02 de maio de 2026
Beatriz Souza retorna aos tatamis e integra a equipe brasileira na disputa do Campeonato Pan-Americano © CBJ
O Brasil conquistou o octacampeonato pan-americano sênior e manteve uma hegemonia invicta que já se aproxima de uma década. São oito títulos consecutivos, consolidando um domínio histórico no continente.
Reunindo 219 judocas de 25 países de dois continentes, o Campeonato Pan-Americano Sênior de Judô foi realizado entre os dias 18 e 20 de abril, no Centro de Convenciones Vasco Núñez, no Hotel Panamá, na Cidade do Panamá.
O Brasil totalizou 14 medalhas, sendo seis ouros, duas pratas e seis bronzes.
Na prática, o domínio foi absoluto. A seleção brasileira conquistou o título geral tanto na disputa individual quanto por equipes mistas, vencendo as duas frentes mais relevantes da principal competição da classe sênior nas Américas.

Parte da delegação do Brasil no Panamá, com atletas, comissão multidisciplinar, o chefe de delegação Marcelo Theotonio e o presidente da CBJ, Paulo Wanderley © CBJ
Embora não seja possível afirmar com precisão histórica se este foi o maior resultado já alcançado por uma nação no judô pan-americano, é possível sustentar que se trata de uma marca extremamente difícil de ser superada no futuro próximo.
MEDALHAS DE OURO
Nauana Silva (-70kg)
Daniel Cargnin (-73kg)
Clarice Ribeiro (-48kg)
Larissa Pimenta (-52kg)
Shirlen Nascimento (-57kg)
Leonardo Gonçalves (-100kg)
MEDALHAS DE PRATA
Rafaela Silva (-63kg)
Sarah Souza (-57kg)
MEDALHAS DE BRONZE
Luana Carvalho (-70kg)
Guilherme de Oliveira (-73kg)
Beatriz Freitas (-78kg)
David Lima (-81kg)
Rafael Macedo (-90kg)
Lucas Lima (+100kg)
A equipe mista brasileira encerrou o Campeonato Pan-Americano Sênior com mais uma medalha de ouro, ao derrotar Cuba por 4×1 na final e conquistar o sétimo título da história na modalidade.
Desde a implementação do formato, em 2018, o Brasil esteve presente em todas as finais, acumulando sete títulos (2019, 2020, 2022, 2023, 2024, 2025 e 2026) e uma medalha de prata em 2018.
Nos demais confrontos, a seleção brasileira foi dominante, vencendo a Venezuela por 4×0 e o Peru também por 4×0.
Os judocas que defenderam o Brasil nos três confrontos foram: Sarah Souza (-57kg), Nauana Silva (-70kg), Luana Carvalho (-70kg), Beatriz Freitas (+70kg), Daniel Cargnin (-73kg), Guilherme de Oliveira (-73kg), Rafael Macedo (-90kg), Lucas Lima (+90kg) e Andrey Coelho (+90kg).

Realizado na Arena José Desimavilla, entre os dias 29 e 30 de abril, em Guayaquil, capital do Equador, o Campeonato Pan-Americano Júnior de Judô reuniu 131 atletas de 15 países nas disputas individuais.
A Seleção Brasileira Júnior conquistou 14 medalhas e garantiu o título geral da competição para atletas com até 20 anos.
A equipe verde e amarela somou seis ouros, três pratas e cinco bronzes, liderando o quadro geral de medalhas com ampla superioridade.

Maria Portela orienta Giovanna Imhof, campeã do peso ligeiro © CBJ
No feminino, as brasileiras subiram ao pódio em todas as categorias de peso, com destaque para a dobradinha no meio-leve (-52kg). Rafaela Rodrigues (-57kg), Manuela Maia (-63kg), Dandara Camillo (-78kg) e Ana Soares (+78kg) conquistaram medalhas de ouro. Sarah Mendes (-48kg), Larissa Menezes (-57kg) e Clarisse Vallim (-70kg) ficaram com a prata, enquanto Nicole Marques (-52kg) garantiu o bronze. Sophia Câmara (-70kg) terminou na quinta colocação.
No masculino, foram seis medalhas conquistadas. Silas Costa (-81kg) e João Pedro Canello (-90kg) asseguraram os títulos, enquanto Vinicius Oliveira (-60kg), Cauã Schramm (-66kg), Matheus Silva (-100kg) e Luis Oliveira (+100kg) conquistaram medalhas de bronze. José Tiago Filho (-73kg) ficou na quinta colocação.
MEDALHAS DE OURO
Rafaela Rodrigues (-57kg)
Manuela Maia (-63kg)
Dandara Camillo (-78kg)
Ana Soares (+78kg)
Silas Costa (-81kg)
João Pedro Canello (-90kg)
MEDALHAS DE PRATA
Sarah Mendes (-48kg)
Larissa Menezes (-57kg)
Clarisse Vallim (-70kg)
MEDALHAS DE BRONZE
Nicole Marques (-52kg)
Vinicius Oliveira (-60kg)
Cauã Schramm (-66kg)
Matheus Silva (-100kg)
Luis Oliveira (+100kg)

Comissão técnica e atletas medalhistas da seleção brasileira juvenil © CBJ
A equipe mista júnior confirmou a superioridade brasileira ao conquistar a medalha de ouro após vitórias consistentes na semifinal e na final.
Na semifinal, o Brasil venceu a Argentina por 4×0. Na decisão, superou o Canadá por 4×2, garantindo o título continental.
A seleção brasileira foi composta por Larissa Menezes (-57kg), Sophia Câmara (-70kg), Ana Soares (+70kg), José Tiago Filho (-73kg), João Pedro Canello (-90kg) e Luis Oliveira (+90kg).

A Seleção Brasileira Sub 18 realizou uma campanha de altíssimo nível no Campeonato Pan-Americano Cadete, disputado na Arena José Desimavilla, entre os dias 29 e 30 de abril, em Guayaquil, no Equador, e conquistou o título geral com oito ouros, quatro pratas e dois bronzes.
Um dos dados mais expressivos da campanha brasileira foi o aproveitamento de 87,5% em pódios: 14 dos 16 judocas convocados subiram ao pódio, mantendo a hegemonia continental por mais uma temporada.
Além disso, 12 atletas chegaram às finais de suas categorias, enquanto outros dois disputaram medalhas de bronze, evidenciando a consistência técnica da equipe em todas as divisões.
Os títulos vieram com Giovanna Imhof (-48kg), Manuela Maia (-63kg), Clarisse Vallim (-70kg) e Caroline Ohonishi (+70kg), no feminino, e com Arthur Bonato (-50kg), Nicolas Almeida (-73kg), Yago Mello (-81kg) e Heitor Sousa (-90kg), no masculino.
As medalhas de prata foram conquistadas por Gabrielli Casola (-40kg), Ana Mendes (-44kg), Gabriela Pereira (-57kg) e José Pereira (+90kg).

Lincoln Kanemoto Neves, Maria Portela, José Olívio Junior, Thiago Valladão Fernandes e Deborah Adéli Matias participam do grito de guerra com os atletas da seleção cadete © CBJ
O quadro de medalhas foi completado com os bronzes de Rafael Falcão (-60kg) e Bruno Sacilotto (-66kg), que avançaram até as semifinais e garantiram o pódio nas disputas de terceiro lugar.
MEDALHAS DE OURO
Giovanna Imhof (-48kg)
Manuela Maia (-63kg)
Clarisse Vallim (-70kg)
Caroline Ohonishi (+70kg)
Arthur Bonato (-50kg)
Nicolas Almeida (-73kg)
Yago Mello (-81kg)
Heitor Sousa (-90kg)
MEDALHAS DE PRATA
Gabrielli Casola (-40kg)
Ana Mendes (-44kg)
Gabriela Pereira (-57kg)
José Pereira (+90kg)
MEDALHAS DE BRONZE
Rafael Falcão (-60kg)
Bruno Sacilotto (-66kg)

Comissão técnica ao lado dos atletas medalhistas da seleção cadete © CBJ
A equipe mista cadete confirmou a superioridade brasileira ao conquistar o ouro com duas vitórias contundentes por 4×0.
Na semifinal, o Brasil superou a equipe anfitriã do Equador. Na final, enfrentou o Canadá e, repetindo a mesma escalação, voltou a vencer por 4×0, assegurando o título continental.
A equipe brasileira foi formada por Giovanna Imhof (-48kg), Manuela Maia (-63kg), Caroline Ohonishi (+63kg), Rafael Falcão (-60kg), Yago Mello (-81kg) e Heitor Sousa (+81kg).

A equipe brasileira alcançou 100% de aproveitamento nos Jogos Sul-Americanos, com sete atletas e sete pódios conquistados: quatro medalhas de ouro, duas de prata e uma de bronze.
MEDALHAS DE OURO
Lavínia Igaki (-52kg)
Manuela Maia (-63kg)
Yago Mello (-81kg)
Clarisse Vallim (-78kg)
MEDALHAS DE PRATA
Laiane Timbira (-44kg)
Bruno Sacilotto (-66kg)
MEDALHA DE BRONZE
Mohammad Hauache (-55kg)

Após as campanhas realizadas nas cidades do Panamá e Guayaquil, o Brasil totalizou 52 medalhas — sendo 27 ouros, 11 pratas e 14 bronzes — consolidando uma das campanhas mais expressivas da história recente do judô no continente americano.

Ícone de sua geração, Leandro Guilheiro realiza excelente trabalho à frente da comissão técnica do Esporte Clube Pinheiros e também da Seleção Brasileira © CBJ
De acordo com dados da Confederação Brasileira de Judô, as seleções que atuaram em abril foram compostas por atletas oriundos de diferentes estados do país, como Maranhão, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul.
O critério federativo considera o estado de vínculo atual dos atletas, mas a formação técnica do judoca brasileiro ultrapassa essas fronteiras administrativas. Há, entre os convocados, inúmeros casos de atletas formados em outras regiões, como a amazonense Clarice Ribeiro, fenômeno do peso ligeiro que, aos 17 anos, já tem três títulos mundiais e uma conquista pan-americana sênior, entre outras credenciais de altíssimo nível.
“É nessa base, silenciosa, cotidiana e muitas vezes invisível, que se constrói a potência que hoje domina o cenário do judô continental.”
Isso evidencia um sistema que, embora ainda concentre força em polos tradicionais como São Paulo e Rio de Janeiro, já apresenta sinais claros de expansão. Estados como Minas Gerais e Rio Grande do Sul seguem entre os protagonistas, seja pela formação consistente, seja pela capacidade de absorver talentos de diferentes regiões.
Mais do que concentração, o que se observa é um processo de pulverização qualificada e crescente permeabilidade técnica, reflexo de um judô que se espalha, se adapta e se fortalece em todo o território nacional.
Hoje, o judô está definitivamente enraizado na cultura esportiva brasileira. Presente em clubes, escolas, projetos sociais e nos espaços mais diversos das cidades, a modalidade se consolidou como uma das mais praticadas no país.
E é justamente nessa base, silenciosa, cotidiana e muitas vezes invisível, que se constrói a potência que hoje domina o cenário do judô continental.

Paulo Wanderley Teixeira, Bruna Muassab Fernandes, José Alfredo Olívio e Maria Portela com os atletas da seleção brasileira que disputaram os Jogos Sul-Americanos © CBJ
Que se registrem, portanto, os números. Mas que se reverenciem, acima de tudo, os protagonistas dessa construção: professores, clubes, academias e escolas, das mais estruturadas às mais simples, das grandes instituições aos projetos que resistem com poucos recursos, mas com imensa vocação.
São eles que, todos os dias, formam não apenas atletas, mas gerações inteiras.
Nas incursões pelas Américas do Sul e Central, ao longo do mês de abril, o Brasil não apenas venceu — dominou. Fez, sim, barba, cabelo e bigode nos tatamis.
Mas, mais do que isso, deixou evidente que o trabalho de base já projeta o futuro. Os resultados atuais não são um ponto de chegada, mas um indicativo claro de que o país já forma atletas capazes de disputar medalhas nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028, em Brisbane, em 2032, e nos ciclos que ainda virão.
No judô brasileiro, o futuro já começou. E, seja onde for, pode vir com tudo — o Brasil tem muito café no bule e judô de sobra para encarar o que vem pela frente, com muita técnica, humildade e respeito — como ensina o espírito do judô.