Guilherme Schimidt é bronze em Tbilisi e mantém a escrita: tem Brasil, tem judô e tem pódio

Guilherme Schimidt (-90kg) exibe a medalha de bronze conquistada em Tbilisi © Andrea Berti / CBJ

Peso médio da Sogipa venceu atleta do Uzbequistão neste domingo (22), conquistou sua primeira medalha de Grand Slam na nova categoria de peso e assegurou a única medalha do país na Geórgia.

Por Paulo Pinto / Global Sports
Curitiba, 22 de março de 2026

Disputado na Arena Olympic Sports Palace, em Tbilisi, na Geórgia, o Grand Slam reuniu 386 atletas de 51 países, representando quatro continentes, em mais uma etapa do World Tour da Federação Internacional de Judô (FIJ). Após dois dias sem presença brasileira nas disputas por medalha, o país voltou ao pódio neste domingo (22) com Guilherme Schimidt (-90kg), que conquistou o bronze e manteve a consistência da equipe nacional ao figurar entre os medalhistas em todas as etapas do circuito na temporada.

Representante da Sogipa, Schimidt construiu sua campanha com vitórias consistentes sobre atletas da Alemanha, República Tcheca e Uzbequistão, demonstrando solidez técnica e capacidade de adaptação ao longo das lutas. A conquista rende 350 pontos no ranking mundial e marca sua primeira medalha em Grand Slam na nova categoria de peso.

Atual 58º colocado no ranking dos pesos médios, o brasileiro iniciou sua trajetória diante do alemão Lasse Schriever, vencendo com um yuko seguido de estrangulamento que forçou a desistência do adversário. Nas oitavas de final, superou o tcheco David Klammert, 25º do mundo, sustentando a vantagem mínima até o fim do combate.

Guilherme Schimidt (-90kg) projeta o alemão Lasse Schriever em sua estreia no Grand Slam de Tbilisi © Gabriela Sabau / FIJ

Nas quartas de final, reencontrou o sérvio Nemanja Majdov, ex-campeão mundial e algoz recente no Grand Slam de Paris. Desta vez, a luta foi definida nas punições, com vitória do europeu por 3 a 2, resultado que levou Schimidt à repescagem.

Na sequência, o brasileiro reagiu com autoridade ao vencer o uzbeque Umar Bozorov, aplicando um wazari seguido de chave de braço. Na disputa pelo bronze, diante de Nurbek Murtozoev, também do Uzbequistão, Schimidt mostrou poder de decisão: após um início equilibrado, encontrou uma projeção nos segundos finais e, no solo, garantiu a imobilização até o ippon.

A medalha representa seu segundo pódio internacional em quatro competições desde o retorno às competições após cirurgia e consolida sua adaptação à nova categoria. Em 2025, foi bronze no Grand Prix de Guadalajara e, já em 2026, alcançou o quinto lugar no Grand Slam de Paris antes do resultado na Geórgia.

Guilherme Schimidt e o técnico Alexandre Dae Jin Lee entram no shiai-jô para a disputa da medalha de bronze no Grand Slam de Tbilisi © Gabriela Sabau / FIJ

No cenário nacional, defendendo a Sogipa, Schimidt chega credenciado como atual campeão das duas principais competições da classe sênior: o Campeonato Brasileiro e o CBI Troféu Brasil.

Com o resultado em Tbilisi, o Brasil encerra sua participação com uma medalha, tendo ainda como destaque o sétimo lugar de Shirlen Nascimento (-57kg). Michel Augusto (-60kg), Willian Lima (-66kg) e Daniel Cargnin (-73kg) foram eliminados em suas estreias.

BNDES também sobe ao pódio em Tbilisi

Após a conquista do bronze no Grand Slam de Tbilisi, resultado que marca sua afirmação na nova categoria e soma pontos importantes na corrida por uma vaga no Campeonato Mundial, o peso médio destacou a importância do resultado, o apoio recebido ao longo da trajetória e o papel das instituições no desenvolvimento do judô brasileiro.

“Queria agradecer a todos do Brasil pela torcida. Essa medalha de bronze aqui em Tbilisi representa pontos importantes no ranking internacional e faz parte do caminho em busca da classificação para o Campeonato Mundial. É sempre muito importante subir ao pódio em competições desse nível, ganhar confiança e seguir evoluindo dentro do circuito.

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Quero agradecer à CBJ e ao BNDES por todo o investimento nos atletas brasileiros, ao meu clube, a Sogipa, que me apoia diariamente, ao Exército Brasileiro, do qual faço parte, e também à minha mãe e à minha namorada pelo apoio de todos os dias. Essa medalha é nossa, Brasil!”

Onde tem Brasil, tem judô e tem pódio

Neste ano, aconteceram quatro competições no World Tour da FIJ: o Grand Slam de Paris, o Grand Slam de Tashkent, o Grand Prix da Áustria e o Grand Slam de Tbilisi. Nas quatro disputas, o Brasil marcou presença nos pódios.

Em Paris, Rafaela Silva (-63kg) foi campeã; no Uzbequistão, Jéssica Lima (-57kg) conquistou o bronze; na Alta Áustria, Rafaela Silva (-63kg) conquistou seu segundo ouro na temporada, Ronald Lima (-66kg) e Giovanna Santos (+78kg) foram vice-campeões, e Gabriela Conceição (-52kg), Daniel Cargnin (-73kg) e Giovani Ferreira (-100kg) foram medalhistas de bronze.

Pódio do peso médio masculino (-90kg): Luka Maisuradze (GEO) em primeiro, seguido por Nemanja Majdov (SRB), enquanto Luka Javakhishvili (GEO) e Guilherme Schimidt (BRA) completam o pódio com as medalhas de bronze © Kulumbegashvili Tamara / FIJ

Com o bronze de Guilherme Schimidt (-90kg) na Geórgia, o Brasil mantém a escrita de estar no pódio em todas as disputas do circuito mundial.

Segundo a gestão esportiva capitaneada por Marcelo Theotônio, diretor de Esporte da CBJ, o Circuito Mundial da FIJ entra em pausa e retorna apenas em maio, no Grand Slam de Dushanbe, no Tadjiquistão. Em abril, o calendário internacional será voltado exclusivamente aos campeonatos continentais, com o Campeonato Pan-Americano Sênior acontecendo entre os dias 18 e 20 de abril na América Central.

Para definir a delegação que representará o Brasil na disputa que acontece na cidade do Panamá, a Confederação Brasileira de Judô realizará uma Seletiva Nacional no dia 1º de abril, em São Paulo.

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