26 de abril de 2026
Lavozier Marubo conquista medalha de ouro no wrestling nos Jogos Sul-Americanos da Juventude 2026 © Léo Barrilari/COB
O Amazonas ganhou destaque internacional com uma conquista histórica no wrestling. Aos 17 anos, o indígena Lavozier Marubo, natural de Atalaia do Norte (a 1.138 quilômetros de Manaus), no Alto Solimões, subiu ao lugar mais alto do pódio ao conquistar a medalha de ouro, na quarta (15), na categoria 65 kg da luta greco-romana, nos Jogos Sul-Americanos da Juventude 2026, disputados no Panamá.
Representante do povo Marubo, Lavozier carrega uma trajetória que foge do padrão tradicional do esporte de alto rendimento no Brasil. Nascido em uma das regiões mais isoladas do país, ele começou no wrestling por meio do projeto social Bom de Luta, onde deu os primeiros passos ainda criança. O talento apareceu cedo, mas o caminho até o topo exigiu mudanças importantes.

Lavozier Marubo no pódio dos Jogos Sul-Americanos da Juventude 2026 com a medalha de ouro © Léo Barrilari/COB
É muito gratificante conquistar essa medalha para o meu país nestes Jogos. Só quero agradecer à torcida. Foram muitos treinos, me esforcei bastante para estar aqui. Representar o Brasil é um orgulho. Saí do Amazonas muito novo, com 13 anos, para viver essas novas experiências que vivo agora, então me sinto muito grato”.
— Lavozier Marubo
Aos 13 anos, Lavozier deixou o Amazonas para seguir a carreira esportiva e passou a treinar em melhores condições fora do estado. Atualmente, mora em Uberlândia (MG), onde defende o Praia Clube, uma das principais estruturas de formação esportiva do país.
No Panamá, o amazonense mostrou maturidade competitiva para dominar a categoria. Com força física, técnica e controle tático, superou adversários e confirmou o favoritismo até chegar ao ouro — um feito inédito para a luta olímpica do Amazonas em competições desse porte.
Além da medalha, Lavozier garantiu classificação para os Jogos Olímpicos da Juventude, ampliando o alcance da conquista. O resultado projeta o nome do atleta no cenário mundial e reforça o potencial de crescimento do wrestling brasileiro.
Mais do que o título, o feito tem um peso simbólico importante. A presença de um atleta indígena do interior da Amazônia no topo de uma competição internacional rompe barreiras e amplia a representatividade no esporte de alto rendimento.
A identidade indígena não é apenas parte da história de Lavozier — é também um elemento de força na construção da sua trajetória. Vindo do povo Marubo, ele representa uma realidade pouco vista no cenário esportivo internacional, especialmente em modalidades olímpicas.
A conquista coloca em evidência o potencial de atletas formados fora dos grandes centros e reforça o papel de projetos sociais na descoberta de talentos. No caso de Lavozier, o início em Atalaia do Norte foi determinante para abrir caminho até o alto rendimento.
O ouro no Sul-Americano coloca o Amazonas em evidência dentro da luta olímpica e pode marcar um ponto de virada para a modalidade no estado. A conquista de Lavozier serve como referência para novos atletas e mostra que é possível chegar ao topo mesmo partindo de contextos desafiadores.
Com apenas 17 anos, ele já acumula um feito histórico e passa a ser um dos nomes mais promissores do wrestling brasileiro. Mais do que uma medalha, Lavozier Marubo entrega um símbolo: o da força que vem da Amazônia e alcança o mundo.
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