02 de julho de 2026
CBJ prepara uma nova geração para ampliar o protagonismo do Brasil no cenário internacional © Fotomontagem Global Sports
Muito antes de conquistarem medalhas em Campeonatos Mundiais Sênior ou Jogos Olímpicos, os grandes nomes do judô internacional costumam dar seus primeiros passos em uma competição que, ano após ano, se consolida como a principal vitrine da nova geração da modalidade: o Campeonato Mundial Cadete.
Mais do que revelar campeões da categoria Sub 18, o evento funciona como um verdadeiro laboratório do alto rendimento, reunindo atletas que iniciam a transição para o cenário internacional e que, nos próximos anos, poderão ocupar posições de protagonismo no ciclo olímpico de 2030. Para as principais potências da modalidade, o Mundial Cadete representa um dos mais importantes indicadores da qualidade dos programas de formação de atletas.
É nesse contexto que a Confederação Brasileira de Judô (CBJ) definiu os 20 atletas que representarão o país no Campeonato Mundial Cadete de 2026, programado para acontecer entre os dias 20 e 23 de agosto, em Guayaquil, no Equador. A competição deverá reunir mais de 500 judocas dos seis continentes e colocará frente a frente alguns dos principais talentos da nova geração do judô mundial.
A convocação representa o resultado de um processo de avaliação iniciado ainda no fim de 2025 e desenvolvido ao longo de toda a temporada, envolvendo competições nacionais e internacionais que permitiram à comissão técnica acompanhar a evolução dos atletas e selecionar aqueles que demonstraram maior regularidade técnica, competitiva e emocional para representar o Brasil no principal compromisso internacional da categoria.
A convocação brasileira reúne cinco atletas que já disputaram a edição anterior do Campeonato Mundial Cadete, realizada em Sófia, na Bulgária. Entre eles estão dois medalhistas: a campeã mundial Clarisse Vallim (-70kg) e o vice-campeão Arthur Bonato (-50kg), que retornam ao principal evento da categoria após integrarem a histórica campanha brasileira de 2025.

O meio-leve Rafael Falcão do Instituto Reação / FJERJ-RJ © Anderson Neves
Também voltam ao Mundial Giovanna Imhof (-48kg), Manuela Maia (-63kg) e André Dodero (-60kg), atletas que chegam à competição trazendo a experiência acumulada na temporada passada e reforçam uma equipe que combina continuidade e renovação.
Ao lado desse grupo, a CBJ convocou 15 estreantes: Ana Mikaela Alcântara (-40kg), Micaela Santos (-48kg), Lavínia Igaki (-52kg), Gabriela Pereira (-57kg), Valentina Demeterco (-70kg), Caroline Ohonishi (+70kg), Yasmim Toledo (+70kg), Rafael Falcão (-60kg), Nicolas Almeida (-73kg), Henrique Bahiense (-73kg), Yago Mello (-81kg), Davi Medina (-81kg), Heitor Sousa (-90kg), José Pereira (+90kg) e Marcus Mota (+90kg).

O superligeiro Arthur Bonato do Grêmio Náutico União / FGJ-RS © Gabriela Sabau /FIJ
A formação da equipe brasileira começou ainda em dezembro de 2025, durante a Seletiva Nacional, primeira etapa do ranking cadete da CBJ. Ao longo do primeiro semestre desta temporada, os atletas seguiram sendo avaliados em um calendário composto pelo CBI Troféu Brasil, Campeonatos Brasileiros Regionais e Campeonato Brasileiro Final.

A peso leve Lavínia Igaki da Sociedade Esportiva Palmeiras / FPJudô-SP © Daniel Chiesa / Judô em Foco
O processo também incluiu competições internacionais, fundamentais para avaliar o desempenho dos atletas diante de adversários estrangeiros e em diferentes contextos competitivos.
Nas etapas do Circuito Europeu, o Brasil acumulou resultados expressivos. Em Antalya, na Turquia, conquistou seis medalhas (um ouro, duas pratas e três bronzes). Em Teplice, na República Tcheca, vieram outros sete pódios (dois ouros, duas pratas e três bronzes).
O melhor desempenho ocorreu em Faro, Portugal, onde a delegação brasileira conquistou 16 medalhas (três ouros, três pratas e dez bronzes), encerrando a competição na segunda colocação geral entre todos os países participantes.
Embora não integrassem diretamente os critérios de classificação para o Mundial, outras competições internacionais também contribuíram para o desenvolvimento da equipe. No Campeonato Pan-Americano, o Brasil conquistou 15 medalhas; nos Jogos Sul-Americanos da Juventude foram mais sete; e no Campeonato Sul-Americano a Seleção voltou a subir ao pódio 18 vezes.
Ao longo de sua história, o Campeonato Mundial Cadete revelou atletas que, anos mais tarde, conquistariam títulos mundiais e medalhas olímpicas. No Brasil, o exemplo mais emblemático é Beatriz Souza, medalhista de bronze na edição de 2015 e campeã olímpica nos Jogos de Paris 2024, além de medalhista de bronze na disputa por equipes mistas.
O histórico brasileiro na competição também demonstra a evolução da modalidade. Desde a criação do Mundial Cadete, em 2009, o país conquistou 40 medalhas — oito de ouro, 15 de prata e 17 de bronze.

Clarisse Vallim, a meio-pesado do Clube de Regatas do Flamengo / FJERJ-RJ © Di Feliciantonio Emanuele / FIJ
Na edição de 2025, em Sófia, a Seleção Brasileira alcançou sua melhor campanha na história do evento, com cinco medalhas: os títulos de Clarice Ribeiro (-48kg) e Clarisse Vallim (-70kg), a prata de Arthur Bonato (-50kg) e os bronzes de Nicole Marques (-52kg) e Laryssa Fonseca (-63kg).
O Campeonato Mundial Cadete de 2026 será disputado entre os dias 20 e 23 de agosto, em Guayaquil, no Equador. Os três primeiros dias serão destinados às competições individuais, enquanto o encerramento será reservado ao torneio por equipes mistas.

O meio-pesado, José Pereira da Sociedade Morgenau / FPJudô-PR
EQUIPE FEMININA
-40kg — Ana Mikaela Alcântara (Rede Cuca/FECJU-CE)
-48kg — Giovanna Imhof (Minas Tênis Clube/FMJ-MG)
-48kg — Micaela Santos (Elite Judô/FJERJ-RJ)
-52kg — Lavínia Igaki (S.E. Palmeiras/FPJudô-SP)
-57kg — Gabriela Pereira (Instituto Reação/FJERJ-RJ)
-63kg — Manuela Maia (C.R. Flamengo/FJERJ-RJ)
-70kg — Clarisse Vallim (C.R. Flamengo/FJERJ-RJ)
-70kg — Valentina Demeterco (Sogipa/FGJ-RS)
+70kg — Yasmim Toledo (E.C. Pinheiros/FPJudô-SP)
+70kg — Caroline Ohonishi (Clube Paineiras do Morumby/FPJudô-SP)
EQUIPE MASCULINA
-50kg — Arthur Bonato (Grêmio Náutico União/FGJ-RS)
-60kg — André Dodero (E.C. Pinheiros/FPJudô-SP)
-60kg — Rafael Falcão (Instituto Reação/FJERJ-RJ)
-73kg — Nicolas Almeida (E.C. Pinheiros/FPJudô-SP)
-73kg — Henrique Bahiense (C.R. Flamengo/FJERJ-RJ)
-81kg — Yago Mello (Grêmio Náutico União/FGJ-RS)
-81kg — Davi Medina (Clube Paineiras do Morumby/FPJudô-SP)
-90kg — Heitor Sousa (A.D. Santo André/FPJudô-SP)
+90kg — José Pereira (Sociedade Morgenau/FPJudô-PR)
+90kg — Marcus Mota (E.C. Pinheiros/FPJudô-SP)
Comissão técnica
Maria Portela — Treinadora
José Olívio Júnior — Treinador
Thiago Valladão — Treinador
A Confederação Brasileira de Judô conta com o patrocínio oficial do BNDES e apoio institucional do Comitê Olímpico do Brasil.
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