Mundial de Baku expõe novos desafios para o Brasil e reafirma a força do judô japonês

Em Baku, Hifumi Abe conquistou seu quinto ouro de mundiais © Di Feliciantonio Emanuele / FIJ

Com dois quintos e três sétimos lugares, seleção brasileira encerra a disputa individual sem medalhas em uma competição que distribuiu pódios entre apenas 18 países. Japão conquista metade dos ouros, Emirados Árabes Unidos alcançam ouro histórico e novas campeãs ampliam a disputa internacional.

Paulo Pinto / Global Sports
Curitiba, 11 de outubro de 2026

O Brasil encerrou as disputas individuais do Mundial de Judô de Baku, no Azerbaijão, sem medalhas, mas com cinco atletas entre os sete melhores de suas categorias. Daniel Cargnin (73kg) e Nauana Silva (70kg) terminaram em quinto; Clarice Ribeiro (48kg), Beatriz Freitas (78kg) e Beatriz Souza (+78kg), em sétimo. Os resultados mostram a presença brasileira nas fases decisivas, embora as oportunidades não tenham se convertido em pódios.

Xinran Hui (China) e Assunta Scutto (Itália) se enfrentam na categoria 48kg © Emanuele Di Feliciantonio / FIJ

Realizado de 4 a 10 de outubro, o torneio individual reuniu 622 atletas de 93 países, com uma categoria de peso masculina e uma feminina por dia. Ao final, 18 delegações dividiram as 56 medalhas. A dimensão internacional ajuda a compreender a dificuldade da competição, mas não substitui a avaliação dos combates e das circunstâncias que impediram o Brasil de avançar.

Tradição sob pressão

O Mundial também impôs limites a outras seleções importantes. A França terminou sem ouro, com duas pratas e dois bronzes. A Rússia conquistou um ouro e quatro bronzes. O Cazaquistão obteve uma prata, enquanto Mongólia, Croácia e República da Moldávia ficaram com um bronze cada.

Entre os resultados que evidenciaram essa pressão, o campeão olímpico Hidayat Heydarov, do Azerbaijão, e o campeão mundial Joan-Benjamin Gaba, da França, deixaram precocemente a disputa dos 73kg. A categoria terminou com dois outros protagonistas na final.

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A globalização do judô aparece nessa capacidade de diferentes escolas produzirem adversários competitivos. Em seu balanço durante o evento, o jornalista Nicolas Messner, da FIJ, destacou a intensidade das disputas e a presença de confrontos com nível de final ainda nas etapas preliminares. Para o Brasil, esse cenário torna ainda mais importante identificar os ajustes necessários para transformar grandes campanhas em medalhas.

O Japão e a força dos fundamentos

Diante dessa concorrência, o Japão conquistou sete ouros, duas pratas e três bronzes: 12 medalhas individuais e metade dos títulos disponíveis. O resultado combina permanência e renovação, com campeões consagrados e atletas que chegaram pela primeira vez ao topo mundial.

Ronald Lima (Brasil) e Julien Frascadore (Canadá) se enfrentam na categoria 66kg © Emanuele Di Feliciantonio / FIJ

Os ouros foram de Wakana Koga (48kg), Uta Abe (52kg), Akari Omori (57kg), Haruka Kaju (63kg), Hifumi Abe (66kg), Ryuga Tanaka (73kg) e Sanshiro Murao (90kg). Goki Tajima (90kg) e Dota Arai (100kg) conquistaram prata; Ryuju Nagayama (60kg), Takeshi Takeoka (66kg) e Kurena Ikeda (78kg), bronze.

Uta chegou ao sexto título mundial, enquanto Kaju alcançou o bicampeonato com 40 vitórias consecutivas. Murao também repetiu o ouro, em uma campanha que a FIJ apresentou como exemplo de precisão técnica e da formação da Universidade Tokai. São referências concretas para discutir a força japonesa: qualidade dos fundamentos, continuidade do trabalho e capacidade de executá-lo sob pressão.

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Essa influência ultrapassa fronteiras. Campeã dos 70kg pela Espanha, Ai Tsunoda Roustant é filha do professor japonês Go Tsunoda e da francesa Céline, também judoca. Sua formação familiar expressa o encontro de culturas que caracteriza o judô internacional. O ouro é espanhol; a trajetória revela a circulação de conhecimentos entre países.

Novos marcos no pódio

Os Emirados Árabes Unidos chegaram a duas finais. Makhmadbek Makhmadbekov conquistou a prata dos 73kg, e Yelyzaveta Lytvynenko venceu os 78kg, tornando-se a primeira campeã mundial de judô do país, considerando homens e mulheres. Na decisão, superou a francesa Kaila Issoufi e estabeleceu o principal marco da participação emiradense.

Eteri Liparteliani (Geórgia) e Sarah Souza (Brasil) se enfrentam na categoria 57kg © Tamara Kulumbegashvili / FIJ

A República da Coreia encontrou em Hyeonji Lee uma protagonista de apenas 19 anos. Campeã mundial cadete em 2023 e júnior em 2024, ela completou a sequência com o título sênior dos +78kg. Na final contra Romane Dicko, aplicou um harai-goshi para wazari e deu continuidade no solo com osae-komi, concluindo a vitória por ippon.

Completaram os 14 campeões individuais Ahmad Yusifov (60kg), do Azerbaijão; Tato Grigalashvili (81kg) e Ilia Sulamanidze (100kg), da Geórgia; e Inal Tasoev (+100kg), da Rússia. Grigalashvili alcançou seu quarto título, enquanto Tasoev conquistou o terceiro.

Japão fatura a disputa por equipes

Neste domingo, a competição por equipes mistas encerrou o Mundial. O Brasil perdeu para a China nas oitavas de final, por 4 a 3, após o confronto chegar empatado à luta de desempate. Sarah Souza, Guilherme de Oliveira e Rafael Macedo venceram seus combates. Na decisão, Fuchun Huang superou Leonardo Gonçalves e garantiu a classificação chinesa.

O Japão conquistou o ouro por equipes mistas, seguido pela Rússia, com a prata, e por Geórgia e Uzbequistão, com os bronzes. A conquista soma-se às 12 medalhas japonesas nas disputas individuais.

Seleção japonesa campeã por equipes mistas em Baku © Gabriela Sabau / FIJ

A seleção brasileira encerra sua participação em Baku com cinco atletas entre os sete melhores do mundo em suas categorias. Embora o pódio não tenha vindo, a campanha exige análise e uma reavaliação do trabalho, ao mesmo tempo que oferece referências para a preparação dos próximos desafios, em um cenário internacional cada vez mais competitivo.

A Confederação Brasileira de Judô conta com o patrocínio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e com o apoio institucional do Comitê Olímpico do Brasil (COB).

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