Brasil conquista o octacampeonato pan-americano e mantém hegemonia invicta há quase uma década

Campeã olímpica e bicampeã mundial, Rafaela Silva segue sendo uma das judocas mais vitoriosas do cenário mundial © CPJ

Oito títulos consecutivos estabelecem o domínio brasileiro em uma sequência histórica de invencibilidade continental, um feito que redefine o patamar competitivo do judô nas Américas.

Por Paulo Pinto / Global Sports
Curitiba, 25 de abril de 2026

Reunindo 219 judocas de 25 países de dois continentes, o Campeonato Pan-Americano Sênior de Judô foi realizado entre os dias 18 e 20 de abril, no Centro de Convenciones Vasco Nuñez, no Hotel Panamá, na Cidade do Panamá. Em três dias de disputas — sendo sábado e domingo dedicados às competições individuais e a segunda-feira reservada às equipes mistas — o evento consolidou, mais uma vez, o protagonismo brasileiro no cenário continental.

Paulo Wanderley Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Judô, e Carlos Zegarra Presser, presidente da Confederação Pan-Americana de Judô, duas das principais referências políticas do judô continental © CPJ

Octacampeonato consolida hegemonia

Com seis medalhas de ouro, duas de prata e seis de bronze, o Brasil não apenas liderou o quadro geral, mas atingiu um feito que transcende o resultado imediato: o octacampeonato pan-americano consecutivo, consolidando uma hegemonia que se estende por quase uma década nas Américas.

Mais uma vez, Rafael Macedo exibe o judô de alto nível que o consolida entre os principais nomes da categoria © CPJ

Mais do que vencer, o judô brasileiro reafirma um padrão estrutural de excelência, sustentado por renovação constante e profundidade técnica em praticamente todas as categorias.

Com um judô agressivo e de resultado, Nauana Silva conquistou o título no peso médio © CPJ

O domínio atual ganha ainda mais relevância quando observado sob perspectiva histórica. Antes da ascensão brasileira, o cenário continental foi amplamente dominado por Cuba. Hoje, a lógica se inverteu — e com consistência.

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Leitura técnica do continente

Dos 25 países participantes, apenas oito conquistaram medalhas de ouro, evidenciando a concentração técnica nas principais potências da região.

Carlos Zegarra Presser com a argentina Paula Belén Pareto, La Peque, campeã olímpica no
Rio de Janeiro (2016) e medalhista de bronze em Pequim (2008) © CPJ

Cuba terminou na segunda colocação, com duas medalhas de ouro, uma de prata e duas de bronze, somando cinco pódios. No entanto, disputou apenas três finais.

William Lima não pontuou no Pan-Americano realizado no Panamá © CPJ

Já os Estados Unidos, terceiro colocado, conquistaram uma medalha de ouro, quatro de prata e três de bronze, totalizando oito medalhas e presença em cinco finais.

Delegação completa do Brasil no Panamá, com atletas, comissão multidisciplinar, o chefe de delegação Marcelo Theotonio e o presidente da CBJ, Paulo Wanderley © CPJ

O dado revela um movimento importante no cenário continental: os norte-americanos ampliam gradativamente sua presença em decisões, sinalizando um processo consistente de evolução que pode, a médio prazo, alterar a configuração da vice-liderança nas Américas.

Desempenho brasileiro

A campanha brasileira foi marcada por equilíbrio entre experiência e renovação.

No primeiro dia, as medalhas vieram com Nauana Silva (-70kg) e Daniel Cargnin (-73kg), enquanto Rafaela Silva (-63kg) ficou com a prata, e Luana Carvalho (-70kg), Guilherme de Oliveira (-73kg) e Beatriz Freitas (-78kg) garantiram medalhas de bronze.

Edison Minakawa, Membro Comissionado da CPJ, com Gary Takemoto, o norte-americano diretor de arbitragem da Confederação Pan-Americana de Judô e os árbitros que atuaram no certame © CPJ

No segundo dia, o Brasil ampliou sua superioridade com mais quatro ouros, conquistados por Clarice Ribeiro (-48kg), Larissa Pimenta (-52kg), Shirlen Nascimento (-57kg) e Leonardo Gonçalves (-100kg). A equipe ainda somou a prata de Sarah Souza (-57kg) e os bronzes de David Lima (-81kg), Rafael Macedo (-90kg) e Lucas Lima (+100kg).

Dobradinha brasileira no peso leve: Shirlen Nascimento conquista o ouro, Sarah Souza fica com a prata, enquanto Maria Villalba (COL) e Ana Rosa (DOM) completam o pódio com o bronze © CPJ

O conjunto de resultados evidencia não apenas o talento individual, mas a capacidade do Brasil de manter competitividade em todas as frentes — característica essencial para sustentar um ciclo dominante.

Gestão continental e projeção internacional

O sucesso do evento também reflete o momento organizacional do judô pan-americano sob a liderança do presidente da Confederação Pan-Americana de Judô, Carlos Zegarra Presser, que vem consolidando competições de alto nível técnico e estrutural no continente.

“Seguimos comprometidos com o desenvolvimento e crescimento do judô em toda a região, criando oportunidades para que nossos atletas alcancem o mais alto nível competitivo”, destacou Zegarra.

Um dos judocas mais técnicos de sua geração, Daniel Cargnin foi campeão do pesos leves (73 kg) © CPJ

Presença institucional e continuidade de projeto

A competição contou com a presença ativa do presidente da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), Paulo Wanderley Teixeira, que acompanhou de perto o desempenho da seleção brasileira, reforçando o alinhamento entre gestão e resultado esportivo.

“Esse resultado é fruto de um trabalho estruturado que começou há muitos anos e que hoje se traduz em uma geração forte, preparada e altamente competitiva. O judô brasileiro vive um momento especial, com novos talentos surgindo e dando continuidade a uma trajetória de excelência”, afirmou.

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Seleção brasileira: profundidade técnica e estrutura consolidada

A conquista do octacampeonato pan-americano também reflete a consistência de um grupo amplo e altamente qualificado, formado por atletas que representam diferentes polos de desenvolvimento do judô nacional — um indicativo claro da capilaridade e da eficiência do sistema brasileiro.

De volta após longo período de recuperação, Clarice Ribeiro retorna em alto nível e conquista o ouro no peso ligeiro; Mary Dee Vargas Ley (CHI) fica com a prata, enquanto Maria Celia Labor de (USA) e Laura Vasquez completam o pódio com o bronze © CPJ

EQUIPE FEMININA

48kg — Clarice Ribeiro (Minas Tênis Clube/FMJ-MG)
52kg — Larissa Pimenta (E.C. Pinheiros/FPJUDÔ-SP)
57kg — Sarah Souza (E.C. Pinheiros/FPJUDÔ-SP)
57kg — Shirlen Nascimento (SESI/FPJUDÔ-SP)
63kg — Rafaela Silva (Instituto Reação/FJERJ-RJ)
70kg — Nauana Silva (E.C. Pinheiros/FPJUDÔ-SP)
70kg — Luana Carvalho (SESI-SP/FPJUDÔ-SP)
78kg — Beatriz Freitas (E.C. Pinheiros/FPJUDÔ-SP)
+78kg — Beatriz Souza (E.C. Pinheiros/FPJUDÔ-SP)

EQUIPE MASCULINA

60kg — Diego Ismael (Minas Tênis Clube/FMJ-MG)
66kg — Willian Lima (Associação Namie de Judô/FPJUDO-SP)
73kg — Daniel Cargnin (Sogipa/FGJ-RS)
73kg — Guilherme de Oliveira (Paineiras do Morumby/FPJUDO-SP)
81kg — David Lima (Sogipa/FGJ-RS)
90kg — Rafael Macedo (Sogipa/FGJ-RS)
100kg — Leonardo Gonçalves (Sogipa/FGJ-RS)
+100kg — Andrey Coelho (Grêmio Náutico União/FGJ-RS)
+100kg — Lucas Lima (E.C. Pinheiros/FPJUDO-SP)

COMISSÃO TÉCNICA

A estrutura que sustenta o desempenho em alto nível também se expressa na comissão técnica, responsável por conduzir, preparar e dar suporte à equipe ao longo de toda a competição.

Chefe de delegação: Marcelo Theotonio da Silva
Subchefe de delegação: Maicon David Lima Maia
Técnica: Andrea Berti Rodrigues Guedes
Técnico: Antonio Carlos de Oliveira Pereira
Técnico: Leandro Marques Guilheiro
Médico: Rubio Arruda Rodrigues
Fisioterapeuta: Ricardo Guimarães Amade

Principal referência histórica do judô colombiano, Yuri Alvear — medalhista olímpica em Londres 2012 (bronze), Rio 2016 (prata) e Tóquio 2020 (bronze), além de campeã mundial em 2013 — realizou a entrega das medalhas do peso meio-pesado masculino; Leonardo Gonçalves (BRA) ficou com o ouro, Ivan Felipe Silva Morales (CUB) com a prata, enquanto Francisco Balanta (COL) e Oscar Santana (DOM) completaram o pódio com o bronze © CPJ

Supremacia que se renova

Mais do que o número expressivo de medalhas, o Campeonato Pan-Americano Sênior de 2026 evidenciou um aspecto determinante: o Brasil não depende mais de nomes isolados para vencer. A força reside no conjunto, um grupo altamente qualificado sustentado por um sistema sólido e consolidado.

E é justamente essa estrutura — aliada à renovação constante, à capacidade de adaptação e ao suporte institucional, com destaque para o apoio do Governo Federal e de parceiros estratégicos como o BNDES — que sustenta a supremacia verde e amarela no judô das Américas e projeta o país, com solidez, para os desafios do ciclo internacional.

A Confederação Brasileira de Judô conta com o patrocínio do BNDES, responsável por um aporte estruturante no atual ciclo olímpico da modalidade.

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