28 de novembro de 2025
Glenn Micallef, comissário Europeu para o Desporto © Dursun Aydemir / Anadolu via Getty Images
A Federação Internacional de Judô (FIJ) anunciou nesta quinta-feira que os atletas russos poderão voltar a competir com bandeira, hino e representação nacional plena. A decisão, tomada enquanto a guerra na Ucrânia segue sem perspectiva de cessar-fogo, provocou reação imediata do Comissário Europeu para o Esporte, Glenn Micallef, que classificou a medida como “lamentável e profundamente preocupante”.
Segundo Micallef, ao restituir a simbologia nacional russa em competições oficiais, a FIJ “normaliza ações de Estados envolvidos em agressão” e contribui para uma tendência “ampla e alarmante” de flexibilização das sanções esportivas impostas desde a invasão russa, em fevereiro de 2022. O comissário afirmou ainda que condena a decisão “veementemente”.
A federação, por sua vez, justificou a medida ao afirmar que, após permitir recentemente o retorno integral dos atletas bielorrussos, considera “apropriado” restaurar também a representação russa. Em comunicado, a FIJ declarou que o esporte deve permanecer “neutro, independente e livre de interferência política”, ressaltando que o judô é uma modalidade fundada nos valores da paz, união e amizade — princípios que, segundo a entidade, não podem ser submetidos a agendas geopolíticas.
O pronunciamento ocorre no mesmo momento em que algumas lideranças do esporte internacional sinalizam a necessidade de normalizar gradualmente as relações com atletas russos, amplamente excluídos de eventos globais desde o início da guerra. Durante um encontro em Bruxelas na semana passada, a presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Kirsty Coventry, afirmou que “o esporte deve seguir sendo um farol de esperança”, defendendo que atletas elegíveis possam competir “sem discriminação ou interferência política”.
O judô — historicamente associado ao presidente russo Vladimir Putin, que ostenta alta graduação na modalidade — volta a ocupar o centro de um debate global sobre ética, neutralidade e segurança esportiva. Para diversos governos ocidentais, a readmissão plena dos atletas russos envia um sinal político extremamente perigoso em meio a um cenário ainda marcado por ataques, mortes e profunda instabilidade internacional.
Apesar das críticas, a FIJ mantém sua argumentação: “Historicamente, a Rússia tem sido uma nação líder no judô mundial, e seu retorno completo enriquece o nível técnico das competições, preservando os princípios de justiça, inclusão e respeito.”
A entidade confirmou que os atletas russos retornarão oficialmente ao circuito internacional no Grand Slam de Abu Dhabi 2025, que começou hoje e segue até domingo, onde voltarão a competir sob a bandeira da Federação Russa.
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