Paulistas conquistam o masculino, cariocas lideram o feminino e gaúchos encerram o Brasileiro Júnior com o título por equipes

Campeonato Brasileiro de Judô Júnior reuniu a nova geração em São José (SC) © Anderson Neves / CBJ

Disputas individuais reúnem 323 judocas de 25 unidades federativas em São José; competição por equipes mistas mobiliza 152 atletas e termina com Rio Grande do Sul campeão, Rio de Janeiro vice e São Paulo e Paraná com os bronzes.

Por Paulo Pinto / Global Sports
Curitiba, 31 de agosto de 2026

O Campeonato Brasileiro de Judô Júnior reuniu 323 atletas no Centro Arena Multiuso, em São José, na Grande Florianópolis, entre sexta feira (28) e domingo (30). Com representantes de 25 unidades federativas, a competição definiu os campeões das 14 categorias individuais e encerrou sua programação com a disputa por equipes mistas.

Dirigentes na cerimônia de abertura: Helder Marcos Faggion (PR), Sandro Borges (SC), Paulo Wanderley (CBJ), Herbert Maia (RN), Salvatore Puonzo (BA), César Vieira (PA) e Celso Galdino (TO) © Anderson Neves / CBJ

Dos 323 judocas inscritos, 174 competiram no masculino e 149 no feminino. Apenas Acre e Roraima não participaram, resultado que conferiu abrangência nacional ao evento e reuniu, em Santa Catarina, atletas que representam diferentes estágios de desenvolvimento da modalidade no país.

As dez maiores delegações concentraram 196 judocas, o equivalente a 60,7% de todos os inscritos. São Paulo levou o maior contingente, com 32 representantes, seguido por Rio de Janeiro, com 29, Rio Grande do Sul, com 28, e Minas Gerais, com 20.

A tradição do judô brasileiro ganha força a cada nova geração formada no país © Anderson Neves / CBJ

Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e Paraná compareceram com 18 atletas cada. Bahia e Rio Grande do Norte completaram a relação das dez maiores delegações, ambos com 15 representantes.

Novas gerações mantêm o judô brasileiro em movimento e ampliam a força feminina nos tatamis © Anderson Neves / CBJ

Potências mantêm o comando

O resultado masculino confirmou o domínio dos estados que tradicionalmente ocupam as primeiras posições do judô brasileiro. São Paulo liderou com três ouros, duas pratas e cinco bronzes. O Rio Grande do Sul ficou em segundo, com dois ouros, uma prata e quatro bronzes, seguido por Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Paulo Wanderley Teixeira, presidente da CBJ, participa da cerimônia de premiação © Anderson Neves / CBJ

A principal novidade entre os cinco primeiros foi o Ceará, que alcançou a quinta colocação graças ao bronze conquistado por Richarde Ryan Andrade de Oliveira na categoria até 100kg.

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No feminino, o Rio de Janeiro assumiu a liderança com três ouros, três pratas e dois bronzes. O Rio Grande do Sul terminou na segunda posição, seguido por São Paulo, Distrito Federal e Minas Gerais.

De geração em geração, o judô brasileiro transforma tradição esportiva em novos talentos © Anderson Neves / CBJ

O resultado que mais chamou atenção foi o de Mato Grosso do Sul. Reconhecido como um dos tradicionais celeiros do judô feminino brasileiro, o estado levou nove competidoras a São José, mas encerrou a disputa sem medalhas e ficou na 25ª colocação. O desempenho contrastou com a presença de Mato Grosso do Sul entre as maiores delegações do campeonato.

Sandro Borges, presidente da Federação Catarinense de Judô e anfitrião da competição, participa da cerimônia de premiação © Anderson Neves / CBJ

Formação para os próximos ciclos

Mais do que distribuir títulos nacionais, o Brasileiro Júnior ocupou uma posição estratégica no processo de renovação da seleção brasileira. A competição integra o caminho de atletas que se aproximam da classe sênior e começam a disputar espaço nos ciclos olímpicos de Los Angeles 2028 e Brisbane 2032.

O Brasileiro Júnior mostrou novos talentos prontos para enfrentar os desafios que moldam atletas de alto rendimento © Anderson Neves / CBJ

O presidente da Confederação Brasileira de Judô, Paulo Wanderley Teixeira, destacou a evolução da competição e a importância da classe júnior na transição para o alto rendimento internacional.

“Aqui nós temos 25 das 27 federações, mais de 300 atletas em uma competição que classifica para o Mundial, então atingiu todas as nossas expectativas. As Olimpíadas de Brisbane já estão na porta, o processo de Los Angeles está praticamente encerrado e o de 2032 já está em andamento. O Campeonato Brasileiro Júnior, que é uma grande porta de entrada para a classe sênior, vem ficando cada vez mais importante no ranking olímpico”, avaliou Paulo Wanderley.

César Vieira participa de sua primeira cerimônia de premiação em um Campeonato Brasileiro como presidente da Federação de Judô do Pará © Anderson Neves / CBJ

Santa Catarina fortalece seu projeto de formação

À frente da Federação Catarinense de Judô, entidade anfitriã do campeonato, o professor Sandro Borges destacou que receber a principal competição nacional da classe júnior ultrapassou a dimensão esportiva do fim de semana.

Para o dirigente, a presença das maiores forças do país em São José reconheceu o trabalho desenvolvido pelos clubes catarinenses e colocou em evidência uma política de formação que envolve atletas, técnicos e árbitros.

Rio de Janeiro liderou a classificação feminina, seguido por Rio Grande do Sul, São Paulo, Distrito Federal e Minas Gerais © Anderson Neves / CBJ

Borges também ressaltou que sediar um evento desse porte fortalece a integração de Santa Catarina ao processo de renovação do judô brasileiro.

“O Campeonato Brasileiro Júnior representa um momento importante para o judô catarinense. Para nós, não foi apenas uma competição no calendário, mas uma oportunidade de mostrar o trabalho que vem sendo construído nos clubes, na federação e nos tatamis de todo o estado. Santa Catarina vem investindo na formação de atletas, técnicos e árbitros com um olhar de longo prazo, e sediar um Brasileiro também é uma forma de reconhecer esse esforço coletivo. Mais do que resultados, buscamos revelar talentos, valorizar quem constrói o judô diariamente e contribuir para o crescimento do esporte em nível nacional”, afirmou Sandro Borges.

São Paulo liderou a classificação masculina, seguido por Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Ceará © Anderson Neves / CBJ

Presença das federações estaduais

A abertura contou com a participação de Paulo Wanderley Teixeira, presidente da CBJ, e dos presidentes Sandro Borges, de Santa Catarina, Henrique Guimarães, de São Paulo, Salvatore Puonzo, da Bahia, Celso Galdino, do Tocantins, Herbert Maia, do Rio Grande do Norte, César Vieira, do Pará, Helder Marcos Faggion, do Paraná, e Reginaldo Fonseca, do Piauí.

O Brasileiro Júnior fomenta a cultura do judô e fortalece sua presença entre as novas gerações © Anderson Neves / CBJ

A presença de César Vieira ganhou relevância particular por marcar a participação institucional da Federação Paraense de Judô em uma competição nacional depois de um longo período sem que um dirigente do estado fosse visto nesse ambiente. O comparecimento ampliou a representatividade política do encontro e acompanhou o retorno do Pará ao convívio das principais lideranças estaduais da modalidade.

Rio Grande do Sul conquistou o título por equipes mistas, Rio de Janeiro ficou com a prata, e São Paulo e Paraná completaram o pódio © Anderson Neves / CBJ

Rio Grande do Sul é campeão por equipes mistas

A competição por equipes mistas encerrou o Campeonato Brasileiro de Judô Júnior no domingo (30), reunindo 152 atletas — 81 homens e 71 mulheres — de 14 federações estaduais.

Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro protagonizaram uma final equilibrada, decidida somente na luta de desempate. O sorteio apontou a categoria feminina acima de 78kg e colocou novamente frente a frente Olívia Oliveira e Ana Soares.

Atletas e comissão técnica do Rio Grande do Sul celebram o título brasileiro por equipes mistas © Anderson Neves / CBJ

Ana havia vencido o primeiro confronto entre as duas na competição por equipes, enquanto Olívia conquistara o título individual no sábado justamente diante da adversária carioca. No combate decisivo, após 8min57s e uma longa disputa no golden score, a gaúcha marcou o ippon que garantiu o título ao Rio Grande do Sul.

Atletas e comissão técnica do Rio de Janeiro celebram o vice-campeonato brasileiro por equipes mistas © Anderson Neves / CBJ

A campanha dos campeões começou com uma vitória por 4 a 0 sobre a Paraíba, nas oitavas de final. Nas quartas, a equipe repetiu o placar diante do Paraná. A semifinal contra São Paulo também exigiu uma luta de desempate, vencida por Cecília da Silva sobre Larissa Menezes.

Atletas e comissão técnica de São Paulo celebram a medalha de bronze por equipes mistas © Anderson Neves / CBJ

Nas disputas pelas medalhas de bronze, o Paraná superou Mato Grosso do Sul, enquanto São Paulo venceu Minas Gerais. O Rio de Janeiro terminou com a prata.

Atletas do Paraná celebram a medalha de bronze por equipes mistas © Anderson Neves / CBJ

Classificação final por equipes mistas

1º         Rio Grande do Sul — Ouro
2º         Rio de Janeiro — Prata
3º         São Paulo — Bronze
3º         Paraná — Bronze

Pódios individuais masculino

Até 60kg
Ouro: João Francisco Oliveira Rodrigues (SP)
Prata: Carlos Tevano Simplício do Amaral Filho (MG)
Bronze: Victor Hugo Oliveira Santiago da Silva (RJ)
Bronze: Lucas Bisteni Luna Yamamoto (SP)

Até 66kg
Ouro: Cauã Schramm Souza Santos (RS)
Prata: João Gabriel de Barros Brandão (RJ)
Bronze: Gustavo Tertuliano da Costa Lima (DF)
Bronze: Cauã Yuta Yokota Kiwada (SP)

Até 73kg
Ouro: Hiago Gabriel Brito Bastos (SP)
Prata: Samuel Freires Franco Fernandes (RS)
Bronze: José Tiago Silva das Neves Filho (RS)
Bronze: Renan Breintenbach Lima (RS)

Até 81kg
Ouro: Gustavo dos Santos Vieira (RJ)
Prata: Ruan de Lana Vasconcelos (RJ)
Bronze: Isaaf Matos Bezerra (RS)
Bronze: Pedro Henrique Santos da Silva (SP)

Até 90kg
Ouro: João Antônio Costa de Melo D’Ávila (MG)
Prata: Ronaldo Messias de Souza (RJ)
Bronze: Lucas Felipe Ribeiro (SP)
Bronze: Azaias Linhares dos Santos (GO)

Até 100kg
Ouro: Thiago Wander Rodrigues da Silva Junior (SP)
Prata: Gilberto Joaquim Neto (SP)
Bronze: Richarde Ryan Andrade de Oliveira (CE)
Bronze: Ricardo Góes dos Anjos Bittencourt (MG)

Acima de 100kg
Ouro: Alexandre Albano II (RS)
Prata: Gustavo Reis (SP)
Bronze: Leonardo Araujo Duque (SP)
Bronze: Marcus Vinicius Fonseca Preigschadt (RS)

Pódios individuais feminino

Até 48kg
Ouro: Julia Francisca da Silva Rodrigues (SP)
Prata: Juliana Rodrigues Yamasaki (SP)
Bronze: Emanuelly Luciana da Silva Sena (RJ)
Bronze: Gabrielly Nascimento Rosa (SP)

Até 52kg
Ouro: Nicole Luisa Marques Rodrigues (DF)
Prata: Isabeli Teixeira Barreto (SP)
Bronze: Kamilly Lira Lobo (RJ)
Bronze: Maria Antônia Vieira Argemi (RS)

Até 57kg
Ouro: Victória Santos Frade (RJ)
Prata: Gabriela Pereira Santos (RJ)
Bronze: Larissa Aparecida Arruda de Menezes (SP)
Bronze: Isabelle Alves de Paula (SP)

Até 63kg
Ouro: Laryssa Camilly Mattos da Fonseca (RJ)
Prata: Livia Vieira Resende (SP)
Bronze: Ana Caroline Mares da Costa (PR)
Bronze: Pietra Estrela Aquino (RS)

Até 70kg
Ouro: Carolina Cruz Marcon (RS)
Prata: Ana Beatriz da Silva Moreira (RJ)
Bronze: Anna Júlia Tyska Sperling (RS)
Bronze: Manuela Souza de Oliveira (MG)

Até 78kg
Ouro: Monique Alves Ribeiro da Silva (RJ)
Prata: Bianca Cardoso Freitas (MG)
Bronze: Vitória Hellen Moreira Maia (RS)
Bronze: Isabelle Rezende Mafra (MG)

Acima de 78kg
Ouro: Olívia Ramos Carvalho de Oliveira (RS)
Prata: Ana Gabrielle de Sousa Soares (RJ)
Bronze: Vitória Jordão Petzol de Siqueira (SP)
Bronze: Jasmine Carolina Costa Monteiro de Lima (SP)

Classificação feminina

1º — Rio de Janeiro: 3 ouros, 3 pratas e 2 bronzes — 8 medalhas
2º — Rio Grande do Sul: 2 ouros, 0 pratas e 4 bronzes — 6 medalhas
3º — São Paulo: 1 ouro, 3 pratas e 5 bronzes — 9 medalhas
4º — Distrito Federal: 1 ouro, 0 pratas e 0 bronzes — 1 medalha
5º — Minas Gerais: 0 ouros, 1 prata e 2 bronzes — 3 medalhas

Classificação masculina

1º — São Paulo: 3 ouros, 2 pratas e 5 bronzes — 10 medalhas
2º — Rio Grande do Sul: 2 ouros, 1 prata e 4 bronzes — 7 medalhas
3º — Rio de Janeiro: 1 ouro, 3 pratas e 1 bronze — 5 medalhas
4º — Minas Gerais: 1 ouro, 1 prata e 1 bronze — 3 medalhas
5º — Ceará: 0 ouros, 0 pratas e 1 bronze — 1 medalha

A Confederação Brasileira de Judô conta com o patrocínio oficial do BNDES e com o apoio institucional do Comitê Olímpico do Brasil.

http://www.shihan.com.br