Sérgio Honda, a experiência de vencer e o compromisso de formar

Sérgio Honda dedica a experiência dos tatamis ao compromisso de formar novas gerações de judocas © Judô Honda

Tricampeão mundial veterano, professor dedica mais de duas décadas à formação de judocas em Indaiatuba e vê seu trabalho ganhar expressão em uma nova geração de competidores.

Por Paulo Pinto / Global Sports
Curitiba, 17 de outubro de 2026

Sérgio Honda conhece o caminho até o lugar mais alto de um pódio mundial. Percorreu esse trajeto três vezes como atleta veterano, em uma carreira que reúne onze participações em Mundiais entre 2007 e 2017. Em Indaiatuba, no interior paulista, essa experiência acompanha uma dedicação que se estende por mais de duas décadas: ensinar judô e formar praticantes no dojô que leva seu nome.

Lídia Sayuri Tsuji Palma representará o Brasil no Campeonato Pan-Americano Sub-13, nos dias 28 e 29 de novembro, em Cancún, no México © Judô Honda

Fundador do Judô Honda Indaiatuba, o professor trabalha com crianças a partir dos quatro anos e acompanha judocas de diferentes idades e graduações. A dimensão desse trabalho aparece tanto na iniciação quanto na preparação de competidores. Em 2026, ganhou uma expressão particular com o ouro de Lídia Sayuri Tsuji Palma no Campeonato Brasileiro Sub-13 e com a estreia de Honda como técnico oficial da seleção paulista na competição.

Sérgio Honda exibe as três medalhas de ouro conquistadas em Mundiais de Veteranos © Judô Honda

É dessa combinação entre trajetória esportiva e atuação cotidiana como professor que parte Dojôs Formadores, nova série da Revista Budô dedicada aos espaços e aos profissionais que sustentam a formação do judô brasileiro. Honda inaugura a seção com uma história construída entre sua própria carreira competitiva e o desenvolvimento de seus alunos.

Uma trajetória internacional a serviço do ensino

As onze participações em Mundiais pela seleção brasileira levaram Honda a diferentes cenários competitivos. Os ouros vieram em São Paulo, em 2007; Miami, em 2012; e Amsterdam, em 2015. Em 2019, acrescentou uma conquista sul-americana ao currículo.

No dojô, essa trajetória se encontra com uma responsabilidade de outra natureza: acompanhar a aprendizagem de quem ainda está começando. O Judô Honda mantém suas atividades na Rua Alagoas, no bairro Cidade Nova II, e recebe desde crianças em seu primeiro contato com a modalidade até praticantes envolvidos em competições.

Professor Sérgio Honda com os alunos Lídia Sayuri Tsuji Palma, Lucas Miranda Tsuji, Miguel Marciani Salerno, Davi Von Ah de Camargo e Clara da Costa © Judô Honda

Segundo a apresentação institucional da academia, Honda está presente em todas as aulas. Essa continuidade ajuda a dimensionar o vínculo entre o professor e o trabalho desenvolvido ao longo dos anos. É também o ponto que ele destaca ao comentar os resultados recentes de seus alunos.

“O trabalho de uma academia de judô se mede em décadas, não em temporadas. O que a gente colheu em Macapá é fruto de anos de tatame, presença consistente e formação técnica sem atalho”, afirma Honda, em declaração divulgada pela academia.

http://www.shihan.com.br

Da formação no bairro ao ouro brasileiro

O Campeonato Brasileiro Sub-13, realizado em 1º e 2 de agosto, no Instituto Federal do Amapá, em Macapá, reuniu diferentes dimensões da atuação do professor. Além de acompanhar alunos formados em seu dojô, Honda integrou a comissão técnica paulista ao lado de Alex Russo e Suellen Chibana.

À frente do Judô Honda há mais de duas décadas, Sérgio Honda ensina e acompanha a formação de judocas em Indaiatuba © Judô Honda

Na competição, dirigiu Lídia Sayuri Tsuji Palma, ouro no meio-médio (-48kg), Mariana Allende, ouro no meio-pesado (-63kg), e Davi Von Ah Camargo, sétimo colocado no meio-pesado (-66kg). Lídia e Davi, ambos com 11 anos, são alunos do Judô Honda e disputaram a classe sub-13. A participação marcou a primeira atuação oficial do professor como técnico da seleção paulista em um Campeonato Brasileiro.

São Paulo encerrou o evento na liderança das classificações por delegações masculina e feminina. Para Honda, a convocação também ampliou o alcance de sua atuação: o trabalho desenvolvido em Indaiatuba passou a integrar a responsabilidade coletiva de representar o estado em uma competição nacional.

Sérgio Honda com Lídia Sayuri, campeã brasileira sub-13 formada em seu dojô e integrante da equipe que representará o Brasil no Pan-Americano © Judô Honda

Lídia e os novos caminhos da formação

Entre os alunos do professor, Lídia vive uma temporada de resultados expressivos. Antes do ouro brasileiro, venceu o Campeonato Paulista e a Copa São Paulo na classe sub-13. As três conquistas aproximam o trabalho cotidiano do dojô de um novo horizonte competitivo.

De acordo com a academia, Lídia é a primeira judoca nascida em Indaiatuba e formada integralmente na cidade a conquistar o ouro em um Campeonato Brasileiro. Agora, integra a equipe brasileira que disputará o Campeonato Pan-Americano Sub-13, na categoria meio-médio (-48kg), levando à competição continental a formação recebida no dojô de Sérgio Honda.

No judogi dos Mundiais, sensei Honda leva o nome do dojô e de Indaiatuba © Judô Honda

Ao lado dela, Davi terminou o Brasileiro entre os sete melhores do meio-pesado (-66kg). São percursos ainda no início, que exigem continuidade, acompanhamento e tempo para amadurecer, justamente os elementos que o professor ressalta ao falar sobre o trabalho de uma academia.

A história de Honda segue, assim, em duas frentes que se encontram dentro do dojô. As medalhas registram o que construiu como competidor. As novas gerações permitem acompanhar o que continua construindo como professor, na cidade em que mantém seu trabalho há mais de vinte anos.

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