FPJudô realiza Seminário Estadual de Arbitragem e André Mariano presta homenagem a Edison Minakawa

Edison Minakawa ao lado de Henrique Guimarães e André Mariano durante o Seminário Estadual de Arbitragem da Federação Paulista de Judô © Global Sports

Sob liderança da professora kodansha Marilaine Ferranti Antonialli, o Seminário Estadual de Arbitragem amplia seu formato, institui premiação inédita e eleva o padrão técnico e conceitual da arbitragem paulista.

Por Paulo Pinto / Global Sports
Curitiba, 14 de fevereiro de 2026

O Seminário Estadual de Arbitragem da Federação Paulista de Judô (FPJudô), realizado no dia 7 de fevereiro, no teatro do Complexo CEU Regina Rocco Casa — atual Arena Caixa, em São Bernardo do Campo, reuniu mais de duas centenas de árbitros de todas as 16 delegacias regionais do Estado para um dia de atualização técnica, alinhamento organizacional e reflexão sobre os rumos da arbitragem paulista e nacional.

Teatro da Arena Caixa tomado por árbitros durante o Seminário Estadual de Arbitragem, que reuniu pouco mais de 200 participantes de todas as regiões do Estado © Simone Lima

Mais do que um encontro técnico, o evento ganhou caráter simbólico e histórico com a presença do professor André Mariano, recém-empossado coordenador nacional de arbitragem da Confederação Brasileira de Judô (CBJ) e atual Supervisor de Arbitragem da Federação Internacional de Judô (FIJ). Árbitro FIJ A, Mariano veio a São Paulo com um propósito claro: prestar homenagem e reverência ao professor Edison Minakawa, que comandou a arbitragem nacional por oito anos e deixou um legado amplamente reconhecido no judô brasileiro.

Homenagens e valorização do corpo de arbitragem

O seminário também foi marcado por homenagens aos árbitros que se destacaram nas 16 delegacias regionais do Estado de São Paulo, reforçando o reconhecimento institucional ao trabalho desenvolvido nos tatamis paulistas ao longo da temporada.

Henrique Guimarães durante pronunciamento na abertura do Seminário Estadual de Arbitragem da Federação Paulista de Judô © Simone Lima

O presidente da FPJudô, Henrique Guimarães, parabenizou o corpo de arbitragem estadual, ressaltou a importância desses profissionais para o desenvolvimento do judô e agradeceu publicamente a presença de André Mariano, destacando o legado construído por Edison Minakawa e sua relevância para o cenário nacional.

Gestão, atualização técnica e inclusão

A programação do evento também contemplou temas estratégicos da arbitragem paulista. A presidente da Comissão de Arbitragem da FPJudô, Marilaine Ferranti, destacou a urgência na disseminação das normas técnicas, especialmente diante de um calendário estadual já em ritmo acelerado.

Segundo ela, é fundamental que as atualizações apresentadas no Seminário Nacional cheguem rapidamente a árbitros, oficiais de mesa e demais agentes envolvidos nas competições, garantindo uniformidade de critérios e segurança técnica.

Marilaine Ferranti Antonialli, coordenadora de arbitragem da Federação Paulista de Judô, durante pronunciamento no Seminário Estadual de Arbitragem © Simone Lima

Além do aspecto normativo, o seminário serviu como espaço para a apresentação de pilares estratégicos da atual gestão da FPJudô, com destaque para a expansão do judô inclusivo e o fortalecimento da Comissão das Mulheres, sinalizando um compromisso institucional com diversidade, modernização e alinhamento às diretrizes contemporâneas do esporte.

A visão da arbitragem paulista sob liderança feminina

Coordenadora de Arbitragem da Federação Paulista de Judô, professora kodansha Marilaine Ferranti Antonialli é um nome histórico da modalidade. Primeira árbitra FIJ A do Brasil, ela integra a linhagem de alguns dos maiores nomes da arbitragem mundial e nacional, como Shigeto Yamazaki, Carlos Catalano Calleja, Dante Kanayama e Edison Minakawa, trajetória construída com pioneirismo, competência técnica e reconhecimento internacional.

André Mariano durante pronunciamento marcado por reconhecimento ao legado, reflexão técnica e defesa da evolução da arbitragem brasileira © Simone Lima

Em depoimento exclusivo à Revista Budô, Marilaine detalhou as inovações implementadas no Seminário Estadual de Arbitragem da FPJudô e destacou o esforço da comissão em qualificar, valorizar e preparar um corpo de árbitros à altura da dimensão do judô paulista.

“Este ano estamos inovando no formato. Pela primeira vez, o seminário será realizado durante o dia inteiro. Pela manhã teremos a parte teórica, aqui no teatro, e à tarde a parte prática, no dojô da FPJudô, na Arena Olímpica de São Bernardo do Campo”, explicou.

Em gesto de respeito e reconhecimento, André Mariano convida Edison Minakawa ao seu lado para homenagear o legado construído à frente da arbitragem nacional © Simone Lima

Segundo ela, o conteúdo teórico contará com a condução do sensei Edison Minakawa, ao lado dos árbitros que participaram do Seminário Nacional, realizado em Brasília. “Também teremos uma apresentação do sensei Hatiro Ogawa sobre uma nova adaptação de normas para as classes Sub 9 e Sub 11, incluindo aplicação de penalidades, algo que passaremos a adotar no estado.”

Outra novidade anunciada é a premiação inédita dos árbitros destaque da temporada. “Cada delegacia regional indicou um árbitro que mais se destacou ao longo do ano. A comissão, então, escolheu um árbitro e uma árbitra como destaques estaduais da arbitragem paulista. Teremos, portanto, os destaques regionais e os destaques estaduais, masculino e feminino”, detalhou.

Edison Minakawa durante depoimento marcado por respeito e a passagem simbólica do bastão da arbitragem brasileira © Simone Lima

Marilaine explicou que os critérios consideram participação em exames, módulos, seminários, cursos da IJF Academy e atuação em competições nacionais. “Serão reconhecidos aqueles que mais atuaram e mais se dedicaram ao longo da temporada.”

A parte prática do seminário será conduzida pelo sensei Ryoiti Uchida, coordenador de cursos da FPJudô, com foco nas técnicas proibidas e nas situações mais complexas da arbitragem contemporânea. “Todos os árbitros irão ao dojô, de judogi, para praticar. Queremos colocar todo mundo em ação, vivenciando as situações que enfrentamos nos tatamis.”

Outro ponto de destaque do evento é a presença do sensei André Mariano, atual coordenador nacional de arbitragem da CBJ e Supervisor de Arbitragem da FIJ. “Era um desejo dele estar conosco em São Paulo. Ele nunca havia participado do nosso seminário estadual e fez questão de estar presente. Conversamos com o Henrique e viabilizamos isso”, revelou.

Hatiro Ogawa, vice-presidente da Federação Paulista de Judô, durante apresentação sobre as atualizações nas normas técnicas para as classes de base no Seminário Estadual de Arbitragem © Simone Lima

Ao falar sobre a construção desse novo formato, Marilaine ressaltou o trabalho coletivo da comissão. “Quero agradecer à minha comissão de arbitragem, que trabalhou comigo ao longo do ano. Eu não conseguiria estar presente em todos os eventos sem esse apoio. Eles me ajudam muito na coordenação.”

Questionada sobre o significado da realização do seminário e da política de reconhecimento, a coordenadora foi enfática: “Reconhecimento nunca é demais. A carreira de arbitragem é muito difícil. O sensei André Mariano sempre diz que arbitrar é um ato de coragem. Não é qualquer um que se dispõe a estar ali, no olho do furacão, sabendo que, depois dos atletas, o árbitro é sempre o mais visado.”

Parte da Comissão de Arbitragem Paulista acompanha o pronunciamento de Hatiro Ogawa © Simone Lima

Ela destacou a responsabilidade inerente à função. “O futuro de atletas que se preparam a vida inteira passa pelas nossas mãos. Isso é uma responsabilidade enorme. Ficamos expostos, e só quem está ali sabe que fazemos isso por amor.”

Marilaine também apresentou números que dimensionam o tamanho da arbitragem paulista. “Somente em 2025, tivemos mais de 5 mil atuações entre exames, módulos, seminários e competições. Foram mais de 200 competições realizadas apenas em São Paulo. É um fluxo intenso, muito rápido, e não é possível repetir os mesmos árbitros todos os dias, porque todos têm suas famílias e seus compromissos.”

Professor Paulo Ferraz Alvim Muhlfarth, o Pi do Judô Vereador de Atibaia (PSD), André Mariano, coordenador nacional de arbitragem da CBJ, e Paulo Pinto, diretor de jornalismo da Global Sports Comunicação © Simone Lima

Segundo ela, formar um corpo grande, forte e qualificado é uma necessidade estrutural. “Se não tivermos uma equipe numerosa e muito bem preparada, simplesmente não conseguimos atender à demanda do judô paulista.”

Ao falar de sua própria trajetória, Marilaine fez questão de reconhecer o peso da história que carrega. “Eu venho substituir grandes nomes da arbitragem em São Paulo. Meu compromisso é fazer com que o estado continue tendo destaque e honre o legado deixado pelos senseis Yamazaki, Catalano, Kanayama, Minakawa, Yokoti… e agora a Marilaine”, disse, entre risos. “É uma linhagem extremamente relevante nos cenários nacional e internacional, e honrá-la é uma responsabilidade enorme.”

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Sobre seu pioneirismo, ela contextualizou: “Arbitrei em mundiais, Grand Slams e Grand Prix. No feminino, por muito tempo fui a única árbitra FIJ A do Brasil a atuar nesse nível de competições. Mas é preciso lembrar que, na época, quase não havia mulheres no shiai-jô. Depois de minha ascensão ao quadro de arbitragem da FIJ, demorou 16 anos para surgir outra árbitra FIJ A no Brasil.”

Nesse ponto, Marilaine fez um reconhecimento direto ao legado de Edison Minakawa. “A passagem do sensei Minakawa pela coordenação nacional impulsionou muito a arbitragem feminina. Ele lutou bravamente para abrir espaço para as árbitras mulheres no Brasil.”

Gustavo Mendonça, o Guga, foi o mestre de cerimônias do Seminário Estadual de Arbitragem © Simone Lima

Ao concluir, a professora kodansha Marilaine Ferranti Antonialli expressou gratidão pela confiança depositada pela diretoria da Federação Paulista de Judô e pelo presidente Henrique Guimarães, ressaltando o peso e a responsabilidade inerentes à função que exerce. Segundo ela, assumir a coordenação da arbitragem paulista significa dar continuidade a uma tradição construída por nomes históricos da modalidade, mantendo o compromisso com a qualidade técnica, a seriedade e a credibilidade que sempre marcaram a arbitragem de São Paulo.

Um gesto que marca uma era

Recém-empossado coordenador nacional de arbitragem da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), o sensei André Mariano explicou que sua presença no Seminário Estadual de Arbitragem da FPJudô teve um significado que vai além da agenda institucional.

Árbitros e dirigentes reunidos no dojô do Centro de Excelência Esportiva de Judô da Arena Caixa, em São Bernardo do Campo © Simone Lima

Natural do Distrito Federal, Mariano afirmou que fez questão de estar em São Paulo, antes de tudo, como aprendiz. “Vim assistir ao seminário para aprender. Precisamos ter sempre a mente aberta para o aprendizado. Esse é um princípio que carrego comigo”, destacou.

Mas o principal motivo de sua presença foi o reconhecimento público ao trabalho do professor Edison Minakawa, a quem sucedeu na coordenação nacional. “Eu prometi a mim mesmo que, se assumisse essa função, viria à casa daquele que me oportunizou. O professor Minakawa conduziu dois ciclos de preparação e desenvolvimento da arbitragem nacional. O que ele fez, com os recursos que tinha, construiu um legado que eleva muito o nível para quem assume depois. O sarrafo ficou alto”, afirmou.

Sensei Takeshi faz pronunciamento na abertura do treinamento realizado à tarde no dojô do CT, acompanhado por Uchida, Shiraga, Marilaine, Mariano, Minakawa, Yamamoto e Arashiro © Simone Lima

Segundo Mariano, o momento atual da arbitragem brasileira é resultado direto desse trabalho. “Hoje vivemos o melhor momento da arbitragem nacional, com o maior número de árbitros com direitos e árbitros internacionais da nossa história. Manter essa qualidade será um grande desafio.”

Durante sua fala, o coordenador também defendeu a necessidade de revisão de conceitos e a desconstrução de paradigmas que, segundo ele, limitam a evolução da modalidade. “Precisamos mudar alguns conceitos, desconstruir amarras que nos impedem de crescer. Muitas vezes ouvimos: ‘isso não pode’. E a pergunta que faço é simples: por que não pode?”, provocou.

Em seiza, Akira Yamamoto e Edison Minakawa executam o za-rei na abertura da parte prática do Seminário Estadual de Arbitragem © Simone Lima

Mariano citou exemplos de técnicas tradicionais do judô que são ensinadas, apresentadas no kata — essência da modalidade — mas não aplicadas no shiai. “Por que não podemos ver técnicas como kata-guruma e morote-gari, em competição? Elas fazem parte do judô. Muitas vezes não encontro respostas baseadas em fundamentos, apenas em decisões que foram sendo naturalizadas ao longo do tempo”, refletiu.

Para ele, o judô precisa compreender a modernidade sem perder sua identidade. “A humanidade falha, retorna, avança, aprende. No judô não é diferente. Com o tempo, vamos entendendo o que é melhor para o esporte.”

Ao falar de sua trajetória, André Mariano relembrou que iniciou na arbitragem ainda adolescente. “Comecei aos 15 para 16 anos, como mesário, e logo fui contaminado por esse ‘vírus’ da arbitragem. Quem tem sabe: não consegue mais se livrar”, disse, em tom bem-humorado.

Ryoiti Uchida, coordenador de cursos da Federação Paulista de Judô, comanda a parte prática do Seminário Estadual de Arbitragem © Simone Lima

Ele recordou os ensinamentos de seu sensei de arbitragem, Luiz Gonzaga Filho, que sempre lhe reforçava a importância do tempo e da paciência. “Tudo tem seu tempo. Comecei atuando lateralmente, em competições de crianças, e fui evoluindo com estudo, leitura constante e busca por fundamentos.”

Mariano também fez um paralelo histórico para explicar o papel das regras no esporte. “Desde os tempos mais antigos, as sociedades criaram regras para sobreviver. No judô não é diferente. As regras existem, mas precisam ser compreendidas, discutidas e, quando necessário, revisitadas.”

Professores aguardam para realizar o ritsu-rei no encerramento dos trabalhos © Simone Lima

Para ele, o debate é saudável. “Acho interessante quando surge uma nova regra e as pessoas dizem: ‘eu não concordo’. Ótimo. Elas têm o direito de expressar seu ponto de vista. O importante é que haja reflexão e fundamentação.”

Ao final, reforçou que judô é uma modalidade integral, que não pode ser fragmentada. “Não existe judoca só de ne-waza. O judoca é completo. A parte técnica e a arbitragem precisam caminhar juntas, sempre buscando objetivos comuns.”

Senseis Minakawa, Mariano e Yokoti ao lado das árbitras que participaram do Seminário Estadual de Arbitragem © Simone Lima

E concluiu com uma afirmação que arrancou sorrisos do público: “Não se enganem: uma competição de judô sem nenhuma reclamação de arbitragem simplesmente não existe.”

Protagonismo e responsabilidade institucional

Representando todos os professores kodanshas presentes, o presidente da Federação Paulista de Judô, Henrique Guimarães, saudou o sensei Maurílio Cesário, de Pirassununga, e destacou a importância simbólica e técnica do Seminário Estadual de Arbitragem.

Edison Minakawa, Ryoiti Uchida e André Mariano em registro após a realização do Seminário Estadual de Arbitragem © Simone Lima

Henrique ressaltou o papel central da arbitragem na realização dos grandes eventos do judô paulista e rebateu a visão de que os árbitros sejam apenas associados aos problemas da modalidade. “Eu não vejo a arbitragem dessa forma. Pelo contrário, vocês são protagonistas do nosso esporte. Sem arbitragem qualificada, dificilmente conseguiríamos realizar grandes eventos”, afirmou.

O presidente reconheceu a dureza da função e a responsabilidade que recai sobre os árbitros. “Ser árbitro não é fácil. É uma árdua missão, mas absolutamente essencial para que a Federação Paulista de Judô continue ocupando lugar de protagonismo e mantendo o esporte em alto nível”, disse.

Tatami do Centro de Excelência Esportiva de Judô completamente tomado por árbitros durante a execução das técnicas na parte prática do seminário © Simone Lima

Henrique Guimarães também compartilhou sua recente experiência no cenário nacional. “Estive em Brasília nesta semana acompanhando o Troféu Brasil, observando a atuação dos nossos árbitros e as inovações que vêm sendo incorporadas à modalidade. O judô é um esporte que evolui permanentemente, e a arbitragem precisa evoluir junto”, destacou.

Segundo ele, o papel dos participantes do seminário vai além do evento em si. “O conhecimento adquirido aqui precisa ser multiplicado. É assim que conseguimos avançar e alcançar êxito coletivo.”

Ao concluir, o presidente reforçou um conceito caro à arbitragem de alto rendimento. “Costumamos dizer que a arbitragem precisa ser invisível. Invisível, mas extremamente responsável. Quando um campeonato transcorre sem problemas, é sinal de uma arbitragem eficiente e positiva.”

Árbitros perfilados para o rei final no encerramento do Seminário Estadual de Arbitragem © Simone Lima

Henrique encerrou convocando o grupo à união e ao compromisso permanente com a excelência. “Com esse grupo, a Federação Paulista de Judô seguirá sempre em busca da excelência. Que possamos nos unir cada vez mais para fortalecer a nossa federação. Desejo a todos um excelente curso e um ótimo trabalho ao longo de todo o ano.”

Tradição, respeito, legado e a passagem do bastão

Ao se pronunciar, o sensei Edison Minakawa iniciou sua fala dirigindo-se ao professor Caio Kanayama, em um gesto carregado de memória e reverência. “Quero te pedir um favor: mande um grande abraço ao sensei Dante e diga a ele que estamos sentindo muito a sua falta”, disse, evocando uma das figuras mais emblemáticas da arbitragem e do judô paulista.

Marilaine Ferranti, Edison Minakawa, Dante Kanayama e Takeshi Yokoti representam quatro gerações da coordenação de arbitragem da Federação Paulista de Judô, responsáveis por imprimir avanços técnicos e conceituais que moldaram a história da arbitragem paulista © Arquivo

Minakawa resgatou um episódio marcante de sua trajetória, ocorrido em 2012, quando teve a honra de seguir o caminho do pai de Caio Kanayama. “Fui até o dojô da família Kanayama. O sensei me recebeu na calçada, meio espantado, e me perguntou o que eu estava fazendo ali”, relembrou.

Segundo ele, a resposta foi simples e profundamente enraizada na tradição japonesa. “Como todo bom nihondin, eu disse: sensei, no passado, antes de assumir qualquer responsabilidade, eu precisava pedir permissão ao meu pai, ao meu sensei. Se eu vou lhe substituir ou suceder, preciso primeiro da sua autorização. Se o senhor não me conceder, eu abaixo a cabeça, sigo meu caminho e aviso à federação que ainda não chegou o meu momento.”

Minakawa explicou que esse mesmo princípio guiou suas decisões ao longo da carreira. “Foi assim na Federação Paulista de Judô e também na Confederação Brasileira de Judô, quando o então presidente Silvio Acácio Borges me convidou para assumir a coordenação nacional. Fiz exatamente o mesmo com o sensei José Pereira.”

Ao abordar a transição recente na arbitragem nacional, Minakawa destacou o gesto de continuidade e confiança. “Na semana passada, com muita honra, estive em Brasília para dar a bênção a esse irmão, André Mariano”, afirmou.

E Minakawa concluiu com palavras diretas e carregadas de afeto: “Desejo a você sorte e luz. Competência você tem de sobra.”

Reconhecimento aos árbitros destaque do Estado

Como parte das inovações implementadas pela Comissão Estadual de Arbitragem, a Federação Paulista de Judô realizou, de forma inédita, a premiação dos árbitros destaque da temporada, reconhecendo o desempenho técnico, a dedicação e a atuação ao longo do calendário competitivo.

Foram eleitos como árbitros destaque do Estado de São Paulo em 2025:

  • Ângela Cerqueira de Sousa
  • Marinaldo Andrade de Sousa

A iniciativa reforça a política de valorização da arbitragem paulista e o reconhecimento público àqueles que se destacam pelo comprometimento, pela regularidade e pela excelência nas atuações.

Destaques das Delegacias Regionais 

Além dos destaques estaduais, cada uma das 16 Delegacias Regionais indicou um árbitro que se sobressaiu ao longo da temporada, evidenciando a capilaridade e a força da arbitragem paulista em todo o território do Estado.

Foram indicados como árbitros destaque das Delegacias Regionais:

  • Mariana Ayumi Nakamura Hayakawa (Nacional B) – 1ª Delegacia
  • Maurício Bruno Bento (FIJ C) – 2ª Delegacia
  • Peterson de Godoi Rego (Nacional B) – 3ª Delegacia
  • Rodrigo Luis Quinhoeiro (Aspirante FIJ) – 4ª Delegacia
  • Willian Seiji Inagaki Suda (Aspirante FIJ) – 5ª Delegacia
  • João Marques Pereira (Nacional C) – 6ª Delegacia
  • Erica de Almeida Senhoretti (Aspirante FIJ) – 7ª Delegacia
  • Marcelo Gustavo de Almeida (Nacional B) – 8ª Delegacia
  • Adriano de Almeida Cavalcanti (Nacional C) – 9ª Delegacia
  • Willian Rosa de Lima (Aspirante FIJ) – 10ª Delegacia
  • Felipe Rivas Radzic (Nacional C) – 11ª Delegacia
  • Janaina Silva Diniz (Aspirante FIJ) – 12ª Delegacia
  • Adriano Alves Coelho (Aspirante FIJ) – 13ª Delegacia
  • Daniel José da Silva (Nacional C) – 14ª Delegacia
  • Éder Felício dos Reis (Aspirante FIJ) – 15ª Delegacia
  • Lucila Carneiro Bernardes de Abreu Luz (Nacional A) – 16ª Delegacia

Comissão Estadual de Arbitragem da FPJudô

O Seminário Estadual de Arbitragem também evidenciou o trabalho coletivo da Comissão Estadual de Arbitragem da Federação Paulista de Judô, responsável pela coordenação, formação e desenvolvimento contínuo do quadro de árbitros do Estado.

A Comissão Estadual de Arbitragem da FPJudô é composta por:

  • Professora kodansha Marilaine Ferranti Antonialli (FIJ A) – Presidente
  • Kendi Yamamoto (FIJ A) – Vice-presidente
  • Takeshi Yokoti (FIJ A)
  • Edna Pioker de Lima (FIJ A)
  • Leonardo Augusto Pontes Arashiro (FIJ A)
  • João David de Andrade (FIJ B)
  • Wagner Tadashi Uchida (FIJ B)
  • Eduardo Kitadai (Suplente – FIJ B)
  • Éder Felício dos Reis (Aspirante FIJ) – Secretário

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