Novo ciclo olímpico redefine o ranking mundial e impõe nova lógica de poder no judô internacional

Michel Augusto se consolida como o único brasileiro na liderança atual, refletindo consistência, estratégia e protagonismo no novo ciclo olímpico © Gabriela Sabau / FIJ

Com a expiração de pontos, redução de resultados anteriores e valorização máxima da atividade recente, temporada 2026 reposiciona atletas, acelera disputas e transforma cada competição em peça-chave na corrida rumo a Los Angeles 2028.

Fonte Béla Müller / FIJ
Curitiba, 10 de abril de 2026

A temporada de 2026 teve início com ambição renovada em toda a comunidade global do judô. Os atletas já estão imersos na longa jornada rumo aos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, em um cenário competitivo que começa a se redesenhar desde os primeiros eventos do calendário internacional.

Tradicionalmente responsável por abrir a temporada de elite, o Grand Slam de Paris foi precedido por competições continentais em Casablanca e Sofia. Desde então, os primeiros resultados já começaram a impactar diretamente o ranking mundial da Federação Internacional de Judô (FIJ), estabelecendo tendências importantes para o novo ciclo.

Haruka Kaju (JPN) é a líder do ranking mundial nos -63kg © Emanuele Di Feliciantonio / FIJ

O ano carrega um peso particular. Além de marcar o início de um novo ciclo olímpico, traz uma mudança decisiva no sistema de pontuação. De acordo com o regulamento da FIJ, os pontos conquistados em 2024 começaram a expirar, enquanto os resultados de 2025 passaram a ser contabilizados com 50% do valor original. Essa recalibração comprimiu o ranking e ampliou significativamente a importância da atividade recente, especialmente a partir de 23 de março, logo após o Grand Slam de Tbilisi, na Geórgia.

Desde os primeiros eventos, os atletas foram obrigados a se adaptar rapidamente. O Grand Slam de Paris, seguido pelo Grand Slam de Tashkent, o Grand Prix da Alta Áustria e o Grand Slam de Tbilisi, já se mostraram determinantes para o estabelecimento das primeiras dinâmicas em todas as categorias.

Masculino

Na categoria até 60kg, o impacto das novas regras ficou evidente. Ayub Bliev (RUS) iniciou o ano na liderança, mas perdeu terreno rapidamente após a vitória de Balabay Aghayev (AZE) em Paris, resultado que lhe garantiu pontuação máxima em um momento de forte desvalorização dos resultados anteriores, levando-o à segunda posição. Ryuju Nagayama (JPN) somou pontos com um sétimo lugar, enquanto Taiki Nakamura (JPN) alcançou a quarta colocação após o bronze em Tbilisi. O brasileiro Augusto Michel manteve regularidade ao longo da temporada, incluindo um sétimo lugar em Tashkent, e assumiu pela primeira vez a liderança do ranking mundial. Em contrapartida, a ausência de Bliev nas competições provocou queda constante, levando-o à sexta posição — um reflexo claro de como a inatividade se tornou ainda mais penalizada.

Dota Arai (JPN) é o líder do ranking mundial nos -100kg © Gabriela Sabau / FIJ

Na categoria até 66kg, Takeshi Takeoka (JPN) começou o ano na liderança e reforçou sua posição com a vitória em Paris. No entanto, o cenário mudou rapidamente em Tashkent, onde Hifumi Abe (JPN) conquistou o ouro e saltou para a segunda posição, enquanto Nurali Emomali (TJK) garantiu o terceiro lugar. Com menor participação em eventos subsequentes, o ranking passou a ser influenciado tanto pela redução de pontos quanto pelos resultados pontuais.

Na divisão até 73kg, Joan-Benjamin Gaba (FRA) iniciou o ano no topo, mas a vitória de Makhmadbek Makhmadbekov (UAE) em Paris — valendo 1000 pontos — foi determinante para sua ascensão ao primeiro lugar do ranking mundial. Na sequência, as atuações de Tatsuki Ishihara (JPN), Daniel Cargnin (BRA) e Hidayat Heydarov (AZE) mantiveram a categoria em constante movimentação, evidenciando o peso dos resultados recentes no novo sistema.

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Na categoria até 81kg, a oscilação foi menor. Timur Arbuzov (RUS) permaneceu na liderança, enquanto a vitória de Yuhei Oino (JPN) em Paris e a prata de Zelim Tckaev (AZE) ajudaram a consolidar a hierarquia da divisão. Com menor número de competições, o ranking manteve relativa estabilidade, sendo impactado principalmente pela redução gradual dos pontos acumulados.

Na divisão até 90kg, Sanshiro Murao (JPN) iniciou como número um do mundo, mas a categoria rapidamente ganhou novas configurações. Goki Tajima (JPN) venceu em Paris, Lasha Bekauri (GEO) foi prata em Tashkent e Rafael Macedo (BRA) somou pontos importantes na Alta Áustria. Em Tbilisi, Luka Maisuradze (GEO) conquistou o ouro em casa, alterando significativamente a ordem do ranking. Murao segue na liderança, seguido por Tajima, Bekauri e Maisuradze, enquanto Macedo ocupa a sexta posição.

Dota Arai (JPN) é o líder do ranking mundial nos -100kg © Gabriela Sabau / FIJ

Na categoria até 100kg, Dota Arai (JPN) consolidou sua liderança com vitória dominante em Paris, somando 1000 pontos em momento estratégico. Anton Savytskiy (UKR) conquistou a prata e encurtou a distância, enquanto Zelym Kotsoiev (AZE) avançou ao segundo lugar após o bronze em Tashkent. No Grand Prix da Alta Áustria, Savytskiy voltou ao topo do pódio e reduziu ainda mais a diferença. A ausência de parte dos principais atletas em Tbilisi fez com que o ranking fosse definido pela combinação entre resultados iniciais e a redução progressiva dos pontos anteriores.

Entre os pesos pesados (+100kg), Inal Tasoev (RUS) iniciou o ano na liderança. Com menor volume de competições, Hyoga Ota (JPN) e Minjong Kim (KOR) somaram pontos em Paris, enquanto Guram Tushishvili (GEO) teve participação discreta na Alta Áustria. O ranking foi fortemente impactado pela expiração de pontos antigos, mantendo Tasoev na liderança, seguido por Kim, Rakhimov e Ota.

Feminino

No feminino, a dinâmica também foi intensa. Na categoria até 48kg, Abiba Abuzhakynova (KAZ) iniciou na liderança, mas perdeu posição após a vitória de Shirine Boukli (FRA) em Paris e, posteriormente, de Xinran Hui (CHN) em Tashkent, que assumiu o topo do ranking. Laura Martinez Abelenda (ESP) e Sabina Giliazova (RUS) também avançaram posições com resultados recentes.

Na divisão até 52kg, Distria Krasniqi (KOS) manteve a liderança com vitória em Paris, enquanto Ariane Toro Soler (ESP) e Mascha Ballhaus (GER) aparecem entre as principais colocadas. Com menor atividade, o ranking sofreu poucas alterações além da redução natural de pontos.

Anna Monta Olek (GER) é a líder do ranking mundial nos -78kg © Emanuele Di Feliciantonio / FIJ

Na categoria até 57kg, Eteri Liparteliani (GEO) começou na liderança, mas a disputa se intensificou com a vitória de Sarah Leonie Cysique (FRA) em Paris e o ouro de Timna Nelson Levy (ISR) em Tbilisi. Momo Tamaoki (JPN), mesmo com menor participação recente, assumiu a liderança em função da perda de pontos das concorrentes.

Na categoria até 63kg, uma das mais competitivas do circuito, Haruka Kaju (JPN) manteve a liderança após desempenho consistente. Joanne Van Lieshout (NED) aparece na segunda posição, enquanto Rafaela Silva (BRA) somou pontos importantes com vitória na Alta Áustria. Em Tbilisi, Kaju confirmou o bom momento ao conquistar o ouro.

Na divisão até 70kg, Szofi Ozbas (HUN) venceu em Paris e assumiu protagonismo, enquanto Aoife Coughlan (AUS) e Shiho Tanaka (JPN) também se destacaram. Apesar disso, Lara Cvjetko (CRO) permanece na liderança do ranking mundial.

Inal Tasoev (RUS) é o líder do ranking mundial nos +100kg © Tamara Kulumbegashvili / FIJ

Na categoria até 78kg, Patricia Sampaio (POR) iniciou o ano na ponta, mas a vitória de Alice Bellandi (ITA) e a consistência de Anna Monta Olek (GER) alteraram o cenário, com a alemã assumindo a liderança, seguida pela italiana e pela portuguesa.

Por fim, na categoria acima de +78kg, Hyeonji Lee (KOR) manteve a liderança, apesar da vitória de Romane Dicko (FRA) em Paris e do ouro de Raz Hershko (ISR) em Tbilisi, que impactaram diretamente a configuração do topo do ranking.

Hyeonji Lee (KOR) é a líder do ranking mundial nos +78kg © Gabriela Sabau / FIJ

Além dos desempenhos individuais, os primeiros meses de 2026 evidenciaram com clareza a dinâmica do sistema de ranking da FIJ. Os pontos são contabilizados integralmente por um ano, reduzidos à metade após doze meses e expirados após vinte e quatro meses. Com a exclusão dos resultados de 2024 e a redução dos pontos de 2025, o ranking passou a refletir de forma ainda mais precisa o desempenho recente dos atletas.

Japão dita o ritmo no topo do ranking mundial

Apenas nove países figuram entre os 14 líderes do ranking mundial, evidenciando a concentração de forças no cenário internacional. O Japão se destaca de forma dominante, com cinco judocas no topo de suas respectivas categorias: Takeshi Takeoka, Sanshiro Murao, Dota Arai, Momo Tamaoki e Haruka Kaju. Na sequência, a Rússia aparece com dois líderes, Timur Arbuzov e Inal Tasoev. Os demais países contam com um representante cada no topo do ranking: Brasil (Augusto Michel), Emirados Árabes Unidos (Makhmadbek Makhmadbekov), China (Xinran Hui), Kosovo (Distria Krasniqi), Croácia (Lara Cvjetko), Alemanha (Anna Monta Olek) e Coreia do Sul (Hyeonji Lee).

O cenário reforça a força histórica japonesa no judô mundial, ao mesmo tempo em que evidencia a diversidade geográfica e o equilíbrio competitivo que marcam o início do ciclo olímpico rumo a Los Angeles 2028. A corrida já começou — e seus primeiros capítulos estão sendo escritos nos tatamis.

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