Ana Santos rompe barreiras e leva Alagoas ao pódio do Sul-Americano Júnior

Ana Santos disputa a final do peso ligeiro (-48kg) contra a equatoriana Melanie Loor © Judô Peru

Primeira atleta da classe Júnior formada integralmente em Alagoas a representar o Brasil em uma competição continental, judoca de 17 anos conquista a medalha de prata em Lima e confirma o potencial do esporte como ferramenta de formação, inclusão e desenvolvimento humano.

Por Paulo Pinto / Revista Budô
Curitiba, 19 de junho de 2026

A medalha de prata conquistada por Ana Santos no Campeonato Sul-Americano Júnior de Judô, realizado em Lima, no Peru, representa muito mais do que um resultado esportivo. Aos 17 anos, a atleta tornou-se a primeira judoca da classe Júnior formada integralmente em Alagoas a vestir o kimono da Seleção Brasileira em uma competição continental e retornar ao país com uma medalha internacional.

Moradora do bairro do Jacintinho, em Maceió, estudante da rede pública e praticante de judô desde os nove anos de idade, Ana construiu uma trajetória marcada pela dedicação, disciplina e perseverança. Sete vezes campeã alagoana, tetracampeã dos Jogos Estudantis de Alagoas, bicampeã Brasileira Regional e medalhista pan-americana, ela alcançou em Lima o resultado mais expressivo de sua carreira e escreveu uma página inédita para o judô de seu estado.

Atletas e integrantes da comissão técnica da Seleção Brasileira participam de treinamento em Lima, no Peru © Judô Peru

A conquista ganha relevância ainda maior por ter sido construída integralmente em Alagoas. Formada e treinada pelo Instituto Projeto Vencedor, Ana tornou-se símbolo da capacidade que o judô possui de abrir oportunidades, desenvolver talentos e transformar vidas por meio de um processo contínuo de formação humana e esportiva.

Do Jacintinho para a Seleção Brasileira

A convocação para defender o Brasil no Campeonato Sul-Americano Júnior já representava um marco para o judô alagoano. A medalha de prata conquistada na capital peruana ampliou a dimensão desse feito e colocou a jovem atleta entre os principais nomes da nova geração da modalidade.

Ao embarcar para sua primeira competição internacional fora do país, Ana carregava não apenas a expectativa de representar o Brasil, mas também o sonho de uma comunidade inteira que acompanhou sua evolução nos tatamis. O resultado conquistado em Lima transformou-se em uma referência para centenas de crianças que encontram no esporte uma oportunidade de crescimento pessoal e social.

A medalha conquistada por Ana Santos representa um marco para o judô alagoano e reforça a importância dos projetos de formação esportiva desenvolvidos no estado © Judô Peru

A experiência em Lima representou não apenas a realização de um sonho, mas também um importante processo de aprendizado e amadurecimento para a jovem judoca. Consciente de que o pódio continental é apenas uma etapa de uma trajetória que ainda está começando, Ana Santos prefere olhar para o futuro com a mesma serenidade que demonstrou durante toda a competição.

“Quando comecei no judô, nunca imaginei que poderia representar o Brasil em uma competição continental. Essa medalha mostra que todo o esforço vale a pena, mas também me motiva a trabalhar ainda mais. Quero continuar evoluindo, aproveitar cada oportunidade de aprendizado e seguir construindo minha trajetória dentro do esporte.”

Os treinadores Antônio Milhazes (Alagoas), Diogo Rocha (Mato Grosso do Sul) e Herbert Marques (Distrito Federal), que atuaram no Campeonato Sul-Americano Júnior, em Lima © Judô Peru

Presente em Lima por meio do Programa de Incentivo ao Atleta e ao Treinador (PROCIT), Antônio Milhazes acompanhou de perto a campanha de Ana Santos no Campeonato Sul-Americano Júnior. Treinador da atleta e coordenador técnico do Instituto Projeto Vencedor, ele vê na conquista um marco para o desenvolvimento

“A Ana rompeu uma barreira histórica para o judô alagoano. Pela primeira vez, uma atleta da classe Júnior formada, treinada e desenvolvida integralmente em nosso Estado foi convocada para representar o Brasil em uma competição continental e retornou com uma medalha. Isso demonstra que não existem limites geográficos para o talento quando ele encontra oportunidade, orientação e dedicação.”

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Uma conquista construída dentro de Alagoas

A trajetória de Ana Santos também desafia um paradigma frequentemente presente no esporte brasileiro: a ideia de que atletas de alto rendimento precisam migrar para os grandes centros para alcançar projeção nacional e internacional.

Todo o processo de formação da judoca ocorreu em Alagoas. Foi no estado que ela iniciou sua caminhada esportiva, conquistou seus primeiros títulos, desenvolveu suas capacidades técnicas e construiu as bases que a levariam à Seleção Brasileira.

A campanha de Ana Santos no Campeonato Sul-Americano Júnior culminou com a conquista da medalha de prata e um resultado inédito para o judô alagoano © Judô Peru

Para Milhazes, a medalha conquistada em Lima representa a confirmação de que projetos sérios e consistentes podem produzir resultados de excelência independentemente da localização geográfica.

“O resultado da Ana mostra que é possível formar atletas de alto nível dentro do nosso Estado. Essa conquista não surgiu por acaso. Ela é fruto de anos de trabalho, planejamento, acompanhamento técnico e, principalmente, da dedicação de uma atleta que sempre acreditou em seus objetivos.”

O esporte como ferramenta de desenvolvimento humano

Criado com o propósito de promover inclusão social por meio do judô, o Instituto Projeto Vencedor já acolheu centenas de crianças e adolescentes ao longo de sua trajetória. Mais do que formar atletas, a iniciativa busca desenvolver valores, fortalecer vínculos familiares e ampliar perspectivas de futuro para jovens que encontram no esporte um ambiente de aprendizado e crescimento.

Sensei Antônio Milhazes e Ana Santos celebram a conquista da medalha de prata que marcou um feito inédito para o judô alagoano no Campeonato Sul-Americano Júnior © Judô Peru

A história de Ana reflete essa filosofia. O judô proporcionou conquistas esportivas importantes, mas também contribuiu para a construção de disciplina, responsabilidade, autoconfiança e capacidade de superação, atributos que ultrapassam os limites da competição.

Cirurgião-dentista por profissão e pós-graduado em Aspectos Metodológicos do Judô, Antônio Milhazes acredita que a principal contribuição do esporte não está apenas na formação de atletas, mas na formação de pessoas. Para ele, o maior legado do judô está justamente na transformação humana proporcionada pelo processo socioeducativo.

“Sempre acreditamos que nossa missão vai muito além de formar campeões. Queremos formar cidadãos, jovens capazes de acreditar em si mesmos, construir projetos de vida e compreender que disciplina, respeito e perseverança são valores que servirão para toda a vida. A medalha da Ana é importante, mas o ser humano que ela está se tornando é uma conquista ainda maior.”

Mais do que técnica, o judô exige foco, resiliência e capacidade de superação — qualidades construídas diariamente ao longo dos anos de treinamento © Judô Peru

Ao conquistar a medalha de prata no Sul-Americano Júnior, Ana Santos escreveu uma página inédita para o judô alagoano. Mais do que o resultado obtido em Lima, sua trajetória demonstra que talento, orientação qualificada e oportunidades podem transformar potencial em realização. Para Alagoas, fica um marco histórico. Para o Instituto Projeto Vencedor, a confirmação de uma filosofia de trabalho. Para os jovens que iniciam seus primeiros passos no judô, surge um novo exemplo de que grandes conquistas podem nascer em qualquer lugar quando há dedicação, propósito e perseverança.

Brasil campeão geral

A medalha de prata conquistada por Ana Santos integrou a campanha vitoriosa da Seleção Brasileira no Campeonato Sul-Americano Júnior de Lima. O Brasil encerrou a competição na liderança do quadro geral de medalhas, com nove pódios: os títulos de Carlos Filho (-60kg), Gustavo Tertuliano (-66kg), Samuel Fernandes (-73kg), Gustavo Reis (+100kg) e Carolina Marcon (-70kg); as medalhas de prata de Ana Santos (-48kg), Miguel Ferreira (-66kg) e Rafaela Cavalcante (-52kg); além do bronze conquistado por Guilherme Guimarães (-81kg). Em meio a uma geração talentosa que confirmou a força do judô brasileiro no continente, a atleta alagoana escreveu uma página especial ao conquistar um resultado inédito para o seu estado.

A trajetória que levou Ana Santos ao pódio continental também foi construída com o apoio de instituições e parceiros que acreditam no poder transformador do esporte. O trabalho desenvolvido pelo Instituto Projeto Vencedor conta com o patrocínio da Uniodonto Maceió, Sicredi Expansão, do deputado estadual Cabo Bebeto, do vereador Eduardo Canuto e da APC Consultoria. A iniciativa recebe ainda o apoio da Hisshyo Kimonos, Água Aldebaram, Maceió Sign e Ibratin Tintas, parceiros que contribuem para ampliar oportunidades e fortalecer a formação esportiva e humana de crianças e jovens alagoanos.

https://www.originaltatamis.com.br/