Judô Veterano: pertencimento, cultura e potência global

Os veteranos também projetam o futuro do judô © Imagem ilustrativa criada por IA / Global Sports

Mais do que medalhas e rankings, o judô veteranos representa legado, vivência e conexão profunda com a essência do esporte. Ignorá-lo é um erro que transcende o tatami: é uma falha de visão estratégica e cultural.

Por Paulo Pinto / Global Sports
Curitiba, 2 de janeiro de 2026

Iniciamos a temporada 2026 reverenciando um tema que ainda provoca resistência em alguns círculos dos tatamis: o judô veteranos. Embora esse sentimento seja cada vez mais minoritário, ele ainda existe — e reflete uma visão limitada, ultrapassada e, acima de tudo, desconectada do cenário real da modalidade no Brasil e no mundo.

A maior importância do judô veteranos vai muito além da utopia esportiva ou do saudosismo competitivo. Está, sobretudo, na manutenção, no fomento e na expansão da cultura do judô enquanto prática socioeducativa, filosófica e esportiva.

Todas as grandes modalidades de combate do planeta já entenderam isso. E não por acaso: o segmento veteranos tem se consolidado como base importante para o crescimento técnico, institucional e até financeiro das entidades. Para além das lutas, é uma engrenagem importante da cadeia de valor do turismo esportivo, um dos segmentos mais promissores da indústria do turismo global.

Números que não se discutem

Criada há menos de duas décadas, a classe veteranos já é uma das mais disputadas do judô mundial. O Campeonato Mundial de Paris 2025 provou isso de forma irrefutável: 2.316 judocas de 64 países estiveram reunidos no Instituto Nacional de Judô (INJ), na França.

Diante de uma adesão tão expressiva, as comissões técnicas da Federação Internacional de Judô (FIJ) e da Federação Francesa de Judô (FFJDA) precisaram rever o formato da competição em tempo real — um sinal claro de que o judô veteranos não é mais um segmento marginal, e sim uma força consolidada dentro do sistema global da modalidade.

Brasil: referência também entre veteranos

Campeão geral em 2024, na edição disputada em Las Vegas (EUA), o Brasil manteve seu protagonismo em 2025. Em Paris, liderou o Mundial até o último dia, quando as disputas femininas, marcadas por superioridade numérica da seleção francesa (170 atletas contra 14 brasileiras), definiram a classificação final. Mesmo assim, o Brasil sagrou-se vice-campeão mundial — superado apenas pelo país anfitrião.

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É importante lembrar que as competições de veteranos são abertas, e permitem múltiplos representantes por país, na mesma categoria e peso. Ainda assim, o Brasil foi a melhor delegação estrangeira, reafirmando seu posto como potência incontestável da categoria.

Mais do que medalhas: memória, identidade e cultura

Reduzir o judô veteranos a pódios é cometer um erro grave. Estamos falando de homens e mulheres que, por iniciativa própria, atravessam oceanos, competem em países distantes, vestem com orgulho o judogi com a bandeira do Brasil — e retornam não apenas com medalhas, mas com histórias. Marcas de experiências únicas, que se transformam em narrativas vivas nos dojôs, nas rodas de conversa, com amigos, alunos e familiares.

Fomentar o judô veteranos é, antes de tudo, fomentar a cultura do judô. É manter vivo o espírito que une gerações. E é também entender que o esporte, em qualquer lugar do mundo, só alcança sua grandeza máxima quando se torna parte da cultura nacional.

Ignorar o judô veteranos não é apenas um erro técnico. É um equívoco histórico, estratégico e institucional, que compromete a própria longevidade e relevância da modalidade. Enfim, um erro de compreensão sobre o que realmente alicerça a cultura esportiva do judô.

Continuidade e inspiração

Judô veteranos é pertencimento, continuidade e inspiração. É a memória ativa de um esporte que se reinventa todos os dias, sem jamais perder sua essência. Em um mundo onde tudo muda rapidamente, manter viva a cultura do judô é um compromisso de todos. E os veteranos são, hoje, seus mais fiéis guardiões.

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