Entre tradição e inovação, Shihan e Sakuraba constroem uma relação de respeito no mercado nacional do judô

Antônio Dias Toledo e Cleber do Carmo nos bastidores da Copa São Paulo, em registro que evidencia respeito mútuo e grande amizade © Global Sports

Relacionamento construído ao longo de décadas ganha evidência nos bastidores da Copa São Paulo e revela como tradição e inovação caminham juntas no judô paulista.

Por Paulo Pinto / Global Sports
Curitiba, 25 de março de 2026

Nos bastidores da cerimônia de abertura da Copa São Paulo de Judô, um dos maiores eventos do calendário do judô continental, uma cena chamou atenção não apenas pelo simbolismo, mas pelo significado que carrega para toda a comunidade do judô paulista.

Enquanto autoridades e dirigentes se reuniam na área reservada do evento, dois nomes representando importantes marcas do setor dividiram momentos de descontração, exibindo, além da grande amizade e evidente sintonia, respeito e admiração construídos ao longo de uma trajetória comum no judô: Cleber do Carmo, delegado da 12ª Delegacia Regional Mogiana da Federação Paulista de Judô e diretor da Sakuraba Kimonos, e Antônio Dias Toledo, diretor executivo da Kimonos Shihan.

Mais do que um encontro circunstancial da gestão esportiva, o momento revelou uma relação que transcende a lógica tradicional e usual de mercado, evidenciando uma conexão construída ao longo do tempo e sustentada por valores que dialogam diretamente com a essência do judô.

De um lado, a Shihan, uma das marcas pioneiras do Brasil, reconhecida por sua trajetória sólida, domínio técnico-industrial e contribuição histórica para o desenvolvimento do judô nacional. De outro, a Sakuraba, uma empresa jovem, que vem se consolidando com forte atuação em projetos sociais e expansão consistente no mercado.

Apesar de ocuparem espaços distintos, as falas de ambos executivos deixaram claro que as duas empresas caminham em franca sintonia, sustentadas por uma relação construída na confiança, na complementaridade de atuação e na maturidade de quem compreende o mercado para além da concorrência direta.

Segundo os executivos, a relação entre as duas marcas é pautada pelo respeito mútuo, pela troca de conhecimento e por uma visão que se aproxima, em essência, dos princípios que sustentam o judô. Em um ambiente onde a competitividade poderia naturalmente impor barreiras e certa distância, o que se observa é o oposto: colaboração, diálogo e construção conjunta.

Henrique Guimarães entre Antônio Toledo e Cleber do Carmo, reunindo gestão e indústria em um ambiente de diálogo, parceria e desenvolvimento do judô © Global Sports

Para Antônio Dias Toledo, essa convivência é natural dentro de um universo que vai além do aspecto comercial, inserida em um contexto de relações construídas ao longo do tempo e fundamentadas em valores que ultrapassam a lógica estritamente empresarial.

“O judô sempre nos ensinou sobre respeito, parceria e crescimento coletivo. Quando você entende isso de verdade, não existe espaço para rivalidade vazia. Fora isso, toda e qualquer empresa encontra naturalmente dificuldades impostas pelo mercado e somente quem enfrenta cada uma delas com coragem e determinação consegue se manter ativo e crescendo. O mercado é muito grande e não existe razão para enfrentamentos que apenas nos enfraquecem comercialmente.”

O professor kodansha Cleber do Carmo segue a mesma linha e reforça que o relacionamento entre as marcas reflete valores que o próprio judô busca transmitir.

“Existe espaço para todos. O importante é que o judô cresça, que as pessoas sejam bem atendidas e que a qualidade seja mantida. Quando há seriedade e propósito, a relação deixa de ser concorrência e passa a ser construção e é isso que nós, enquanto gestores, fazemos naturalmente. O Toninho não é um concorrente, é um amigo e a nossa relação é fundamentada na amizade, e o judô ganha com isso.”

A atuação de ambos também se conecta institucionalmente. Enquanto Cleber exerce papel relevante dentro da estrutura da Federação Paulista de Judô, Toninho lidera uma empresa que figura como fornecedora oficial da entidade — um elo que, longe de gerar conflito, reforça ainda mais a responsabilidade e o compromisso com o desenvolvimento da modalidade, a manutenção de padrões técnicos elevados e a construção de um diálogo permanente e produtivo entre indústria e gestão esportiva.

A convivência entre Shihan e Sakuraba evidencia que tradição e renovação não são forças opostas, mas complementares.

Em um cenário esportivo cada vez mais exigente, onde qualidade, credibilidade e propósito se tornam ativos indispensáveis, iniciativas e posturas como essa ajudam a sustentar não apenas o mercado, mas a própria essência do judô.

Assim como acontece no judô, onde o adversário é indispensável para a evolução, no mercado a presença de outras marcas não precisa ser encarada como ameaça, mas como parte de um ecossistema que se fortalece quando há respeito, inteligência e visão de longo prazo.

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