07 de outubro de 2026
Com atuação nas cinco regiões, nesta temporada a CBJ realiza ou participa de 54 eventos, dos quais 21 são organizados pela entidade no Brasil © Imagem gerada por IA / Global Comunicação
Entre competições que realiza no país e aquelas das quais participa no exterior, a Confederação Brasileira de Judô (CBJ) tem 54 eventos em sua agenda nesta temporada. Coordenar esse calendário exige uma engenharia de planejamento, organização e logística que envolve equipes, equipamentos, deslocamentos e articulação com as federações para levar o judô às diferentes regiões brasileiras e assegurar a presença das seleções no circuito internacional.
No Brasil, o calendário de 2026 reúne sedes em 12 estados e no Distrito Federal, contemplando as cinco regiões do país, com competições já realizadas e outras previstas até dezembro. A distribuição traduz uma escolha de gestão: democratizar o acesso, alternar as responsabilidades de deslocamento e ampliar as oportunidades para atletas e professores de diferentes partes do território nacional.
A escolha das sedes interfere diretamente nas despesas e nas oportunidades de participação. Viagens longas pesam no orçamento das famílias, dos clubes e das federações. Para delegações acostumadas a percorrer grandes distâncias até o Sul e o Sudeste, receber uma competição representa a possibilidade de disputar um evento nacional mais perto de casa. O rodízio não elimina os custos, mas evita que o esforço de viajar recaia sempre sobre as mesmas regiões.
É nessa perspectiva de isonomia que o presidente da CBJ, Paulo Wanderley Teixeira, situa a distribuição do calendário. A responsabilidade de uma confederação nacional, em sua avaliação, inclui criar oportunidades para que diferentes estados recebam as competições e participem do desenvolvimento da modalidade.
“A distância de ida é a mesma distância de volta. Então, assim como eles vêm para cá, no Sudeste, nada mais justo também que paulistas, cariocas, mineiros e capixabas viajem para competir em outros estados. Mas essa é uma política da CBJ, desde sempre foi assim. Pelo menos na minha administração, eu sempre procurei expandir o judô para todas as regiões do país. Não existe região preferida ou melhor. Nós temos que democratizar o acesso aos eventos nacionais e gerar oportunidades para todos.”
Transformar essa orientação em competição exige mais do que definir uma cidade no calendário. A sede precisa de áreas de combate, equipamentos eletrônicos, organização local e suporte técnico. O trabalho conjunto da CBJ com as federações permite levar essa estrutura a diferentes regiões e ampliar a capacidade dos anfitriões para realizar seus próprios eventos.
“Todas essas federações que estão realizando o evento estão recebendo equipamentos novos: quatro áreas de tatame e o equipamento eletrônico necessário para tocar uma competição. Eles nivelam por cima a tecnologia e a parte material de competição. O material recebido é o material com que se fazem eventos nacionais e internacionais, se for o caso”, explica Paulo Wanderley.

Carismático e comprometido, Paulo Wanderley participou ativamente da busca por soluções para os desafios do Brasileiro Sub-13, competição da categoria de entrada do judô nacional © CBJ
A circulação do calendário também aproxima os atletas locais de outras escolas do judô brasileiro e cria oportunidades de apresentar a modalidade ao público. Para o presidente, a presença nacional precisa produzir esse movimento de intercâmbio e divulgação nas regiões que recebem as competições.
“O legado imaterial é a divulgação da modalidade dentro daquela região e a oportunidade de os atletas daquela região participarem de um grande evento e conhecerem os atletas. Sem sombra de dúvida, é fomentar a cultura do judô e a divulgação da modalidade”, afirma.
A realização do Campeonato Brasileiro Sub-13 em Macapá o mês de agosto, colocou essa política à prova. Para receber delegações de todo o país, a Federação Amapaense de Judô (FAJ) precisou renovar equipamentos, organizar o acolhimento e trabalhar com a equipe da CBJ. Ao mesmo tempo, os visitantes conheceram o percurso que os judocas amapaenses fazem repetidamente para participar das competições nacionais.
“Foi uma honra o Amapá ter sido escolhido como sede dessa competição. Agradecemos ao presidente Paulo Wanderley pela confiança e por ter acreditado no Amapá, um estado geograficamente distante dos outros centros. Quando as pessoas vêm para cá, sentem a dificuldade que temos todos os anos. Várias vezes por ano saímos daqui com a nossa delegação para ir a outros estados”, afirma Killmer Facuri Cardoso, presidente da FAJ.
A dimensão do campeonato exigiu mobilização dentro e fora do ginásio. Segundo Cardoso, foram mais de 480 atletas e aproximadamente 800 visitantes ligados ao evento, com delegações que chegaram a reunir 60 a 80 pessoas. A organização disponibilizou transporte inclusive para equipes hospedadas em hotéis não credenciados, procurando atender às necessidades de quem havia atravessado o país.
“Nos esforçamos ao máximo para recebê-los da melhor forma possível. Disponibilizamos ônibus para hotéis que nem estavam credenciados, procurando oferecer algo a mais. Meu diretor técnico, Adriano Lins, que é ex-presidente da federação, foi fundamental nos trâmites e no relacionamento com o Brasil inteiro.”
A realização do campeonato também passou pela estrutura disponível para receber os atletas: os materiais usados pela FAJ já não estavam em condições de uso. Nesse contexto, a cooperação entre federação e confederação ganhou uma dimensão concreta, que Cardoso destacou ao reconhecer a contribuição de quem esteve ao lado da organização.
“Sem a CBJ, sem a ajuda da CBJ, não poderíamos ter feito essa competição. A confederação nos deu quatro áreas de tatame e conseguimos fazer uma competição de alto nível. Agradecemos ao presidente Paulo Wanderley por ter vindo e estado conosco. Ele chegou na sexta-feira e foi embora no domingo, ficou do começo ao fim da competição, dando todo o apoio necessário e toda a tranquilidade para que pudéssemos realizá-la.”
“Tivemos alguns percalços, muitos problemas no meio do caminho, e o presidente esteve sempre conosco, dando uma palavra de apoio. A equipe da CBJ foi incrível. Seu apoio foi fundamental, o tempo todo passando confiança e tranquilidade para nós”, acrescenta.

Kilmer Facuri Cardoso, presidente da Federação Amapaense de Judô, destacou o apoio da CBJ na superação dos desafios para realizar uma competição de alto nível © CBJ
A articulação também envolveu apoio local, com participação do vereador Bruno Igreja por meio de emenda que contribuiu para os compromissos da organização. No encontro com as delegações, Cardoso fez questão de agradecer aos presidentes de federações que acompanharam a competição: Henrique Guimarães, de São Paulo; Salvatore Puonzo Neto, da Bahia; Amaurílio Marques Gomes, do Ceará; Josmar Amaral Gonçalves, de Goiás; Hebert Fonseca Maia, do Rio Grande do Norte; e Celso Galdino de Araújo, do Tocantins.
A grande concentração de visitantes movimentou hotéis e restaurantes e abriu espaço para o judô na cobertura jornalística. Para a federação anfitriã, receber o campeonato permitiu colocar a modalidade em evidência e mostrar à comunidade local a dimensão de uma competição brasileira.
“O evento movimentou muito a cidade, a economia, hotéis e restaurantes. O judô teve uma visibilidade gigantesca na televisão, nos jornais e nas outras mídias. Foi realmente muito importante ter trazido esse evento a Macapá. Durante aqueles três dias, o Amapá foi a capital brasileira do judô.”
Em Cuiabá, a realização do CBI Troféu Brasil BNDES de Judô Sênior, em junho, mostrou outro efeito da distribuição das sedes: a preparação para receber o circuito nacional amplia as condições de trabalho da federação durante o restante da temporada. Para Fernando Moimaz, presidente da Federação Matogrossense de Judô (FMTJ), o rodízio permite que esse benefício alcance diferentes comunidades esportivas.
“É muito importante realizar grandes eventos da CBJ em Mato Grosso, em Cuiabá, como em qualquer outro estado do Brasil, porque esses eventos deixam um legado. Ficam os tatames, os equipamentos eletrônicos e toda uma série de materiais que podemos utilizar para realizar nossos eventos e também eventos nacionais.”
Antes do Troféu Brasil, a FMTJ recebeu, pelo Programa de Apoio às Federações (PAF), quatro áreas oficiais completas, quatro sistemas de vídeo-retardo e equipamentos eletrônicos, incluindo computadores e monitores. A estrutura utilizada no Ginásio Poliesportivo Professor Aecim Tocantins permaneceu no estado e passou a atender também às etapas do Circuito Mato-Grossense de Judô. O investimento na sede, portanto, continuou em utilização depois da partida das delegações.

Fernando Moimaz, presidente da Federação Matogrossense de Judô, destacou o legado de equipamentos e a maior visibilidade do judô no estado com a realização do Troféu Brasil em Cuiabá © Imagem gerada por IA / Global Comunicação
A presença da competição também mobilizou a imprensa e ampliou a exposição do trabalho desenvolvido no estado. Moimaz associa esse alcance à decisão de fazer o calendário circular, permitindo que diferentes regiões tenham a oportunidade de receber atletas e clubes de todo o Brasil.
“No fim de semana em que o Troféu Brasil foi realizado, a notícia esportiva que corria em Mato Grosso era o judô. Estivemos nas principais redes de televisão, nos canais esportivos, nos sites e nos blogs. Todas as mídias esportivas deram espaço para o judô. Esse rodízio é muito importante, e a CBJ faz isso com extrema sensibilidade, o que agradecemos bastante.”
“Este ano vamos poder terminar a temporada com equipamento novo. O legado físico, esportivo, midiático e cultural de sediar um evento desse é gigantesco”, afirma o presidente da FMTJ.
As experiências de Macapá e Cuiabá mostram o trabalho que acompanha a distribuição das competições: preparar as sedes, apoiar os anfitriões e criar condições para receber as delegações.
Dentro de uma agenda anual com 54 eventos, essa articulação dá sentido à abrangência nacional da CBJ. Ao distribuir as competições pelas cinco regiões, a entidade compartilha oportunidades e responsabilidades, fortalece a capacidade de organização das federações e amplia a participação de atletas e professores no desenvolvimento do judô brasileiro.
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