Torneio Regional Oeste reúne 984 atletas e confirma Foz do Iguaçu como potência do judô paranaense

Competição, inclusão e valores do judô reuniram diferentes gerações no tatami © Divulgação Judofoz / Fotop

Maior edição da história da competição mobilizou 15 associações de nove cidades, 35 árbitros e uma equipe de trabalho formada por 150 pessoas no Ginásio Costa Cavalcanti.

Por Paulo Pinto | Global Sports
Curitiba, 19 de agosto de 2026

O Ginásio Costa Cavalcanti transformou-se em um grande dojô no sábado, 15 de agosto. Distribuídos por dez áreas de luta, 984 atletas participaram do Torneio Regional Oeste de Judô, em Foz do Iguaçu, estabelecendo o maior número de inscritos da história do evento.

Organizada pelo Instituto Judofoz e pela Delegacia Regional Oeste da Federação Paranaense de Judô, a competição reuniu 15 associações de nove cidades do Oeste do Paraná. Além do expressivo contingente de judocas, a estrutura mobilizou 35 árbitros e uma equipe de trabalho formada por 150 voluntários, distribuídos pelas diversas áreas de combate e diferentes setores de apoio.

Sensei Josmar Gouveia Couto, coordenador e fundador do Instituto Judofoz, durante seu pronunciamento na cerimônia de abertura do Torneio Regional Oeste de Judô © Divulgação Judofoz / Fotop

Os números ajudam a dimensionar o crescimento do torneio. A competição é um evento oficial da Federação Paranaense de Judô, realizado pela Delegacia Regional Oeste desde 1970. O torneio ocorre duas vezes por ano, uma em cada semestre, e a Federação define a cidade-sede e a associação responsável pela organização de cada edição.

Em 2009, o Instituto Judofoz foi escolhido pela primeira vez para organizar o evento, que naquela edição reuniu 238 participantes. Entre 2009 e 2017, a entidade esteve à frente do torneio em várias oportunidades, superando sucessivamente seus recordes de participação. Em 2025, foram 922 inscritos. Agora, em 2026, o número chegou a 984, reunindo desde crianças de três anos até atletas da classe veteranos.

Crianças perfiladas no shiai-jô durante a cerimônia de abertura do Torneio Regional Oeste, em uma celebração marcada pela formação, inclusão e pelos valores educacionais do judô © Divulgação Judofoz / Fotop

Mais do que o aumento de judocas inscritos nas edições organizadas pelo Instituto Judofoz, a evolução revela a consolidação de uma rede regional formada por professores, associações, famílias, árbitros, voluntários e instituições que reconhecem o judô como instrumento de educação e desenvolvimento humano.

Uma competição que começa antes do primeiro hajime

Para muitas das crianças presentes no Ginásio Costa Cavalcanti, o Torneio Regional Oeste representou o primeiro contato com uma competição de grande porte. Antes do resultado, da medalha ou da classificação, houve o desafio de deixar o ambiente conhecido do dojô, entrar em uma área cercada por árbitros e espectadores e enfrentar as emoções de uma experiência inteiramente nova.

Rogério Quadros, amigo e grande colaborador do Instituto Judofoz, faz a entrega do troféu de campeão do maior número de judocas inscritos no certame ao sensei Josmar Gouveia Couto © Divulgação Judofoz / Fotop

Coordenador e fundador do Instituto Judofoz, o professor Josmar Gouveia Couto ressaltou que o trabalho desenvolvido nos tatamis ultrapassa os limites esportivos.

“O judô é um esporte muito rico em sua dimensão educacional. Trabalha a disciplina, fomenta a amizade e leva para o tatami os valores que as crianças trazem de casa. Elas aprendem regras no dojô e levam esses ensinamentos para a vida”, afirmou.

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Essa concepção esteve presente em toda a estrutura do torneio. As disputas reuniram atletas em diferentes fases de formação, permitindo que iniciantes vivenciassem a competição em um ambiente voltado não apenas ao desempenho, mas também à convivência, à superação e ao aprendizado.

Jovens judocas acompanham a cerimônia de abertura do Torneio Regional Oeste © Divulgação Judofoz / Fotop

Para Josmar, o crescimento do número de participantes demonstra a confiança conquistada pelo evento junto à comunidade do judô.

“Em 2009, o Instituto Judofoz foi escolhido pela primeira vez para organizar o torneio, que reuniu 238 atletas. Hoje temos mais de 970 participantes, desde crianças de três anos até os veteranos. É realmente uma grande festa para toda a família”, declarou.

Autoridades e dirigentes das entidades acompanham a cerimônia de abertura do Torneio Regional Oeste © Divulgação Judofoz / Fotop

O número definitivo de inscrições chegou a 984, consolidando a edição de 2026 como a maior já realizada.

Entrar no tatami já representa uma vitória

Delegado da Regional Oeste e vice-presidente da Federação Paranaense de Judô, Washington Donomai conhece as dificuldades envolvidas nos primeiros passos de um atleta em competições.

Autoridades e representantes das entidades parceiras acompanham a cerimônia de abertura do Torneio Regional Oeste © Divulgação Judofoz / Fotop

Ao acompanhar a entrada dos jovens judocas nas áreas de luta, destacou que a coragem de participar deve ser valorizada antes mesmo de qualquer resultado.

“É sempre uma satisfação enorme ver os alunos iniciando seus passos nas competições. Treinamos e competimos durante toda a vida e sabemos como é difícil entrar em uma área de competição. Só por entrar no tatami, o atleta já é um vencedor. É uma experiência de vida muito importante”, afirmou Donomai.

Josmar Couto concede entrevista no ginásio © Divulgação Judofoz / Fotop

A declaração sintetiza uma das principais características do Torneio Regional Oeste. Embora conte com arbitragem qualificada e uma ampla estrutura operacional, sua finalidade não se limita à formação de campeões. O evento funciona como porta de entrada para crianças e jovens que começam a descobrir como lidar com expectativas, pressão, vitória e derrota.

Interação antes da classificação

Árbitro internacional FIJ A, o professor Vitor César Moreira explicou que o torneio possui uma natureza diferente dos campeonatos classificatórios para competições estaduais, sul-brasileiras ou nacionais.

“Este torneio é diferente das competições que classificam atletas para campeonatos brasileiros ou sul-brasileiros. É um evento de interação e socialização que representa, para muitos alunos, o primeiro passo na competição”, explicou.

Para muitas crianças, um torneio como esse representa a primeira oportunidade de colocar em prática, fora do dojô, o aprendizado adquirido nos treinamentos © Divulgação Judofoz / Fotop

Segundo sensei Vitor, muitos participantes chegam ao evento ainda como faixas-brancas ou pontas-cinza e precisam se adaptar gradualmente à atmosfera competitiva.

“O maior desafio é fazer com que eles se ambientem à pressão, aprendendo a lidar tanto com a vitória quanto com a derrota. O objetivo principal não é simplesmente sair daqui com campeões, mas proporcionar um momento de integração que os atletas possam levar para o dia a dia em seus dojôs, motivando-os a treinar e evoluir cada vez mais”, completou.

Sensei Washington Donomai durante entrevista no Ginásio Costa Cavalcanti © Divulgação Judofoz / Fotop

Essa perspectiva amplia o significado do torneio. Cada combate passa a integrar um processo formativo no qual o resultado imediato é menos importante do que a capacidade de aprender, retornar ao dojô e continuar praticando.

Instituto Judofoz lidera participação

A equipe anfitriã também estabeleceu uma marca expressiva. Com 323 atletas, o Instituto Judofoz apresentou a maior delegação da competição e respondeu sozinho por quase um terço dos inscritos.

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O número evidencia a dimensão do trabalho desenvolvido pela instituição em Foz do Iguaçu e sua capacidade de ampliar a inclusão e o acesso à modalidade.

A AIJ, também de Foz, formou a segunda maior equipe, com 146 participantes. A Prefeitura de Medianeira apareceu em terceiro lugar, com 71 atletas, seguida pelo Ijufoz, de Foz do Iguaçu, com 66, e pelo Hikari Judô, de Toledo, com 52.

O fortalecimento das categorias de base amplia o acesso à competição e assegura a formação de novas gerações de judocas © Divulgação Judofoz / Fotop

Quinze associações de nove cidades

A abrangência regional do torneio foi confirmada pela participação de 15 entidades de nove cidades do Oeste do Paraná.

Assis Chateaubriand esteve representada pela ACEMBAC; Cascavel, pela Associação Esportiva Juventus e pela Keiko Escola de Judô; e Marechal Cândido Rondon, pela Associação de Judô Fujiyama e pelo Kaisen Judô.

Vitor César Moreira, árbitro internacional FIJ A, durante entrevista na competição © Divulgação Judofoz / Fotop

Toledo participou com a Arena Ricardo Santos e o Hikari Judô; Medianeira, com a Prefeitura de Medianeira e a Associação Medianeirense de Judô; Mercedes, com a Prefeitura de Mercedes; e Quatro Pontes, com a Associação Irineu Schmidtke.

Foz do Iguaçu contou com o Instituto Judofoz, a Associação Iguaçuense e o Ijufoz. A Prefeitura de Santa Terezinha de Itaipu completou a relação das entidades participantes.

O Tigrinho mascote levou alegria, acolhimento e carinho aos pequenos judocas durante a competição © Divulgação Judofoz / Fotop

Presença institucional

A mesa de honra reuniu representantes da organização, da Federação Paranaense de Judô, do poder público, de entidades esportivas e de instituições parceiras.

Além de Josmar Gouveia Couto, coordenador e fundador do Instituto Judofoz, e Washington Donomai, delegado regional e vice-presidente da FPRJudô, participaram Heraldo Soares Júnior, assessor técnico especial e representante da Secretaria Municipal de Esporte, Lazer, Juventude e Melhor Idade de Cascavel; Vitor César Moreira, árbitro internacional FIJ A; Waldemar Pilger, representante da Itaipu Binacional; e Rogério Quadros, diretor do Detran de Foz do Iguaçu.

Responsáveis e representantes das associações e dojôs participantes recebem homenagem durante a cerimônia de encerramento © Divulgação Judofoz / Fotop

Também compuseram a mesa Elias de Carvalho Alcantara, representante do Instituto Judofoz; Karen Cristina de Souza, representante da AIJ; e Jair da Silva Fraga, representante do Ijufoz — todos de Foz do Iguaçu.

A realização contou com o apoio da Prefeitura de Foz do Iguaçu, por meio da Secretaria Municipal de Esporte, Lazer, Juventude e Melhor Idade, Itaipu Binacional, Nota Paraná, Sicoob, Consalter Supermercados, Sanepar e Lar Cooperativa.

Waldemar Pilger, representante da Itaipu Binacional, entrega a premiação a José Caracuel Gimenez Júnior, do Hikari Judô de Toledo © Divulgação Judofoz / Fotop

Uma construção coletiva

A presença de 150 voluntários na equipe de trabalho demonstra que um evento com quase mil atletas não se sustenta apenas no momento dos combates. Arbitragem, organização das áreas, atendimento às delegações, controle de inscrições, logística, apoio técnico e trabalho voluntário formaram uma engrenagem que começou a funcionar muito antes da entrada dos primeiros judocas no tatami.

As dez áreas de luta e os 35 árbitros permitiram conduzir uma programação extensa, marcada pela diversidade de idades e níveis de experiência.

O resultado foi uma competição que reuniu estrutura esportiva, alcance regional e finalidade educacional. Para os atletas mais experientes, o torneio ofereceu mais uma oportunidade de desenvolvimento. Para os iniciantes, representou o começo de uma trajetória. Para as famílias, foi um espaço de convivência e celebração.

Ao reunir 984 atletas, o Torneio Regional Oeste confirmou a força do judô em Foz do Iguaçu. Mas seu principal legado não pode ser medido apenas pelas inscrições, pelas áreas montadas ou pelo número de combates.

Ele está também na criança que encontrou coragem para entrar pela primeira vez no tatame, aprendeu a respeitar o adversário e voltou para o dojô compreendendo que vencer e perder fazem parte do mesmo caminho.

A pequena judoca de Mercedes e o Jita-kyoei

Durante o rei final, cerimônia que marcou o encerramento do torneio, o sensei Josmar Gouveia Couto interrompeu o protocolo para reconhecer uma atitude que sintetizou o verdadeiro significado socioeducativo do judô.

Enquanto embalagens e restos de alimentos eram deixados nas mesas e no ginásio, Ketlin Gomes, judoca de aproximadamente 10 anos e aluna da sensei Andrea Tomita, começou espontaneamente a recolher o lixo deixado por outras pessoas e a depositá-lo nas lixeiras.

Ketlin Gomes é chamada à mesa de honra e reverenciada pelo público, que se levanta pra aplaudi-la, enquanto Josmar Couto destaca sua atitude como exemplo do Jita-kyoei © Divulgação Judofoz / Fotop

Ketlin é uma das alunas do Judô Mercedes, projeto social e esportivo mantido no município paranaense de Mercedes, que possui população estimada em cerca de seis mil habitantes. Criada em 2012 e federada na Federação Paranaense de Judô, a iniciativa atende dezenas de crianças e jovens por meio do ensino da modalidade, utilizando o esporte como instrumento de formação, convivência e cidadania.

“Ela mostrou o que é verdadeiramente o judô e toda a cultura que deve ser preservada por nós. Nada mais justo do que chamá-la à nossa frente e reconhecer uma atitude que deve servir de exemplo para crianças e adultos”, destacou Josmar.

Convidada a ocupar o centro do ginásio, Ketlyn foi homenageada com um presente oferecido pela organização. Em seguida, recebeu uma prolongada salva de palmas. Em pé, atletas, professores, familiares, dirigentes e demais participantes reverenciaram a atitude daquela pequena grande judoca.

Josmar Couto parabeniza Ketlin Gomes pela iniciativa de recolher espontaneamente o lixo, gesto que simbolizou os valores do pregados no judô © Divulgação Judofoz / Fotop

Sem disputar uma medalha naquele momento, Ketlyn protagonizou uma das cenas mais marcantes do torneio. Com um gesto simples, mostrou que respeito, responsabilidade e cuidado com o espaço coletivo também fazem parte da formação de um judoca, e que os maiores exemplos nem sempre vêm dos adultos.

Ao recolher espontaneamente o lixo deixado por outras pessoas, Ketlyn transformou em gesto o princípio do Jita-kyoei: a prosperidade e o benefício mútuos. Cuidando do espaço coletivo, a pequena judoca mostrou que o judô também se pratica fora do dojô e do shiai-jô.

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