Japão brilha nos tatamis e Marius Vizer amplia sua presença no Grand Slam de Tashkent

Bandeiras japonesas no pódio refletem a supremacia do Japão no Grand Slam de Tashkent © FIJ

Além da supremacia japonesa nos tatamis, a disputa evidenciou o crescente peso estratégico do Uzbequistão no judô internacional e a atuação cada vez mais presente do presidente da FIJ, na articulação global da modalidade.

Por Paulo Pinto / Global Sports
Curitiba, 6 de março de 2026

Entre os dias 27 de fevereiro e 1º de março, a capital do Uzbequistão sediou o Grand Slam de Tashkent OTP Group 2026, uma das etapas mais importantes do Word Tour da Federação Internacional de Judô (FIJ). A competição reuniu cerca de 370 atletas de 39 países, consolidando o evento como um dos principais encontros do circuito mundial da modalidade.

Nos tatamis, o Japão manteve sua tradicional supremacia, conquistando 14 medalhas — quatro ouros, três pratas e sete bronzes — e garantindo mais uma vez o título de campeão geral. Entre os campeões japoneses estiveram Hifumi Abe (-66kg), Fujishiro Kokoro (-52kg), Tanioka Narumi (-63kg) e Sone Akira (+78kg).

Ministro dos Esportes do Uzbequistão, Adkham Ikramov, recepciona o presidente da Federação Internacional de Judô, Marius Vizer, em Tashkent, evidenciando o apoio institucional do país ao desenvolvimento da modalidade © FIJ

Com sete medalhas, sendo quatro ouros, uma prata e dois bronzes, o Azerbaijão terminou na segunda colocação do quadro geral. Já os anfitriões do Uzbequistão conquistaram oito pódios — um ouro, três pratas e quatro bronzes — assegurando um honroso e comemorado terceiro lugar, para a alegria dos torcedores que lotaram a Humo Arena durante os três dias de disputa.

O Brasil encerrou sua participação na 16ª colocação, com a medalha de bronze conquistada pela judoca da Sogipa, Jéssica Lima (-57kg), além de três quintos lugares e um sétimo lugar.

Popularidade e apoio oficial

Nos últimos anos, o judô tornou-se rapidamente um dos esportes mais populares do Uzbequistão, um crescimento refletido tanto no tecido social do país quanto no apoio cada vez mais visível das autoridades governamentais. A modalidade passou a ocupar um espaço estratégico dentro da política esportiva nacional, sendo tratada não apenas como disciplina competitiva, mas também como instrumento de projeção internacional.

A cerimônia de abertura reuniu importantes autoridades esportivas, entre elas o ministro dos Esportes do Uzbequistão, Adkham Ikramov, e o presidente da Federação Internacional de Judô, Marius Vizer.

“Em nome do Ministério do Esporte, da comunidade esportiva e do Comitê Olímpico Nacional, dou-lhes as boas-vindas a Tashkent e ao Grand Slam de Judô”, declarou Ikramov. “É uma grande honra para nós sediar um dos eventos mais prestigiosos do calendário mundial da modalidade. Hoje, Tashkent tornou-se um verdadeiro centro do judô mundial.”

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Em seu pronunciamento, o ministro também enfatizou o potencial diplomático do judô. “O judô vai além do esporte. É uma força relevante na diplomacia esportiva, capaz de unir pessoas além de fronteiras, idiomas e diferenças. O judô cria um espaço baseado no respeito e na igualdade, onde representantes de todos os países competem sob as mesmas regras e princípios compartilhados de justiça”, afirmou.

Ikramov destacou ainda o papel do governo no fortalecimento da modalidade, agradecendo ao presidente Shavkat Mirziyoyev pelo apoio contínuo ao esporte. Segundo o ministro, o sistema de judô do país reúne atualmente mais de 30 mil atletas e cerca de mil treinadores em atividade.

Vizer reforça liderança da FIJ

Um dos aspectos que mais chamaram a atenção durante o evento foi a presença ativa do presidente da Federação Internacional de Judô, Marius Vizer, que protagonizou diversas agendas institucionais e públicas ao longo da competição — algo relativamente incomum em sua atuação habitual, marcada por discrição nos bastidores.

Durante sua passagem por Tashkent, Vizer visitou o Centro Olímpico do Uzbequistão, elogiando o investimento feito pelo país no desenvolvimento da modalidade.

“Posso afirmar com toda a sinceridade que este é um centro olímpico de nível internacional em termos de padrões, investimento, compromisso e apoio que oferece ao esporte uzbeque e ao judô mundial”, declarou o dirigente.

Vizer também destacou o rápido crescimento do judô no país e o compromisso das autoridades locais com o desenvolvimento da modalidade, ressaltando o potencial educativo do esporte e o legado que ele pode deixar para as futuras gerações.

“O investimento feito pelo Uzbequistão no judô é um exemplo de como o esporte pode se tornar uma poderosa ferramenta de desenvolvimento humano e projeção internacional. Quando governos acreditam no judô, os benefícios ultrapassam o tatami e alcançam toda a sociedade.”

Localizado na Ásia Central e com população estimada em cerca de 38 milhões de habitantes, o Uzbequistão vem consolidando sua posição como um dos polos emergentes do judô internacional, processo que conta com forte apoio institucional e crescente projeção dentro da comunidade global da modalidade.

Avanço estratégico do judô na Ásia Central

Mais do que uma etapa do circuito mundial, o Grand Slam de Tashkent consolidou-se como vitrine do avanço do judô na Ásia Central, região que vem ganhando protagonismo dentro da Federação Internacional de Judô. Com forte apoio estatal, investimentos em infraestrutura esportiva e crescente base de praticantes, países como o Uzbequistão ampliam sua relevância dentro do sistema internacional da modalidade.

Nesse cenário, a presença ativa de Marius Vizer em Tashkent reforça não apenas o prestígio do evento, mas também o movimento estratégico da FIJ de fortalecer novos centros de desenvolvimento do judô fora dos tradicionais eixos europeu e asiático oriental. O resultado é um mapa esportivo cada vez mais diversificado, no qual a Ásia Central passa a ocupar papel relevante na expansão global da modalidade.

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