20 de março de 2026
Saleh Mohammadi vence combate e evidencia o talento interrompido de um jovem promissor do wrestling © Iran International
Saleh Mohammadi, lutador de wrestling de apenas 19 anos e medalhista de bronze na Copa Saitiev de 2024, na Rússia, foi executado pelo governo da República Islâmica do Irã nesta quinta-feira, 19 de março de 2026. O enforcamento do jovem atleta intensifica a preocupação internacional quanto ao destino de outros esportistas detidos no país, em meio a crescentes temores de novas execuções relacionadas aos protestos ocorridos no início do ano.
Ao todo, três manifestantes — Mehdi Ghasemi, Saleh Mohammadi e Saeed Davoudi — foram executados no mesmo dia, acusados de envolvimento na morte de dois policiais durante os distúrbios de janeiro, segundo a agência Mizan, vinculada ao Judiciário iraniano.

Mehdi Ghasemi, Saeed Davoudi e Saleh Mohammadi no banco dos réus, em julgamento marcado por acusações contestadas © Divulgação
Durante o processo, Mohammadi negou todas as acusações. Rejeitou qualquer participação nos atos atribuídos a ele e afirmou que sua confissão foi obtida sob tortura. De acordo com relatos de pessoas próximas, imagens de câmeras de segurança apresentadas no tribunal não o identificavam, e as autoridades se recusaram a convocar testemunhas de defesa que poderiam comprovar seu álibi — de que estava na casa de um parente no momento do incidente.
O caso já havia mobilizado atenção internacional antes da execução, com a United World Wrestling (UWW) manifestando preocupação. Ainda assim, não houve posicionamento público de integrantes da Comissão de Atletas do Comitê Olímpico Nacional do Irã, incluindo Soraya Aghaei Haji Agha, recentemente nomeada membro do Comitê Olímpico Internacional (COI).
A execução de Saleh Mohammadi remete diretamente ao caso do wrestler Navid Afkari, que se tornou símbolo global do uso da pena de morte como instrumento de repressão.
Afkari foi condenado e executado em Shiraz, acusado de assassinar um agente de segurança durante os protestos de 2018. Assim como Mohammadi, também retirou sua confissão em juízo, alegando que ela havia sido obtida sob tortura. Em gravação divulgada posteriormente, denunciou que execuções vinham sendo utilizadas como mecanismo de intimidação por parte do regime.
Cinco anos depois, o precedente permanece — e o ciclo se repete.
O caso se insere em um cenário mais amplo de repressão. Um número crescente de atletas, treinadores e árbitros permanece detido, muitos deles vinculados às recentes manifestações.
Entre os nomes estão o jogador de futebol Mohammad Hossein Hosseini, o goleiro de polo aquático Ali Pishevarzadeh, a maratonista Niloufar Pas, o campeão de kickboxing Benjamin Naghdi, o jovem jogador de futebol Abolfazl Dokht e o boxeador Mohammad Javad Vafaei Sani.

À direita, Soraya Aghaei ao lado de membros do Comitê Olímpico do Irã © Divulgação
Os episódios ocorrem em meio a uma repressão considerada sem precedentes. Entre os dias 8 e 12 de janeiro de 2026, forças da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) atuaram em mais de 170 cidades, resultando em milhares de mortos e um número expressivo de detenções. Entre as vítimas, estão atletas e profissionais do esporte, evidenciando a utilização do aparato estatal para sufocar qualquer forma de dissidência.
Diante do agravamento da crise, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou apoio ao povo iraniano. As recentes ações militares conduzidas por forças norte-americanas e israelenses foram apresentadas como tentativas de proteção à população civil, repercutindo tanto dentro do Irã quanto na diáspora, além de ampliar a atenção da comunidade internacional sobre a escalada de violência no país.
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