24 de junho de 2026
Uta Abe comemora a conquista de seu 12º título de Grand Slam, alcançado em Ulaanbaatar, na Mongólia © Kulumbegashvili Tamara / FIJ
Uta Abe: a grandeza forjada nos desafios
Poucas atletas marcaram tanto o primeiro dia do Grand Slam de Ulaanbaatar 2026 quanto Uta Abe. Dominante desde sua estreia na competição, a japonesa conquistou seu 12º título de Grand Slam em apenas 14 participações no circuito, um feito sem precedentes no judô feminino.
Nas duas únicas ocasiões em que não subiu ao lugar mais alto do pódio, terminou com a medalha de prata. Em toda a sua carreira internacional, foram apenas três derrotas. Números que ajudam a explicar por que a japonesa é considerada uma das maiores judocas de sua geração.
A terceira dessas derrotas, porém, permanece viva na memória do judô mundial. Nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, Uta chegou como favorita absoluta para defender o ouro conquistado em Tóquio 2021, mas foi surpreendida nas oitavas de final pela uzbeque Diyora Keldiyorova. A adversária seguiria sua trajetória histórica até conquistar a medalha de ouro e se tornar a primeira campeã olímpica de judô do Uzbequistão.
As imagens da emoção de Uta Abe após aquela eliminação percorreram o mundo. Entretanto, sua apresentação na Mongólia mostrou que a experiência foi transformada em combustível para seguir evoluindo. Aos 25 anos, a japonesa já construiu um currículo extraordinário, mas continua demonstrando a mesma disposição para aprender e se reinventar.

Precisão técnica e agressividade controlada: Uta Abe encaminha mais uma vitória rumo ao título conquistado na Mongólia © Kulumbegashvili Tamara / FIJ
No judô, as derrotas raramente são esquecidas. Elas servem como instrumentos de aprendizado e reforçam um dos princípios mais importantes da filosofia concebida por Jigoro Kano Shihan: a humildade.
E foi exatamente essa postura que Uta Abe apresentou em Ulaanbaatar. Mesmo durante uma campanha marcada pelo domínio técnico, a japonesa continuou buscando novas soluções, explorando diferentes transições e ampliando seu repertório no ne-waza.
Os números impressionam: campeã olímpica, pentacampeã mundial e agora dona de 12 títulos de Grand Slam. Ainda assim, as estatísticas não contam toda a história. O que distingue Uta Abe é sua capacidade de manter um padrão de excelência raramente visto no esporte de alto rendimento.
Quem acompanha sua rotina de treinamentos sabe que o sucesso não é fruto apenas do talento. Embora a família Abe tenha produzido dois dos maiores nomes do judô japonês contemporâneo — Uta e seu irmão Hifumi Abe —, os resultados são consequência de anos de dedicação, disciplina e atenção minuciosa aos detalhes.
Mas a trajetória de uma grande campeã também é construída por suas adversárias. Não existe excelência sem desafios. Cada atleta que entra no tatami para enfrentá-la busca aquilo que poucas conseguiram encontrar: uma forma de superá-la.
A francesa Amandine Buchard conseguiu. A uzbeque Diyora Keldiyorova também. Longe de diminuírem a grandeza de Uta Abe, essas vitórias ajudam a dimensionar sua carreira e tornam sua trajetória ainda mais relevante.
Essa é uma das maiores lições do judô. O adversário não é um inimigo, mas um parceiro indispensável no processo de evolução. É por meio do respeito, da coragem e da busca constante pelo aperfeiçoamento que atletas e modalidade continuam avançando.
O Grand Slam de Ulaanbaatar serviu como mais uma demonstração da força competitiva de Uta Abe. Após seis meses longe das competições internacionais, ela retornou em alto nível, exibindo controle absoluto e refinamento técnico durante toda a campanha.
Os próximos capítulos dessa história já estão no horizonte: o Campeonato Mundial de Baku, ainda em 2026, e a caminhada rumo aos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
Suas adversárias continuarão estudando seus movimentos e procurando maneiras de derrotá-la. E é justamente por isso que Uta Abe continuará evoluindo.
Porque, no judô, a verdadeira grandeza nunca é construída sozinha.
24 de junho de 2026
23 de junho de 2026
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