31 de julho de 2026
Professor Arthur Rego, presidente do CNKD © Global Sports
O Colégio Nacional do Karatê-Dô (CNKD) dará em setembro um passo importante em seu processo de estruturação ao realizar, em Porto Alegre, seu Iº Seminário Nacional. Será o primeiro grande encontro presencial da instituição, recentemente criada com a proposta de ampliar os espaços de estudo, formação e intercâmbio entre professores e praticantes de karatê-dô de diferentes regiões do País.
O seminário será realizado paralelamente ao II Festival Farroupilha de Karatê-Dô Tradicional, programado para os dias 11, 12 e 13 de setembro, também em Porto Alegre. Os dois eventos são independentes, mas a realização simultânea permitirá ao CNKD aproveitar a data e a estrutura do Festival para reunir presencialmente seus associados pela primeira vez. A proposta partiu do sensei Juan Pedro Osório, responsável pelo Festival e atual diretor de Eventos do Colégio.

Arthur Rego com Eckener de Pereira Cardoso Sobrinho, membro do Shihan-Kai da ITKF © Global Sports
A iniciativa ganha significado adicional por representar uma das primeiras manifestações práticas do projeto que levou à criação do CNKD. A instituição nasceu de discussões entre antigos praticantes sobre os caminhos percorridos pelo karatê ao longo das últimas décadas e sobre a necessidade de preservar espaços destinados ao estudo da modalidade para além de sua dimensão competitiva.
Para o presidente do Colégio Nacional do Karatê-Dô, Arthur Rego, a crescente valorização dos resultados esportivos acabou reduzindo o espaço dedicado a outros componentes historicamente associados à arte marcial, como o aprimoramento técnico e físico, a formação ética, o cultivo do caráter e a busca da excelência humana.
“Percebendo isso, um grupo de antigos praticantes de nossa arte marcial, buscando o resgate desses valores, passou a discutir o assunto, que evoluiu para a criação do CNKD”, explicou Arthur Rego.
A proposta do CNKD é trabalhar a formação do praticante a partir de uma visão abrangente do karatê-dô. O conhecimento técnico permanece como elemento fundamental, mas passa a dividir espaço com conteúdos científicos, históricos e culturais, com atenção especial à formação dos professores.
Essa concepção também orienta a relação do Colégio com as organizações já existentes. O CNKD não surge como uma nova estrutura federativa. Segundo Arthur Rego, a instituição busca resgatar a tradição, incorporando conhecimentos científicos contemporâneos, e pretende vincular-se a todas as entidades sérias do karatê, respeitando suas respectivas normas federativas.
“Embora muitos de nossos associados mantenham vínculos com o Shotokan e tenham sua formação ligada a essa escola, o Colégio Nacional do Karatê-Dô não se restringe a uma única vertente. Já contamos com professores oriundos do Goju-ryu, do Wado-kai e de outras escolas do karatê. Essa pluralidade é fundamental para a proposta do CNKD, pois amplia o intercâmbio de conhecimentos e nos permite reunir diferentes perspectivas nos campos técnico, científico, histórico, cultural e, sobretudo, filosófico. Queremos transformar essa diversidade em uma das grandes riquezas do Colégio”, ressalta Arthur Rego.
A realização de um seminário presencial começou a ser discutida já na Assembleia de Fundação do CNKD. A própria composição da instituição ajudou a transformar a ideia em prioridade: seus associados estão distribuídos por diferentes estados brasileiros, pertencem a distintas organizações federativas e, em muitos casos, ainda não tiveram oportunidade de se encontrar pessoalmente.

Professor Iko Trindade, vice-presidente do CNKD © Arquivo
Porto Alegre oferecerá, portanto, uma primeira oportunidade de transformar essa diversidade em convivência, estudo e intercâmbio.
“Esse marco histórico, a realização do Iº Seminário Nacional do CNKD, representa o passo inicial para a estruturação de uma entidade que se propõe a ser ética, fiel a seus propósitos e convergente com todas as pessoas e entidades que tratam o karatê com seriedade”, afirmou Arthur Rego.
A programação definitiva do 1º Seminário Nacional ainda está sendo concluída, mas o CNKD já confirmou nomes como Eckener de Pereira Cardoso, Eduardo de Mattei, Nelson Santi, Álvaro de Paula, Antônio Walger e Victor Lage. Este último participará de forma on-line, diretamente de Tóquio, onde realiza uma especialização na Universidade de Waseda. O evento também contará com convidados que abordarão temas específicos relacionados à modalidade.
Entre os conteúdos antecipados pela organização está a palestra “Karatê e Zen-budismo”, com o Dr. Daniel Neaime. A programação prática terá, entre outras atividades, “Wado-Kai, harmonia entre esquiva, tempo e eficiência no karatê”, com Eduardo de Mattei, e “Cadeia cinética aplicada ao karatê”, conduzida por Nelson Santi.
A combinação ajuda a materializar já no primeiro seminário uma das características pretendidas pelo Colégio: colocar diferentes campos do conhecimento em diálogo com a prática do karatê, reunindo tradição, experiência acumulada e abordagens contemporâneas.
O projeto do CNKD, entretanto, não se encerra na realização de seminários. Seu Estatuto estabeleceu uma diretoria executiva e seis Câmaras Temáticas, responsáveis por diferentes áreas de atuação: Técnica; Ética, Formação e Certificação; Eventos; Ciência e Arte; Desenvolvimento Social e Inclusão; e Comunicação, Marketing e Documentação Institucional.
Também está prevista a implantação de delegacias regionais, com representantes responsáveis por difundir os projetos do Colégio nos estados. A própria direção reconhece que a amplitude da estrutura exigirá um processo gradual de implantação e que parte dos resultados será construída a médio e longo prazos.
Entre esses projetos, um dos mais ambiciosos é a criação de um curso de formação de professores de karatê, concebido a partir de uma grade curricular que contemple os diferentes conhecimentos considerados necessários à formação plena do professor. O CNKD já trabalha na definição da coordenação e prospecta parceria com uma instituição acadêmica e com uma organização de karatê interessada em participar da iniciativa.
Além dos projetos voltados à formação técnica, científica, histórica, cultural e filosófica, a direção do CNKD começa a discutir uma frente que poderá ganhar maior espaço a partir de 2027: o desenvolvimento profissional e a geração de oportunidades por meio do karatê.
Arthur Rego defende que a formação dos professores também deve incluir conhecimentos relacionados à administração de academias e dojôs, à elaboração de projetos amparados pela Lei de Incentivo ao Esporte, à construção de parcerias e à identificação de novas possibilidades de atuação profissional.

Daniel Neiame será um dos palestrantes do 1º Seminário Nacional do CNKD © Global Sports
Segundo o dirigente, a administração de academias e dojôs já faz parte do conteúdo programático do curso de formação de professores do CNKD. A proposta é habilitar os profissionais filiados e ampliar seus conhecimentos, oferecendo instrumentos que os ajudem a organizar seus espaços de trabalho, desenvolver projetos e construir uma trajetória profissional sustentável por meio da modalidade.
“Existe também um campo muito amplo a ser explorado fora do dojô tradicional. Podemos discutir projetos de karatê nas escolas, aproximação com o poder público, universidades, conselhos profissionais e outras instituições, além da construção de parcerias capazes de ampliar os espaços de atuação dos professores. Se pretendemos contribuir para o desenvolvimento do karatê, precisamos pensar também em quem está na ponta e busca construir sua vida profissional por meio dele.”
Paralelamente, a instituição mantém atividades on-line. Uma das iniciativas em andamento é uma sequência de quatro aulas dedicadas à história do karatê, conduzidas pelo sensei Eros Sanches.
O Iº Seminário Nacional levará agora essa proposta para o encontro presencial. Em Porto Alegre, o CNKD pretende transformar os princípios que orientaram sua criação em atividades concretas de formação, convivência e intercâmbio, dando início a uma nova etapa na construção da recém-criada instituição.
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