12 de setembro de 2026
Brasil se mantém entre as principais potências do judô mundial e confirma, em Budapeste, a força de um trabalho construído no alto rendimento © Di Feliciantonio Emanuele e fotomontagem Global Sports
O judô brasileiro saiu de Budapeste com motivos para celebrar muito além das três medalhas. Em uma competição com representantes de seis continentes, o Brasil conquistou pódios nos três dias e encerrou o Grand Slam da Hungria entre as quatro primeiras seleções da classificação geral. À sua frente, apenas Japão, Rússia e Israel. Um resultado de peso na aproximação do Campeonato Mundial Sênior.

Guilherme Schimidt projeta o sérvio Boris Rutovic na final dos -90kg e conquista o terceiro ouro de Grand Slam da carreira © Emanuele Di Feliciantonio / FIJ
Na Arena Papp László, a campanha brasileira reuniu emoção até o último segundo, uma primeira final de Grand Slam e o retorno ao topo do pódio. Sarah Souza (-57kg), do Esporte Clube Pinheiros, abriu o caminho com o bronze na sexta-feira (11). No sábado (12), Kaillany Cardoso (-70kg), do Minas Tênis Clube, conquistou a prata em sua estreia em decisões desse nível. No domingo (13), Guilherme Schimidt (-90kg), da Sogipa, fechou a sequência com o ouro.
A seleção ficou à frente de potências mundiais como Azerbaijão e França e voltou a ser a delegação mais bem colocada das Américas. O resultado reforçou a sequência de conquistas no circuito internacional: na etapa anterior, em Lausanne, o Brasil somou quatro medalhas, com o ouro de Daniel Cargnin e os bronzes de Clarice Ribeiro, Michel Augusto e Rafaela Rodrigues.

Guilherme Schimidt aplica o seoi-otoshi que valeu ippon e garantiu o ouro na final dos -90kg © Emanuele Di Feliciantonio / FIJ
A final dos -90kg colocou Guilherme Schimidt diante de um adversário conhecido: o sérvio Boris Rutovic, que o havia superado na decisão do Grand Slam de Astana nesta temporada. Em Budapeste, o brasileiro encontrou a resposta no momento mais delicado do combate.
Com dois shidos, Schimidt precisava administrar o risco de uma terceira punição sem abrir mão do ataque. A menos de um minuto do fim, entrou por baixo do adversário e executou um seoi-otoshi preciso. A projeção recebeu inicialmente a marcação de wasari, rapidamente corrigida para ippon. A luta estava encerrada. O ouro era brasileiro.

Kaillany Cardoso projeta a grega Elisavet Teltsidou durante a final dos -70kg © Emanuele Di Feliciantonio / FIJ
Foi seu terceiro título de Grand Slam, o segundo em Budapeste e o primeiro desde a mudança dos -81kg para os -90kg. Quatro anos depois da conquista de 2022, Schimidt voltou ao topo na capital húngara, agora em uma categoria que exigiu adaptação física e competitiva.
“Meu objetivo agora é a medalha de ouro no Campeonato Mundial.”
O caminho até o ouro teve cinco vitórias, três delas por ippon. Na estreia, avançou diante do norueguês Kornelius Eilertsen após o terceiro shido do adversário. Depois, venceu o egípcio Abdalla Abdelsamea e o moldavo Mihail Latisev por ippon. Na semifinal, um yuko no golden score contra o bielorrusso Yahor Varapayeu abriu a passagem para a revanche com Rutovic.

Kaillany Cardoso aplica um ipponzaço sobre a italiana Irene Pedrotti em seu segundo combate nos -70kg © Emanuele Di Feliciantonio / FIJ
O título também dá dimensão à recuperação física do brasileiro. Em declaração à Federação Internacional de Judô (FIJ), Schimidt lembrou que passou por uma cirurgia e mudou de categoria há cerca de um ano. Explicou que se sente mais forte sem o corte rigoroso de peso e que, adaptado aos -90kg, tem o ouro mundial como objetivo.
“Ganhar meu primeiro título de Grand Slam no peso médio aqui em Budapeste, onde já havia vencido no meio-médio, me deixa extremamente grato”, afirmou o campeão. “Agora que estou totalmente adaptado, me sinto mais forte sem o corte de peso rigoroso e meu objetivo é a medalha de ouro no Campeonato Mundial.”

Sarah Souza aplica o ippon decisivo sobre a húngara Luca Veg na disputa pela medalha de bronze dos -57kg © Emanuele Di Feliciantonio / FIJ
Budapeste acrescentou mais uma conquista a uma temporada que já incluía pratas no Grand Slam de Astana e no Grand Prix de Qingdao, além de bronzes no Grand Slam de Tbilisi e no Grand Prix de Lima.

Aos 22 anos, Kaillany Cardoso conquistou em Budapeste sua primeira medalha de Grand Slam. Foram quatro vitórias até a final dos -70kg, em uma campanha que ampliou o espaço da brasileira entre as protagonistas da categoria.
Na estreia, Kaillany avançou diante da bósnia Aleksandra Samardzic após o terceiro shido da adversária. Na sequência, venceu a italiana Irene Pedrotti por ippon e a sueca Ingrid Nilsson com dois vasaris. A semifinal contra a portuguesa Tais Pina exigiu precisão: um yuko garantiu a classificação para a decisão.

Sarah Souza e a húngara Luca Veg travaram uma disputa eletrizante pelo bronze dos -57kg decidida no último segundo pelo ippon da brasileira © Emanuele Di Feliciantonio / FIJ
Na final, enfrentou a experiente Elisavet Teltsidou. A grega construiu sua vitória combinando um ataque de projeção com a sequência no solo e conquistou o quinto título de Grand Slam da carreira.
Para Kaillany, a prata marcou um novo patamar. Vice-campeã mundial júnior em 2023 e bronze no Grand Prix de Guadalajara em 2025, a brasileira chegou à terceira medalha internacional de 2026, depois das pratas nos Opens de La Nucia Benidorm, na Espanha, e de Lima, no Peru.
O primeiro pódio brasileiro teve a assinatura da persistência de Sarah Souza. Na disputa pelo bronze dos -57kg, contra a húngara Luca Veg, a brasileira encontrou o ataque decisivo quando o tempo regulamentar estava terminando.
Diante da torcida da casa, Sarah entrou por baixo do centro de gravidade da adversária e executou um seoi-nage que valeu ippon no último segundo. A projeção encerrou o combate e frustrou a expectativa do público por uma medalha da anfitriã.

Pódio dos -90kg no Grand Slam de Budapeste com Guilherme Schimidt no centro com a medalha de ouro Boris Rutovic com a prata e Mihail Latisev e Lachlan Moorhead com os bronzes © Emanuele Di Feliciantonio / FIJ
A campanha de Sarah também evidenciou sua capacidade de resolver lutas no solo. Na estreia, venceu Luca Mamira por ippon com uma imobilização. Depois, superou a croata Ana Viktorija Puljiz com um estrangulamento. Nas quartas de final, avançou diante de Mariana Esteves, da Guiné, após o terceiro shido da adversária no golden score.
O bronze coroou uma participação em que a brasileira reuniu recursos técnicos distintos e manteve a iniciativa até o instante decisivo no tatami.

Além das três medalhas, o Brasil teve Larissa Pimenta (-52kg) e Rafael Macedo (-90kg) na sétima colocação. Foram cinco brasileiros entre os sete primeiros de suas categorias.
O ouro de Guilherme Schimidt correspondeu a uma premiação de € 5.000. A prata de Kaillany Cardoso teve premiação de € 3.000, enquanto o bronze de Sarah Souza correspondeu a € 1.500.

Pódio dos -70kg no Grand Slam de Budapeste com Elisavet Teltsidou no centro com a medalha de ouro Kaillany Cardoso com a prata e Serafima Moscalu e Michaela Polleres com os bronzes © Emanuele Di Feliciantonio / FIJ
O quadro final ajuda a medir o que o Brasil alcançou. A França terminou em 11º, com duas pratas e um bronze. Os Estados Unidos compartilharam a 32ª posição, enquanto o Canadá apareceu no grupo de países em 42º. Ambos encerraram a competição sem pódios.
O comparativo retrata as delegações e os resultados desta etapa. Nesse cenário, mais uma vez o Brasil se colocou no grupo do topo, com presença em duas finais e medalhas conquistadas tanto no masculino quanto no feminino.

Pódio dos -57kg no Grand Slam de Budapeste com Haruka Funakubo no centro com a medalha de ouro Olga Mukhina com a prata e Sarah Souza e Seija Ballhaus com os bronzes © Emanuele Di Feliciantonio / FIJ
Há um sinal importante na diversidade dessas conquistas. O Brasil venceu com um atleta que se consolidou em uma nova categoria, chegou à final com uma judoca que estreou no pódio de Grand Slams e assegurou um bronze com técnica e decisão no último segundo. Experiência, evolução e competitividade apareceram juntas.
Na avaliação da reportagem, a campanha evidencia a força do trabalho dos atletas, de seus clubes e treinadores e da estrutura de preparação da Confederação Brasileira de Judô, sob a direção-geral de Kenji Saito. O quarto lugar dá expressão concreta a esse esforço coletivo: diante de uma concorrência internacional intensa, o Brasil mantém sua presença na disputa pelas primeiras posições do circuito e encerrou Budapeste entre as potências que compõem a elite do judô mundial.
A Confederação Brasileira de Judô conta com o patrocínio oficial do BNDES e com o apoio institucional do Comitê Olímpico do Brasil.
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