Harmonia institucional reposiciona o judô paulista no cenário nacional

Henrique Guimarães e Paulo Wanderley durante a Copa São Paulo, em cenário de convergência institucional © Global Sports

Relação entre FPJudô e CBJ supera histórico de tensões políticas e cria ambiente favorável ao desenvolvimento técnico e organizacional da modalidade.

Por Paulo Pinto / Global Sports
Curitiba, 2 de abril de 2026

Em meio a uma agenda recente marcada pela realização da Copa São Paulo de Judô e do Campeonato Brasileiro da Região V, o judô paulista passa por um momento de reorganização institucional que, na avaliação de agentes históricos da modalidade, representa uma inflexão relevante em relação às décadas anteriores.

A análise é do jornalista e publicitário José Antônio Jantália, ex-vice-presidente da Federação Paulista de Judô e atual mestre de cerimônias, que identifica no ambiente atual um fator determinante para a retomada do protagonismo de São Paulo no cenário nacional.

“Muito obrigado pela oportunidade de conversar com vocês e tornar pública essa importante análise desse bem-vindo momento do judô paulista e nacional”, afirmou, ao contextualizar sua leitura sobre o período.

José Jantália durante cerimônia, com trajetória marcada pela atuação histórica no judô paulista © Global Sports

Segundo Jantália, o ponto central dessa mudança está na qualidade da relação institucional entre a Federação Paulista de Judô e a Confederação Brasileira de Judô — um elemento que, historicamente, influenciou diretamente o desenvolvimento da modalidade no Estado.

“Um dos aspectos muito positivos que estamos vivendo neste momento é o excelente relacionamento da Federação Paulista de Judô com a sua entidade maior, que é a CBJ. Quando esse relacionamento não é legal, é péssimo para o judô do Estado, e a comunidade sente as consequências.”

“O cenário atual se diferencia justamente pela mudança de eixo: da disputa para a convergência.”

A observação não surge de forma abstrata. Jantália remete a um histórico prolongado de disputas políticas que, segundo ele, comprometeram o ambiente esportivo — ainda que evite personalizações ou juízos diretos.

“Já tivemos momentos nos quais o relacionamento não foi bom. Não vai nenhuma acusação a ninguém. Foram períodos marcados por disputas políticas e outros interesses. E o tempo mostrou que isso não levou a nada, a não ser prejuízos para o judô de São Paulo.”

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Na leitura do ex-dirigente da Federação, o cenário atual se diferencia justamente pela mudança de eixo: da disputa para a convergência. Nesse contexto, ele atribui à atual gestão da FPJudô uma condução alinhada a esse novo ambiente.

“O professor Henrique é um presidente focado no bem do judô de São Paulo. E o judô de São Paulo não tem interesse em disputas, em brigas ou em discussões. Isso já se mostrou ineficaz ao longo do tempo.”

A relação institucional com a CBJ, sob a presidência de Paulo Wanderley Teixeira, aparece como elemento complementar nesse processo, formando um alinhamento que, na prática, se reflete na dinâmica dos eventos e na confiança entre as entidades.

“Há um excelente relacionamento entre o Henrique e o presidente Paulo Wanderley. Existe um entrosamento construído ao longo do tempo, desde a atuação deles na seleção brasileira, e isso hoje se traduz em benefícios concretos para São Paulo.”

Esse ambiente foi perceptível, segundo Jantália, durante a realização da Copa São Paulo, quando a presença do presidente da CBJ evidenciou um nível de integração pouco comum em períodos anteriores.

“O presidente Paulo Wanderley se sentiu em casa. Circulou com liberdade, conversou e tirou fotos com todos, participou de forma espontânea e chegou a brincar com um jornalista durante a cerimônia de abertura. Em décadas de eventos, não havia presenciado esse nível de naturalidade.”

José Jantália ao lado de Henrique Guimarães durante agenda da modalidade © Global Sports

Mais do que um aspecto protocolar, a leitura sugere que o ambiente institucional impacta diretamente a base da modalidade. Para Jantália, os efeitos dessa mudança são percebidos por quem está no cotidiano do judô.

“Quando o clima não era bom, quem saía prejudicado eram professores, atletas e árbitros. Não por retaliação, mas porque o ambiente não favorecia. Hoje há uma troca positiva, e isso faz diferença.”

A realização do Campeonato Brasileiro da Região V em São Paulo, com organização atribuída à FPJudô e chancela da CBJ, é apontada como consequência direta desse novo momento.

“É um evento importante, realizado com extrema competência pela gestão de eventos paulista, fruto da confiança da Confederação. Isso não acontece por acaso. É reflexo de um relacionamento institucional sólido.”

Ao final, a avaliação converge para um ponto comum entre os diferentes atores da modalidade: a exaustão do modelo baseado em conflito e a consolidação de uma agenda orientada ao desenvolvimento.

“As pessoas não querem mais briga. Querem o crescimento do judô. E, neste momento, o que se percebe é justamente isso: um esforço conjunto para que o judô de São Paulo avance”, concluiu Jantália.

Ativo estratégico

Se há um aprendizado possível neste novo ciclo, ele está menos na celebração do presente e mais na compreensão do passado. O judô paulista começa a colher os efeitos de um ambiente institucional minimamente funcional após muitos anos em que disputas políticas comprometeram sua capacidade de articulação e desenvolvimento.

A estabilidade atual não deve ser romantizada, mas reconhecida como um ativo estratégico: quando há alinhamento entre federação e confederação, o sistema volta a operar com lógica, previsibilidade e eficiência. E, nesse cenário, o que antes era travado por ruído político passa a fluir em benefício direto de quem realmente sustenta a modalidade: atletas, técnicos, árbitros, clubes, secretarias municipais de esporte e os demais profissionais que compõem esse ecossistema.

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