Inclusão em ação: Jogos Nacionais de Verão das Olimpíadas Especiais movimentam Zug, na Suíça

Atletas e árbitros realizam o rei inicial, saudação que simboliza respeito, disciplina e os valores fundamentais do judô © FIJ

Por meio de sua Comissão de Inclusão, criada em 2025, a Federação Internacional de Judô amplia o alcance do judô adaptado e reforça o compromisso da modalidade com atletas com deficiência intelectual, visual e auditiva em todo o mundo.

Por Nicolas Messner / FIJ
Curitiba, 4 de junho de 2026

Entre os dias 28 e 31 de maio, a cidade de Zug, na Suíça, recebeu os Jogos Nacionais de Verão das Olimpíadas Especiais, reunindo aproximadamente 2 mil atletas de todo o país, além de delegações internacionais convidadas. Entre as 16 modalidades presentes no programa dos Jogos, o judô voltou a demonstrar sua extraordinária capacidade de promover inclusão, autoconfiança e desenvolvimento humano.

O evento também evidenciou o crescente compromisso da Federação Internacional de Judô (FIJ) com o judô adaptado, por meio da recém-criada Comissão de Inclusão da entidade. Instituída em 2025, a comissão é responsável por coordenar e apoiar todas as vertentes do judô adaptado, incluindo programas voltados a atletas com deficiência intelectual, visual e auditiva. Sua missão reflete uma convicção simples e poderosa: o judô pertence a todos.

Equipes celebram a conquista de medalhas durante a cerimônia de premiação dos Jogos Nacionais de Verão das Olimpíadas Especiais realizados em Zug © FIJ

O movimento das Olimpíadas Especiais foi fundado em 1968 por Eunice Kennedy Shriver, que acreditava que pessoas com deficiência intelectual deveriam ter acesso ao esporte e a todas as oportunidades de crescimento, amizade e autoconfiança proporcionadas pela prática esportiva. Quase seis décadas depois, o movimento está presente em cerca de 200 países e continua transformando vidas diariamente.

O judô ocupa um lugar especial dentro do movimento das Olimpíadas Especiais. Além da competição, a modalidade ensina valores como respeito, disciplina, autocontrole e apoio mútuo. Embora fundamentado nos princípios estabelecidos por Jigoro Kano shihan, o judô das Olimpíadas Especiais coloca especial ênfase na segurança, no desenvolvimento das capacidades individuais e na evolução pessoal. O objetivo não é apenas formar campeões, mas contribuir para o desenvolvimento físico, mental e social de cada praticante.

Cerimônia de abertura dos Jogos Nacionais de Verão das Olimpíadas Especiais reuniu atletas, dirigentes e voluntários em Zug © FIJ

Cinquenta judocas de três países participaram da competição em Zug, contando com o apoio de 13 oficiais técnicos internacionais, além de uma experiente equipe composta por organizadores, árbitros e voluntários. Ao longo dos quatro dias de evento, os atletas disputaram competições por equipes, provas de shiai e apresentações de kata.

Reviva as competições de kata: Tatami 1Tatami 2

O primeiro dia foi marcado pelo torneio de equipes mistas, uma das características mais emblemáticas do judô das Olimpíadas Especiais. As equipes foram cuidadosamente formadas por especialistas técnicos, levando em consideração critérios como habilidade, experiência, idade, peso, gênero e graduação. O resultado foi uma competição construída em torno da inclusão e do equilíbrio competitivo, em vez da divisão tradicional por categorias.

O segundo dia foi dedicado ao processo de divisão em grupos, um elemento fundamental das Olimpíadas Especiais que assegura que os atletas enfrentem adversários com níveis de habilidade semelhantes. Por meio de exercícios, jogos e atividades específicas de judô, os oficiais avaliaram aspectos como movimentação, reflexos e compreensão técnica antes de definir grupos de competição equilibrados.

https://www.instagram.com/kimonosakurarp/

A disputa ganhou intensidade no terceiro dia com a realização do torneio de shiai. Ao todo, foram formadas 14 divisões, com a realização de 72 combates em sistema de todos contra todos, garantindo a cada atleta múltiplas oportunidades de competir, aprender e desfrutar da experiência esportiva.

O último dia foi reservado ao kata. Quatorze atletas apresentaram técnicas em pé adaptadas aos seus respectivos níveis de habilidade, demonstrando precisão, confiança e compreensão técnica desenvolvidas ao longo de inúmeras horas de dedicação e treinamento.

Árbitros que atuaram nos Jogos Nacionais de Verão das Olimpíadas Especiais contribuíram para o sucesso da competição e para a promoção dos valores do judô inclusivo © FIJ

Talvez a conquista mais significativa dos Jogos não tenha sido medida pelo número de medalhas distribuídas. Durante os quatro dias de evento, os atletas treinaram e competiram duas vezes ao dia, encontrando inúmeras oportunidades para aprender, participar e alcançar o sucesso. Cada judoca entrou no tatami consciente de que seu esforço, coragem e determinação tinham valor.

Os Jogos Nacionais de Verão das Olimpíadas Especiais demonstraram, mais uma vez, que o judô é muito mais do que um esporte. Trata-se de uma poderosa ferramenta de inclusão, dignidade e crescimento pessoal. Em Zug, cada reverência, cada projeção e cada sorriso serviram como lembrete de que os valores do judô realmente pertencem a todos.

Mais informações sobre a Comissão de Inclusão da FIJ podem ser encontradas AQUI.

Fonte: Cecilia Evenblij, assessora esportiva e coordenadora técnica de judô das Olimpíadas Especiais, membro do Comitê Institucional da FIJ e delegada técnica do evento; e János Tardos, presidente da Comissão de Inclusão da FIJ.

https://www.originaltatamis.com.br/