Presença de Leonardo Lara na Copa São Paulo projeta aproximação entre potências e reforça o eixo técnico do judô brasileiro

Professor kodansha shichi-dan (7º dan) Leonardo Lara, presidente da Federação de Judô do Estado do Rio de Janeiro © Global Sports

Dirigente fluminense valoriza organização do evento paulista, destaca o papel do intercâmbio competitivo e aponta caminhos para integração entre federações.

Por Paulo Pinto / Global Sports
Curitiba, 22 de março de 2026

Durante a 17ª edição da Copa São Paulo de Judô, a presença do professor kodansha shichi-dan (7º dan) Leonardo Lara, presidente da Federação de Judô do Estado do Rio de Janeiro (FEJERJ), representou um movimento significativo no cenário nacional da modalidade. Mais do que uma visita institucional, o gesto evidencia uma aproximação estratégica entre dois dos principais polos do judô brasileiro.

Paulo Wanderley Teixeira ao lado dos presidentes Herbert Maia (RN), Henrique Guimarães (SP), Celso Galdino (TO) e Leonardo Lara (RJ), reunindo lideranças do judô nacional © Global Sports

Professor de Educação Física formado pela Universidade Gama Filho, com pós-graduação em Ciência do Treinamento Desportivo, membro da Academia Brasileira de Treinadores do Comitê Olímpico do Brasil (COB) e à frente da federação fluminense desde abril de 2025, Lara atua diretamente na condução das diretrizes técnicas e estratégicas da entidade. Sua presença em São Paulo, pela primeira vez como presidente da FEJERJ, foi marcada por reconhecimento, análise e projeção de caminhos para o desenvolvimento da modalidade.

“Como presidente da federação, é a primeira vez que venho à Copa São Paulo, e a minha satisfação é muito grande por ver, a cada edição, o crescimento no número de atletas e a evolução em aspectos como a organização e a segurança”, afirmou.

Paulo Wanderley Teixeira, Leonardo Lara, Henrique Guimarães e Herbert Maia ao lado de Patricio Bogarín, presidente da Federação Paraguaia de Judô © Global Sports

Para o dirigente, o evento paulista já ultrapassou a condição de competição de calendário e se consolidou como referência técnica no país. “A Copa São Paulo é, sem dúvida alguma, uma importante referência técnica do judô brasileiro. São Paulo tem uma raiz histórica muito forte dentro do judô nacional, e para nós é sempre importante estar aqui, lembrando disso e resgatando os valores da modalidade.”

Lara também fez questão de destacar o trabalho conduzido pela atual gestão da Federação Paulista de Judô. “Parabéns ao presidente Henrique Guimarães e a toda a equipe da FPJudô pela qualidade e pelo nível de organização atingido nesta edição da Copa.”

Intercâmbio como eixo de desenvolvimento

Ao analisar o impacto de eventos como a Copa São Paulo no cenário nacional, o dirigente fluminense destacou um ponto central para o fortalecimento da base: o volume competitivo e a possibilidade de múltiplos combates.

“Eventos como a Copa Rio, Copa São Paulo, Copa Paraná, Copa Minas, Copa Bahia e o Meeting Interestadual são fundamentais para o desenvolvimento da base. Ontem eu estava conversando com o Carlos Honorato e com o presidente Henrique Guimarães justamente sobre isso. Em competições tradicionais, como o Campeonato Brasileiro, levamos um ou dois atletas por categoria de peso. Em eventos como este, temos a oportunidade de colocar vários atletas para enfrentar adversários de alto nível de todo o país. Isso gera um intercâmbio técnico muito grande.”

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Segundo Lara, esse ambiente é determinante para a formação das novas gerações. “O atleta compete, aprende, se ajusta e volta a competir. Esse processo é essencial para a evolução técnica. Quando pensamos no fomento da base, é isso que fortalece o judô.”

Copa Rio e o fomento ao cenário nacional

Pioneiro na criação de eventos com essa proposta, o estado do Rio de Janeiro busca ampliar ainda mais sua presença no calendário nacional. A Copa Rio, criada como referência nesse modelo competitivo ainda nos anos 1990, segue como uma das prioridades da gestão.

“Nós esperamos que a Copa Rio continue crescendo e se desenvolvendo a cada ano, elevando não apenas o número de atletas, mas também o nível técnico da competição. Vim a São Paulo, inclusive, para convidar pessoalmente as agremiações paulistas a participarem.”

Autoridades acompanham a execução do Hino Nacional durante a cerimônia de abertura da Copa São Paulo 2026 © Global Sports

Lara afirmou que a próxima edição já tem data definida e ambição internacional. “A Copa Rio Internacional de Judô será realizada entre os dias 10 e 12 de outubro. No ano passado, tivemos a presença de cinco países, e neste ano vamos ampliar os convites. Ontem mesmo já estive com Patricio Bogarín, presidente da Federação Paraguaia de Judô, aqui no Ginásio do Ibirapuera, que confirmou interesse em participar.”

A edição de 2026 será realizada na Arena Carioca 1, no Parque Olímpico da Barra da Tijuca, palco dos Jogos Olímpicos Rio 2016, um dos espaços mais emblemáticos do esporte nacional. A escolha do local agrega não apenas estrutura e capacidade organizacional, mas também um componente simbólico relevante, ao inserir a competição em um ambiente carregado de memória olímpica, excelência esportiva e representatividade internacional. Para atletas, técnicos e dirigentes, competir em um palco olímpico amplia a experiência competitiva, reforça o vínculo com o alto rendimento e projeta a Copa Rio a um patamar ainda mais elevado dentro do cenário nacional e continental.

Leonardo Lara ao lado do professor Cleber do Carmo, delegado da 12ª DR Mogiana e gestor de inúmeros projetos sociais no estado do Rio de Janeiro © Global Sports

Para Lara, o caminho é claro: ampliar o intercâmbio e fortalecer o judô em escala continental. “A Copa Rio é, para nós, um evento de fomento continental. E esperamos que ela possa exercer, dentro do cenário nacional, um papel semelhante ao que a Copa São Paulo desempenha hoje.”

Recentemente tivemos uma conversa com os presidentes Henrique Guimarães e Luiz Augusto de Minas Gerais, exatamente para que as nossas Copas não fossem conflitantes, porque nós temos interesse nessa relação institucional, mas acima de tudo nesse intercâmbio técnico, né? Então o Rio de Janeiro, por exemplo, mandou 105 atletas, se eu não me engano, para esta edição da Copa São Paulo. Então, nosso objetivo é esse, ampliar esse entendimento com todas federações que promovem copas para crescermos todos juntos. Quanto maior for o intercâmbio interno, mais preparados estaremos para enfrentarmos os asiáticos e os europeus.

Integração como expressão do jita-kyoei

“Recentemente tivemos uma conversa com os presidentes Henrique Guimarães e Luiz Augusto, de Minas Gerais, justamente para que as nossas Copas não fossem conflitantes. Existe um interesse claro nessa relação institucional, mas, acima de tudo, no fortalecimento do intercâmbio técnico. O Rio de Janeiro, por exemplo, enviou 105 atletas para esta edição da Copa São Paulo. Nosso objetivo é ampliar esse entendimento com todas as federações que promovem competições desse porte, para que possamos crescer juntos. Quanto maior for o intercâmbio interno, mais preparados estaremos para enfrentar os asiáticos e os europeus”, disse o dirigente fluminense.

Leonardo Lara ao lado de seu conterrâneo Raul Senra Bisneto, vice-presidente da Federação Paulista de Judô e delegado da 4ª DR Alta Paulista © Global Sports

Em um ambiente historicamente marcado por rivalidades esportivas, a presença de lideranças de diferentes estados em um mesmo espaço competitivo ganha novo significado. Para o dirigente fluminense, a aproximação entre federações é um passo necessário para o fortalecimento do judô brasileiro.

“Quando federações fortes se aproximam, quem ganha é o judô. Precisamos de mais integração, mais intercâmbios técnicos, troca de experiências e mais oportunidades para nossos atletas”, concluiu o professor Leonardo Lara.

A presença de Leonardo Lara na Copa São Paulo, nesse contexto, vai além da observação técnica. Representa um sinal claro de que, acima das disputas regionais, há um entendimento crescente de que o desenvolvimento da modalidade passa, inevitavelmente, pela cooperação entre suas principais forças, resgatando um dos mais expressivos princípios do judô: o jita-kyoei, que prega a amizade e a prosperidade mútua.

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