19 de agosto de 2026
Seis medalhistas brasileiros em Lima / Fotomontagem Global Sports © Emanuele Di Feliciantonio / FIJ
A liderança que o Brasil construiu com volume, profundidade e regularidade nas duas primeiras jornadas do Grand Prix de Lima foi transformada em título no domingo (16). Com mais cinco pódios na rodada decisiva, dois ouros e três bronzes, a seleção brasileira encerrou a competição no primeiro lugar geral, com cinco medalhas de ouro, uma de prata e cinco de bronze.
Rafael Macedo, na categoria até 90kg, e Beatriz Souza, acima de 78kg, foram campeões no último dia. Guilherme Schimidt, até 90kg, Leonardo Gonçalves, até 100kg, e Thauana Silva, acima de 78kg, conquistaram o bronze e completaram a campanha de 11 medalhas do país.
A Itália terminou na segunda colocação, seguida pela Moldávia. Alemanha e Japão completaram, nessa ordem, os cinco primeiros lugares do quadro geral.
O desfecho confirmou o cenário identificado antes da rodada decisiva. O Brasil não liderava apenas por ter conquistado mais medalhas de ouro. A maior delegação do evento mantinha atletas reiteradamente presentes nos blocos finais e havia transformado quantidade em resultados competitivos.

Antes de entrar nas histórias individuais que construíram a campanha brasileira, é preciso dimensionar o que o resultado coletivo representa. O Brasil não apenas encerrou o Grand Prix de Lima na liderança. O país conquistou cinco das 14 medalhas de ouro distribuídas, o equivalente a 35,7% de tudo o que estava em disputa, e terminou à frente de Itália, Moldávia, Alemanha e Japão.
O Grand Prix de Lima reuniu 333 judocas de 54 países e seis continentes. Nesse cenário, a delegação brasileira, formada por 27 atletas, 14 homens e 13 mulheres, conquistou 11 medalhas, sete quintos lugares e uma sétima colocação, terminando como a principal força da competição.
Ao fim das 14 categorias, 19 dos 27 brasileiros ficaram entre os sete melhores. Isso representa 70,4% da equipe. Dezoito atletas chegaram às disputas por medalha, exatamente dois terços da delegação, e 11 subiram ao pódio, o equivalente a 40,7% do grupo.
A presença de equipes europeias, asiáticas, africanas, pan-americanas e da Oceania transformou a etapa peruana em um teste efetivamente internacional. Os brasileiros enfrentaram estilos diferentes, adversários conhecidos do Circuito Mundial e atletas que ocupam posições relevantes em suas categorias.
Foi nesse contexto que o país conquistou cinco medalhas de ouro, apresentou jovens em ascensão e confirmou a competitividade de seus atletas mais experientes. Mais do que uma soma de resultados individuais, a campanha revelou uma seleção capaz de pontuar em diferentes pesos e sustentar sua presença nas fases decisivas durante os três dias de competição.
Rafael Macedo (Sogipa) conquistou o primeiro ouro brasileiro do domingo um dia depois de completar 32 anos. Na decisão dos 90kg, derrotou o moldavo Mihail Latisev por dois wazaris e um yuko.
A vitória também teve significado competitivo. Latisev havia superado o brasileiro na disputa pelo bronze do Grand Slam de Astana, em maio. Em Lima, Rafael inverteu o resultado justamente na final.
Sua campanha começou com um ippon sobre o espanhol Daniel Nieto Trinidad. Nas quartas de final, venceu o norte-americano Oleksandr Nyzhnyk com dois wazaris e um yuko. Na semifinal, superou o bielorrusso Yahor Varapayeu por dois wazaris.
“Não teria presente de aniversário melhor do que essa medalha. Foi uma superação física, técnica e mental conseguir vencer adversários desse nível. Agora vou comemorar, mas, a partir de amanhã, a cabeça estará focada no Grand Slam da Suíça”, afirmou Rafael.

Pódio da categoria até 90kg do Grand Prix de Lima, com dobradinha brasileira: Rafael Macedo (Brasil), ouro; Mihail Latisev (Moldávia), prata; Guilherme Schimidt (Brasil) e Kenny Komi Bedel (Itália), bronzes © Emanuele Di Feliciantonio / FIJ
O resultado representou mais do que outro título internacional. Em uma categoria marcada pelo equilíbrio e por adversários que já conheciam seu judô, Macedo apresentou repertório, capacidade de adaptação e consistência para vencer quatro combates.
Campeã olímpica em Paris, Beatriz Souza confirmou o favoritismo na categoria acima de 78kg e conquistou o segundo ouro brasileiro do dia.
Na final, Bia derrotou a italiana Asya Tavano por ippon. Foi o quinto confronto entre as duas, com quatro vitórias da brasileira.
A semifinal recolocou Beatriz diante de Raz Hershko, adversária que enfrentou na decisão olímpica em Paris. A brasileira voltou a vencer a israelense, desta vez por ippon, depois de construir vantagem de dois yukos. Bia permanece invicta no confronto direto: seis lutas e seis vitórias.

Dobradinha brasileira no pódio da categoria acima de 78kg: Beatriz Souza, do Brasil, ouro; Asya Tavano, da Itália, prata; Thauana Silva, do Brasil, e Raz Hershko, de Israel, bronzes © Emanuele Di Feliciantonio / FIJ
Nas quartas de final, havia superado a angolana Fernanda Quimbira por dois wazaris contra um yuko.
“Isso é resultado do que estamos construindo no dia a dia. Existe uma equipe junto comigo; não estou fazendo isso sozinha. A Raz é uma grande adversária. Nosso último confronto havia sido na Olimpíada, evoluímos bastante e, por isso, precisei mudar minha estratégia”, explicou Beatriz.
O ouro em Lima mostrou que o título olímpico não encerrou um processo. Ao contrário, aumentou a exigência sobre uma atleta que passou a ser estudada por todas as adversárias e que precisa continuar encontrando novas soluções para permanecer no topo.
Na mesma categoria de Rafael Macedo, Guilherme Schimidt conquistou o bronze ao derrotar o canadense Keagan Young por yuko.
Antes, o brasileiro havia vencido o alemão Paul Friedrichs e o italiano Kenny Bedel por ippon. Na semifinal, foi superado por Mihail Latisev.
“Essa medalha é mais um passo rumo ao meu sonho, que é Los Angeles 2028. Já são duas medalhas desde o início da corrida olímpica. Tenho certeza de que o grande resultado virá no Mundial”, declarou Schimidt.
Nos 100kg, Leonardo Gonçalves venceu Giovani Ferreira por wazari na disputa brasileira pelo bronze. O confronto reeditou a final do Grand Prix de Lima de 2025, quando Giovani havia conquistado o ouro e Leonardo ficado com a prata.
Desta vez, Léo chegou ao pódio depois de um dia que ele próprio definiu como difícil. O brasileiro relatou ter acordado com dores no pé e ainda precisou se recuperar da derrota sofrida nos segundos finais das quartas de final.

Pódio da categoria até 100kg: Gennaro Pirelli, da Itália, ouro; Daniele Accogli, da Itália, prata; Leonardo Gonçalves, do Brasil, e Yuta Kasai, do Japão, bronzes © Emanuele Di Feliciantonio / FIJ
Na repescagem, venceu o guatemalteco William Pérez por ippon e avançou ao confronto com o companheiro de seleção.
“Foi um dia muito difícil para mim. Eu estava com muita dor no pé e perdi uma luta que estava ganhando nos últimos 17 segundos. Era um dia que, para mim, estava sendo noite, e consegui fazer da noite um dia. O Giovani é muito meu amigo e está fazendo um grande trabalho, mas eu precisava marcar meu território”, disse Leonardo.
O terceiro bronze brasileiro veio com Thauana Silva, na categoria acima de 78kg. Na disputa pelo pódio, ela derrotou a venezuelana Karen León.
Thauana iniciou sua campanha vencendo a canadense Frédérique Lavigne por ippon. Depois de ser superada por Raz Hershko nas quartas, passou pela angolana Fernanda Quimbira na repescagem e garantiu a oportunidade de disputar a medalha.
Foi o primeiro pódio de Thauana em um Grand Prix — conquistado na mesma competição em que sua irmã, Nauana Silva, havia sido vice-campeã dos 70kg.
“Vai somar bastante na minha carreira. É muito bom subir ao pódio e conquistar uma medalha na mesma competição que minha irmã”, comemorou.
Karol Gimenes também chegou ao bloco final dos 78kg e terminou na quinta colocação.

Antes da rodada decisiva, o Brasil somava seis medalhas, cinco quintos lugares e uma sétima colocação. O desempenho já mostrava que a liderança não dependia de poucos resultados isolados.
No domingo, a equipe acrescentou outros cinco pódios e manteve atletas em disputas decisivas. Ao final, o país contabilizou 11 medalhas, sete quintos lugares e uma sétima posição.
A campanha também superou qualitativamente o desempenho brasileiro no Grand Prix de Lima de 2025. Na edição anterior, o Brasil igualmente conquistou 11 medalhas, mas com quatro ouros, quatro pratas e três bronzes. Em 2026, o total foi mantido, porém a equipe avançou de quatro para cinco medalhas de ouro, primeiro critério utilizado para ordenar o quadro de medalhas.
O Brasil não precisou aumentar o número absoluto de pódios para melhorar seu desempenho. A seleção elevou a qualidade dos resultados, conquistou mais medalhas de ouro e assumiu isoladamente o primeiro lugar da classificação geral.
Se, antes da rodada decisiva, a maior delegação do Grand Prix já havia transformado volume em consistência, o domingo completou o processo. A consistência virou liderança definitiva, e a liderança, título.
19 de agosto de 2026
16 de agosto de 2026
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