand Slam do Cazaquistão em 2026. Lavrentev abriu vantagem com um yuko e conduziu boa parte do combate com controle técnico e tático.

Cargnin, porém, permaneceu na disputa e esperou a oportunidade. Com os dois judocas pressionados pelas punições e pouco mais de um minuto no relógio, o brasileiro ajustou a pegada e executou um ura-nage de grande velocidade, projetando Lavrentev de costas para conquistar o ippon e virar completamente a final.

O título foi o segundo de Cargnin em um Grand Slam. O primeiro havia sido conquistado em Brasília, em 2019. O currículo do brasileiro no Circuito Mundial inclui ainda dois bronzes em Grand Slams, cinco medalhas em Grand Prix, um ouro no World Masters, uma prata e um bronze em Campeonatos Mundiais, além dos bronzes olímpicos de Tóquio 2020 e Paris 2024.

Em 2026, Cargnin já havia vencido o Campeonato Pan-Americano e conquistado o bronze no Grand Prix da Alta Áustria. A vitória em Lausanne também marcou sua recuperação após o quinto lugar obtido duas semanas antes, no Grand Prix de Lima.

Na semifinal, Daniel Cargnin e o ucraniano Said Magomed Khalidov protagonizam um combate épico, decidido com um wazari do brasileiro após mais de três minutos de golden score © Kulumbegashvili Tamara / FIJ

“Estou muito emocionado. Há apenas uma semana terminei em quinto lugar, por isso conquistar este ouro em Lausanne é fundamental para minha classificação olímpica. Foi uma competição difícil, mas levar a medalha é uma sensação incrível. Agora é hora de voltar para casa e continuar treinando para os Jogos Olímpicos.

“Na final, meu adversário foi muito forte e controlou a maior parte do combate, mas mantive a paciência, encontrei uma abertura e consegui o ippon. Lausanne também é uma cidade muito bonita. Fica longe do Brasil, mas eu gostaria de trazer minha família para conhecê-la na próxima vez. A atmosfera da arena foi eletrizante, como uma pequena Paris, e a energia do público foi incrível”, declarou Daniel Cargnin.

Pelo título, Cargnin recebeu a premiação total de 5 mil euros e somou mil pontos no ranking mundial.

Três bronzes abrem a campanha brasileira

O Brasil iniciou o Grand Slam com três medalhas de bronze nas categorias mais leves. Clarice Ribeiro (48 kg), atleta do Minas Tênis Clube (MG), foi a primeira brasileira a subir ao pódio.

Na disputa do terceiro lugar, Clarice enfrentou a portuguesa Catarina Costa e abriu o placar nos primeiros segundos com um yuko obtido por meio de um ko-uchi-gari. A brasileira administrou a distância, impediu a reação da adversária e assegurou a primeira medalha de sua carreira em um Grand Slam.

Observado ao fundo pelo treinador e seu sensei Antônio Carlos de Oliveira Pereira, o Kiko, Daniel Cargnin agradece a Deus pela conquista © Kulumbegashvili Tamara / FIJ

Clarice terminou atrás da campeã Marina Vorobeva, da Rússia, e da espanhola Laura Martínez Abelenda, medalhista de prata. Hui Xinran, da China, conquistou o outro bronze da categoria.

Rafaela Rodrigues (52 kg), judoca do Esporte Clube Pinheiros (SP), também alcançou o primeiro pódio de sua carreira em um Grand Slam. A luta pelo bronze contra a uzbeque Sugdiyona Rafkatova avançou para um longo e desgastante golden score. Rafaela permaneceu ativa durante o período extra e venceu após a terceira punição aplicada à adversária.

Clarice Ribeiro, uma das principais revelações da nova geração do judô brasileiro, conquistou em Lausanne sua primeira medalha em um Grand Slam © Kulumbegashvili Tamara / FIJ

A israelense Gefen Primo foi campeã da categoria, seguida pela francesa Blandine Pont. A espanhola Ariane Toro Soler conquistou a outra medalha de bronze.

Michel Augusto (60 kg), peso ligeiro do SESI-SP, completou o primeiro dia brasileiro no pódio. Diante de Ruslan Poltoratskii, do Bahrein, o combate pelo bronze também chegou ao golden score. O brasileiro encontrou o espaço necessário no período adicional e marcou o yuko que decidiu o confronto.

Rafaela Rodrigues confirma sua ascensão entre os novos talentos do judô brasileiro ao conquistar em Lausanne o primeiro pódio de sua carreira em um Grand Slam © Kulumbegashvili Tamara / FIJ

O japonês Yamato Fukuda conquistou o ouro, e o sul-coreano Harim Lee ficou com a prata. Samariddin Kuchkarov, do Uzbequistão, dividiu a terceira colocação com Michel.

Clarice Ribeiro, Rafaela Rodrigues e Michel Augusto receberam 1,5 mil euros cada pelas medalhas de bronze.

De Bastos ao topo do ranking mundial, Michel Augusto transforma uma trajetória construída com talento, disciplina e perseverança em mais um pódio no Circuito Mundial © Kulumbegashvili Tamara / FIJ

Gabriel Falcão fica a uma vitória do pódio

No segundo dia, além do ouro de Cargnin, o Brasil teve Gabriel Falcão (81 kg), judoca do Instituto Reação (RJ), na disputa por medalha. A categoria reuniu 53 competidores.

Falcão começou a campanha com um ippon sobre o austríaco Magamed Borchashvili e repetiu o resultado diante do suíço Loic Gerosa. Nas oitavas de final, marcou um wazari a quatro segundos do encerramento do combate contra o sérvio Vasilije Grujicic.

Pódio dos 48 kg: Marina Vorobeva, da Rússia, conquistou o ouro; Laura Martínez Abelenda, da Espanha, ficou com a prata; Clarice Ribeiro, do Brasil, e Hui Xinran, da China, levaram os bronzes © Kulumbegashvili Tamara / FIJ

Nas quartas, o brasileiro eliminou o azeri Omar Rajabli, integrante do grupo dos dez primeiros colocados do ranking mundial, ao marcar dois yukos. Falcão avançou à semifinal, na qual enfrentou o uzbeque Arslonbek Tojiev. O combate chegou ao golden score, mas o adversário conseguiu o ippon em uma ação dividida.

Na disputa pelo bronze, o suíço Aurelien Bonferroni marcou um yuko no início e sustentou a vantagem até o fim. Com a quinta colocação, Falcão somou 360 pontos no ranking mundial.

Pódio dos 52 kg: Gefen Primo, de Israel, conquistou o ouro; Blandine Pont, da França, ficou com a prata; Ariane Toro Soler, da Espanha, e Rafaela Rodrigues, do Brasil, levaram os bronzes © Kulumbegashvili Tamara / FIJ

Rafael Macedo termina em sétimo

Único brasileiro a avançar à fase decisiva no domingo, Rafael Macedo (90 kg), peso médio da Sogipa (RS), chegou à repescagem. Após perder a final de sua chave para o uzbeque Nurbek Murtozoev, o brasileiro enfrentou o sérvio Nemanja Majdov em busca de uma vaga na disputa pelo bronze.

O confronto permaneceu equilibrado e avançou por 4min44s no golden score. Majdov marcou um wazari e encerrou a campanha de Rafael, que ficou com a sétima colocação e acrescentou 260 pontos ao ranking mundial.

Pódio dos 60 kg: Yamato Fukuda, do Japão, conquistou o ouro; Harim Lee, da Coreia do Sul, ficou com a prata; Samariddin Kuchkarov, do Uzbequistão, e Michel Augusto, do Brasil, levaram os bronzes © Kulumbegashvili Tamara / FIJ

Brasil alcança 14 medalhas em Grand Slams na temporada

Com os quatro pódios conquistados em Lausanne, o judô brasileiro chegou a 14 medalhas em etapas de Grand Slam na temporada de 2026: dois ouros, uma prata e 11 bronzes.

O desempenho na Suíça reforçou a presença brasileira entre as principais seleções do Circuito Mundial da Federação Internacional de Judô, justamente no início do período classificatório para Los Angeles 2028. A campanha também combinou a experiência de atletas consagrados, como Daniel Cargnin e Rafael Macedo, com os primeiros pódios de Clarice Ribeiro e Rafaela Rodrigues em competições desse nível.

Experiência, cuidado e acolhimento

Por trás dos resultados conquistados em Lausanne esteve uma comissão técnica formada para oferecer suporte aos judocas dentro e fora da área de competição. O trabalho reuniu experiência esportiva, acompanhamento médico, recuperação física e o acolhimento necessário diante das exigências de uma etapa do Circuito Mundial.

A delegação brasileira foi chefiada por Marcelo Theotonio da Silva, tendo Maicon David Lima Maia como subchefe. A direção técnica ficou sob a responsabilidade dos experientes professores Andrea Berti Rodrigues Guedes, Antonio Carlos de Oliveira Pereira, o Kiko e Alexandre Tsuyoshi Katsuragi, o Xexéu.

Pódio dos 73 kg: Daniel Cargnin, do Brasil, conquistou o ouro; Danil Lavrentev, da Rússia, ficou com a prata; Said Magomed Khalidov, da Ucrânia, e Muhiddin Asadulloev, do Tajiquistão, levaram os bronzes Kulumbegashvili Tamara / FIJ

A equipe multidisciplinar contou ainda com o médico Rafael Lindi Sugino e o fisioterapeuta Ricardo Guimarães Amadei. A atuação integrada desses profissionais foi importante tanto para os atletas mais experientes quanto para os representantes da nova geração, que começam a construir sua trajetória em competições de alto nível.

Mais do que acompanhar combates, a comissão teve a responsabilidade de transmitir segurança, administrar as diferentes necessidades da equipe e criar um ambiente de confiança para que cada judoca pudesse entrar no tatami preparado para competir. Em uma delegação que combinou atletas consagrados e novos nomes, esse equilíbrio entre conhecimento técnico, cuidado e acolhimento também fez parte da campanha brasileira em Lausanne.

A Confederação Brasileira de Judô conta com o patrocínio do BNDES e o apoio institucional do Comitê Olímpico do Brasil.

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